Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

2987. Ecce homo, probus beirão



D epois de seis anos de uma actuação a todos os títulos deplorável, Fernando Pinto Monteiro, ainda Procurador-Geral da República, entendeu por bem fechar a sua passagem pela estrutura do Ministério Público com chave de ouro mas, comme d’habitude, apenas foi capaz de o fazer com chave de latão cheio de verdete.

Em jeito de despedida, resolveu disparar em todas as direcções, a esmo, como por norma fazem todos os desesperados que acabam por verificar que, façam o que façam, jamais deixarão de ter o nome ligado ao período mais negro da magistratura do MºPº.

Mas vejamos em primeiro lugar a parte anedótica da entrevista e que revela bem o que o senhor percebe do assunto e até onde consegue ir na sua atitude pública de desrespeito pelas instituições do Estado. Isto, para não falar da “desconsideração” que a si próprio faz ao proferir tal afirmação.

JUÍZES DO JULGAMENTO DO FREEPORT

Considerou em voz alta e para milhões de portugueses “insólita” a circunstância de o tribunal não se ter limitado a julgar os arguidos que lhe foram presentes, mas tendo igualmente mandado extrair certidões de depoimentos feitos em julgamento, para eventual procedimento criminal contra outras pessoas não constituídas arguidas, entre as quais José Sócrates.

Uma tal alegação não é possível que parta de um magistrado. E mesmo, se se tratasse de um cidadão comum minimamente conhecedor das normas processuais penais, só podia ter surgido de uma mente perturbada ou, quiçá, por qualquer motivo desconhecido mas muito forte, obrigada a defender o indefensável.

Trata-se de algo tão estranho que não devia ser possível ser ouvido na voz de um homem que foi Procurador-Geral da República durante seus anos!!!

CÂNDIDA ALMEIDA

Responsabilizou a directora do DCIAP pelo fecho antecipado da instrução do processo do Freeport, por não ter requerido mais prazo.

Equivale a dizer que foi Cândida Almeida quem inviabilizou o apuramento de todos os factos atribuídos a arguidos que nem o chegaram a ser. Facto muito grave atribuído a Cândida Almeida.

POLÍCIA JUDICIÁRIA
 
A acusação de que a Polícia – e só pode estar a referir-se à Judiciária – leva a efeito escutas ilegais é de uma gravidade extrema e, a menos que tenha seu poder forma de provar o que diz, sem margem para dúvidas, arrisca-se a sérios problemas de cariz penal. É que não se refere a uma ou outra pessoa, mas a um organismo estatal.

* * *

Relativamente a estes três casos de estarrecer, que põem uma vez mais à mostra de todos a pessoa que ainda é PGR,

* quanto ao primeiro, julgo mesmo que os juízes nem devem preocupar-se com o assunto, tão caricato é;

* no que se refere ao segundo, Cândida Almeida que decida o que melhor entender. No seu lugar, eu punha-lhe um processo crime. Mas isso era eu, claro!;

* já no que toca à Polícia Judiciária, vou mais longe. Como cidadão português, exijo que ela tome todas as medidas necessárias a que Fernando Pinto Monteiro prove em juízo o que afirmou. Se não o fizer, que sofra as consequências; se o fizer, que se averigue tudo e que os responsáveis sejam punidos. Provavelmente também o ainda PGR por ter tido conhecimento de actos de tamanha gravidade e não ter actuado, como lhe competia, pelo que, mínimo, será conivente. É que o PGR – e bem assim todo o MºPº é o garante da legitimidade democrática no País.

A ver vamos…

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

1482. Estes dois homens deviam ter sido já demitidos

Em outra oportunidade, referi-me a este assunto, no post 1475.

No entanto, tenho que a ele voltar, porque, se se tratava então de um escândalo, agora ultrapassou já essa barreira e é uma total aberração que não pode ser deixada passar ser consequências.


O director nacional da Polícía Judiciária, Alípio Ribeiro, proferiu as declarações que proferiu, deixando a Instituição, o MºPº e, pelo menos uma parte da judicatura portuguesa, completamente de rastos. Com eles, o País. Perante todo o mundo, porque o caso tem repercussões mundiais e até perante gente que ainda não se sabe que culpas reais tem, mas que se sabe, isso sim, que, pelo menos a de abandono de menores, tem efectivamente. Sem quaisquer dúvidas.

Devia ter sido, acto contínuo, demitido. Outra atitude não é admissível, em defesa da dignidade do País e das suas Instituições.

Acontece, porém, que, em lugar de ter sido demitido, o
respectivo superior hierárquico, ministro da justiça, veio afirmar, com aquele ar de serafim enjoado que todos lhe conhecemos, que "o facto de o director nacional da PJ continuar em funções significa tudo o que penso sobre essa matéria". Ou seja, concorda com as declarações ou, no mínimo, não as considera suficientemente graves para que proponha ao primeiro ministro a demissão de tal director.

Aqui chegados, ao nível a que foi produzida tal declaração está, pois,
acrescentado um degrau.

Ora, o que é verdade e ninguém, nem mesmo os "serafins enjoados", pode escamotear é que as declarações são de extrema gravidade.

E se o ministro da justiça não toma as medidas adequadas e com a máxima urgência que deveria tomar, e mais, assume, ele próprio, uma atitude que agrava tudo o que vinha do antecedente, então nada mais lhe resta do que ser mandado repousar, no aconchego do lar, pois que o seu comportamento revela, no mínimo, um enorme cansaço, a que urge pôr termo imediato, antes de que algo de maior gravidade aconteça.

Esta história, como decerto já adivinhou, pode ter continuação...
...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

1475. I - n - a - c - r - e - d - i - t - á - v - e - l !!!

Frase do dia, da semana, do mês, do ano, da década, do século, do milénio...

Neste momento, a esta distância, com a experiência que tenho de magistrado do Ministério Público (...) talvez devesse ter havido outra avaliação, sobre isso não tenho dúvidas", afirmou ALÍPIO RIBEIRO ao programa Diga Lá Excelência, da RTP 2.

***

Quanto às restantes desconcertantes e constrangedoras sentences, já sei que não as acredita possíveis. Compreendo a sua posição. No entanto, leia-as aqui.

***

O referido senhor é, como se sabe, o director nacional da Polícia Judiciária.


I - n - a - c - r - e - d - i - t - á - v - e - l !!!

Para além do todo da frase, que não lembraria ao mais pintado, atente-se bem nos sublinhados a bold, da responsabilidade deste blog.

Para quem tem aquela experiência, francamente!

E, depois,
talvez devesse ter havido outra avaliação, sobre isso não tenho dúvidas.

Mas, afinal, em que ficamos?

- Talvez devesse ter havido, trata-se de uma incerteza, de uma insegurança de quem afirma.

- Sobre isso não tenho dúvidas, revela uma certeza e uma segurança absoluta de quem o afirma.

Como vão longe os tempos em que outro dizia de si próprio raramente ter dúvidas e nunca se enganar!... Mas esse, se bem que infeliz na afirmação, ainda a gente o compreendeu, pois que o conceito a veicular era o correcto, ou seja, o de que um chefe, um comandante, um líder não pode ter dúvidas - menos ainda dá-las a perceber - quanto ao caminho a seguir e também tem que descansar o povoléu, dando a saber que não se engana, uma vez que, ao avançar para qualquer empreendimento, já estudou bem o assunto e amadureceu as ideias, de modo que parte seguro do que vai fazer e o que vai fazer é o correcto e necessário. É a missão de um líder. Quem não perceber a necessidade de ter esta postura não merece ter um líder e menos ainda ser líder.

Neste caso, porém?! É, mas também não é! Talvez seja... tenho dúvidas... e daí... é mesmo... não me restam dúvidas... mas... talvez volte a ser... ou é, pois, ninguém duvide, que o digo eu.

Você, amigo que me lê, está agora a começar a perceber o porquê de os nossos ministérios, as nossas instituições estarem como estão, de pantanas e nós a afundarmo-nos, a cada dia que passa, objecto do riso - nuns casos, alvar, noutros, alarve - dos restantes povos deste mundo?

I - n - a - c - r - e - d - i - t - á - v - e - l !!!

Então o director nacional da Polícia Judiciária é-o para quê? Para a dirigir, zelar por que funcione como deve ser e para defender a Instituição perante ataques que surjam do exterior, evitando a todo o custo guerrilhas sem senso com outras instituições, elas também nacionais, ou, pelo contrário, para as desprestigiar em plena praça pública, em casos de tamanho melindre, com repercussão mundial?

S - u - r - r - e - l - i - s - t - a !
I - n - a - c - r - e - d - i - t - á - v - e - l !!!

Porra de sorte a nossa! Nunca mais acaba este pesadelo!!! A estas horas, de norte a sul da Old Albion, vai uma risada monumental, em tudo quanto é home sweet home, public garden, pub, police station, football stadium, street where you live e no raio que os parta também. À nossa custa. E nós, cidadãos vulgares de Lineu, sem culpa. Ou talvez a tenhamos... sei lá... aliás, tenho a certeza de que sim... mas, daí... olhem, deixem-se disso, está bem?...
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