Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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quinta-feira, 5 de maio de 2011

2792. Então, quem falava verdade?

Quem tenha estado com um mínimo de atenção ao que se tem vindo a passar, decerto já notou um facto singular.

Pedro Passos Coelho tem vindo a diagnosticar várias incongruências (isto para ser moderado) na governação de Portugal e afirmar uma série de propostas que têm de ser levadas à prática, para que o País possa sair da situação desesperada em que se encontra.

E mais:

Tem-no feito de forma desassombrada, mas sem alarmismos e gritarias. Em tom sereno e muito paciente - mesmo quando nas entrevistas é interrompido, de modo a não lhe ser permitido dar resposta ao que se lhe pergunta... O que é bem sintomático.

E aquilo a que temos assistido é a um coro orquestrado pelo Primeiro Mentiroso do País que dá o tom que, depois, os amestrados seguidores, seguem religiosamente e chegam mesmo a aumentar de forma desmesurada. Chamam-lhe tudo e tentam ridicularizar as suas afirmações.

Curiosamente, desde ontem que se verifica uma certa inflexão. Começou mansamente mas hoje, depois da conferência de imprensa da troika está a acentuar-se.

Claro que ninguém reconhece explicitamente que Passos Coelho tinha razão, mas o que é certo é que quase tudo o que ele disse saiu acertado, como veio agora a constatar-se, pelo que foi dito na conferência da troika.

Desde logo porque foi afirmado, sem margem para dúvidas, que há no acordo várias medidas que foram suavizadas por influência do PSD. O que prova que Eduardo Catroga não mentiu quando, logo a seguir à onírica declaração do vilarista, veio dizer isso mesmo e que o governo sofrera uma derrota muito grande na discussão do acordo.

E as restantes declarações dos mesmos representantes da troika provaram claramente que o governo sofreu grave derrota. Quase tudo o que vilarista e amigos diziam foi desmentido e muitas coisas que Passos Coelho afirmava foram por eles confirmadas.

Basta pensar - e são apenas 2 exemplos de tantos que podiam ser aqui apontados, mas exemplos extraordinariamente significativos pela influência que terão no desenrolar da governação após 5 de Junho - que Passos Coelho assegurava que

* o acordo não esgotava todas as possibilidades e iria permitir ajustamentos.
- quase toda a gente se riu da afirmação de PC
- agora, a troika confirmou;

* A CGD terá que ser privatizada, em parte
- quase toda a gente veio clamar por sacrilégio
- agora, a troika confirmou

E se a conferência de imprensa desmentiu formal e frontalmente todas as afirmações anteriores do Primeiro Mentiroso, isso é efectivamente uma derrota do governo e, ao mesmo tempo, o reconhecimento do que o que Pedro passos Coelho afirmou e afirma está correcto.

Os comentadores habituais estão a mudar de rumo a uma velocidade muito significativa. Preste, pois, muita atenção.

E falo apenas do conteúdo, esquecendo a forma. É que o vilarista e Pedro Passos Coelho são diametralmente opostos. Enquanto aquele fala com embustes, teatralidade e arrogância assombrosos, Passos Coelho fala serenidade, comedimento e seriedade notáveis.

Ruben Valle Santos
5 Maio 2011
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terça-feira, 3 de maio de 2011

2790. Tortuosidades

... e TS está com uma cara, o infeliz!


Tortuosidades

Deu-se ao trabalho de ouvir a declaração do Amado Líder acerca das negociações com a troika?

E, se se deu a esse trabalho, notou, como foi realçado pelos partidos da Oposição, que a criatura se limitou a dizer o que NÃO ESTAVA no acordo, esquecendo-se de dizer o que ESTAVA que é o que interessa saber?

Isto referiram os partidos da Oposição.

Agora, se me é permitido, digo eu:

Pois, mas tendo dito o que NÃO ESTAVA no acordo (e sabe-se lá se não estará, pois que afirmações dele não merecem crédito...) fê-lo de forma capciosa, de logro, de embuste. Como sempre, aliás.

É que, ao dizer o que NÃO ESTÁ no acordo, não faz uma declaração oficial, declaração de um governante.

Está, isso sim, como qualquer passante apenas a DESMENTIR a Comunicação Social. Porque o que ele disse que não estava foi apenas e somente o que a Comunicação Social vinha a noticiar que PODERIA ESTAR.

Chegámos, pois, ao ponto de o chefe do governo mais não ser do que um desmentidor de notícias dos jornais, rádios e TVs. Ridículo! E, mais do que ridículo, indignificante!

MAS... com ele não chega, porque tem mesmo de ir sempre mais longe!

Repare:

Mesmo isso que a Comunicação Social noticiava que poderia vir no acordo foi-lhe feito chegar pelos spin doctors do homem, pela propaganda do homem, ao longo dos dias.

E para quê?

Para que ele hoje estivesse em condições de aparecer como o grande triunfador, o salvador da pátria e dos mais desvalidos. Porque, afinal, lutara estrenuamente por que aquelas malfeitorias anunciadas (cortes nos subsídios de férias e de Natal) não tivessem vingado.

A este ponto chega a rebuscada e tortuosa mente!...

Quer a prova provada de que tudo não passou do engodo criado por ele e seus malfeitores de que é mesmo como digo?

Pois bem. Então, aí vai:

A que propósito é que durante meses e meses a fio se falou na necessidade de um empréstimo de 80 mil milhões de euros e, dias atrás, já com a troika por cá, subitamente e sem qualquer a propósito, começou a circular por todos os órgãos de CS a "notícia" de que o empréstimo teria de ser não dos tais 80 mil milhões, mas de 100 mil milhões de euros? Como é que, numa questão de poucos dias, havia um acréscimo de 20 mil milhões de euros?

E em que fonte teria a Com. Social obtido tal "cacha", se nem sequer conseguia saber onde se reuniam os homens da troika?

E hoje mesmo fez-se circular que nem os 100 mil milhões chegariam, porque, na realidade, teria que se ir até aos 105 mil milhões.

O que é que acha? Qual teria sido a fonte? É evidente que tais "notícias" fora,m chutadas para os jornalistas pelos homens da propaganda vilarista.

Para quê?! Para ele agora vir dizer que era APENAS de 78 mil milhões!

Deste modo, "saiu" como o Grande e Amado Líder que nos safou de termos de alancar com mais 25 mil milhões de euros.

Que grande herói é o nosso Incomparável Líder de uma cana!!!

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

2781. A "troika" actua, mas a protecção ao vilarista continua

Extremamente “trágico” para o PS do vilarista é a circunstância de a “troika” (FMI, BCE e Comissão Europeia) ter obrigado, por questão de linear transparência, a que se incluísse nas contas do Estado de 2010 o valor dos custos de três – apenas três por enquanto, note-se! – das parcerias público-privadas, as famosas PPPs.

Tal exigência, que era o mínimo que se poderia fazer, obrigou a que o deficit orçamental de 2010, subisse de 8,6% para 9,1%.

* De notar que o governo começou por jurar a pés juntos e dedos atrás das costas em figa, como os putos fazem, que o déficit de 2010 era de 7,3%;

* quase de seguida, chegou ao desplante de garantir que seria ainda menor, ou seja, de 6,9%;

* depois, o INE teve de vir corrigi-lo para 8,6%;

* finalmente, a “troika” acaba de obrigar a trazê-lo para os mais verdadeiros 9,1%.

Ora, calcula-se que não irão parar por aqui as correcções a que a “troika” os obrigará, pois que falta ainda muita coisa e o embuste não tem fim.

Esta é apenas uma pequena parte de um logro de que o INE tinha perfeito conhecimento e não corrigira agora para não ser conhecido antes das eleições de Junho. Por isso e como não era possível continuar a esconder o facto, tudo se preparava, com a conivência do amiguinho Eurostat – que elabora relatórios a partir dos falsos relatórios dos amigos – para que as coisas se soubessem apenas em Setembro, já bem depois das eleições.

Por aqui se vê a vilarice pegada.

A “troika”, porém, cortou as voltas aos aldrabões e obrigou a que uma parte fosse desde já posta no são.

Talvez assim a generalidade dos portugueses perceba FINALMENTE, o quão indispensável era que os fiscais tivessem vindo há muito mais tempo. Agora não estaríamos nos assados em que a cambada de vilaristas nos pôs.

O significado liminar de tudo isto é o de que o governo, ao garantir que o déficit orçamental de 2010 era de 6,9%, estava uma vez mais a vilarizar as contas do País, desta vez em nada mais nada menos do que montante a rondar os 3.000 milhões de euros. Repito, agora por extenso: três mil milhões de euros !!!!

Curiosamente – ou não – tal vilarice, de gravidade inaudita e jamais vista, não está a ser devidamente assinalada.

Que a Comunicação Social – nomeadamente as TVs – não o faça, já não surpreende ninguém. É bem sabido que, de modo geral, está apanhada na rede dos compadrios, favores ilícitos e/ou ameaças; que os partidos da Oposição, especialmente o PSD, não o tenham ainda feito, é incompreensível e suicidário.

Será porque estão apanhados pela urdidura cavilosa de que não se pode deixar cair o PS, mesmo que isso represente salvar o vilarista?

Então, o país, senhores? O país no meio de todas estas jogadas, como é que fica? Endividado, sem honra, sem glória, mergulhado na lama pútrida e fedorenta da mais odiosa ignomínia? A isto chegámos?

Mas que merda vem a ser esta, afinal?

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