Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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sábado, 9 de agosto de 2014

3183. A cura no pão que o diabo amassou...

A questão da emigração de portugueses põe-se simplesmente da seguinte maneira:

Evidentemente que não é possível tal acontecer – nem desejável, por vários motivos – que se ponha toda a gente a emigrar por um período de, pelo menos, seis meses. Mas seria o que de melhor e de mais pedagógico poderia acontecer aos portugueses e, por arrastamento, ao País.

Porquê?

Para desempoeiramento desta mentalidade bafienta que por aí grassa.

Nada há como ver como é lá por fora, tanto na maneira de viver e de encarar as diversas situações com que deparamos na vida, como constatarmos o que de bom temos e os outros - aqueles que invejamos - não têm, para nos satisfazermos com o que a vida nos dá, para trabalharmos a sério e sem queixumes idiotas, para conseguirmos atingir objectivos, para vivermos realmente por nós e não passarmos o tempo a esperar que outros façam o que somos nós quem tem a obrigação de fazer.

Mais prosaicamente:

Para constatarmos que, por exemplo, os suecos, os dinamarqueses, os noruegueses, os finlandeses, os alemães e outros do género, que vivem em países com condições climáticas horríveis, atingiram o nível de riqueza colectiva e individual porque, em lugar de se deitarem à sombra da bananeira, à espera de que alguém fizesse o que cada um deles devia fazer, deitaram, isso sim, mãos à obra e esfalfaram-se por arranjar melhores condições de vida.

Assim é que era! Nada há como ver e experimentar para crer. É que há por aí muitos meninos e muitas meninas que pensam que eles têm o nível de vida que têm, trabalhando como nós "trabalhamos"...

Com o clima que tême condições daí decorrentesse trabalhassem como nós trabalhamos, estariam bem tramados... E passariam a fazer a triste figura que nós fazemos, reclamando e pretendendo melhores condições de vida sem que algo de concreto façamos para o merecer...

É isso, passarmos todos por uma experiência de emigração seria o que de melhor poderia acontecer ao País e ao seu Povo.

O pão que o diabo amassou é o melhor remédio para quase todas as maleitas de que padecemos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

3180. Ora, volte lá para o PE...

Cheguei a casa, vindo de Lisboa, uns minutos antes das 13 horas.

Fazendo um zapping no televisor da cozinha (sítio próprio para o programa em que caí) dei de caras com o Goucha e Cristina, acompanhados do inefável Marinho e Pinto.

É difícil, hoje em dia, encontrar em Portugal (em Portugal, imagine-se!!!) maior e mais palavroso e opinioso demagogo do que o "de cujus".

Opina sobre tudo e todos e da forma mais primária que conceber se pode. Nada há que o detenha na sua pesporrência de conquistador e possidente deste mundo e do outro.

No programa do Goucha, então, é um festival. Há que dar algum desconto, claro, porque o Goucha não tem bagagem para uma pessoa normal, quanto mais para um tipo daquele calibre!

Então, diz as maiores enormidades, com o outro a assentir com a cabeça e, aqui e ali, a dar uma achega verbal completamente parva, no fundo a concordar, por incapacidade de contraditar.

Perante este quadro, desenrolado nas barbas de centenas de milhar de donas de casa e de outros tantos de reformados, o feliz político não podia sentir-se mais feliz. Tem um pelouro em que é visto e ouvido por centenas de milhar de donas de casa a fazer o almoço e outras tantas de reformados, a esmagadora maioria sem conhecimentos que lhes possibilitem uma análise minimamente informada acerca daquilo com que o demagogo de meia tigela lhes entorpece a mente e, mais tarde, tem repercussões na assembleia de voto.

Então, que dizia o tal de Marinho e Pinto?

Que o Parlamento Europeu é um verbo de encher, para nada servindo, porque quem manda é o Conselho Europeu. Sendo certo que é verdade, seria o momento adequado para que o tal de Goucha lhe perguntasse:

– Mas, então, se o PE não serve para nada, o que é que VExa está lá a fazer? Apenas a embolsar umas centenas de milhar de euros, anualmente? Por que razão não toma a atitude consentânea com esse seu pensamento de uma cana, ou seja, por que não se vem embora? Sempre era uma bela maquia que os cidadãos europeus não teriam de desembolsar...

Claro que o Goucha não fez nada disso, nem lá perto, tendo-se limitado a fazer coro na demagogia barata e parva.

Mas não se ficou por aqui nas aleivosias, o sacador de massas do PE.

Imagine-se que teve a lata (como outros têm tido, aliás…) de afirmar – a pés juntos, com a gouchesca figura a aplaudir e ambos a serem seguidos de olhos vendados pela acrítica assistência – que nunca deveríamos ter entrado na União Europeia e menos ainda no Euro.

E quer saber? Imagine que ninguém – nem a por vezes ferina Cristina Ferreira, que é a única que lá vai exibindo uns laivos de inteligência – foi capaz de lhe fazer a observação óbvia, qual seja:

–  Ouça lá, ó mangas! Como é que você acha que estaria agora a viver em Portugal, se o País não tivesse aderido à UE e ao Euro? Sim, diga-me lá como seria viver num país com o Escudo, rodeado de todos os outros com o Euro? Nacionalizava-se de albanês? Você é simplesmente tolo ou tolo completamente? Ora, volte lá para o PE e veja se aprende alguma coisa, que já vai sendo tempo…

 rvs
2014 Agosto 07


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

2986. Há 25 anos...



H á 25 anos…

* menos de 40% das famílias portuguesas tinha carro;
. hoje, quase 25% tem não uma mas no mínimo duas viaturas.

* todas as médias e grandes cidades portuguesas estavam rodeadas de barracas;
. hoje, todas desapareceram.

* mais de 60% das famílias portuguesas não tinha casa própria;
. hoje, mais de 70% tem e cerca de 15% tem segunda habitação.

* todas as lixeiras eram a céu aberto;
. hoje, é o que se sabe.

* 20% das famílias não tinham televisor, nem telefone, nem frigorífico, menos ainda computador e acesso à Internet;
. hoje, só não tem quase quem não quis e 2 e 3 televisores, plasma, LCD ou LED por família é algo de corriqueiro;

* as estradas portuguesas eram verdadeiros “caminhos de cabras”. Auto-estradas havia três bocaditos, num total de 45 km (25 na actual A1 até Vila Franca de Xira, 15 na actual A2, até ao Fogueteiro, e 5 na actual A5, até ao alto da Boa Viagem);
. hoje, temos 48 auto-estradas (não contam aqui os IPs), num total de bem mais de 2.000 km. Percentualmente, temos a 2ª rede de auto-estradas da União Europeia. As auto-estradas dos Estados Unidos da América, nem por sombras chegam aos calcanhares das nossas.

Estes são apenas alguns exemplos muito concretos e fáceis de constatar à vista desarmada.

* * *

Foi demasiado para a parola mentalidade do portuga chico-esperto!

Sonhou que o Céu se lhe abrira de par em par e que Deus, portuga também, apenas estava, por interpostos cidadãos europeus, a pagar o muito que lhes devia!

* * *

Quem acha V. que pagou estas e outras “mordomias” que agora por aí vemos?
V. com o suor do seu trabalho? Mas… acredita mesmo nisso?
Pensa mesmo que, com os níveis de produtividade de que sempre demos mostra, teríamos conseguido o equivalente a 10% de um desenvolvimento destes? Está mesmo bem da cabeça ou precisa de tratamento urgente?

Desengane-se de uma vez por todas e deixe de fazer figuras tristes. De que, na arrogância que exibe, nem se dá conta

Quem efectivamente pagou tudo isto foram os nossos parceiros europeus, com o dinheiro retirado dos seus impostos, pagos com o suor do seu trabalho e que foi retirado à herança dos seus herdeiros. Rios de dinheiro alheio que, a partir de 1986 e durante 25 anos (um quarto de século!) seguidos, inundaram o país com “milhões de milhões” de euros de borla, a fundo perdido, a título de solidariedade e coesão europeia. E nós a vê-los (aos euros dos outros feitos nossos, claro!) chegar e a malbaratá-los! Indecentemente a malbaratá-los!

Pois bem. Anote o que segue, porque é de toda a importância que perceba e se deixe de patetices, que só o colocam mal a si e aos seus concidadãos.

Os 78 mil milhões que tivemos de pedir á troika, não fazem parte da história de cima.
A realidade é que esses “milhões de milhões” que os cidadãos nossos parceiros europeus nos ofereceram a titulo de esmola, não nos bastaram, tal foi a nossa sofreguidão, a nossa voracidade.

Assim, esses tais 78 mil milhões – que não são apenas esses, porque há mais – correspondem ao endividamento que fizemos PARA ALÉM dos outros que recebemos “à borliú”, para estoirarmos.

Nestas condições, na verdade o melhor é não pagar e mandar os credores dar uma curva e… que não tivessem sido tolos!

Confesso que me encho de vergonha sempre que abordo este assunto.

2012 Setembro 24

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

2963. The astonished norwegians

Tenho duas histórias, ambas reais, para contar, que ilustram bem a conjuntura actual, mais propriamente em Lisboa, mas que bem pode ser extensiva ao País.

Uma das histórias, passou-se comigo e é agradável, pelo reconhecimento de gente insu
speita, vinda lá de fora e que não conhecia Portugal;

A outra é algo a que vamos estando já habituados, infelizmente já muito habituados.


Começo pela agradável:


* * *

Na tarde de sábado passado resolvemos – os dois membros da família, que ainda vivem cá em casa – ir até Lisboa, como acontece com frequência por lá viverem filhos e netos, mas desta vez de forma diferente e com destino diverso. Tratava-se de ir dar um giro no Terreiro do Paço e ver a qualidade das esplanadas ali agora instaladas e do respectivo serviço.

Deixámos o carro no cais do Seixalinho, ali ao Montijo e atravessámos o “mar da palha” no barco até Sul e Sueste, ao lado do nosso destino. A viagem foi de curta duração e agradável, mas, aqui que ninguém nos ouve, nada comparável aos estupendos cinquenta minutos que demoravam a fazê-la os barcos antigos, quando se viajava no tombadilho, pela alta tardinha de Verão. Podia-se, então, apreciar com todo o vagar, diria mesmo languidez, a silhueta da Ponte sobre o Tejo, a primeira, recortada no pôr-do-sol, mas sempre com atenção ao voo das gaivotas que, por vezes, pareciam autênticos bombardeiros largando as suas cargas sobre os mais aventureiros e descuidados viajantes.


Lá chegámos à mais espectacular Praça da Europa – que durante dezenas e dezenas de anos foi miserável e criminosamente descuidada, até que um dos presidentes da autarquia que mais ideias teve para a cidade e mais “torpedeado” foi precisamente por aqueles que depois lhe aproveitaram os planos, deles se apresentando como autores… – tomámos assento numa das esplanadas, dessedentámo-nos e refizemos forças, após o que ficámos a apreciar os “surroundings”.


Nisto estávamos quando fomos interpelados por um casal de uns 40 e tal 50 anos, altos como ciprestes e de um loiro flamejante, que entretanto haviam chegado vindos da Rua Augusta e se sentaram numa mesa ao lado da nossa.


A interpelação foi no sentido de que a “nossa” Lisboa era uma cidade muito bonita e extremamente agradável. Sorrimos, agradecemos e lá ficámos a trocar umas impressões...


Noruegueses de Bergen, a cidadezinha dos quase trezentos dias anuais com chuva, resolveram, depois de durante anos, nas férias, terem corrido mundo, vir até Lisboa, cidade de que tinham ouvido falar bem numa viagem a Barcelona, em Setembro do ano passado.


Tendo sabido que as coisas aqui se processavam com facilidade, que a cidade era acolhedora e os portugueses pessoas muito prestáveis, prescindiram de integrar qualquer grupo excursionista e meteram-se a caminho, tendo chegado à Portela onde apanharam um táxi para os levar ao “Four Seasons”, que acharam demasiado distante do aeroporto, uma vez que o táxi demorou mais de meia hora a lá chegar, por ruas e avenidas e avenidas e ruas… (aqui, nós sorrimos, mas achámos melhor não estragar a festa e dissemos que, pois... sim.,.. não é muito perto, não!…).


Estavam há cerca uns cinco dias em Portugal e tinham já visitado Cascais, Sintra, Mafra, enfim o circuito habitual. Não tinham vindo a Setúbal, o que era uma pena, pois que lhes dissemos que tinha uma das 7 baías mais belas do mundo, bordejada por uma serra, a Arrábida (ou “local de oração”), com vegetação da era jurássica e vistas assombrosas sobre a baía e a margem sul do Sado, com praias ininterruptas até cerca de 100 quilómetros. Claro que não nos alongámos muito porque a Aleksandra e o Rasmus são da região dos fiordes…


Naquele momento estavam ali porque tinham saído a pé do “Four Seasons” (Ritz) e tinham subido ao alto do Parque Eduardo VII. Uma vez ali, olharam para baixo e ficaram positivamente siderados (“astonished”, asseguraram) com aquela vista deslumbrante até ao Tejo, que nunca tinham encontrado em cidade nenhuma das que haviam já visitado por todo mundo. De tal modo que não resistiram e quiseram ver de perto tudo aquilo. Meteram-se a calcorrear a calçada portuguesa em passeio pelo Parque abaixo, contornaram a “beautiful square”, desceram a Avenida da Liberdade, passaram pela Peter, the fourth, square, continuaram pela August Street e só pararam na esplanada.


- We’re truly astonished! Amazing, indeed! – não se escusaram a afirmar-se


Continuámos a conversar – diga-se em abono da verdade que nós já pouco concentrados, porque envaidecidos como sempre ficamos quando as gentes lá de fora reconhecem o que de bom temos e poucos de nós apreciam e valorizam… – e, subitamente, lembrei-me de ser um pouco mais incisivo no realce das nossas qualidades e perguntei:


- Vocês estão cá há cinco dias, não é verdade?

- Sim, e ficámos encantados com Sintra, Cascais, o Guincho, tudo, enfim. Mas este passeio lá de cima até aqui deixou-nos estupefactos! Vocês são muito happy por terem estas maravilhas.

E foi então, que eu rematei a minha:


– E, nestes cinco dias e em todos os passeios, quantos polícias viram nas ruas?

– How many what?! Policeman? Hum… Let’s see… Talvez uns… quatro… cinco. Não mais do que isso.
– Pois é… E alguma vez se sentiram inseguros?
– Ah! – olharam-se surpreendidos – não, nunca nos sentimos inseguros. Andámos sempre à vontade. Até já tínhamos falado no assunto. Como é possível?
– Pois, my friends, é assim. Só nos servimos dos polícias para restabelecer a ordem… Got it?

A resposta deles foi uma imensa gargalhada e muitos “oh, I see!” que pôs os restantes frequentadores da esplanada em risco de apanharem um torcicolo, na tentativa de verem, eles também, o que se passava.

24 Agosto 2012
* * *

Um dia destes vem a outra história, a menos agradável. Tem que ver com a enorme vontade de trabalhar que há por aí.

terça-feira, 5 de junho de 2012

2952. Estamos a empobrecer?!


Propalar-se, como faz a Oposição, que o País está a empobrecer é uma evidente mentira, completa deturpação da realidade, quando a observação vem da parte dos partidos comunistas que temos. Quando, porém, surge das hostes socialistas, então resulta mesmo em ignomínia.

O País não está a empobrecer. Como é que o poderia estar se nunca saiu da condição de pobre? O País está, isso sim, a reconduzir-se à sua condição de sempre, isto é, pobre mas honrado, cumpridor dos compromissos que assume, não caloteiro, não vigarista. Não, Portugal nunca saiu da pobreza em que sempre esteve.

O que aconteceu foi que há 25 anos começou a viver alegremente à custa do suor alheio, dos impostos pagos pelos cidadãos de países seus parceiros na EU. E essa vivência alegre, despreocupada e completamente irresponsável, acentuou-se de forma inesperada há 15 anos atrás e atingiu foros de escândalo nacional – e internacional – no período de 2005-2010.

A muita gente, a muitos portugueses, dir-se-á mesmo à maioria dos portugueses, talvez seja difícil de compreender isto, de aceitá-lo, porque se trata da mais cruel das realidades e quanto mais duras as verdades mais difícil se torna reconhecer-lhes as virtualidades.

Vai, no entanto, sendo tempo de se acordar da anestesia mortal de anos e anos de mentiras que geram irresponsabilidades difíceis de erradicar. Tempo de resistir à patifaria sem nome do engano persistente da população em geral, por parte de políticos inescrupulosos que incompreensivelmente continuam a receber o apoio das suas vítimas, como se gente séria e honrada fossem.

Destes arautos da aldrabice destacam-se – pelas especiais responsabilidades que lhes cabem – o PS em primeira mão, por ser, muito destacadamente, o que mais responsabilidades tem, mas também sectores não despiciendos do PSD, para quem os interesses do País vergam sempre perante os próprios.

Prouvera a todos os portugueses que, de uma vez, fossem completamente desmascarados e postos em exposição pública, tal como efectivamente são e não com as roupagens que habitualmente vestem e que estão nos antípodas daquelas que devem vestir.

Enquanto tal não acontecer, Portugal não poderá aspirar a que lhe seja restituída a dignidade nacional que lhe é devida.

03 Junho 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

2875. Filme de terror

Portugal parece um filme de terror.

Não há um dia sequer em que a gente acorde, ligue o televisor e a notícia a correr não seja a de que mais um buraco ou uma vigarice ou uma carência de estarrecer tenha sido descoberta e posta a nu.

É na Saúde, é na Educação, é na Justiça, é na Economia, é no…

O meu pequeno-almoço, que felizmente é apenas uma torrada e uma “meia de leite” (em casa, claro, que não sou dessas mordomias, embora pudesse) é diariamente estragado com tais assombrações. E felizmente que é só aquilo, pois que se fosse mais substancial, corria o sério risco de ser rejeitado de imediato pelo estômago. E nem sou dos de mais fracos interiores…

Apre! Não há “backside” (para ser moderado) que aguente!

“Isto” estava mesmo a saque.

E, pelo que se vai ouvindo e lendo, há imensa gente com tempo de antena, que bem gostaria de que assim continuasse. A ideia prevalecente é a de que:

- Está tudo uma lástima! Isto precisa de levar uma grande volta, precisa de que alguém lhe deite a mão e endireite a coisa. Mas… atenção aos bólides! Que cá na minha baiúca ninguém se atreva a mexer. Vou aos arames e faço um escarcéu dos diabos!

Além de ninguém ter culpa de nada, de ser sempre o imaterial “eles” – essa cáfila – os causadores dos mal geral, os sacrifícios têm de ser justamente repartidos por todos “eles”, continuando estes “eles” a ser outros que não aqueles mas também não “eu” ou ”nós”, como se “eu” e “nós” tivéssemos estado estes anos todos emigrados e tivéssemos vindo apenas agora até cá, para ver a bola e os primos, após o que regressaremos à condição de “emigra”.


Como perguntava o outro:

- Que mais “irá-nos acontêcê"?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2836. A lusa "coitadice"


As nossas responsabilidades
e a lusa “coitadice”


A ideia prevalecente em Portugal de que o Estado tudo tem que dar e os cidadãos nada têm que retribuir, de que o Estado, que são todos os Portugueses, tem deveres para cada um, mas cada um apenas tem direitos que devem ser integralmente satisfeitos, além de abusiva e, mais do que isso, profundamente desestabilizadora, chega a ser terrorista.

É contra essa onda destruidora da força de uma nação que temos de lutar. É desse propósito que este grupo pretende ser uma parcela.

Porque, se todos se compenetrarem do lugar que na sociedade envolvente lhes cabe e dos direitos, mas primeiro que tudo, dos deveres a que estão moral e civicamente obrigados, a vida será mais fácil para todos, o País será logo outro, mais justo, mais social, mais democrático.

Não é, como tem sido ao longo de décadas já, uma sucessão de erros de educação cívica, de facilitismo, de demissões do papel de pais, de educadores, de governantes, de gerações de jovens habituados a ter tudo sem que se lhes exija o mínimo esforço – daquele que gente de princípios sociais e morais, cívicos, enfim, sabe que deve despender – que vai mudar o nosso futuro, em ordem a que, pelo menos, inverta o rumo que leva e se aproxime um pouco daquilo que deve ser.

Os milhões da UE, que desde há um quarto de século (repare-se, há um quarto de século!) têm jorrado sobre o País, sobre todos nós, foram, a um tempo, bênção e maldição.

Bênção, porque deles muito precisávamos para darmos outra cara ao País, modernizando-o e colocando-o entre os realmente civilizados e progressivos. Isso foi feito até determinada altura.

O problema manifestou-se quando se caiu no laxismo, no despesismo, no deixa-andar, na indolência, no xico-espertismo da vida fácil à custa do dinheiro e dos recursos postos à disposição do esbanjamento, no vício do subsídio justificado e injustificado, no bodo a todos, carenciados ou não, sem qualquer filtro, na ausência de fiscalização dos abusos e punição dos abusadores, na falta de condenação de corruptos e corruptores, por força de normativos iníquos, na inoperância dos tribunais, por estruturas anquilosadas e legislação permissiva ao ponto do absurdo, que criaram na sociedade portuguesa um clima de impunidade sem precedentes. “Se todos fazem, porque não eu também? Acaso serei menos do que todos, porventura, mais estúpido?”

Chegámos então à maldição. Maldição porquê? Porque, com tantas benesses, com tanta fartura sem um mínimo de esforço honestamente suado, convencemo-nos e, bem pior, deixámos que os nossos filhos se convencessem de que o "el dorado" dos fundos comunitários constituíam "direito a que tínhamos direito" só pela circunstância de termos nascido.

Uma tal postura tinha que resultar em desastre. Que foi agravado até ao absurdo por governantes mal preparados e muitas vezes cheios da arrogância própria dos ignorantes, metidos nas vestes da prepotência, do descaramento inaudito, da completa imoralidade, enfim.

Maior desastre não podia ter-nos acontecido.

Mas – e aqui bate verdadeiramente o ponto – temos gravíssimas responsabilidades no sucedido e delas não podemos eximir-nos. Não só pelo comportamento pessoal, como pelo que tiveram ou têm os nossos políticos, “maxime” os governantes.

É que eles mais não são do que nós com a fatiota política envergada. Eles somos nós uma vez eleitos, quantas vezes sabe-se lá como. Ou alguém pensa que não tem havido e continua a haver, entre eles, muitos que pensaram como tantos de nós pensam agora (“os políticos são uns malandrins, nós somos outra gente…), enquanto aos degraus do Poder não chegaram e, uma vez chegados…?

A massa de que são feitos é a massa que nos enforma. Não são melhores nem piores do que nós. São "nós".

Isto fica dito de forma muito linear, devendo-se a opção à intenção assumida de chegar ao maior número de pessoas e não apenas às mais privilegiadas.

Uma vez aqui, não restam alternativas.

Ou corrigimos o nosso actual rumo e corrigimos as crianças que estão à nossa guarda, incutindo-lhes noções de fraternidade, igualdade e solidariedade, com a devida correspondência no comportamento social perante o outro, o semelhante, e perante todos, a sociedade, e, com isso, mudamos de vida de uma vez por todas, podendo aspirar a um futuro menos opressor – porque seremos melhores cidadãos e cidadãos melhores formaremos – ou estaremos condenados às chamas eternas do inferno de uma apagada e vil tristeza, de que, há séculos já, falava o Poeta.

Se o fizermos, se nos esforçarmos, acabaremos por ter políticos mais preparados e decisores mais competentes, construindo a sociedade justa e verdadeiramente democrática que até hoje não lográmos obter. Está apenas nas nossas mãos porque, aceitemos ou não, para lá da circunstância envolvente, o homem é produto de si próprio, isto é, faz-se por si, pela sua vontade.

Tudo isto sem esquecer, evidentemente, a famosa e, a todos os títulos, ridícula e assassina, “coitadice dos Portugueses”, que nos leva a responsabilizar o “outro” por tudo quanto de mau nos acontece e a nós, coitadinhos… coitadinhos…, dispensa de muitos trabalhos e esforços.

Ruben Valle Santos
2011Jan11

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

2689. Missing in action

Onde pára o Presidente da República?
Então, a justiça está em fretes, o país em cacos e ele em banhos, como se nada acontecesse?
Ou morreu? Em combate?
Sem aviso prévio?
De morte macaca?
Até a Isabel II é mais interventiva e menos gastadora!
Precisamos de um Presidente da República?! Para quê?!
...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

2676. Imparavelmente decadentes

Quanto mais se viaja por esse mundo fora, maior a estupefacção!

Como é possível ter-se sido tão construtor e povoador de mundos, tão cosmopolita, tão humanista e ser-se agora tão incapaz, tão paroquial, tão destruidor do seu próprio país, tão ignorante e tão cretino?!

...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

2593. Chegados ao limite

Se - depois dos relatos de hoje do "SOL" e das declarações do seu director, José António Saraiva, em sede de Comissão Parlamentar de Ética, Cultura e Sociedade, portanto em plena Casa da Democracia e perante seus titulares - não houver consequências legal e politicamente tiradas por quem tem esse estrito dever, ou seja, o Presidente da República, deixa de restar qualquer dúvida de que Portugal atingiu tal patamar de infâmia e tal impasse paralisante, que parece restar apenas um meio eficaz para tudo resolver com dignidade.

Não digo qual, porque não desejo que se chegue a tal extremo, nem pretendo ver-me acusado de apelo que não faço, mas julgo que ninguém ignora do que se trata.
...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

2482. A demissão que se impõe

Perante as sucessivas escandaleiras e poucas vergonhas a que temos vindo a assistir, na área das mais altas esferas políticas e judiciais, sem que se note o mínimo indício de reacção de dignidade institucional e nacional, cabe perguntar:

Para que nos serve
a eleição
e manutenção em funcões de um
presidente da República?

Esta pergunta resulta directamente do que acima fica dito, sendo ainda decorrência do que estipula a Constituição (artº 120º)

"O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas".

Será que, depois de todo o miserando espectáculo dado pelas principais fig
uras de vários órgãos e instituições de cúpula, a que vamos assistindo com pasmo, desagrado e constrangimento de há anos a esta parte e que a cada dia que passa se agrava, o actual titular do cargo considera que as instituições, supostamente democráticas, estão a funcionar regularmente e que os respectivos titulares as dignificam?

Para a acção que se tem visto por parte da Presidência da República, na conjuntura muito difícil que temos vivido, não precisamos de ter em Belém ninguém mais preparado do que um miúdo do final do ensino secundário ou mesmo ninguém. Porquê, então, tantos gastos sumptuosos, para tão pouco labor em defesa dos direitos e interesses dos Portugueses?


Será que estamos condenados a não passar de um país miserável, indigno de ombrear com as nações decentes do planeta, que as há?

...

domingo, 19 de julho de 2009

2440. A maior das crises

Muito se escreve e baboseia acerca da grave crise mundial, de conjuntura, e, cá entre nós, dessa e ainda da endémica nossa, de estrutura.

No entanto, ninguém fala, baboseia, ou tenta tratar de uma terceira crise que nos afecta de forma particularmente grave e que, afinal, é a raiz de todos os males dos portugueses, porque é a crise mais profunda e prolongada que alguma vez nos perseguiu e que, uma vez aqui instalada, teima em não nos abandonar.

Sim, para lá da conjuntural crise mundial e da estrutural nossa, o que mais nos deprime e diminui, não permitindo que a nossa sociedade avance e se coloque ao lado das mais avançadas desse mundo, é a crise de valores, ou, melhor dito, a crise da ausência de valores por que nos batermos ou, pior ainda, se possível, a de nos batermos por valores completamente errados.

E essa provém, única e exclusivamente, da falta de instrução e mais, da completa ausência de cultura que por aí se vê.

Para a combater, é preciso privilegiar-se a educação, com meios e gente que saiba o que faz e para onde devemos ir, não com aprendizes de feiticeiro, eles próprios pouco instruídos e ainda menos cultos.

Mas o mal tem que se atacado já e com toda a determinação. Se não possível com portugueses, então com "instrutores" importados. Assim ou assado, o que não é possível de tolerar é que as coisas se mantenham como estão.

Nesta perspectiva, há que repudiar a simples hipótese de sermos governados por gente que se apresenta com habilitações que efectivamente não tem e bem assim com uma falta de cultura que todos os dias exibe urbi et orbe com a auto-satisfação do completo ignorante que, por nem sequer saber que não sabe, ufano pesporra e se arroga de direitos e saberes que não pode ter.
...

terça-feira, 2 de junho de 2009

2258. Ah, como é diferente o amor em Portugal !

Reino Unido: Alistair Darling ‘enganou’ sistema de compensações

Escândalo atinge pasta das Finanças

O ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, é suspeito de ter recebido indevidamente dinheiro do sistema de compensações aos políticos. É mais um caso no âmbito do escândalo de despesas irregulares de parlamentares, que já forçou a 12 resignações.

De acordo com o ‘The Daily Telegraph’, Darling reclamou o pagamento de 1000 libras (1140 euros) para gastos com um apartamento seu, apesar de dispor de uma habitação oficial no número 11 de Downing Street, onde é vizinho do primeiro-ministro, Gordon Brown. Segundo aquele diário britânico, Darling solicitou aquela quantia para despesas com o imóvel, em Londres, pouco depois de ter assumido a pasta das Finanças, em Julho de 2007. Entre Julho e Dezembro desse ano, Darling começou, também, a reclamar dinheiro para despesas com a habitação oficial.

Darling já negou ter violado as regras do pagamento de despesas a políticos. Desmentiu ter reclamado dinheiro para duas habitações ao mesmo tempo, mas, apesar de negar a sua culpabilidade, vai reembolsar cerca de 700 libras (800 euros) recebidas para despesas com o apartamento entre Setembro e Dezembro de 2007.

Brown, que já anunciou que Darling vai ser investigado, planeia proceder a uma remodelação governamental. O ministro das Finanças poderá ser um dos ‘remodelados’ e até já é apontado um sucessor, o titular da Educação, Ed Balls. (...)

CM 2009.06.02

* * *

Recorda-se da célebre frase, que correu por ai, em jeito de propaganda, há umas boas décadas atrás?

- Ah, como é diferente o amor em Portugal!

Os ingleses são uns danados de uns corruptos sem vergonhita na cara. Como é que é possível que haja um tal escândalo na velha Albion?! Escândalo tal que obriga a que 12-patifórios-12 se tenham visto na necessidade de resignarem para não serem corridos a pontapé no traseiro por indecênca e má figura.

Uma vergonha!

Ainda bem que vivemos em Portugal e somos Portugueses! Por cá não há nada disso. É tudo gente séria, honesta e competente, incapaz de meter ao bolso dinheiro seu,. Desde o mais alto patamar-rasca, ao mais rasca patamar-baixo, é tutti buona gente!

- Ah, como é diferente o amor em Portugal!

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

2231. Pois... o que é que queriam?

Uma em cada dez crianças nascidas em Portugal é filha de imigrantes.
Título de 1ª página do "Público"
2009.05.25


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Pois... como é que queriam que fosse?

Fazer um filho, por gosto ou não, é sempre agradável, mas tem o terrível handicap de dar trabalho, obrigar a esforço, desgastar energias...

Ora, para quem é que o trabalho é bom, para quem?...
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

1821. Ilha da Madeira - fora do habitual













E, agora,
uma concessão ao habitual,
mas fora do habitual


Fotos Isabel e Ruben Valle Santos
Setembro 2000


Click, para ampliar

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

1746. Sondagem

Uma das empresas de sondagens portuguesas terá resolvido levar a efeito um inquérito de opinião à população residente em Portugal, acerca do tema imigração:

A pergunta que consubstanciou a consulta, terá sido a seguinte:Quanto aos resultados da pesquisa, tente, adivinhá-los...

Está a tentar?...

Mais um pouco...

O quê, não consegue? Fraca capacidade a sua, hein?

Bem, então click na imagem seguinte e confira:



Gentileza de Tira Nódoas
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