Aqui vão sendo deixados pensamentos e comentários, impressões e sensações, alegrias e tristezas, desânimos e esperanças, vida enfim! Assim se vai confirmando que o Homem é, a jusante da circunstância que o envolve, produto de si próprio. 2004Jul23
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
3217. A incontinência desmascara o PS
“Tinha prometido, mas não vou cumprir. A actualidade continua a ser demasiado dominada pela prisão preventiva de José Sócrates para que outros temas possam ocupar o Macroscópio.
Mas vou procurar um ângulo diferente: o dos desafios que este caso coloca ao Partido Socialista.
Até porque a ida de Mário Soares a Évora, para visitar o antigo primeiro-ministro, e as declarações que fez à saída – "Todo o PS está contra esta bandalheira" – colocaram sob pressão a linha de grande serenidade que António Costa tem vindo a impor ao partido.
Mesmo considerando que os jornalistas foram cruéis na forma como pressionaram o antigo Presidente da República, aquilo que ele disse veio de dentro, sem dissimulações, para o melhor e para o pior.”
José Manuel Fernandes, in Macroscópio - Observador
sábado, 22 de novembro de 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
3175. O activo tóxico...
quinta-feira, 31 de julho de 2014
3168. O não-caso Sócrates
Tantas vezes a cantarinha vai à fonte que um dia lá deixa a asa e o... resto!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
3030. Ps é o Pasok português
- Acordos com o PS? Nem pensar! O PS é o Pasok português!
- Que mal tem isso?
- Todo. Ora, vejamos:
O Partido da Nova Democracia governou a Grécia com Kostas Karamanlis, após as eleições de 2004, em que arredaram do Poder os socialistas que nele se mantinham há três mandatos seguidos (1993, 1996 e 2000). Com a Nea Dimokratia (Nova Democracia) prosseguiram os desmandos praticados que levaram a Grécia ao completo desconchavo. De tal modo que, para acederem ao clube do euro, falsificaram completamente as contas do Estado e só assim foram aceites na zona euro, em 2001...
Quando se apercebeu – ou a fizeram aperceber – do caminho desastroso que a Grécia trilhava, o qual só podia terminar em desastre e perante o brutal aumento das despesas da farra anterior (benesses para tudo e todos, à tripa forra… e roubalheira indiscriminada), que invalidava qualquer esforço no sentido de por alguma seriedade e decência na sociedade grega, a Nova Democracia quis emendar a mão e tentou enveredar por um caminho mais saudável, de acordo com as realidades e o interesse dos gregos. Desde logo com o congelamento de salários a que se seguiriam outras medidas de saneamento das contas públicas e de correcção da economia.
Pois bem, logo os socialistas do Pasok se levantaram aos gritos de “aqui d’el rei, que estão a matar o povo grego com tamanha austeridade, que lhes retira todos os direitos adquiridos”.
A coisa foi engrossando, até que houve que recorrer a eleições para a formação de outro governo, com legitimidade reforçada.
Fazendo campanha descarada pelo fim da austeridade que matava os gregos, o Pasok venceu as eleições de 2007 e assenhoreou-se do Poder, através de Geórgios Papandréu.
Uma vez aí, havia que cumprir as promessas. E assim foi feito. As medidas de austeridade foram abjuradas e alegremente se regressou ao antecedente, com o descongelamento de salários e regresso à boa vida anterior, cheia de aumentos de salários sem a mínima sustentação e o regresso das prebendas e roubalheiras a que o pessoal estava habituado.
Chegaram mesmo ao ponto de acolher e pôr em prática a teoria de que se a economia estava fraca, havia que a revigorar com fundos públicos e com grandes obras estatais, para fazer circular o dinheiro que o Estado injectava na economia. (onde é que já ouviu isto, onde foi?)
Só que… Só que faltava uma premissa essencial; era ela a de que o dinheiro que o Estado investia teria que resultar de economias feitas pelo mesmo Estado anteriormente e não, como aconteceu, ter o Estado de ir endividar-se aos mercados externos, para injectar esses milagrosos capitais, que revitalizariam uma economia rastejante, por força de uma produtividade quase nula. Utopia da mais pura.
O resultado só podia ter sido o que foi e continua a ser. Agravadamente a cada semana que passa. Neste momento, ou recebem uma tranche de 31.000 milhões de euros até daqui a 15 dias ou… há muitos gregos a continuarem nos empregos, mas sem os ordenados.
Ora, como é que, sabendo disto, pode haver alguém que defenda tal receita? Mas há. Por ignorância? Por arrogância? Quiçá!… Por estupidez, com toda a certeza!
Depois de ler o que fica dito, não se lembrou de teorias e práticas a que tem vindo a assistir em Portugal nos últimos anos, por parte da Esquerda e seus serventes de serviço permanente?
Ora, recorde-se lá:
Quem era que, em 2009 e 2010 defendia que a revitalização da abaladíssima economia portuguesa apenas seria viável com a injecção de dinheiro do Estado (que o Estado não tinha, faço recordar, pelo que havia que endividar-se lá por fora).
E lembra-se de quem era o arauto desta teoria de pacotilha? O factotum de serviço? Pois, José Sócrates, lui même! E o PS? Todo lampeiro atrás do homenzinho. E chegámos ao porto a que chegámos. Nem mais perto, nem mais longe. Ao ponto mesmo.
E actualmente?
A quem ouve dizer que austeridade não! E que uma das primeiras medidas que tomará, uma vez chegado ao Poder, é, nem mais nem menos do que repor os subsídios que os patifes dos actuais governantes tiveram o descaramento de retirar às pessoas, só para chatearem o pessoal e lançarem-no na desgraça de uma vida miserável!
Pois bem, os factotuns são agora os socrateiros do PS. E Seguro? Todo lampeiro, “maria vai com as outras…”, lá vai na cola dos meninos.
E se os deixássemos fazerem o que pretendem? Chegaríamos à Grécia em menos tempo do que gasta um jacto a levar-nos lá.
Sim, não tenha dúvidas de que o PS é o Pasok português. Cuspido e escarrado.
Acordos com o PS para resgatar o País? Nem pensar! Eles apenas sabem gastar… mas sem antes produzirem.
2012 Nov 03
domingo, 28 de outubro de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
2960. O amigo do Filusufu du Bois de Boulogne
– Acho bem, ó Guilherme, acho mesmo muito bem, que fiscalizes. É essa mesmo a tua função. Para isso te pagam. Se não fosse por isso, o lugar que ocupas não tinha razão de ser e o teu vencimento ainda menos. Deixa-me, contudo e apenas, que te manifeste a minha enorme surpresa por igual diligência e pressa não teres tido ao longo dos seis anos em que o “filusufu du Bois de Boulogne” campeou por aí como por coutada própria.
Vocês não têm mesmo um pingo de vergonha na cara!
Mas fiscaliza, pá, fiscaliza, porque é para isso que te pagam. Vê, pois, se justificas o investimento que o Estado tem feito em ti.
E também se atenuas o prejuízo de muitas centenas de milhões que Portugal tem estado a perder só por tu não teres cumprido o teu dever nas parcerias público-privadas e em tantas outras negociatas nesses seis anos feitas.
Se o tivesses feito, talvez não tivesse sido necessário pedir a ajuda externa. Imagina, tu, ó Guilherme, o que não teria sido! Já reparaste o dano que tu e o teu camaradinha Constâncio juntos deixaram que tivesse sido provocado ao País e aos Portugueses, por serem, no mínimo, desleixados e, assim, protegerem o tipo?
sábado, 2 de junho de 2012
2951. O concluio das PPP
Que o destemido, ou seja a PGR já vem tarde de mais. E que o presidente da República ainda terá que explicar porque assinou de cruz os diplomas legais.
Esta é a história de um grande conluio...que tem coniventes.José Gomes Ferreira enunciou os conluiados: alguns políticos, bancos, construtoras, consultoras e grandes gabinetes de advogados. Atravessa e está no coração do regime.
Faltou enunciar outros importantes conluiados: os directores de informação das televisões. Os josés albertos carvalhos e assim outras anas lourenços. Estes são responsáveis no conluio porque sabendo do mesmo, tiveram medo de o denunciar. E trataram de se proteger dos tubarões tornando-se dóceis para o poder e o establishment. São jornalistas de terceira categoria, evidentemente.
Aliás, se alguém quiser saber quem são os conluiados basta desenrolar as páginas deste e doutros blogs, ao longo da última meia dúzia de anos. Estão lá todos, mas todos mesmo”.
http://youtu.be/7HuWL0YX7dY
sábado, 28 de abril de 2012
2942. O delinquente
De que delinquiu não restam dúvidas.
A questão que se põe é averiguar na Justiça se se tratou de o fazer apenas politicamente.
terça-feira, 27 de março de 2012
2925. Reabertura do inquérito 25/07. 5 TELSB
Quem quiser, faça o favor de servir-se.
É só fazer o download e gravar no seu computador.
(agradeço a oferta do meu amigo JMDP)
http://ruvasa.org/
segunda-feira, 12 de março de 2012
2909. Houve deslealdade de Cavaco, sim, mas apenas para com o País
Como é bem conhecido, não simpatizo nem um pouco com Cavaco e, ao longo dos últimos 23 anos, tenho criticado opções políticas – e não só essas – que tem tomado. Sempre com fundamentos, que apresento. Não crítico descabeladamente, em completa idiotia que por aí se vê diariamente.Ainda praticamente em Portugal não havia cão nem gato que não louvaminhasse S.Exa – particularmente os socrateiros habituais, que agora tanto se “escandalizam”, a começar pelo chefe da banda – já eu de há muito lhe apontava as deficiências de postura política e referia, abertamente por escrito – está tudo documentado, em letra de forma, a partir do terceiro trimestre de 1989 – a falta de lealdade da pessoa e o carácter de preocupação apenas com os interesses pessoais.
E mais: continuo a afirmar, como desde sempre fiz, que o homem nunca tomou uma atitude contra os desmandos de Sócrates, apenas porque pensava exclusivamente na sua própria reeleição. Havia que suportar tudo e calar, para ser eleito. Havia que deixar o País também tudo suportar até cair no estado em, que nele pegou o actual governo.
Cavaco pode dizer agora tudo quanto quiser, mas jamais se livrará da nódoa que lhe emporcalha a fatiota de ter deixado que o vilarista tivesse campeado aí pelo Pais, como se tudo isto fosse sua coutada própria, de tudo e todos podendo dispor a seu bel prazer, sem prestar contas a ninguém.
Para além de todos os desmandos que praticou, Sócrates pode ter sido institucionalmente desleal para com o Presidente da República; Cavaco, porém, foi desleal para com o País.
Portanto, estamos entendidos uma vez mais.
Sou de opinião que Sócrates desgraçou o País, sim, mas com cinco anos de bênção e sorrisos de circunstância de Cavaco.
E que venha de lá o mais pintado garantir que não, que todos os Portugueses de boa fé, mesmo que politicamente afectos ao PS, sabem que assim é e intimamente o reconhecem.
O facto de não ter a mínima consideração (para além da que é devida a qualquer ser humano) pela pessoa de Cavaco Silva – outra coisa é respeito devido ao cargo que ocupa – não me inibe, porém, de reconhecer e dizê-lo aqui abertamente, com a maior clareza – porque o destino de Cavaco pouco me importa, importando-me, sim e exclusivamente, o destino do País – que, no caso da falta de lealdade institucional reiteradamente demonstrada e praticada por Sócrates, Cavaco tem toda a razão, apenas a perdendo por ter falado – falado, repare-se, nem sequer agido… – tarde.
E aos dirigentes e ex-dirigentes socialistas, como Luís Amado, que considero, porque a grande maioria dos outros, que apenas se dedicam à chicana política, não merecem mais do que desprezo, apenas se me oferece dizer que Cavaco não só tem razão, como era sua obrigação, dever patriótico que não cumpriu – pelo que devia ser chamado à responsabilidade, política e sei lá se também criminal – em devido tempo ter denunciado o que se passava e mesmo ter evitado que se verificasse.
Eram os interesses do País, que jurou defender, que estavam em fortíssima crise, foram os soberanos interesses do País que Cavaco não privilegiou como lhe competia mais do que a ninguém, na qualidade Presidente da República, primeiro responsável pelo bem-estar dos Portugueses e zelador da dignidade nacional.
E respondendo ainda a Luís Amado, direi mais:
Isto que foi agora revelado por Cavaco – que, afinal, nada revelou que não fosse já sabido pela generalidade dos cidadãos que se interessam pela res publica – não podia ter sido deixado para outra oportunidade, para as calendas gregas. É que está na hora do acerto de contas entre o País e quem o vilipendiou durante seis anos de ignomínia. E esse acerto já vem tarde. Muito tarde.
No entanto, antes tarde do que nunca.
2908. Roteiros VI - Cavaco Silva
Para que não se persista, como é hábito, em discutir coisas sem se saber realmente acerca do que se discute, aqui fica um extracto da parte em discussão do prefácio do “Roteiros VI”, da Presidência da República.* * *
(…)
O modo como foi apresentado publicamente o novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC IV) tornou-se o sinal mais evidente daquela falta de confiança. O Governo decidira avançar isoladamente, sem a precaução de, em devido tempo, desenvolver esforços para criar condições de diálogo com as forças da oposição que permitissem obter um consenso capaz de garantir o indispensável apoio político à aprovação de novas e mais exigentes medidas de consolidação orçamental.
O anúncio do “PEC IV” apanhou-me de surpresa. O Primeiro-Ministro não me deu conhecimento prévio do programa, nem me tinha dado conta das medidas de austeridade orçamental que o Governo estava a preparar e da sua imprescindibilidade para atingir as metas do défice público previstas para 2011, 2012 e 2013. Pelo contrário, a informação que me era fornecida referia uma situação muito positiva relativamente à execução orçamental nos primeiros meses do ano. O Primeiro-Ministro não informou previamente o Presidente da República da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento às instituições comunitárias. Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País.
Esta atitude contrastou de forma flagrante com aquela que o Governo tinha adotado meses antes, no processo de aprovação do Orçamento para 2011. Logo a seguir às férias do verão, o Primeiro-Ministro começou a informar-me, com algum detalhe, sobre as intenções do Governo e sobre as dificuldades que poderiam surgir nas negociações com os partidos da oposição, em particular com o PSD. Foi-me assim possível, durante cerca de dois meses, acompanhar de perto as questões políticas e financeiras relacionadas com a aprovação do Orçamento, desenvolver contactos com dirigentes partidários, apoiar as negociações e favorecer os entendimentos. Em suma, conseguiu evitar-se a ocorrência de uma crise política que, a precipitar-se naquela altura, seria
particularmente grave, uma vez que, nos termos da Constituição, me encontrava impedido de dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições. Se acaso tivesse ocorrido uma crise nesse momento, a sua resolução e a clarificação da situação política só poderiam verificar-se passados vários meses, com indiscutível prejuízo para o interesse nacional.
Foram vários os agentes políticos que, simulando não ver que o comportamento do Governo em relação ao Presidente da República, no caso do Orçamento para 2011 e no caso do “PEC IV”, eram diametralmente diferentes, assim como eram bem distintas as posições dos partidos da oposição, me acusaram de não ter atuado por forma a evitar a crise política, como fizera no primeiro caso.
(…)
domingo, 27 de novembro de 2011
2805. BPN - Os gatunos particulartes e os outros...
Que tenho eu que ver com os crimes de particulares contra particulares, que é o caso de quem gatunou o BPN? Nada! Rigorosamente nada.Primeiro, porque quem agiu contra o banco não era governante; em segundo lugar porque os particulares que desfalcaram o banco não me causaram qualquer prejuízo, directo ou indirecto.
No caso BPN, quem me causou prejuízo foram Sócrates e Teixeira dos Santos que, com dolo -- sim, com dolo, porque tinham consciência das consequências do que faziam, que seriam terríveis para o conjunto dos cidadãos -- o nacionalizaram servindo-se de justificações sem pés nem cabeça, já que a única atitude a tomar teria sido deixá-lo ir à falência.
Provocaram, deste modo, um prejuízo bem maior do que os que roubaram a depositantes no banco.
Portanto, quanto à primeira parte, nem sequer posso meter os primeiros em tribunal, porque serei julgado parte ilegítima por não estar no rol dos lesados.
Quanto à segunda parte, porém, a da injecção de milhões de euros no BPN, para que não entrasse em falência, quando se sabia que a única solução era essa mesmo, isso sim, posso ser e sou parte interessada e, como tal, serei aceite em juízo.
Resumindo:
Há dois crimes cometidos no caso BPN.
Com o primeiro, de burla, abuso de confiança e sei lá que mais, relativamente a dinheiro de particulares, cometido por particulares contra um banco privado, nada tenho que ver. As vítimas desse roubo que actuem, para reaver o seus prejuízos. Podem mesmo recorrer ao fundo de garantia bancária, que para isso existe.
Quanto ao segundo, de gestão danosa dos recursos do Estado, do País -- nossos, portanto -- cometidos por governantes que abusivamente os delapidaram, enterrarndo-os num banco particular que, à partida, se sabia estar condenado, aí sim, sou parte interessada, e devo exigir que os responsáveis respondam em juízo. E quanto mais depressa melhor.
É sob esta perspectiva que os dois casos têm de ser analisados e não misturando-os, porque nada têm que ver um com o outro.
O que foi dito quando à necessidade de evitar que o banco fosse à falência não passou de foguetório para endrominar incautos. Com dolo. Todos os dias há por esse mundo fora bancos a falir e o respectivo Estado não corre a "salvá-los" à custa do dinheiro dos contribuintes. Era o que faltava. Ademais, o que é que o Estado salvou? Nada. Apenas afundou mais. Portanto, é conivente na patifaria feita. Conivente e incrementador.
É bom que as pessoas tenham isto em mente, porque os casos não devem ser misturados, como o têm sido, por interesse exclusivo dos mandantes abusadores que actuavam com as costas quentes pelo Estado.
É triste ter que reconhecê-lo mas é a realidade: há entre os Portugueses uma grande falta de capacidade discernimento de análise serena dos acontecimentos.
Deixamo-nos ir nas primeiras balelas que nos impingem, sem o cuidado de pararmos um instante para pensarmos no assunto, separando o trigo do joio. E, por isso, nunca chegamos a lado nenhum, jamais conseguiremos obrigar os responsáveis a sentarem-se no lugar que lhes cabe por direito próprio, ou seja, em certo banquinho existente nas salas de audiência de um qualquer tribunal criminal.
Por essa razão em Portugal tudo fica por águas de bacalhau. Ficamos sempre por isso, muito embora tivesse havido tempos na nossa História em que não éramos assim. Há, pois, uma evidente degeneração da alma, do sentir, a postura social portugueses. Que está difícil de recuperar, a partir do momento em que labregos, vindos das berças, sem quaisquer princípios de mínima educação social e mesmo de educação tout court, se apoderaram do Poder e dele fizeram coutada própria. Como Hitler. Democraticamente, Também como Hitler. Ainda que salvaguardando as necessárias distâncias, porque ainda não chegámos às armas e aos genocídios. Ainda! Se bem que, por vezes, cheguemos a pensar que se dispusessem dos mesmo meios...
Temos sofrido muitos dissabores e tratos de polé com tal atitude. E parece que as sucessivas lições que temos recebido para nada têm servido, por caírem em saco roto e descosido.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
2794. Como apanhar um mentiroso em flagrante

Como apanhar um mentiroso em flagrante
“A frequência de um piscar de olhos normal e descontraído é de seis a oito piscadelas por minuto, sendo os olhos fechados durante um período de cerca de 1/10 de segundo. Pessoas sob pressão, por exemplo quando estão a mentir, apresentam uma grande probabilidade de aumentarem sensivelmente a sua frequência de piscadelas de olhos”
E sabe o porquê do aumento das piscadelas? Trata-se de uma reacção instintiva e inconsciente, na tentativa de evitar que alguém descubra, através dos olhos, a mentira que se está a dizer. Porque os olhos não mentem. Por muito que se queira, os olhos são verdadeiros. Dou-lhe um exemplo concreto. Se V. reparar nos olhos do seu interlocutor que está na sua frente a olhar para si que a íris se contrai, pode ter a certeza de que isso significa que você está a desagradar-lhe; se, pelo contrário, a íris de alargar, pode ficar descansado porque o efeito que causa nele é bom. E será tanto melhor quanto maior for o alargamento da íris.
O texto que acima deixo no primeiro parágrafo é uma pequena transcrição do capítulo 8, “Sinais dos olhos”, da tradução portuguesa do livro de Allan e Barbara Pease intitulado “Linguagem Corporal”, editado pela Bizâncio e que aconselho vivamente a que compre e tenha sempre à mão, porque lhe vai ser muito útil pela vida fora, na avaliação do que lhe está a ser transmitido pelo seu interlocutor ou da reacção que nele causa o que V. lhe diz. Eu já não dispenso a sua consulta, porque os ensinamentos ali colhidos me fizeram ver e compreender coisas que para mim sempre tinham sido um mistério.
Claro que a série televisiva “Lie to me” também ajuda um pouco a perceber a coisa. No entanto, como as situações são rápidas, não é possível apreender bem a coisa. O livro, porém, é precioso para profissional de relações humanas ou mesmo para simples curiosos.
Devo, porém, prevenir de algo que pode bem constituir um inconveniente. É que pode tornar-se uma obsessão e V. já não conseguir falar com alguém descontraidamente, sem tentar analisá-lo para saber se mente ou diz a verdade, se está confortável consigo ou intimidado, se V. lhe é agradável ou desagradável. É que é injusto para as pessoas das nossas relações e uma tirania para nós próprios. Se as nossas relações do dia-a-dia não passarem em crivo que pode ser muitíssimo apertado, conviver saudavelmente em sociedade pode facilmente tornar-se singularmente difícil.
Todos nós, uns mais do que outros, temos necessidade de mentir. Já nem falo das mentiras, mentiras, mas das mentiras sociais, até das mentiras piedosas, porque, admitamos ou não, elas ajudam-nos a conviver. Posto isto, imagine-se agora metido no papel de avaliador das reacções alheias, a analisar um amigo ou um familiar em conversa consigo e descobre que ele lhe mente, com frequência maior ou menor. Acha sinceramente que as suas relações não sofrerão fortíssimo abalo? Que podem chegar mesmo a um rompimento irreversível? E experimente imaginar a multiplicação desse fenómeno por todos os seus familiares ou todos os seus amigos. Está a ver, não?
* * *
Bem, mas não vim aqui escrever isto por causa dos seus familiares ou dos seus amigos, mas sim de José Sócrates, o conhecido vilarista.
Se não reparou em toda a sua postura durante o debate de há pouco com Paulo Portas, foi pena. Mas se não atentou em pormenor na sua postura durante a declaração final, então perdeu uma excelente ocasião de provar, com factos palpáveis, que a criatura estava a mentir com quantos dentes tem na boca.
Deixe-me que repita aqui um dos par+agrafos com que iniciei esta prosa:
“Pessoas sob pressão, por exemplo quando estão a mentir, apresentam uma grande probabilidade de aumentarem sensivelmente a sua frequência de piscadelas de olhos”
Ora muito bem. Quando mentem aumentam sensivelmente a frequência das piscadelas de olho, não é? E qual é o número de piscadelas em condições normais? Seis a oito por minuto, não é?
Pois José Sócrates, o tal vilarista, piscou muito mais do que isso sempre que intervinha no debate. E, durante a intervenção final, as piscadelas não andaram nunca abaixo de – ora sente-se para não cair de costas! – quatro piscadelas a cada 10 segundos, o que dá a média de 40 piscadelas por minuto!
Isto, para ficarmos apenas pelas piscadelas. Porque há outras formas, descritas no livro, de apanharmos um mentiroso compulsivo em plena actividade. E, pelo que tenho podido constatar, ele preenche todos os requisitos, por abundância.
Experimente estar atento ao próximo debate e faça o exercício. Garanto-lhe que vai ficar fascinado.
Em resumo: a melhor forma de o destronarmos de forma permanente e por números concludentes é dar aos portugueses em geral um curso de linguagem corporal.
Estavas lixado, ó vilarista!
...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
2777. Alemães e finlandeses arrogam-se de direitos que não têm
Alemães e finlandeses arrogam-se de direitos que não têm
A atitude arrogante dos finlandeses – a que se acrescentam alguns afloramentos cretinos de alemães – é uma prova de que a tão falada coesão europeia não passa de um enorme bluff, de uma vergonhosa treta.
Embora tenham razões – e fortes – para estarem mais do que fartos de “sustentar pançudos preguiçosos”, não podem esquecer que aderiram ao Mercado Único, por inteiro. Para os benefícios daí colhidos, como para os prejuízos que possam resultar do passo que deram.
Depois, será forçoso que esses dois povos – por agora limito-me a estes – não esqueçam algumas coisas essenciais:
1. Ambos necessitaram já de apoio europeu – e bem forte.
A Alemanha quando, no tempo de um cavalheiro, Helmut Khöl, – não de uma pesporrente Frau de meia tigela – o país foi unificado e a riquíssima, democrática e outrora designada República Federal Alemã, teve que acolher no seu seio, os irmãos vindos do outro lado do muro, da República Democrática da Alemanha, comunizados, esfomeados, rotos e pedintes, entre eles a actual chanceler alemã, Frau Merkel, processo iniciado após o derrube do muro da Vergonha, em 1989.
Também a Finlândia por várias vezes ao longo da sua História, teve que receber apoio generalizado, com especial relevo no princípio de 1940, quando imensos fornecimentos de trigo e outros cereais lhe chegaram de todo o mundo ocidental, para que os finlandeses pudessem sobreviver não só à pressão nazi, como ao domínio soviético. E, nesse caso, não se tratou de um mero empréstimo, a pagar a juro mais ou menos elevado e em prazo mais ou menos alargado. Não. Foi mesmo uma dádiva, desinteressada, da comunidade internacional.
Poderá dizer-se que, em ambos os casos, se tratou de um apoio solidário para uma obra de enorme alcance social e humano. Não contestando isso, que é a realidade, não posso igualmente esquecer outras realidades que importa relembrar, para não caírem no olvido geral:
2. Nem Alemanha nem Finlândia sofreram os efeitos altamente perniciosos da adesão à UE, prejuízos que a União se comprometeu, desde cedo, a compensar, mas que, embora tendo-o feito em certa medida, fê-lo colhendo sempre maiores benefícios do que arcando com os prejuízos.
Refiro-me ao completo desmantelamento do tecido produtivo português, quer industrial, quer, principalmente agrícola. Hoje, não conseguimos sequer produzir o necessário para o pão-nosso de cada dia, como a nossa pequena indústria, com especial relevo para a têxtil que levou uma machada de morte por não ter sido ajudada, como devia ter sido, na concorrência com mercados em que os factores de produção são mínimos e, portanto, muito mais concorrenciais.
O caso da agricultura e a vergonha que foi e é a Política Agrícola Comum (PAC), que não atacou Alemanha ou Finlândia, mas destruiu toda a nossa já de si muito fraca agricultura, a benefício principalmente de Espanha e França, como todos os dias vemos nas visitas aos hipermercados.
Poderá ser contraposto que, para isso, recebemos subsídios. É verdade, mas eles destinaram-se as desmantelamento do tecido agrícola português e à compra dos produtos que o emprestantes estavam interessados em vender. E assim, por culpa de quem nos explorou, por responsabilidade de quem deixou que nos explorassem e por desleixo nosso, cigarras a cantar em Verão descuidado e mandrião, chegámos ao inverno do nosso profundo descontentamento.
Mas, se temos fundadas razões para estarmos fulos com a UE e “piursos” com “tedescos” e “suomis”, tal não nos alivia a consciência dos imensos pecados que andámos a cometer ao longo desta última década e meia, com relevo especial para os últimos sete anos, todos eles bem piores do que os que Job, como escravo, serviu Labão, pai de Raquel, a quem amava perdidamente e a quem – e só a ela – queria. E nós, a quem queríamos? Cerca de 30% dos portugueses queriam e, pelos vistos, continuam a querer, nesse seu amor cego e estupidificante, a um vilarista de primeira água que tudo emaranha a benefício próprio e dos familiares e amigos. E os restantes de nós?
De qualquer modo, por muitos erros que tenhamos cometido – e certamente cometemos, somos os primeiros a reconhecer e havemos de ser os primeiros a pretender redimi-los – tal facto não autoriza a que sejamos internacionalmente humilhados. Mesmo que pelos representantes ou uma qualquer parcela de povos que serão dos maiores contribuintes líquidos para da União Europeia.
Afinal, somos a nação europeia com as mais antigas e respeitadas fronteiras e o mundo moderno deve aos nossos antepassados muito do que hoje é, com virtudes e defeitos. Estou certo de que com mais daquelas do que destes. Exigimos, pois, respeito.
Até porque não estamos a pedir esmola alguma, como, em seu tempo, fizeram os finlandeses e até os alemães. Estamos, isso sim, a solicitar um empréstimo e algum tempo de mora, como ao que os alemães igualmente acederam, quando dele precisaram.
E esse empréstimo, estamos dispostos a honradamente o solver, ainda que a juros de verdadeira usura. Mas quem nelas se mete, delas tem de desenvencilhar-se.
É tudo isto que estes governante de meia tigela e ignorantes – característica apenas comparável à pesporrência e à arrogância que lhes impedem uma postura de decência e dignidade – não têm a coragem de responder com a mesma altivez com que somos miseravelmente agredidos, por nítida falta de força moral necessária para que o façam.
Para que o fizessem, precisavam de ser outra gente, cidadãos de outra postura, que infelizmente não são.
Ruben Valle Santos
Setúbal
18 Abril 2011
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
2776. O preito devido a Sócrates
O engraçado de tudo isto - se é que existe alguma graça nesta história, é que, excepção feita a dirigentes do PSD, que sempre disseram que precisavam de conhecer as contas, os restantes partidos aos costumes vinham dizendo rigorosamente "nada".
Significativamente, depois da chegada do FMI e do BCE, apareceu já Anacleto Louçã, todo pomposo, gongórico e conspirativo, "as usual", a reivindicar a necessidade de uma auditoria às contas.
Mais vale tarde do que nunca, caro Anacleto! Vamos lá então exigir essa auditoria.
Mas não vamos sem antes aqui ficar bem claro que parece que os partidos estão a começar a seguir as nossas pisadas.
Porque fomos nós, as gentes do Facebook, os primeiros a reivindicar a clarificação do estado das contas. E, durante quase mais de duas semanas estivemos sozinhos nesta empresa.
Vêm agora os da 25ª hora.
Mas ainda bem que vêm. Serão bem recebidos, apenas se lamentando que não tenham tido a iniciativa, como lhes competia em primeira mão. Mas, pelo menos, começam a reconhecer a razão que nos assistia. E assiste.
Uma outra nota, de enorme importância:
Alguém precisa de maior prova do que esta para afirmar, sem receio de desmentido, que a cidadania participativa, a Democracia Directa, vigilante da Democracia representativa parlamentar, é mais necessária do que nunca? E que dá provas insofismáveis de ser eficaz?
Alguns cidadãos mais cépticos - talvez por muito desenganados ou pouco habituados a intervir activamente nos problemas da sociedade e sua resolução - poderão supor que a nossa acção não produz efeitos ou, se produz, eles são negligenciáveis.
Puro engano!
Que seja anotado que eles, os políticos da nossa praça, também vêm à Net - ao Facebook e outras redes - e começam a sentir a força dos cidadãos, em bloco, expressa de forma reivindicativa e sem berrarias ululantes. Mas exigente. De pessoas que, sabendo quais os deveres que têm, que cumprem, não abdicam de ver respeitados os direitos que lhes assistem e constitucionalmente lhes estão formalmente assegurados, mas na prática, sempre negligenciados.
E, sentindo-o e porque não são desprovidos de inteligência, vão dando os primeiros passos para se chegarem à realidade, vindo ao nosso encontro. Para se "salvarem", porque, se o não fizerem, mais cedo ou mais tarde - e cada vez é "mais cedo" do que "mais tarde" - tramam-se a sério e de uma vez por todas.
O que se requer da nossa parte é firmeza e persistência. Está nas mãos dos Homens darem ao Mundo a via adequada para percorrer; está nas nossas mãos darmos a Portugal a esperança no futuro de que tão necessitado está.
E ninguém de entre nós, nenhum Português, está isento desta tarefa. Porque ela é de todos e a ela fugir é atitude criminosa, por hipotecar o futuro dos que nos seguirão.
Amanhã, num futuro mais ou menos longínquo, seremos apenas uma recordação. Que pode ser boa ou má, dependendo unicamente de nós próprios. Mas se nenhum de nós será vivo eternamente, a Pátria queremos que o seja. Tem de o ser. Contribuiremos com o nosso quinhão para que o seja.
É esta imensa benesse - a de termos finalmente interiorizado a necessidade de intervirmos decisivamente na vida da sociedade em que estamos inseridos, portanto, da necessidade da verdadeira cidadania - que o vilarista nos deixa. Foi ele e os seus governos, com a prática autoritária, embusteira e destruidora da sociedade portuguesa que desde sempre assumiu, que levou que acordássemos. Esperemos que a tempo.
- Devemos-te, pois, ó Sócrates um enorme agradecimento um verdadeiro preito de homenagem. Que humildemente deves aceitar, mesmo que, como certamente será o caso, não percebas o enorme serviço que prestaste a Portugal e aos Portugueses!
Ruben Valle Santos
Setúbal
13 Abril 2011
(Texto publicado também no Facebook, na página da Auditoria Imediata às Contas do Estado)
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
2774. O mad spin doctor Marcelo

O mad spin doctor Marcelo
S e seguiu a arenga dominical do comentadeiro-mor cá do burgo, Marcelo Rebelo de Sousa, espero que tenha compreendido a razão por que, de há anos para cá, digo que o homem tem de sair do PSD.
É que o que ele fez ontem foi, pura e simplesmente, campanha pelo PS.
Razões por que as pessoas devem estar com o vilarista, ou seja, de modo a que seja ele, vilarista, a prosseguir a gestão da ajuda externa, porque é ele que já lá está há anos e a negociará, em substância foi o que ele se empenhou em demonstrar.
Dito de outra forma, para melhor entendimento, a partir do tal princípio salutar de chamar os bois pelos nomes.
Cavaco Silva defendeu, sábado passado, em Budapeste, que o que deve ser, a partir de hoje, discutido com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI, é um mero apoio intercalar, pelo que as autoridades europeias devem usar de alguma imaginação, para não criarem mais dificuldades do que aquelas com que o País se debate. Não disse Cavaco, mas digo eu, que, não atenderem a esta circunstância é pôr-se objectivamente do lado do prevaricador, ou seja, o actual governo que nos atirou para a situação em que a todo o transe tentamos não acabar mortos por afogamento.
Portanto, a proposta de Cavaco faz todo o sentido: para já, viria uma ajuda intercalar imediata, para evitar que o doente faleça antes da chegada da terapêutica completa e, subsequentemente, tratar-se-á da terapêutica geral. E, claro, que o que viesse agora, seria descontado nas remessas seguintes, de modo a que o total da ajuda fosse um único.
A resposta do finlandês Olli Rehn, Comissário Europeu para os Assuntos Económicos e Monetários da União é, no mínimo, de uma deselegância nunca vista, de uma arrogância de wise-guay, sem a mínima noção do que seja a convivência institucional inter-nações ou organizações internacionais, que não devem pautar-se por “peixeiradas” como a que ele teve o atrevimento de fazer.
Raramente ou quase nunca estou de acordo com Cavaco, mas, desta vez, não posso estar mais.
Na verdade, Portugal precisa urgentemente de uma injecção de fundos já no mês que vem, sem o que haverá rupturas de tesouraria em vários serviços, departamentos do Estado e empresas públicas, de tal modo que nem os ordenados poderão ser pagos. Esta a situação em que nos deixa o vilarista.
Portanto, não se pode esperar pela realização das eleições. Trata-se de uma medida de urgentíssima necessidade. Como do pão diário na boca.
Ora, para isto, pode – e deve – o acordo ser negociado por quem está em gestão. O actual governo, portanto.
Outra coisa bem diferente, é a negociação do acordo geral. Que deve ser feito pelo governo que o venha a gerir e pagar e não por um que está a prazo.
Dou um exemplo muito a propósito e perceptível para todos: o vergonhoso, anti-democrático e venal caso Freeport não teria acontecido se o então governo de Guterres, já demissionário e a dois dias de ser substituído por outro, entretanto eleito, não tivesse, à pressa, tomado decisões impróprias, inadequadas e até de âmbito criminal, como é sabido.
Como é que, pois, um governo de mera gestão, vai negociar o acordo geral, se poderá não ser ele – e provavelmente até nem qualquer dos seus integrantes, a começar pelo primeiro-ministro – a ter que o gerir? Seria uma perversão inadmissível que tal acontecesse. Ora, é isto precisamente que o vilarista pretende e foi para isto que apontou no congresso.
E pretende-o com dois objectivos essenciais, um de campanha e o outro mais fundo, de rancor, mesmo próprio dele:
O primeiro, coligir argumento para a campanha eleitoral. “Se fomos nós a negociar a ajuda, devemos ser nós a geri-la”. Nas circunstâncias presentes, consegue imaginar maior indignidade?
O segundo, o tal de rancor, assenta neste princípio básico, de gente que não presta, porque é o de quem não terá vencido as eleições de 5 de Junho, mas deixou já armadilha preparada: “Não tivemos os votos e vocês é que ganharam? Então, desenvencilhem-se lá de mais esta trapalhada que vos deixamos!”
Ora, isto foi o que objectivamente, Marcelo Rebelo de Sousa se deu ontem ao trabalho de defender, sem o mínimo pudor, na sua comentarice semanal e festivaleira na TVI. Ou seja, o integral ponto de vista de Sócrates. Por isso pergunto: que está um homem destes, a fazer como militante do PSD?
Tenho escrito com frequência que Marcelo Rebelo de Sousa é um homem de uma inteligência brilhante. E muito rara. Para o bem e para o mal, há que acrescentar. E há algo que ele não tem estômago para aceitar. Que alguém consiga o que ele não conseguiu. Nada há que o descontrole tanto como isso.
Foi presidente do PSD e saiu sem glória, ele que a antecipara em sonhos que não dorme, pelo que tanto falha. Por isso está recorrentemente a lembrar a grande vitória do referendo ao aborto em 1998, único feito visível do seu consulado, para ele desconsolado!
De então para cá, não consegue sequer admitir que alguém triunfe onde ele falhou rotundamente. Doeu-lhe muito a vitória eleitoral de Barroso, em 2002, e, para que não voltasse a acontecer, toda guerra do Solnado que, na TVI, armou a Pedro Santana Lopes, na qual foi bem sucedido, por ter tido o auxílio de outros, como, a começar, Cavaco e, a terminar, o inefável José Pacheco Pereira, o filósofo de filosofias alheias da Marmeleira. Depois, com os presidentes social-democratas seguintes, não correu qualquer risco, pelo que se manteve sossegado. Mas com Pedro Passos Coelho a coisa já soa de outra forma. E aí o temos, qual “mad spin doctor”, em louco rodopio, contra o presidente do “seu” partido e a favor do afundador da III República.
Marcelo não serve mesmo. É uma raridade de inteligência, mas não serve. A ninguém. Nem a ele mesmo, porque se desacredita. Sem precisar de ajuda.
* * *
NB.- “Spin” (literalmente “rotação, rodopio”, v. p.ex. derviches rodopiantes turcos) é uma forma de propaganda, conseguida através de uma interpretação de um evento ou uma campanha para convencer a opinião pública a favor ou contra uma determinada organização ou pessoa pública.









