Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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sábado, 1 de setembro de 2007

1229. Os porquês da pausa e do regresso

A pausa que fiz nos comentários e zurzimentos políticos, embora possa parece resultar dos langores da época estival, num país que consegue o verdadeiro milagre de ainda parar mais neste tempo do que já faz durante o resto do ano, não se ficou a dever a tal circunstância.

Pelo contrário, alicerçou-se no continuado vómito que as andanças políticas cá do burgo me vêm causando em acelerado crescendo
- basta constatar a faltas de capacidade, as falhas de carácter, os rios de chico-espertismo saloio que por aí campeiam e os sucessivos atropelos à legalidade e, pior do que isso, à legitimidade democrática, como, a título de exemplo, a questão da não averiguação e democrática punição, sendo caso disso (obrigatória em qualquer país regido por mínimos aceitáveis de decência), da autoria da ilicitude criminal de fazer inserir, em documentos oficiais da República Portuguesa, ao nível dos mais altos órgãos de soberania do país, de falsidades mais do que publicamente verificadas - mas igualmente pela constatação de que, tendo-se chegado ao último dos limites, já nada pára ninguém (talvez com receio de que, fazendo-o, parado venha a ser também) , pelo que nada há a fazer, a menos que se funde uma nova república, um novo país, um novo povo, o raio que os parta, enfim!

Por isso me dediquei a outros temas menos frustrantes, menos desgastantes para o coração.

Mas, dia vem - e há sempre um dia que vem... - em que a gente não aguenta mais e tem que desabafar, mesmo que corra o risco de ser chamado a "prestar contas" apenas por dizer o que lhe vai na alma - nada falsificando nem mandando falsificar, nada inventando nem mandando inventar - insurgindo-se contra verdadeiras barbaridades.

É o caso.


Há dias, todos assistimos nas TVs - e rádios e jornais - a uma peripécia verdadeiramente cómica e aterradora. Cómica, pelo nonsense que a motivou; aterradora pelo que revela do estado de espírito a que se chegou neste desgraçado país e pelo que antecipa do que nos espera.

Andei dias a tentar não vir aqui falar no assunto, mas chegado a este momento, tenho que dizer algo - não muito - para não rebentar. Até porque quem consente não é filho de boa e decente gente. E para filhos de gente de duvidosa moralidade e ética, gente bem rasca, sim, já há por aí em demasia...


Certamente que ouviu, leu, viu que o governo que nos desgoverna (e que Deus em Sua infinita sabedoria nunca mais se decide a levar daqui para fora, ilhas Caimão, por exemplo!), andou por aí a propalar, todo ufano (como se de um feito ilustre se tratasse), que uma grande parte dos hospitais portugueses já DÃO LUCRO e a lamentar que alguns ainda o não dêem, mas esperando que em breve o venham a fazer.


Então, que me diz?

Por mim, arranco cá das entranhas rasgadas de furor e sufocação:

- Porra, que é demais! Isto raia o inconcebível!!!

Mas, então, não há ninguém que deite mão a esta gente e acabe de vez com tais desmandos? Não bastava já o que bastava, para que agora também os hospitais públicos tenham virado empresas com fins lucrativos?
Mas a que estado de falta de pudor chegámos, para que um governo venha publicamente gabar-se de tal enormidade, que só o devia envergonhar?

E a todos nós, claro, porque consentimos barbaridades destas!

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terça-feira, 31 de julho de 2007

1201. Hoje estou satisfeito...

... e um pouco mais descansado.

Desde miúdo que, sob o ponto de vista profissional - que socialmente não há problemas, tendo-me dado sempre muito bem com todos os que fui conhecendo e até sou amigo de alguns e viajo anualmente com uma - tenho uma fobia (pior do que isso, é terror mesmo!) aos médicos. Acho que é paranóia. Da mais amachucante.

Com o avançar da idade, a coisa foi piorando de uma forma inconcebível.

Encurtando razões, direi que, mesmo à beira da 3ª Idade - o que vale é que elas agora são 5, pelo que estou somente a meio do percurso... - mesmo não querendo exagerar e descontando dentista e ofalmologista, desde os meus 15 anos, não fui a uma consulta médica mais do que 4 ou 5 vezes. Creio que isto diz tudo. Ou talvez não diga...

Em 1999, meu pai, de 81 anos e antigo fumador inveterado (vicio que abandonara 14 anos antes, por graves problemas respiratórios), foi diagnosticado como padecendo de carcinoma pulmonar não operável, pela idade e pela localização. Durante os dois anos da doença - faleceu com 83 anos e, felizmente, teve excelente qualidade de vida até um mês antes, pois fazia a vida normal e até conduzia diariamente - acompanhei-o sempre nos imensos tratamentos de quimioterapia e radioterapia, tanto no Pulido Valente como no IPO.

Imagina, você que me lê, o que a um tipo como eu, cheio de coragem para enfrentar consultas médicas, tais andanças causaram, não?!...

Se lhe disser que, a determinada altura, por puro terror, continuando sempre a acompanhar meu pai, quase diariamente entre Setúbal e Lisboa e vice-versa (felizmente com a companhia constante e suavizante da minha mulher), passei verdadeiros tormentos de aflição interior, que lá ia disfarçando como podia para não causar maior angústia ao "velhote", certamente que não estarei a "inventar"!...

A coisa chegou a tal ponto que, a determinada altura deixei de conseguir ir com ele para o consultório, ficando cá fora, no corredor, à espera. E porquê? Então não é que se me meteu na cabeça que, se lá fosse, o médico um dia, só de olhar para mim, descobriria que eu também estava com o mesmo problema?!?! Tinha noites de verdadeiro pavor, acordando pela madrugada, num estado de agitação e de suores que ninguém imagina.

Para complicar tudo, em Maio de 2000, com 60 anos, fui comprar um medidor de tensão arterial, porque o que tínhamos se estragara. Ao experimentá-lo na farmácia, constato, para enorme alarme, eu que sempre tivera tensão arterial normal, que estava com uns valores que nem me atrevo a dizer aqui.

Completamente "borrado" de "miúfa", fui dali direitinho para as urgências do Hospital de S. Bernardo, o cá da terra.

Trataram a emergência e mandaram-me para o médico que me atendeu de forma calma e profissional, medicando-me. Porém, como, enquanto tomava anti-hipertensivo, comecei a medir a tensão diariamente, para ver se a coisa estava bem, fui-me enervando e de tal modo que, pouco tempo depois, deixei de poder ouvir o aparelho electrónico e só os gestos de preparar a medição, punham-me num estado tal que desisti, pura e simplesmente!

De então até há 15 dias atrás - mais de seis anos depois!!!... - nunca mais medi a tensão ou fui a qualquer consulta. A única coisa que nunca deixei de fazer, foi a toma do comprimido hipotensor. Com isso ia alarmando a Isabel, minha mulher, e o resto da família, pois que, sempre que me falavam no assunto, era um problema. De tal forma que, a partir de certa altura, deixaram de o fazer, para não agravar a situação.

(Estou a contar tudo isto e a expor-me, na esperança de que esta história ajude alguém. Se tal acontecer, ficarei satisfeito e sentir-me-ei recompensado por esta exposição pública).

Pois muito bem, aqui há 15 dias atrás, depois de vários meses (mais de 6 seguramente) de auto-convencimento e de busca de reservas de coragem interior, lá me decidi.

Com uma paciência de Job e uma calma que me deixa assombrado, o meu médico recebeu-me e falou-me como se eu tivesse saído do consultório pela última vez na véspera e lá me convenceu a fazer uma bateria de análises e exames.

Soube ontem à tardinha os resultados e parece que está tudo bem, dentro dos valores considerados bons e, com o novo hipotensor, a pressão sanguínea baixou para valores óptimos. Pulmões, coração e outros órgãos estão a portar-se à altura das circunstâncias.

Eu sou crente e considero que existe uma mão cuidadosa e caridosa que me tem amparado por toda a vida. E julgo que não me irá faltar com esse imprescindível apoio. Mas, para tal, preciso de fazer - eu também - algo por que tudo corra bem...

Farei? Não farei? Espero bem que faça.

* * *

Nota final, que é uma mera sugestão, mas que julgo de interesse, principalmente num país em que os problemas cardiovasculares são percentualmente muito elevados.

Como é sabido, o colesterol elevado é uma tremendíssimo problema. Pois bem, embora não tenha qualquer comissão no "negócio", deixe-me que lhe diga que os yoggies da Becel para baixar o colesterol - os que eles dizem que contêm esteróis - são mesmo eficazes. Com eles - um por dia - consegui baixar de um nivel de colesterol de 240 para 195 em 4 a 5 meses e, com a continuação, vim para um nível de 140. Não sei se sabe, mas máximo admitido sem preocupações é de 200.


* * *.
Nota anda mais final:
Estou tão satisfeito, como disse a princípio que, para que o dia fosse realmente perfeito, apenas me está a faltar a notícia de que
Pinto de Sousa foi dar uma volta ao bilhar grande e não voltará para chatear-nos a moleirinha. Mas, está visto, não vou ter essa sorte. Não há mesmo dias perfeitos...
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terça-feira, 24 de julho de 2007

1193. Duas notas sobre a questão do aborto


Deixo aqui, sem comentários - até porque são desnecessários... - duas notas sobre a questão do aborto, a fim de que quem isto ler ajuize por si:


1ª questão
, que já tem uma ou duas semanas:

Foi superiormente decidido que o limite máximo de gravidez verificada, que permite que se proceda ao aborto, suave e capciosamente chamado de interrupção voluntária da gravidez, é de 9 semanas e 6 dias.

Foi ainda decidido que, após se verificar que aquele prazo não está excedido, pelo que o aborto pode ser feito, é dada à mulher - obrigatoriamente - um período de reflexão de 3 dias e, só depois desse período e se ela persistir na vontade de abortar, se procederá ao aborto.
Portanto, a mulher pode ir ate às 9 semanas e 6 dias, prazo limite para a verificação da gravidez e das condições para abortar.
Sem comentários, como prometido, mas com contas -

9 semanas e 6 dias + 3 dias = 10 semanas e 2 dias
ou seja,
neste caso o aborto será praticado
nunca antes das 10 semanas... e 2 dias,
quando o objecto do referendo e o que está vertido na lei
refere expressamente o limite das 10 semanas para a prática do aborto.

* * *

2ª questão, que é de hoje:

A Ordem dos Médicos, através do respectivo bastonário, veio dizer que médico que se declare objector de consciência para não realizar abortos no serviço público será sancionado no caso de o vir a fazer no sector privado.
E lamentou que o Governo não tivesse solicitado, como devia, à Ordem a tarefa de listar os médicos objectores, para controlo efectivo.
Questionado sobre o assunto, o ministro da saúde afirmou que esse é um problema da Ordem dos Médicos e que

ao Governo apenas interessa saber quais os médicos que,
em determinado hospital são objectores,
para "ali" não fazerem abortos.

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sexta-feira, 6 de julho de 2007

1172. Mude-lhe o nome!


O Hospital de Portimão, o Hospital de Garcia de Orta e a Maternidade Alfredo da Costa são os primeiros estabelecimentos a praticar o aborto a pedido da utente.
Notícia de há momentos, na SIC


* * *

Maternidade
- s.f. qualidade ou estado de mãe; estabelecimento hospitalar destinado a mulheres parturientes (De materno + -idade)
Qualquer dicionário de língua portuguesa

* * *

Há por aí alguém que seriamente seja capaz de afirmar que a chamada
Maternidade Alfredo da Costa, ao dispor dos seus recursos, materiais e humanos, para a realização de abortos, está a honrar o espírito que presidiu à intenção com que foi criada e o seu nome indica, isto é, está a servir alguma mãe, está a auxiliar alguma parturiente, ou seja, mulher que se prepara para ser mãe e põe nesse acto as suas melhores esperanças e anseios?

* * *

Assim sendo, senhor Correia de Campos, faça o favor de cumprir este também seu dever inalienável, que é o de não permitir que, em maternidade - que existe para ajudar a que seres humanos possam aceder à vida extra-uterina - se faça precisamente o contrário daquilo para que está vocacionada, pelo que um dia alguém a criou, ou seja, retirar a seres humanos a possibilidade de virem a ter uma vida extra-uterina.

Ou, quando para isso não se ache capaz, então, por uma questão de decoro, mude o nome à Maternidade Alfredo da Costa. Rapidamente!


Haja algum senso e dignidade, porque o país não é uma coutada onde cada um que, casuística e conjunturalmente, acede ao poder faz apenas aquilo que lhe dá na real gana, sem se julgar obrigado a prestar contas.

O país é mais do que isso e precisa de mais do que isso. Muito mais.
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sábado, 30 de junho de 2007

1163. Acabe-se com a aleivosia!

Corre por aí - com inusitada frequência, aliás - que o governo capitaneado pelo senhor Pinto de Sousa, tem horror a permitir que os portugueses possam usufruir do discutível mas impostergável direito de adoecer.

É hábito - de muito mau gosto, forçoso é que se diga - alegar-se em abono de tal tese as questões relacionadas com o encerramento de estabelecimentos hospitalares em quantidades verdadeiramente espantosas (e, em enormíssimo número de casos, sem justificação minimamente aceitável), a redução nas comparticipações do Estado em receitas medicamentosas, o aumento indiscriminado e cego das taxas moderadoras, bem como o corte abrupto de vários direitos a nível de cuidados de saúde até agora vigentes.

Pois bem, não obstante os fundamentos invocados parecerem razoáveis ex abundante, dizer-se tal constitui verdadeira aleivosia e só pode afirmá-lo quem, por razões - certamente ínvias - pretende denegrir os esforçados trabalho e competência do referido e muito estimável senhor e do mui excelso governo que capitaneia com alto e gabarito e mestria jamais vista.

É, pois, necessário repor a verdade. De imediato, se possível. E é-o.

Por isso, hic et nunc me apresso a vir fazê-lo proclamando, urbi et orbi que o senhor Pinto de Sousa e o seu nunca por demais incensado grupo de ministros, secretários de estado e correlativos, não consideram - nem jamais consideraram - a odiosa hipótese de coarctar aos portugueses o sacrossanto direito de adoecerem. Sim, os portugueses podem ficar absoluta e definitivamente descansados: ninguém os vai proibir de adoecerem. Era o que mais faltava! Adoeçam, pois, sossegadamente e com a maior das alegrias.

O que não se aceita de boa mente nas altas esferas decisórias do país, isso sim, é que, uma vez doentes, tenham o sumo desplante de desejar ser tratados em condições de dignidade humana e recuperar a saúde o mais rápida e eficazmente possível.

(Abra-se um pequeno parêntese para esclarecer que, fora do imbróglio, ficam apenas as mulheres que decidam abortar, o que parece justo, pela humanidade implícita no acto).

E pronto! Aqui ficam repostas a verdade e a justiça. Como era devido.

Que ninguém mais ouse dizer - pensar, sequer! - que os aludidos senhor e governo se preparam para não permitir que os portugueses continuem a desfrutar do inalienável direito de adoecer. Porque tal não é verdade. Permitem, sim senhor. E sem qualquer restrição. Adoeçam para aí, portanto, o mais que puderem, indiscriminadamente. O problema até é vosso. De quem adoece, evidentemente! Portanto, amanhem-se

* * *


Nota final para manifestação de estranheza:

Curiosamente - talvez não?! - desde que o actual governo e seu chefe, senhor Pinto de Sousa, tomaram em suas lavadas e alvas mãos as rédeas do cavalo do Poder, jamais se ouviu o também muito estimável senhor Jorge Sampaio afirmar - enfaticamente ou menos - que
há vida para além do déficit, frase que, como é sabido, proferia antes com todo o garbo e pundonor que são apanágio seu - bem como a quilométrica prolixidade de Luís de Góngora - para grande gáudio da rapaziada d'habitude.

Mas talvez que tal circunstância se fique a dever a evolução do esclarecido pensamento do senhor em causa que, quiçá, terá, entretanto, concluído que, contrariamente ao que vinha de supor, afinal, talvez seja emais exigir-se que, para além do
déficit haja vida, mas já não o seja tudo fazer para que haja dor, angústia, sofrimento e, muito a final de tudo, a salvífica morte, ainda que desamparada.
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quinta-feira, 21 de junho de 2007

1142. Sem comentários

Prática do aborto isenta de pagamento de taxas moderadoras

Todas as mulheres que decidam interromper voluntariamente a gravidez estarão isentas de taxas moderadoras no Serviço Nacinal de Saúde, tal como qualquer outra grávida. A garantia foi dada hoje pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, em conferência de imprensa, onde apresentou a regulamentação da nova lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), que entrará em vigor no dia 15 de Julho.
Público online

domingo, 6 de maio de 2007

1056. Citação do dia - 06.05.2007

It’s our medication that is killing these people. It’s not a virus, it’s not something that they got outside, but it was something we actually manufactured.
NÉSTOR SOSA,
a doctor in Panama, where adulterated, government-made cough syrup killed scores of people.
New York Times 06.05.2007

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Safa! Antes o vírus...
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sexta-feira, 27 de abril de 2007

1032. Efeméride tabagística

Completaram-se, hoje, 9 anos que tomei a resolução que considero das mais racionais e acertadas de toda a minha vida.

É certo que a tomei depois de ter apanhado tremendíssimo susto com meu pai, mas a verdade é que - finalmente!!! - a tomei.

27 de Abril de 1999 foi o primeiro dia que, de há muitos anos até então, passei sem fumar um único cigarro. Foi também o primeiro de uma série que pretendo longa e imutável.

Foi difícil nos primeiros tempos. Muito difícil. E só o consegui à custa de uma quase intoxicação com nicorettes, pois que cheguei a ultrapassar, e muito, a dose diária recomendada. E sem acompanhamento médico, que foi uma autêntica burrice.

Mas valeu a pena.

Diz-me quem sabe que, por esta altura, estarei em vias de ficar completamente limpo. Acredito que sim, quero acreditar que sim.

Há 9 anos que, pois, sou um homem livre!

O que sentia antes daquele dia e o que senti e sinto após aquele dia diz-me que, se o não tivesse feito, provavelmente hoje estaria a blogar, sim, mas noutro lado qualquer que não este. Isto, se Deus ou o parceiro lá de baixo permitissem a blogaria...

Fui escravo por anos a fio, anos demais. Mas venci a luta.

Oxalá outros, muitos, todos os que assim o desejem, consigam também.

São os meus mais sinceros votos e fico torcendo com todas as minhas forças por que o consigam. Porque gostava de ver, daqui por uns tempos, muitos outros amigos e companheiros, bloguistas ou não, festejarem também uma tão excelente e lúcida efeméride.

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terça-feira, 3 de abril de 2007

972. ministro da saúde desmente ministro da... saúde

O ministro da Saúde, António Correia de Campos, anunciou no programa da RTPN Mais Saúde que os hipermercados vão começar a vender todos os medicamentos, incluindo aqueles que precisam de receita médica.

No entanto, o utente que opte por comprar um medicamento com receita num hipermercado terá de pagar a totalidade do preço, ou seja, terá de abdicar da
comparticipação que o Estado dá à maioria dos medicamentos.

"Se quer a comparticipação vai à farmácia, se quer proximidade vai à loja", disse o ministro.
in site da RTP

* * *

O ministro da Saúde, Correia de Campos, negou esta terça-feira que os medicamentos sujeitos a receita médica vão ser vendidos em hipermercados e lojas de farmácias.

Apenas os medicamentos sem a necessidade de receita médica podem ser vendidos fora das farmácias. Alguns destes medicamentos são comparticipados. No entanto, quem os adquirir em hipermercados ou lojas de saúde não terá direito a essa comparticipação, pagando a totalidade do medicamento.
in Correio da Manhã

* * *

Nota do bloguista:

São tão estimulantes
esta incerteza,
esta agitação contínua,
esta verdadeira "lócura"...

Quem é que ainda consegue
viver

sem este delicioso nonsense?
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

906. Carta aberta ao ministro da saúde

Em 24 Fevereiro 2007, Professor Catedrático jubilado, do Instituto Superior Técnico, António Brotas, endereçou ao Ministro da Saúde, a seguinte carta aberta:

Exmo Senhor Ministro da Saúde,

Quando tinha 8 anos parti um braço. Um soldado da Guarda Republicana pegou em mim ao colo, correu até ao quartel, e levaram-me ao hospital num carro não sei se da instituição se de algum oficial.

Lembro-me sempre deste episódio quando tento imaginar o que pode fazer hoje uma família sem carro numa aldeia, numa vila, ou mesmo numa cidade sem urgências médicas, quando um filho tem um acidente. Em situações de excepção, e depois de não conseguir outras ajudas, penso que deveria poder pedir auxílio à Guarda Republicana, ou à PSP. São instituições nacionais que dispõem de viaturas e de meios de comunicação. Custa-me imaginar a situação de uma família aflita com um carro da GNR, ou da PSP, a passar perto sem fazer nada. Sugiro que tenha uma conversa com o Ministro da Administração Interna para ele sensibilizar a GNR e a PSP para situações deste tipo.

A dificuldade está em definir as situações de urgência e excepção. Tenho presentes as palavras de V. Exª quando disse na Televisão que 80% dos casos das pessoas que acorrem às urgências dos hospitais não se justificam. O problema está em que, em muitos casos, só depois de ir às urgências se sabe que a situação o não justificava.

Sugiro, assim, a V.Exª. que organize um serviço nacional contactável telefonicamente a qualquer hora do dia ou da noite, que informe, aconselhe e acompanhe as pessoas que pensam ir a uma urgência.

A família de uma criança que parta um braço, por exemplo, entre Valença do Minho e Monção, receberá o conselho de seguir para Monção. Mas, se a criança tiver batido com a cabeça e estiver com vómitos, receberá o conselho de seguir directamente para Viana do Castelo e o serviço alertará imediatamente o hospital para o caso urgente que vai chegar.

No que diz respeito ao transporte, o serviço providenciará que chegue ao local o transporte mais adequado podendo, nos casos urgentes, pedir a ajuda da GNR e da PSP. Em qualquer caso, uma vez contactado, o serviço ficará a acompanhar o problema.

As pessoas numa situação difícil saberão, assim, que o seu caso não está a ser ignorado. Penso que não será difícil a criação de um serviço com estas funções, que será certamente mais barato e mais imediatamente benéfico para as populações do que a melhoria da rede rodoviária com que o Ministério espera poder vir a atenuar os inconvenientes da supressão de várias urgências.

Permito-me falar num outro assunto.

Eu não sou só um especialista em braços partidos. Também o sou em tuberculose.

No meu último ano de professor, quando tinha 69 anos e pensava ir numa missão a Timor, apanhei uma tuberculose.

Só o soube por acaso. Num dia em que estava com alguma tosse cuspi um pouco de sangue. Fui ai Hospital de São José onde consideraram que devia estar com um princípio de pneumonia e me receitaram um antibiótico. Por uma questão de precaução, aconselharam-me passar no serviço de combate à tuberculose que havia então na Praça do Chile para fazer uma análise. Assim fiz e, uns dias depois, quando já me sentia inteiramente bem, recebi um telegrama com a notícia do resultado da análise ser positivo. Tive de seguir um rigoroso tratamento diário de antibióticos durante 6 meses. Assim, sei algumas coisas sobre o assunto.

Lembro-me de um dia a médica me dizer: "Duas mil pessoas com tuberculose em Lisboa não é grave, mas 15 com bacilos resistentes é terrível". Os sanatórios do Caramulo, que existiam desde o tempo da Rainha Dona Amélia, foram todos encerrados. A decisão parece ter sido de economistas que julgaram que a tuberculose ia acabar.

O País não tem, assim, condições para oferecer um tratamento em regime de internamento a doentes em condições económicas difíceis.

Uma imagem que guardo é a de um cabo-verdiano, trabalhador da construção civil, desempregado, tuberculoso, com 55 anos e a parecer 65, avô, que vivia com os netos numa barraca. Em qualquer lugar de uma Europa minimamente civilizada, que mais não fosse por razões de economia, ser-lhe-ia oferecido um período de internamento numa instituição em que pudesse ser tratado sem contagiar os netos, e pudesse, eventualmente, seguir cursos de formação e reciclagem, como é corrente, por exemplo, em França. No caso dos doentes com bacilos resistentes, a estadia em sanatórios devia ser fortemente aconselhada, para seu bem e para não contagiarem a comunidade a beber galões nos cafés de Lisboa. O Presidente Jorge Sampaio, hoje responsável à escala internacional pela luta anti-tuberculose, ainda pode aprender muito em Lisboa.

Fiquei com um grande respeito pelas pessoas do centro que funcionava na praça do Chile, que tudo faziam para que os doentes seguissem a medicação diária. Mas o seu trabalho foi dificultado. O Hospital de Arroios foi vendido a privados pelo Ministério da Saúde, creio que numa altura em que V.Exª. era ministro, antes mesmo de se saber para onde iria o centro que nele estava inserido, que acabou por ir para a Av. 24 de Julho, onde não há metro e é bastante mais difícil os doentes irem tomar a medicação diária.

O Hospital de Arroios era um edifício indicado para nele instalar um hospital para doentes já convalescentes, ou em situação terminal, em que já pouco há a fazer e a preocupação deve ser a de lhes facultar, a eles e às famílias, algum conforto.

Um amigo meu, o escritor Raimundo Neto, demorou 15 dias a morrer no Hospital de São José, um hospital bem equipado, onde o trataram com todo o afecto, mas onde já nada podiam fazer por ele. No Hospital de Arroios podia ser também instalada uma urgência para casos não muito graves, mas urgentes, como é o caso dos miúdos com braços partidos. No caso de se revelarem graves, de lá seriam encaminhados para os hospitais especializados.

Como cidadão e potencial utente dos hospitais, sinto-me prejudicado com a sua venda. Em qualquer caso, os que a aconselharam foram maus economistas. Já me chegou a notícia de que os privados que o compraram o terão revendido em menos de dois anos com 100% de lucro.


António Brotas
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domingo, 25 de fevereiro de 2007

902. Sócrates assusta-se e Correia Campos recua

Sob o título de capa

CORREIA DE CAMPOS
RECUA NAS URGÊNCIAS


publica o Diário de Notícias de hoje, a seguinte "cacha":


Recuo do ministro deixa autarcas a clamar vitória

Pedro Correia

No mesmo dia em que se reuniu com um "preocupado" José Sócrates para analisar a escalada de protestos contra o encerramento de serviços hospitalares de urgência a nível nacional, o ministro da Saúde, Correia de Campos, fechou negociações para a celebração de protocolos com os presidentes de seis municípios afectados. O protocolo, ontem assinado em Lisboa, deixou os seis autarcas "muito satisfeitos", conforme confessaram aos jornalistas. E parecem ter boas razões para isso: não só as urgências não encerram em Cantanhede, Espinho, Fafe, Macedo de Cavaleiros, Montijo e Santo Tirso como o Ministério da Saúde acaba de dar ainda mais garantias do que os autarcas esperavam à partida: além de se manterem as urgências, ampliam-se os horários de funcionamento dos centros de saúde e colocam-se viaturas especializadas em atendimento urgente à disposição dos municípios.

Em declarações ao DN, Correia de Campos confirmou ter estado reunido com o primeiro-ministro, entre o meio-dia e as 13 horas de sexta-feira, para debater a questão dos protestos, admitindo que o assunto "preocupa genericamente" não só José Sócrates como a ele próprio. Mas o ministro desmentiu que o chefe do Governo tenha assumido directamente o controlo da situação, como ontem noticiava o Público: "Estou tranquilo. A questão da confiança política não se põe."
(...)
(Diário de Notícias)
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Talvez que, finalmente, o noss'primêro comece a convencer-se - e convença os respectivos ajudantes - de que Portugal e os portugueses não são chão vindimado que possa ser atravessado à Lagardère.

E, menos ainda, couto privado, em que o proprietário faz o que muito bem entende, achando que não tem quaisquer contas a prestar seja a quem for.

Talvez que, finalmente, comecem a convencer-se de que as pessoas são indivíduos com direitos, que é preciso respeitar, não podendo ser tratadas como coisas inanimadas, sem alma e sem vontade.

Parece começarem a compreender, mas apenas depois de terem sido empreendidas iniciativas populares mais firmes e de real ameaça.

Infelizmente, em Portugal é assim. Só à bruta as coisas são compreendidas e interiorizadas pelas "altas instâncias". Até esse ponto, vão palpando o pulso e, enquanto sentem apenas matéria glútea, sem nervo, vão avançando, pelo que se torna sempre indispensável o arregaçar de mangas e o mostrar de músculo.

Infelizmente, em Portugal, cerca de 33 anos após, ainda é assim.

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