Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

2776. O preito devido a Sócrates

O preito devido a Sócrates

O engraçado de tudo isto - se é que existe alguma graça nesta história, é que, excepção feita a dirigentes do PSD, que sempre disseram que precisavam de conhecer as contas, os restantes partidos aos costumes vinham dizendo rigorosamente "nada".

Significativamente, depois da chegada do FMI e do BCE, apareceu já Anacleto Louçã, todo pomposo, gongórico e conspirativo, "as usual", a reivindicar a necessidade de uma auditoria às contas.

Mais vale tarde do que nunca, caro Anacleto! Vamos lá então exigir essa auditoria.

Mas não vamos sem antes aqui ficar bem claro que parece que os partidos estão a começar a seguir as nossas pisadas.

Porque fomos nós, as gentes do Facebook, os primeiros a reivindicar a clarificação do estado das contas. E, durante quase mais de duas semanas estivemos sozinhos nesta empresa.

Vêm agora os da 25ª hora.

Mas ainda bem que vêm. Serão bem recebidos, apenas se lamentando que não tenham tido a iniciativa, como lhes competia em primeira mão. Mas, pelo menos, começam a reconhecer a razão que nos assistia. E assiste.

Uma outra nota, de enorme importância:

Alguém precisa de maior prova do que esta para afirmar, sem receio de desmentido, que a cidadania participativa, a Democracia Directa, vigilante da Democracia representativa parlamentar, é mais necessária do que nunca? E que dá provas insofismáveis de ser eficaz?

Alguns cidadãos mais cépticos - talvez por muito desenganados ou pouco habituados a intervir activamente nos problemas da sociedade e sua resolução - poderão supor que a nossa acção não produz efeitos ou, se produz, eles são negligenciáveis.

Puro engano!

Que seja anotado que eles, os políticos da nossa praça, também vêm à Net - ao Facebook e outras redes - e começam a sentir a força dos cidadãos, em bloco, expressa de forma reivindicativa e sem berrarias ululantes. Mas exigente. De pessoas que, sabendo quais os deveres que têm, que cumprem, não abdicam de ver respeitados os direitos que lhes assistem e constitucionalmente lhes estão formalmente assegurados, mas na prática, sempre negligenciados.

E, sentindo-o e porque não são desprovidos de inteligência, vão dando os primeiros passos para se chegarem à realidade, vindo ao nosso encontro. Para se "salvarem", porque, se o não fizerem, mais cedo ou mais tarde - e cada vez é "mais cedo" do que "mais tarde" - tramam-se a sério e de uma vez por todas.

O que se requer da nossa parte é firmeza e persistência. Está nas mãos dos Homens darem ao Mundo a via adequada para percorrer; está nas nossas mãos darmos a Portugal a esperança no futuro de que tão necessitado está.

E ninguém de entre nós, nenhum Português, está isento desta tarefa. Porque ela é de todos e a ela fugir é atitude criminosa, por hipotecar o futuro dos que nos seguirão.

Amanhã, num futuro mais ou menos longínquo, seremos apenas uma recordação. Que pode ser boa ou má, dependendo unicamente de nós próprios. Mas se nenhum de nós será vivo eternamente, a Pátria queremos que o seja. Tem de o ser. Contribuiremos com o nosso quinhão para que o seja.

É esta imensa benesse - a de termos finalmente interiorizado a necessidade de intervirmos decisivamente na vida da sociedade em que estamos inseridos, portanto, da necessidade da verdadeira cidadania - que o vilarista nos deixa. Foi ele e os seus governos, com a prática autoritária, embusteira e destruidora da sociedade portuguesa que desde sempre assumiu, que levou que acordássemos. Esperemos que a tempo.

- Devemos-te, pois, ó Sócrates um enorme agradecimento um verdadeiro preito de homenagem. Que humildemente deves aceitar, mesmo que, como certamente será o caso, não percebas o enorme serviço que prestaste a Portugal e aos Portugueses!

Ruben Valle Santos
Setúbal
13 Abril 2011

(Texto publicado também no Facebook, na página da Auditoria Imediata às Contas do Estado)

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

2131. Como é que queriam que fosse?

Maioria dos portugueses não se revê nos partidos políticos

É cada vez maior o número de portugueses que não se revêem na actuação dos partidos políticos. É o que revela uma sondagem da SIC, Expresso e Rádio Renascença. Por outro lado, quase 80% concorda com as candidaturas independentes à Assembleia da República.

Para 77% dos entrevistados, são cada vez mais os portugueses que não se revêem nos partidos políticos. Apenas 16% defende o contrário. E 7% não sabe ou não responde.

Quanto aos interesses pelos quais se rege a política partidária, 72% acredita que os interesses próprios motivam a acção dos políticos, enquanto 17% discorda.

Mais de metade dos portugueses está contra o surgimento de novos partidos à direita.
Por outro lado, quase 30%, defende que são necessárias novas forças.

Do lado oposto do espectro político, à esquerda, 21% acredita que são necessários novos partidos, mas 60% defende que não.

Esta sondagem mostra que mais de metade dos portugueses está contra a transformação dos movimentos políticos em partidos. Pouco mais de 20% está a favor.

Por último, 78%, concorda que candidaturas independentes ao Parlamento devem ser possíveis, fora dos partidos.

Este estudo foi realizada para a SIC, Expresso e Rádio Renascença, entre os dias 25 a 31 de Março, com recurso a 1018 entrevistas telefónicas validadas.

Perguntas da Sondagem

São cada vez mais os portugueses que não se revêem nos partidos nacionais

Concorda: 77,3%
Discorda: 15,9%
Ns/Nr: 6,8%

A política partidária move-se por interesses próprios
Concorda: 72,4%
Discorda: 16,7%
Ns/Nr: 10,9%

A política partidária move-se por interesses nacionais
Concorda: 29,7%
Discorda: 48,6%
Ns/Nr: 21,7%

São necessários novos partidos à direita
Concorda: 29,3%
Discorda: 50,7%
Ns/Nr: 21,7%

São necessários novos partidos à esquerda
Concorda: 20,8%
Discorda: 59,8%
Ns/Nr: 19,4%

Os movimentos cívicos existentes devem tornar-se partidos
Concorda: 23,3%
Discorda: 56,9%
Ns/Nr: 19,8%

Devem ser possíveis candidaturas ao Parlamento de independentes fora dos Partidos
Concorda: 78,1%
Discorda: 13,2%
Ns/Nr: 8,7%

SIC Online - 2009.04.24

* * *

Embora não seja novidade que, a exemplo de outras entrevistas que diariamente vemos nas TVs, a maioria dos entrevistados não faz a menor ideia do que está a falar, pelo que estes resultados dificilmente sejam confiáveis, a pergunta que eles sugerem é a seguinte:

- Alguém ficou surpreendido?

Como é que se poderia pretender que fosse de outro modo, com o espectáculo indecoroso que os partidos diariamente dão?

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

1169. Garcia Pereira tem razão


Garcia Pereira, o eterno candidato do MRPP a todas as eleições que vêm decorrendo no País e por quem, sem esforço e não obstante não perfilhar os ideais, tenho consideração pessoal e política que que não consigo ter pela maioria dos figurões idiotas que por aí andam, estava há pouco, na Revista de Imprensa da Sic Notícias, a perorar acerca da "indecência" que é não se dar a todos os partidos concorrentes às eleições autárquicas de Lisboa o mesmo tratamento.

Dizia ele que, sendo 12 os concorrentes, apenas a 5 era dado quase todo o destaque e, depois, havia mais 2 a que era dado algum. Para os restantes cinco, nada, absolutamente nada. Acrescentava que isto não estava certo e que num estado democrático não se admitia semelhante tal.

Não posso concordar com ele mais do que, na verdade, concordo. E podia, com a maior das facilidades, trazer à colação inúmeras razões que, com solidez indestrutível, fundamentariam esta posição.

Não vou dar-me, porém a tal canseira. Primeiro, porque todos temos consciência dessa indecente discriminação, pelo que nem é preciso "bater mais no ceguinho"; depois, porque basta que anote aqui uma, para que a relembre a todos Vocências:

Se por outros motivos não fora, os pequeninos, os "sem voz", têm todo o direito a maior visibilidade e, portanto, a tratamento equânime relativamente aos maiores. Isto, não porque sejam melhores do que os outros, não. Nem sequer sabemos se são. Nunca tiveram oportunidade de o comprovar.

Tão simplesmente, porém, porque Garcia Pereira e outros que tal nunca nos fizeram mal, nem tão pouco têm a mínima responsabilidade no facto de termos sido trazidos a esta vileza em que nos afogaram e persistem em manter.


Entretanto, os outros, os col blancs, esses, sim, têm toda essa responsabilidade. E, no entanto, continuam a ser bajulados e positivamente discriminados.

Mundo cão! Portugal de cães!


Ora, deixem lá que os pequeninos mostrem o que valem. Quanto mais não seja, apresentando as suas propostas em termos que a gente possa entender.


Sim, eles estão livres de pecado, na sua atribulada existência; os outros, bem os outros - que pelos diversos cadeirões do Poder têm andado a esfregar o cu deslavado e malcheiroso - não merecem ser privilegiados. Muito pelo contrário...


Faça-se, pois, justiça!

A Garcia o que de Garcia tem que ser e aos trampolineiros o que a eles cabe. Nem mais a uns nem menos a outros. A cada qual segundo os seus méritos, até que provem não os ter. Como muitos, tantos, toneladas deles já mostraram! À saciedade.

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