Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

3220. A Rua Nova dos Mercadores do séc XVI

 (actualmente Rua da Alfândega)



 O Mistério do quadro renascentista em que se (re)descobriu Lisboa manuelinaParece um romance policial. Em 2009 duas historiadoras inglesas visitaram uma mansão perto de Oxford e aí encontraram um quadro do século XVI que retratava uma rua renascentista. Não se sabia se era uma rua real ou imaginada, nem quem a tinha pintado. Depois de uma longa pesquisa, as historiadoras chegaram à conclusão de que se trata de uma rua bem portuguesa que foi palco do comércio de mercadorias de todo o mundo.(…)Em 2009 duas historiadoras inglesas, Kate Lowe e Annemarie Jordan Gschwend, visitaram esta mansão do século XIX, Kelmscott Manor, localizada perto de Oxford. As duas historiadoras repararam num quadro do século XVI que o pintor Dante Gabriel Rossetti, amigo de Morris, lhe terá oferecido, ou vendido, e que estava atribuído à escola de Velázquez. Mostra uma rua renascentista, e não se sabia se era real ou imaginada, nem quem a tinha pintado.




Lowe e Gschwend pesquisaram longamente, à procura de referências, tanto em livros e documentos, como na própria pintura. Finalmente chegaram à conclusão, indisputada, de que se trata da Rua Nova dos Mercadores, na baixa da Lisboa manuelina. Ficava onde agora passa a Rua da Alfândega, e era o percurso mais cosmopolita numa cidade onde se negociavam mercadorias de todo o mundo. Além de algumas descrições da sua opulência, apenas existem poucas gravuras da cidade inteira, sem pormenores das ruas. A Rua Nova dos Mercadores foi evidentemente destruída pelo terramoto de 1755, e nunca mais voltou ao esplendor da Era das Descobertas. O que resta hoje é a fachada manuelina da Conceição Velha (antiga Igreja da Misericórdia de Lisboa, nota do blogue), reconstruída com um interior já pombalino.
(…)”


(extracto do artigo “O mistério do quadro renascentista em que se (re)descobriu Lisboa manuelina”, da autoria de José Couto Nogueira – A imagem foi também recolhida da mesma peça)


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

2963. The astonished norwegians

Tenho duas histórias, ambas reais, para contar, que ilustram bem a conjuntura actual, mais propriamente em Lisboa, mas que bem pode ser extensiva ao País.

Uma das histórias, passou-se comigo e é agradável, pelo reconhecimento de gente insu
speita, vinda lá de fora e que não conhecia Portugal;

A outra é algo a que vamos estando já habituados, infelizmente já muito habituados.


Começo pela agradável:


* * *

Na tarde de sábado passado resolvemos – os dois membros da família, que ainda vivem cá em casa – ir até Lisboa, como acontece com frequência por lá viverem filhos e netos, mas desta vez de forma diferente e com destino diverso. Tratava-se de ir dar um giro no Terreiro do Paço e ver a qualidade das esplanadas ali agora instaladas e do respectivo serviço.

Deixámos o carro no cais do Seixalinho, ali ao Montijo e atravessámos o “mar da palha” no barco até Sul e Sueste, ao lado do nosso destino. A viagem foi de curta duração e agradável, mas, aqui que ninguém nos ouve, nada comparável aos estupendos cinquenta minutos que demoravam a fazê-la os barcos antigos, quando se viajava no tombadilho, pela alta tardinha de Verão. Podia-se, então, apreciar com todo o vagar, diria mesmo languidez, a silhueta da Ponte sobre o Tejo, a primeira, recortada no pôr-do-sol, mas sempre com atenção ao voo das gaivotas que, por vezes, pareciam autênticos bombardeiros largando as suas cargas sobre os mais aventureiros e descuidados viajantes.


Lá chegámos à mais espectacular Praça da Europa – que durante dezenas e dezenas de anos foi miserável e criminosamente descuidada, até que um dos presidentes da autarquia que mais ideias teve para a cidade e mais “torpedeado” foi precisamente por aqueles que depois lhe aproveitaram os planos, deles se apresentando como autores… – tomámos assento numa das esplanadas, dessedentámo-nos e refizemos forças, após o que ficámos a apreciar os “surroundings”.


Nisto estávamos quando fomos interpelados por um casal de uns 40 e tal 50 anos, altos como ciprestes e de um loiro flamejante, que entretanto haviam chegado vindos da Rua Augusta e se sentaram numa mesa ao lado da nossa.


A interpelação foi no sentido de que a “nossa” Lisboa era uma cidade muito bonita e extremamente agradável. Sorrimos, agradecemos e lá ficámos a trocar umas impressões...


Noruegueses de Bergen, a cidadezinha dos quase trezentos dias anuais com chuva, resolveram, depois de durante anos, nas férias, terem corrido mundo, vir até Lisboa, cidade de que tinham ouvido falar bem numa viagem a Barcelona, em Setembro do ano passado.


Tendo sabido que as coisas aqui se processavam com facilidade, que a cidade era acolhedora e os portugueses pessoas muito prestáveis, prescindiram de integrar qualquer grupo excursionista e meteram-se a caminho, tendo chegado à Portela onde apanharam um táxi para os levar ao “Four Seasons”, que acharam demasiado distante do aeroporto, uma vez que o táxi demorou mais de meia hora a lá chegar, por ruas e avenidas e avenidas e ruas… (aqui, nós sorrimos, mas achámos melhor não estragar a festa e dissemos que, pois... sim.,.. não é muito perto, não!…).


Estavam há cerca uns cinco dias em Portugal e tinham já visitado Cascais, Sintra, Mafra, enfim o circuito habitual. Não tinham vindo a Setúbal, o que era uma pena, pois que lhes dissemos que tinha uma das 7 baías mais belas do mundo, bordejada por uma serra, a Arrábida (ou “local de oração”), com vegetação da era jurássica e vistas assombrosas sobre a baía e a margem sul do Sado, com praias ininterruptas até cerca de 100 quilómetros. Claro que não nos alongámos muito porque a Aleksandra e o Rasmus são da região dos fiordes…


Naquele momento estavam ali porque tinham saído a pé do “Four Seasons” (Ritz) e tinham subido ao alto do Parque Eduardo VII. Uma vez ali, olharam para baixo e ficaram positivamente siderados (“astonished”, asseguraram) com aquela vista deslumbrante até ao Tejo, que nunca tinham encontrado em cidade nenhuma das que haviam já visitado por todo mundo. De tal modo que não resistiram e quiseram ver de perto tudo aquilo. Meteram-se a calcorrear a calçada portuguesa em passeio pelo Parque abaixo, contornaram a “beautiful square”, desceram a Avenida da Liberdade, passaram pela Peter, the fourth, square, continuaram pela August Street e só pararam na esplanada.


- We’re truly astonished! Amazing, indeed! – não se escusaram a afirmar-se


Continuámos a conversar – diga-se em abono da verdade que nós já pouco concentrados, porque envaidecidos como sempre ficamos quando as gentes lá de fora reconhecem o que de bom temos e poucos de nós apreciam e valorizam… – e, subitamente, lembrei-me de ser um pouco mais incisivo no realce das nossas qualidades e perguntei:


- Vocês estão cá há cinco dias, não é verdade?

- Sim, e ficámos encantados com Sintra, Cascais, o Guincho, tudo, enfim. Mas este passeio lá de cima até aqui deixou-nos estupefactos! Vocês são muito happy por terem estas maravilhas.

E foi então, que eu rematei a minha:


– E, nestes cinco dias e em todos os passeios, quantos polícias viram nas ruas?

– How many what?! Policeman? Hum… Let’s see… Talvez uns… quatro… cinco. Não mais do que isso.
– Pois é… E alguma vez se sentiram inseguros?
– Ah! – olharam-se surpreendidos – não, nunca nos sentimos inseguros. Andámos sempre à vontade. Até já tínhamos falado no assunto. Como é possível?
– Pois, my friends, é assim. Só nos servimos dos polícias para restabelecer a ordem… Got it?

A resposta deles foi uma imensa gargalhada e muitos “oh, I see!” que pôs os restantes frequentadores da esplanada em risco de apanharem um torcicolo, na tentativa de verem, eles também, o que se passava.

24 Agosto 2012
* * *

Um dia destes vem a outra história, a menos agradável. Tem que ver com a enorme vontade de trabalhar que há por aí.

sábado, 29 de janeiro de 2011

2750. Aterragem ao amanhecer, em Lisboa




Aterragem ao amanhecer, em Lisboa.
Voo:
TAP

Procedência:
Brasil

Aeronave:
Airbus 330

Comandante:
António Escarduça

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sábado, 25 de julho de 2009

2451. Um voto = 30.000 €

José Saramago, Nobel da Literatura, anunciou esta sexta-feira o apoio à recandidatura do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa (PS), nas eleições autárquicas com data marcada para 11 de Outubro.

«Espero que seja presidente por muitos anos mais. Espero que isso aconteça. Oxalá! Mas é preciso fazer com que isso aconteça. As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer», revelou José Saramago citado pela agência Lusa.

O escritor elogiou ainda o «magnífico trabalho» de António Costa à frente da autarquia.

José Saramago fez as declarações na Câmara de Lisboa durante a assinatura de um protocolo para a produção de um filme sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio, que tem como título provisório de «União Ibérica». A Câmara de Lisboa vai apoiar com 30 000 euros a produção do documentário sobre a relação entre o Nobel da Literatura José Saramago e a mulher, Pilar del Rio.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, Saramago agradeceu ao presidente da autarquia, António Costa, a sua «boa vontade» relativamente ao filme.

Cortesia recebida de J.F.Faria, oir email


* * *

Sabe o que significa tudo o que acaba de ler?

Apenas isto:

o "voto" de Saramago - que nem vota em Lisboa - em António Costa vai custar à Câmara Municipal de Lisboa uns módicos 30.000 €, por um filme cujo conteúdo não interessa a nenhum lisboeta nem sequer a meia dúzia de portugueses.

Assim são geridos os dinheiros da edilidade lisboeta. Assim, como dizem os cartazes de Costa, "Cumprimos. Casa arrumada" (?!?!?!). Quem é que quer mais do mesmo?

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2450. O "coligatório"

À atenção dos lisboetas, principalmente dos que se preparam para depositarem os seus votos em favor de Costa/Roseta ou vice-versa.


Nem a própria Helena Roseta deve ter-se apercebido bem do quanto acertou quando, à sua recente "amigação" com António Costa, para concorrerem à Câmara Municipal de Lisboa, fez questão de não chamar de coligação, mas sim de espécie de "coligatório".

Ou seja, preferiu chamar-lhe uma coisa que não existe.

Ora, nada mais adequado como nome para algo que não existe do que um termo que ele próprio também não existe.

Se existissem - o termo e a conjunção de esforços - seriam algo pouco produtivo, para não dizer mesmo meramente destrutivo. Porquê? Porque tem como única finalidade tentar destruir a possibilidade de Pedro Santana Lopes vencer o prélio por Lisboa. O que é efectivamente muito pouco e realmente destrutivo. Por outro lado, é o "coligatório" do medo do desemprego. Será que Lisboa não merece mais do que objectivo tão pífio, tão pessoal, tão interesseiro?

No entanto, por mais que procuremos, na realidade nada mais contempla, como a seguir se explicita.


Confrontados com a terrível - para eles, evidentemente - possibilidade de Santana Lopes vencer as eleições autárquicas em Lisboa, reeditando assim magnífico êxito anterior, aqueles "novíssimos e mútuos amigos", postos perante a dura realidade de ficarem completamente "desempregados", engoliram os sapos que a cada um couberam e tentam agora dar a entender que uniram o que jamais unido esteve, o que jamais unido poderá estar.

É sabido que o programa que Helena defende para Lisboa está muito mais próximo do que defende Pedro Santana Lopes do que o que Costa segue. Entre os projectos de Roseta e de Costa vão léguas e léguas de interposição. Tantas que mais propriamente deles se poderá dizer que são diametralmente opostos.

Ora, assim sendo, como compatibilizar um e outro, de forma a que o "coligatório" - que é apenas negativo como só não percebe quem, além de "ceguinho", seja destituído de outras faculdades também - se torne positivo para a cidade de Lisboa?

É evidente que não há a mínima possibilidade de aquilo resultar. E não resultará, não apenas pela circunstância de as linhas mestras de ambos os programas serem diametralmente opostas, não. Não resultará também pela incompatibilidade de idiossincrasias entre os cabeças de lista.

São ambos bem conhecidos. E de tal forma que toda a gente está cansada de saber que nem Roseta é mulher para aguentar a mínima contrariedade sem partir a louça toda e cortar cerce relações, "abandonando o lar", como já tantas e tantas vezes fez ao longo destes trinta e tal anos, em que se amancebou e desamancebou com este e com aquele, ao sabor dos mais variados apetites de ocasião, como se sabe igualmente que Costa não é homem que se vergue a qualquer ditame, por mais enfeitado que se apresente. Como é que uma "mancebia" destas pode não terminar em muitos gritos, choros, ódios, ruidoso espalhafato e cenas canalhas, com o custo das favas a ser apresentado aos lisboetas?

À mínima contrariedade - e elas vão começar a aparecer na semana seguinte às eleições, Helena Roseta irá bater estrondosamente com a porta, abandonando Costa à sua sorte. É fatal como o Destino. É o que ela sempre fez; é o que sempre fará. Está-lhe na massa do sangue. É superior à vontade da própria utente. Quanto maior for a instabilidade, mais Helena Roseta se sentirá no seu elemento, viva, enfim.

Estão, pois, lançados todos os dados para um previsível e violento confronto, com declarações sobre declarações de incompatibilidade de feitios e práticas e inevitável completa impossibilidade de coabitação, a ser marcado para de seis meses a um ano após eleitos, no caso de vencedores da disputa eleitoral.

* * *

É acerca desta certeza que os lisboetas devem ponderar até ao momento em que depositem o voto, lá para Outubro.

É que, para além da incompatibilidade de programas, a incompatibilidade de feitios é um mare nostrum de intransponível afastamento. E não é verdade que, neste caso, os contrários se atraiam. Repelem-se. Violentamente. Di-lo a política, pela impossibilidade de fusão de projectos, tal como o diz - e decerto ainda mais assertivamente, tendo em atenção as já faladas idiossincrasias - a impossibilidade de cada um deles em pessoalmente abdicar de algo de seu para encontrar o parceiro a meio caminho. E, sobretudo, di-lo a história de ambos, com especial relevo para a de Helena Roseta, que, no panorama político português não tem quem lhe faça frente em instabilidade psíquico-política.

Os lisboetas estão, pois, obrigados a reflectir bem antes de se sentirem tentados a entregarem-lhes os votos.

Se, mesmo depois de avisados, persistirem na insanidade, faltar-lhes-á qualquer resquício de legitimidade para lamentações futuras.


Os eleitores, todos os eleitores, têm que aprender a assumir-se como cidadãos conscientes e lúcidos que efectivamente devem ser, abandonando a muleta do alijamento do peso de responsabilidades próprias para ombros alheios. Atitude do maior civismo, aliás.
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terça-feira, 14 de abril de 2009

2108. Lisboa - A coligação negativa

Numa clara demonstração de fraqueza política e eleitoral, as várias esquerdas, folclóricas e de cariz pouco democrático, andam numa fona tremenda, tentando coligar-se, uma vez mais pela negativa.

E porquê pela negativa?

Simplesmente porque, pelo que propalam aos quatro ventos, não entrarão em mancebia espúria visando um objectivo positivo, afirmativo, o bem de Lisboa e dos seus munícipes; não, pelo contrário, "ajuntam-se" para evitar que Santana Lopes vença as eleições na capital do país.

Quer isto dizer que, quem neles vier a votar, fá-lo-á não na afirmação de uma política que privilegie os interesses dos lisboetas, mas num mero bota-abaixo, no conhecido "quanto pior, melhor" de triste memória

Uma vez mais, são eles que, borrados de medo de levarem uma abada, na inabilidade que os caracteriza se deixam ver nus em pêlo na praça pública.

De novo, consigam ou não alcançar o seu cretino objectivo, fica provada a enorme "superioridade moral" que os anima.

São ridículos, como tantas vezes aqui tenho demonstrado. Mas, mais do que ridículos, perigosos. Porque inconscientes, porque fanáticos, porque mesquinhos e ordinários, sem um pingo de vergonha na cara.

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sábado, 6 de setembro de 2008

1784. Ainda o Jardim da Estrela























A mesma Lisboa amena,
o mesmo Jardim da Estrela,
o mesmo Inverno,
o mesmo entardecer.

Agora, porém, especialmente para
a Isabel Filipe.
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1783. Entardecer de inverno ameno

"Entardecer de inverno em Lisboa amena"
Jardim da Estrela, Lisboa
2005 Dez 17
Foto Ruvasa
click, para ampliar
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sábado, 8 de dezembro de 2007

1294. E a OTA deu BOTA...


Ao que parece, lá pelo LNEC, não andam todos alienados, nem são burros e menos ainda cretinos...

E, assim, a OTA deu "bota"...

E o aeroporto sempre acaba por ir parar a Alcochete Jamais...

Razão tinha o inefável Mário Lino de sua graça.

- Alcochete, "jamais"!

Tome nota:
o novo aeroporto de Lisboa vai ficar em Alcochete Jamais e os camelos é que ficarão todos em Lisboa, ali para os lados... bem, cala-te, boca!...

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