Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

3131. Sugestão de Leitura - "O mistério do Infante Santo"



SUGESTÃO DE LEITURA

Se quer saber coisas que dificilmente pode ter sabido antes, atendendo a que o estilo de ensino de História que é ministrado nas nossas escolas, das mais elementares às mais elaboradas, deixe que lhe sugira que leia,

O MISTÉRIO DO INFANTE SANTO

Romance histórico

de

Jorge Sousa Correia

setubalense e professor de História

em edição do Clube do Autor


Por ele, ficará a saber:

* as razões por que o Infante Santo, que foi dado como refém em Tânger, após o desastre militar da responsabilidade do irmão, Henrique, o Navegador, por lá faleceu após martírio de 6 anos, sem que algo tivesse sido feito pelo seu resgate;

* que, os que hoje, em Portugal, sem glória e sem honra, clamam e exigem o incumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo País, tiveram em Henrique o seu émulo;

* que D. Duarte, o rei sucessor de D. João I, mais intelectual que homem prático e em linha com as realidades da vida, indeciso até à medula, tudo permitiu à arrogância, truculência e ânsia de poder do irmão Henrique, mostrando-se mesmo incapaz de, constatado o erro e a tragédia a que deu azo, emendar a mão, libertando-se do labéu que permitiu que lhe fosse atribuído na História do seu País;

* A fraqueza de espírito, ânimo e física do mártir;

* Quando e por que motivo Henrique transferiu a sua residência habitual para o Algarve mais precisamente para Sagres.

* As desinteligências e suas razões entre os membros da chamada Ínclita Geração.
De um lado, Henrique, a sua influência em Fernando, o mais novo dos irmãos, a quem, sem pestanejar conduziu ao maior dos martírios.
Do outro, os infantes Pedro e João, contrários à expedição a Tânger, que pressentiam potencialmente trágica, em face da falta de condições aceitáveis e que acabou por se saldar num dos maiores desastres militares portugueses, perfeitamente escusado e facilmente evitável.
No meio das duas forças, um rei fraco, Duarte, com as suas indecisões e desejo quase mórbido de não desagradar a nenhuma das partes, acabando igualmente por se tornar joguete de Henrique e da própria mulher, Isabel de Aragão.

Tudo isto e o que mais no livro encontrará, em cerca de 400 páginas bem escritas, numa narrativa romanceada muito escorreita e fluente, que seguramente lhe fará compreender um facto histórico do País até agora tão mal conhecido ou mesmo ignorado pelo cidadão comum.

Uma obra a não perder.

RVS - 2013 Abril 24

domingo, 24 de março de 2013

3128. "Nachtzug nach Lissabon"


Cheguei há pouco a casa. Fomos ao cinema, minha mulher e eu.

Era hábito muito arreigado em nós, em África, quando solteiros e nos primeiros 18 meses do casamento. Até que, envolta numa aura de luz, nos surgiu pela frente a nossa primeira filha. Então, pusemos fim ao hábito e o “cinema” passou a ser desfrutado em casa, com as gracinhas da menina. E dos irmãos, dois, que não tardaram a juntar-se-lhe e foram igualmente umas gracinhas, eles próprios.

Quando acordámos desse sonho, tinham passado vários e largos anos e, pelo meio, uma descolonização que também nós consideramos exemplar, talvez por exemplarmente nos ter deixado sem casa e respectivo trem, sem “tuste”, sem sabermos o que fazer da vida, com três filhos, todos com menos de meia dúzia de anos de idade, e consequente e exemplarmente ainda, nos ter calejado para a vida, de tal forma que a actual crise portuguesa, e as duas que a antecederam, quase nos passe e tenham passado de raspão, embora muito e muito nos atinja e tenham atingido.

Sim, na verdade, quem passou pela descolonização e sobreviveu sem se lamentar, antes cerrando os dentes e porfiando pela vida, durante mais de 15 anos, até sair do descomunal aperto, mesmo passando pela amargura de ver alguns dos seus iguais tombarem sem remédio pela provação sofrida, tem lá medo de uma crisezeca como a que vivemos!


Mas – dizia eu – quando acordámos desse sonho do nascimento e crescimento dos filhos, tinham passado vários e largos anos pelo que o hábito se perdera, até ajudado pela televisão à mão de semear ali em casa. Esporadicamente, muito esporadicamente mesmo, lá fomos uma ou outra vez relembrar os velhos tempos da cinefilia, mas por isso ficámos. Assim, foram os anos passando e, quando demos por nós, já os netos por aí andavam, embora não tenham sido nada expeditos em dar sinais de si, mas expeditos de primeira em reclamar o nosso carinho, a nossa atenção, toda a nossa disponibilidade que se mostre ser aceite.

Foi então que um dia destes fomos ao cinema. Já nem recordamos a que filme. Apenas que nos voltou em força o bichinho de outrora. Passados que são quarenta anos bem medidos!

E recomeçámos. Não já com o mesmo fervor e entusiasmo, que a idade tempera os excessos, mas de forma mais calma, criteriosa e agradável. Vivemos, pois, na ansiedade de estarmos com os netos, na quase amargura de não os afagarmos e estragarmos com mimos mais vezes, na rotina acolhedora da nossa vivência em comum, nos passeios pela tardinha, nas idas ao cinema, enfim! Vidas simples que os simples vivem.

A de hoje, foi, pois, uma tarde de cinema.

Fomos ver “Comboio nocturno para Lisboa” (“Night train to Lisbon”, na versão original), protagonizado por Jeremy Irons, Charlotte Rampling e breve aparição de Nicolau Breyner.
O script é baseado no romance do escritor suíço, Pascal Mercier (pseudónimo de Peter Bieiri) “Nachtzug nach Lissabon” que comprámos há cerca de um ano mas que eu tardava em ler, pelo facto de a primazia ter sido dada à mulher cá de casa – que desde então me moía o juízo para que eu o lesse –, mas igualmente porque, embora desde sempre tendo o hábito de ler dois ou três livros em simultâneo, o faço agora com mais demora e maior e melhor mastigação. E ainda porque o tempo não chega para tudo – quem foi o sábio (só pode ter sido um sábio…) que disse que aquilo que não se faça durante a vida activa, não se fará na retirada, por falta de tempo, tal o “atarefamento” que nos assalta? – e no tudo incluem-se também uns escritos ligeiros, por aqui e por ali, para acervo a utilizar mais tarde, que, espera-se, não se atrase demasiado, por correr o risco de se tornar inexequível.

Há dias, porém, quando fiquei com apenas um outro em mãos (de que falarei daqui por uns tempos, julguei ser o tempo adequado para o abordar. E assim fiz. Mastigando, como venho fazendo ultimamente, com grande deleite.

Eis se não quando, nem de propósito, surge o filme… Embora ainda não tenha terminado a leitura do livro, lá fomos ao cinema, minha mulher empolgada, eu expectante.

Estamos regressados.

Por aqui me fico. Apenas me limito a sugerir. Não deixe de comprar, pedir emprestado, roubar mesmo, mas leia a obra; nem tão pouco de comprar bilhete ou fintar o porteiro da Lusomundo, mas veja o filme. Para um a para outro, vá de mente aberta, que é a melhor forma de se ir seja para o que for.

Ah, sim! Não precisa de agradecer.

RVS 2013Março23
(publicado no Facebook na mesma data)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2835. O ego português


O ego português

“Os espanhóis adaptam-se aos novos tempos com maior facilidade do que os portugueses. Os portugueses regressam das suas viagens ao outro lado da fronteira entusiasmados com a forma como tudo funciona, com a vitalidade de Espanha, com as oportunidades, com a sofisticação, Portugal continua preso ao passado, sedentário e incapaz de se livrar dos seus costumes derrotistas. Não aproveitou as oportunidades que vieram ao seu encontro, nem ao nível oficial, nem entre o público em geral. Uma amiga minha portuguesa, de férias durante um ano, aproveitou cerca de uma semana para percorrer de carro a orla da enorme Barragem de Alqueva, no Sudeste de Portugal, que ultrapassa a fronteira para o lado de Espanha. Ela e o seu pequeno grupo deram a volta ao lago do lado português (pagando «15€ por cabeça», em dinheiro, por quartos em casas particulares) e encontraram aldeias que não tinham mudado muito durante décadas, à excepção de agora se encontrarem junto a uma enorme massa de água. Do lado espanhol do lago, entretanto, as aldeias tinham construído cafés junto da água com frondosas esplanadas, parques infantis e áreas de tomar banho, aproveitando ao máximo o potencial do local.”
(Barry Hatton, “The Portuguese – A Modern History”, edição portuguesa Clube do Autor, 3ªedição – Junho 2011.)

* * *

São textos-descrição como este – de um inglês, correspondente em Lisboa da United Press International, a viver, com a mulher e filhas portuguesas, em Portugal há mais de 20 anos e profundo conhecedor do país e das suas gentes, de que é amante confesso – que eu ambiciono ver desaparecerem de uma vez por todas, tanto de letra de forma como de conversas sociais, e não apenas sociais, por esse mundo fora, especialmente na Europa de cujos registos administrativos oficiais fazemos parte, mas cujos povos continuam a opor grande resistência a nela efectivamente nos integrarem.

Porque eles, os textos, são muito agressivos para o nosso ego, mas apenas porque o nosso ego não é por nós próprios satisfeito. Temos muito ego nacional, mas apenas discursivo. E esperto, mas não inteligente, porque não resistimos a continuar à espera de que ele seja satisfeito por outrem que não nós próprios. Ego prenhe de esperteza que parece ter nascido ali para as bandas da Malveira (sem ofensa para os malveirenses que parece terem recebido, com toda a certeza injustamente, uma catalogação que deveria ter sido atribuída a muito mais gentes deste rincão pré-europeu).

Porque eles, os textos, nos descrevem com muito mais precisão e honestidade do que gostaríamos. O que, por via de regra, neles nos enfurece não é a mentira, sequer a visão imperfeita do que somos; o que realmente nos enfurece é neles nos reconhecermos e não gostarmos do que descobrimos.

O exemplo das margens portuguesa e espanhola do lago de Alqueva é bem elucidativo das mentalidades de gentes fisicamente tão próximas e, no entanto, tão afastadas na postura de vida. A nascente (nascendo…) o espírito empreendedor espanhol, independente e construtivo; a poente (morrendo…) a dependente postura portuguesa, incapaz de construir por si própria, sempre na expectativa de que alguém, maxime o Estado, faça o que só a ela compete fazer.

Se ressuscitasse, agora português e em Portugal, John Fiztgerald Kennedy logo morreria de novo, desta vez de desgosto irreparável. De que lhe iria valer a célebre frase de aglutinação de vontades, de congregação de empenhos no desenvolvimento do País “… não perguntes o que é que o País pode fazer por ti; pergunta, isso sim, o que é que tu podes fazer pelo País!” ?

Não, não quero ler mais textos destes. Não porque estes escritores sejam banidos do nosso meio, mas sim porque não mais os possam escrever, por falta de material que os consubstancie.

RVS
2012Jan12

sábado, 5 de dezembro de 2009

2489. Um livro a não perder


Não vou gastar muito do seu tempo, com grandes considerações acerca do último romance de José Rodrigues dos Santos.


Apenas lhe direi que, como habitualmente, se trata de história ficcionada, recheada de factos verídicos e extremamente actuais, indispensável a quem pretenda estar razoavelmente informado acerca de temas de muito interesse para a civilização ocidental, tal como a vivemos nos dias que correm e o que, com grande probabilidade, o futuro lhe reserva.

Se quer saber o que realmente pensam e buscam e como agem os fundamentalistas islâmicos, Al Qaeda e taliban incluídos, para aalcançarem objectivo final que perseguem, não deixe passar em claro a oportunidade de aceder a esta obra, que certamente virá a tornar-se referência futura de vulto na sua biblioteca.

Fúria Divina, de 583 páginas, editada pela Gradiva e vendida por preço inferior a 20 euros, é o sétimo romance de José Rodrigues dos Santos e seguramente o que mais impressiona e inquieta, porém indispensável para que se compreendam muitas das notícias que, em conta-gotas e quase de forma anódina, vão chegando ao nosso descuidado quotidiano.

Fica a notícia e o convite. Não os despreze.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

1879. José Rodrigues dos Santos - "A vida num sopro"

Já por mais de uma vez me referi aqui no blog a obras de José Rodrigues dos Santos, dando conta de que sou um indefectível leitor e apreciador do seu estilo, da obra que vem construindo em bases realmente muito sólidas e certamente duradouras.

Pois bem, chegou a vez de o fazer novamente, após a leitura do seu último romance, "A vida num sopro", editado pela Gradiva.

É, como seria de esperar, um excelente romance, que só não se lê de um "sopro". como tantos outros, pelo grande prazer que consiste em ir absorvendo a história e a forma de a contar, em sorvos de total comprazimento.

Na verdade, se, em obras anteriores, JRS captou a nossa atenção através de livros cheios de acção e suspense, excelentemente narrados, como são os casos de O Codex 632, A Fórmula de Deus, e O Sétimo Selo, a título de exemplo (e não refiro A filha do capitão, nem A Ilha das Trevas, por assim as não entender) em A vida num sopro, o autor revela-se um escritor multifacetado e com uma excepcional capacidade de acomodar-se a qualquer género de romance.

Não alheia a esta circunstância será certamente, para além da extraordinária capacidade narrativa de José Rodrigues dos Santos, uma sua muito peculiar e agradável forma de estar na vida e perante a sociedade envolvente, de que todos somos testemunhas quase diariamente nas suas aparições na RTP.

A fluidez da escrita, a já falada capacidade narrativa, a ciência indispensável da comunicação fácil e espontânea fazem de José Rodrigues dos Santos um caso que se tornou já ímpar no universo das Letras Portuguesas, ao que parece para algum desgosto de uns quantos, certamente em números irrisórios, se comparados com os outros, os muitos que se deliciam com suas as histórias e a forma como as conta.

E se não bastasse o que acima fica referido para fazer de JRS um autor que faz inteiro jus à consagração que, em menos de cinco anos, já obteve, a leveza e a simplicidade das coisas mais belas, precisamente por serem simples e escorreitas - sem rodriguinhos de literatos mergulhados na estratosfera transcendental das grandes elucubrações, as mais das vezes sem sentido e, por isso mesmo, sem que alguém as entenda, a começar pelos próprios -, que imprime a quanto escreve, transmitindo ciência, conhecimento e saber em jeito de entretenimento, de forma simples e directa, a todos acessível, embora não alienada da verdadeira cultura portuguesa, conferem-lhe lugar seguro na galeria dos grandes autores portugueses de sempre.

Por mim, como já afirmei em outras oportunidades, constituí-me seu leitor indefectível, que apenas aguarda a publicação da próxima obra. E da seguinte e da que se lhe seguirá.

Obrigado, José Rodrigues dos Santos, pelo excelente trabalho que está a fazer, em prol da Literatura Portuguesa, assim liberta do bafio, desempoeirada, completamente arejada e, perdoe-se-me a terminologia que, porém, julgo adequada, open minded, que certamente está a retirar às fileiras dos portugueses divorciados da literatura muitos dos argumentos que esgrimiam para justificarem essa condição a que tinham chegado.

A Literatura, quanto mais próxima estiver do cidadão comum, vulgar de Lineu, melhor e mais eficazmente cumprirá a sua missão. Que efectivo ganho advirá para ela do facto de ser-se Nobel, assim nomeado por meia dúzia de "cérebros", quando nem no próprio país há dúzia e meia de pessoas não "entendidas" que conheçam a respectiva obra e, menos ainda, a entendam?

Foi isso, a necessidade de o autor e a sua obra se inserirem no meio dos seus concidadãos, seus semelhantes, para que atinjam a sua plenitude, que JRS veio evidenciar. É provável que alguns de seus pares de tal verdade não se tenham ainda apercebido. Porém, mais tarde ou mais cedo, acabarão por entender e por render-se. Tão inevitável como as coisas inevitáveis.

Será a vitória derradeira e decisiva de José Rodrigues dos Santos.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

1814. Apresentação de livro

Não é meu hábito aconselhar a leitura de livros que eu próprio ainda não li.

Abro, porém, uma excepção para a obra de Deana Barroqueiro, "O Navegador da Passagem" - A história de um descobridor de mundos que o mundo ignorou.

E por que o faço? Por ter a garantia de que se trata de uma obra a reter e a divulgar.

Da autora conheço "D. Sebastião e o vidente" e essa é, para mim, a garantia de que qualquer obra saída dos estudos e capacidade de exposição de Deana Barroqueiro tem a marca da grande qualidade, do estudo aturado e cuidadoso, do desejo de narrar História para lá das versões oficiais e oficializadas, mais humanizada, mais perto, portanto, da compreensão e aceitação do cidadão comum, se bem que, forçoso é que se diga, mais dificilmente do cidadão comum das leituras do quotidiano.


Por todos os motivos históricos, mas igualmente pela singular forma de escrita, que tenta - e consegue plenamente - transportar-nos à data dos eventos narrados, Deana Barroqueiro tem um lugar ímpar na Literatura Portuguesa de todos os tempos.

Quedo-me por aqui, de momento.

Apenas mais uma breve nota, para informar que o livro será apresentado a 17 do corrente, pelas 19,30h, no Padrão dos Descobrimentos. E que local mais apropriado para a realização de tal evento, do que este mesmo?


Fique, agora, com um pequeno vídeo, em que a autora faz uma curta apresentação da obra.


segunda-feira, 21 de julho de 2008

1626. Está de volta a Menina-marota

No decurso da apresentação do livro, CC Vasco da Gama. Click, para ampliar.

* * *

A
Menina-marota, está de volta à blogosfera.

Após um período de retiro sabático que a si própria resolveu impor, a bela Otília Martel regressou ao nosso convívio e. com ela, a sua poesia de rara sensibilidade.

Entretanto, publicou o livro "Menina Marota - Um Desnudar de Alma", cuja apresentação decorreu no Porto e, na passada sexta-feira, também em Lisboa, no auditório da Livraria Bertrand do CC Vasco da Gama.

Agora que a temos de volta, deseja-se que não mais nos falte, porque a Blogosfera não pode viver apenas da prosa, quantas vezes dura e escabrosa, da política, do fait-divers, do lado mais insensível da vida.

Bem-regressada, Menina.
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

1555. "O último ano em Luanda"

Já em outras oportunidades tive o ensejo de sugerir a leitura de alguns livros que entendi de interesse real.

Não de muitos nem sequer de todos os que julgo merecerem tal referência, mas, pelo menos de alguns, de que recordo, a título de exemplo

A Fórmula de Deus
José Rodrigues dos Santos

D. Sebastião e o vidente
Deana Barroqueiro

O Século Chinês
Federico Rampini

A determinada altura, porém, quedei-me, muito embora tivesse continuado a ler uns quantos.

Acabei agora mais dois, estes relativos à saga dos portugueses, que de Angola tiveram que sair à pressa, por força de uma descolonização feita à trouxe-mouxe, por governantes portugueses que pouco cuidaram das vidas e dos haveres de compatriotas seus.


Um desses dois livros não o irei recomendar, nem sequer mencionar, porque, muito embora o autor seja uma figura simpática, sinceramente acho que produziu uma obra de muito fraca qualidade, embora as tiragens estejam a ser excelentes, pelo que julgo saber. Mas isso é outra história.

No entanto, venho falar-lhe do outro, mas apenas para sugerir que leia, no caso de o assunto lhe interessar.

É que o autor - o jornalista Tiago Rebelo - esforçou-se por apresentar trabalho limpo e muito válido, correspondendo à realidade do que se passou e com uma técnica de escrita, principalmente na vertente de narração, que não é muito frequente encontrar em escritores portugueses da actualidade - e não estou a falar da
best-seller Margarida Pinto Rebelo, que é, quanto a mim, o êxito mais inacreditável e abstruso que alguma vez encontrei em literatura.

Como é compreensível, não desvendo o romance, de que apenas direi que se trata, como o título indica, aliás, da vida de portugueses no último ano vivido em Luanda, antes do regresso a Portugal.

Um livro surpreendente, na verdade. As letras portuguesas actuais têm revelado muitas insuficiências, demasiadas incapacidades, aliadas a muita propaganda nada condizente com a realidade; no entanto, de quando em vez aparece um ou outro autor, que simplesmente, vale a pena.

É o caso de
Tiago Rebelo. O livro tem por título "O Último ano em Luanda". Edição da Editorial Presença. Tem cerca de 470 páginas de bom e escorreito português e custa, se não me falha a memória, menos de 30 euros.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

1415. A ler: "D. Sebastião e o vidente"


Tempos atrás recomendei aqui uma leitura.

Precisamente o romance "A Fórmula de Deus" (Die Gottes Formel), de um dos dois escritores portugueses do momento de minha preferência, o inimitável José Rodrigues dos Santos - o outro é Miguel Sousa Tavares, de que li "O Equador" e estou a ler "Rio das Flores", este, até à fase em que vou, aí pela página 200, sinceramente bem melhor do que o primeiro.

Entretanto - e para absorver mais alguns ensinamentos e enquanto não me decido a escrever o meu próprio romance (uma epopeia de, para aí umas 800 a 900 páginas), que deixará o próprio JRS azul de sem fôlego e MST verde de invídia, mas também para disfarçar a minha indolência de escritor sem "aventura" e com certo "temor" reverencial e outros... -, tenho vindo a ler obras menores (em extensão e fôlego) que a capacidade de recepção já não é a que used to be...

No entanto, há cerca de dois meses atrás atirei-me (trata-se de uma forma de expressão que é igualmente força... muita força... - e vão já ver porquê...) à obra de Deana Barroqueiro, "D. Sebastião e o vidente", ou seja, um calhamaço de 640 páginas de uma escrita necessariamente - tanto quanto me parece - intrincada e redundante que deixa qualquer pobre de Cristo que ao fim chegue, completamente exaurido. Como é que não terá chegado Deana?!...

Não quero, com isto, dizer que não gostei do livro e que, portanto, o desaconselho.

Não, muito pelo contrário, entendo-o de leitura absolutamente indispensável para a compreensão de uma época da nossa História que, desde sempre, esteve mergulhada em névoa, como o próprio mancebo sifilítico. Rei que, talvez por efeito da doença que o consumia mas certamente pelas várias forças que o empurravam para caminhos escusos e por ausência de outras que o poderiam ter levado por outra senda, mas que não se atreviam a manifestar-se, conduziu o País, sem honra nem glória, antes muita impreparação, aliada a indesculpáveis descuido e ausência de sentido de Estado, a um desastre imenso, com consequências terríveis para a nação, perfeitamente evitáveis e que compulsivamente deveriam ter sido evitadas.

Com Sebastião, Portugal deixou de ser potência mundial e foi decaindo... decaindo sempre até à actual vil tristeza, hoje em dia mal disfarçada com arrogâncias injustificadas, por "vitórias" sobre "vitórias", esperemos apenas que não até à derrota final. Do País, evidentemente, que em outras não ponho grande cuidado. (Pois não é verdade que se considera vitória memorável o simples papel de dactilógrafo daquilo que se diz ser uma espécie de tratado, previamente cozinhado pelos chefs de cuisine? - ou será melhor dizer Küchenchefen?).


Mas regressemos ao que, nesta oportunidade, verdadeiramente importa:

Como se afirma na contra-capa, "O rei mais desejado da nossa história é, apesar de todas as esperanças da nação, um órfão falto de afectos, criado e educado por (...) uma avó sedenta de poder ou o cardeal regente, tornando-se (...) joguete involuntário dos desígnios imperialistas do seu tio, o implacável Filipe II de Espanha".

E, mais adiante:

"Caprichoso e insolente (...) cresce atormentado pelos fantasmas da adolescência (o percalço que, em Almeirim, numa noite de desvario e rapaziada, afinal compreensível, lhe trouxe a doença que nunca mais deixou de o atormentar e tanto poder teve também no desenrolar do acontecimentos), sublimados nos sonhos de glória de mancebo visionário, senhor de um poder absoluto (para que nunca esteve minimamente preparado) que o arrasta ao desastre (...).

Encha-se, pois, de tempo, de coragem para ler aos poucos e ir absorvendo, como que mastigando antes de deglutir, e leia o livro.

Vale a pena. Até mesmo pela dificuldade. Livro ligeiro não dá luta, que é, afinal, o melhor da leitura.

* * *

Um dia destes, virei aqui falar de mais obras. Outro livro de J. Rodrigues dos Santos, "O Sétimo Selo", que já li, e "Rio das Flores", de M. Sousa Tavares que estou a fazê-lo.

Enquanto não estiver em condições de tomar semelhante atitude relativamente ao que a mim mesmo devo há anos e anos, somente porque não encontrei ainda a estrutura que mais me parece a adequada e também não venci a tal indolência (ou receio de crítica?), falarei de outros...

- É a vida! - diria Antónimo Tu Erres!...
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

1239. Um site a defender



Divulgue, para não se perder esta ferramenta!

Imagine um lugar onde se pode ler gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores histórias infantis de todos os tempos.

Um lugar que lhe mostre as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade. Pois bem, esse lugar existe!

O Ministério da Educação do Brasil disponibiliza-o. Basta aceder ao site:

Só de literatura portuguesa são 732 obras!

Estão em vias de perder tudo isso, pois está a preparação a desactivação do projecto por falta de uso, já que o número de acesso é muito baixo.

Vamos tentar reverter esta intenção, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

(texto recebido via email)
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quinta-feira, 17 de maio de 2007

1075. "A Fórmula de Deus"

Foi-me oferecido, corriam ainda os dias do ano de 2006.

Apenas agora, porém, me foi possível lê-lo, tal foi a disputa que na família (somos uns quantos...) se gerou para todos serem o primeiro a ler. Fui, pois, ficando para trás, até que chegou a minha vez. Em boa hora.

José Rodrigues dos Santos não tem, diga-se em abono da verdade, o cunho característico dos grandes romancistas, entendidos como manipuladores da palavra escrita por excelência.

No entanto, escreve escorreitamente e, de forma hábil e despretensiosa, prende o leitor ao enredo e às pesquisas e aos conhecimentos que vai carreando para as suas obras. Que evidenciam muita transpiração e igual dose de inspiração.

Dele já lera a "Ilha das Trevas" (Timor), pusera de parte (para melhor oportunidade) a "Filha do Capitão" (corpo expedicionário português em França), mergulhara nos intrincados mistérios do "Código 632" (Cristóvão Colombo português).

Foi agora a vez de "A Fórmula de Deus", que me despertou imenso interesse, não somente pelo tema - a busca da prova científica de existência de Deus - e pela forma muito característica de romancear de JRS, como por alguns dos lugares descritos, com particular relevo para o desértico planalto do Tibete, desde Kodari, no Nepal, e Zhangmu, já em território tibetano, até Lhasa (com o Potala e o Jokhang), passando por Shegar, Lahtse e Shigatse - com o Tashinlumpo - (mas não por Gyantse, por motivos de força maior relacionados com saúde de amigo e companheiro de viagem, resultantes da altitude, principalmente da transposição de La Pass, a 5.230m), que conheci há dois anos.

Não me arrependi. É um livro a não perder. Bastará que diga isto: a não perder!

José Rodrigues dos Santos, naquele seu jeito de eterno jovem bem humorado e que parece não dar muita importância ao que o rodeia, vai ser, está a ser já, um caso muito sério na literatura de ficção portuguesa.

E, curiosamente - ou talvez não... -, sem os espaventos e feiras de vaidades que por aí temos visto em outros casos... de valia mais do que duvidosa. O que também conta. E muito.

Venha outro, caro José. Estou cliente. Fiel.

* * *

Somente a título de curiosidade... talvez de humor.

Contrariamente a
Tomás de Noronha, o protagonista do romance, não teve a Isabel, minha mulher, a felicidade de conseguir encontrar em Lhasa - aliás, em todo o Tibete que percorremos - uma foto do Dalai Lama, que não havia à venda, por proibição chinesa, ao que disseram. E, curiosamente, uma que ela levava já, comprada em Katmandou, foi-lhe pedida em segredo tão veementemente, que não teve outro remédio - e satisfação, claro! - que não dispensá-la, tendo comprado outra, quando de volta ao Nepal.
Do Panchen Lama, sim, havia. Pelo menos no Tashilunpo.

Não se incomode com isto que digo, JRS, pois que a intenção não é essa, muito pelo contrário. E o facto que relato, se for verídico no que se refere à proibição de fotos do "papa" dos tibetanos, em nada deslustra a sua obra, que é, na verdade, inesquecível.

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