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sábado, 14 de março de 2009

2046. Tertúlia virtual - "Desejo"












Somos um objecto, na paixão,

totalmente submissos,

sem poder prever os golpes que sofremos;

aí reside a grandeza, a loucura, o assombro da paixão.


Para mim, o desejo só pode ter lugar entre o masculino e o feminino,

entre sexos diferentes.


O outro desejo é um
autodesejo,

é, para mim,

como que o prolongamento da prática masturbatória do homem ou da mulher.


O esplendor da paixão,

a sua imensidade,o seu sofrimento, o seu inferno,

reside no facto de só poder verificar-se entre géneros irreconciliáveis,

o masculino e o feminino.


Tanto a paixão como o desejo.

Os casais homossexuais são muito mais estáveis

do que os casais heterossexuais,

porque na homosexualidade

há uma prática simples e cómoda do desejo.


A prática heterossexual é ainda selvagem,

é ainda a floresta do desejo.


Na prática homossexual não creio que exista

esse fenómeno de posse que existe na heterossexual.


Na prática homossexual existe

uma espécie de intermutabilidade do prazer,

as pessoas nunca pertencem na homossexualidade

como pertencem na heterossexualidade.


É um inferno não se poder
escapar ao desejo de uma pessoa,

é a isso que eu chamo, quando a mim,

o esplendor da heterossexualidade.


Marguerite Duras

(1914 –1996)













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