Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

1165. Perguntas a exigir respostas claras e urgentes

No momento que atravessamos, há várias perguntas que não é possível deixar de fazer e para as quais se deve exigir resposta pronta, clara, séria e não uma qualquer evasiva desonesta, porque nestas coisas não há meio termo: ou se é sério e transparente ou não se é.

Das muitas que podem ser feitas, aqui ficam estas, a título de exemplo:

1 - Que posição ou posições defendeu o governo português na última cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia, relativamente à questão do Tratado?

2 - Quais as cláusulas que o governo português propôs que fossem incluídas e quais as constavam do texto anterior que deu a saber que pretendia ver suprimidas? Ou limitou-se a estar atento e a tomar notas das decisões dos parceiros, com especial relevo para a Alemanha, para a redacção de que iria ser incumbido?

3 - Qual a posição do governo português relativamente à ratificação do Tratado?
Por uma questão de honestidade política, bater-se-à pela realização de referendo
- a que o partido do governo voluntariamente se obrigou - ou optará por mera ratificação parlamentar - assim faltando a mais um dos compromissos eleitorais que o levaram ao poder e que sistematicamente tem vindo a desrespeitar - ?

É sabido que a resposta a estas questões fundamentais não será dada, como tantas outras o não têm sido. Tal circunstância, porém, não deve levar a que as perguntas deixem de ser colocadas e exigidas as competentes respostas.

A cada qual a sua responsabilidade e correspondente respeito pela observância estrita.
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sábado, 30 de junho de 2007

1161. Ora aqui está...

... sob o manto diáfano da fantasia (as sinuosidades a que já nos vamos habituando...), a nudez forte da verdade a espreitar timidamente e dando uns bitaites, aos poucos, para não escandalizar demasiado...



Presidente do PE admite ratificar tratado apenas nos parlamentos



Sócrates visitou ontem pela primeira vez as instalações permanentes

O presidente do Parlamento Europeu, Hans Gert Pottering, defendeu ontem, em Lisboa, a título pessoal, a legitimidade de os parlamentos nacionais dos 27 Estados membros ratificarem o futuro Tratado da UE.

A posição do dirigente do Partido Popular Europeu/Democratas-Cristãos foi assumida em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, José Sócrates, após uma reunião entre o Governo português e os líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu, nas instalações permanentes da presidência portuguesa, no Pavilhão de Portugal.

Sobre a controvérsia em torno da forma de ratificar o Tratado da União Europeia - em referendos ou por via parlamentar - o primeiro-ministro português ficou em silêncio.

DNotícias online 2007Jun30
(os destaques são da responsabilidade do Blog)

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quinta-feira, 28 de junho de 2007

1158. "Acha honesto" ?

No encerramento do debate parlamentar sobre os objectivos da presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre deste ano, o deputado do PSD Mário David recuperou as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros holandês que, após um encontro com o seu homólogo português, admitiu que o novo Tratado da União Europeia não seja referendado no seu país.

"Não penso que irá haver referendo. Respeitamos os desejos dos holandeses", declarou Maxime Verhagen, considerando que os resultados alcançados na Cimeira de Bruxelas respondem às questões levantadas pelos holandeses, quando chumbaram o projecto anterior.

"Para o ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda já há conteúdo suficiente para se decidir", salientou o deputado social-democrata Mário David, considerando que esta posição do Governo holandês "deita por terra" o argumento do executivo português de que "não há ainda o conteúdo" do novo Tratado da União Europeia.

"Para a Holanda já há conteúdo e isso é verdade", acrescentou Mário David, reiterando que "80 a 90 por cento do antigo Tratado foi recuperado".

Na resposta, o primeiro-ministro acusou os sociais-democratas de desonestidade, salientando que "há uma diferença entre admitir e dizer que não vai ser referendado". (Nota do blog - Anotou o preciosismo?)

"Acham isto honesto? Com sinceridade, eu não acho", disse, referindo-se ao facto do PSD ter dado como certo que a Holanda não irá referendar o futuro Tratado da União Europeia.

Em tom irónico, o primeiro-ministro pediu ainda aos partidos que já conhecem o texto do futuro Tratado para o enviarem ao Governo, pois assim o executivo poupará trabalho.

"Os partidos que já conhecem o novo texto, enviem-no ao Governo, assim poupam-nos trabalho. Se algum gabinete de estudos já tiver o Tratado, envie-o ao Governo", disse.

RTP online (bolds e outros realces da responsabilidade do Blog)

* * *

Resta saber quem está a ser verdadeiro e quem, pelo contrário, está a - usando um eufemismo - esquivar-se à verdade, ou seja, a faltar às suas responsabilidades, à ética de Estado a que está obrigado.

Se Maxime Verhagen, ministro dos negócios estrangeiros holandês (que, afirmando o que afirmou corre o risco de ser acusado pelos eleitores holandeses de os estar a defraudar, pelo que a sua atitude, além de gratuita, por sem motivo, é completamente desprovida de sensatez política e honorabilidade pessoal)

ou se, pelo contrário, José Sócrates.

Para falar com franqueza, não sei quem, na verdade, estará a querer ludibriar a opinião pública do seu próprio país.

À primeira vista, tudo indica que o ministro holandês não tem qualquer interesse em afirmar algo que, não correspondendo à verdade, muito o irá penalizar - e ao seu governo -, quando, daqui por algum tempo, se constatar que mentiu ao povo que representa.

Claro que tenho a minha opinião. No entanto, não a vou expender por ora, ficando na expectativa. Prometo, no entanto e desde já, não me calar, se aquilo que antecipo vier mesmo a acontecer...

E, você que me lê, que opina? Isso, opine, mas com cuidado... É que, como bem sabe, está visto que já chegámos à encruzilhada do demo, onde o "chifrudo" tem por hábito aparecer travestido de "cabrão", de pata fendida e rabo alçado. Atenção, portanto!...

Numa coisa estou completamente de acordo com o primeiro-ministro. Com ele cerro fileiras, pois, quando afirma, em jeito de pergunta: Acham isto honesto? Tem vocelência toda a razão, senhor Sócrates. Na verdade, "isto" não é honesto. Nada mesmo! Estamos em perfeita sintonia.

* * *

De qualquer modo e para já, de uma coisa estou certo e posso garantir a todos que me lêem: o executivo português, a começar pelo primeiro-ministro, não parece estar a conformar-se com a verdade quando, para justificar que não se fale nem trate do referendo, afirma que não há ainda o conteúdo (do Tratado).

É evidente para todos quantos não são lélés da cuca que há mesmo conteúdo. Se o não houvesse, o senhor Sócrates teria sido mandatado para redigir o quê?

Os restantes 26 países da UE estariam dispostos a entregar-se, de mãos atadas, nas do senhor Sócrates, ou seja, a deixar que o referido senhor metesse no Tratado o conteúdo que bem entendesse?!?!

Evidentemente que não. Não estão todos chanfrados! Definiram o conteúdo, redigiram as directivas e "pediram" ao senhor Sócrates:

- Caro amigo, agora que tem ai as nossas orientações, faça o favor de mandar que os seus serviços (ou quem entender) redijam um documento que não atraiçoe o espírito do que aqui deixamos decidido e de, no prazo x, nos apresentar o resultado do seu esforço, para que o possamos conferir, para se ver se está em conformidade, sem adulteração da nossa comum vontade e, por conseguinte, capaz de ser adoptado.

Ah! E não se esqueça: o trabalho tem que vir redigido em todas as línguas oficiais dos países integrantes, ok? Sim, sim. Na do seu também.

Foi isto o que se passou. É isto o que se passa. Será isto que se vai passar. Tudo o mais que se diga para lá do que dito fica, é material de enchimento de balões em quermesse de feira. Dura a eternidade inerente a qualquer balão de feira.

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