Aqui vão sendo deixados pensamentos e comentários, impressões e sensações, alegrias e tristezas, desânimos e esperanças, vida enfim! Assim se vai confirmando que o Homem é, a jusante da circunstância que o envolve, produto de si próprio. 2004Jul23
sexta-feira, 5 de março de 2010
2613. Acha que há alguma coisa a fazer?
Então não é que, logo a seguir, 40% dos mesmos, considera que, se houvesse eleições agora, o PS com o vilarista à frente venceria de novo?
Acha que há alguma coisa que possa ser feita por gente assim?
Gente que, considerando que a mentira vilarista é grave, nem percebe que, sendo assim a criatura nem condições teria para se candidatar! Porque não é admissível que um mentiroso grave e como tal reconhecido, como é considerado por 60%, não pode ser primeiro-ministro por ausência de dignidade exigida por postura de Estado!
Acha mesmo que há algo que se possa fazer por gente com tal idiossincrasia?
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2612. Mais rigor!
Refere o jornal desportivo "O Jogo" que "Jesus quer que os jogadores e equipa joguem o dobro do que aconteceu no ano passado".Ora, nada mais inverdadeiro, penso eu de que...
Jesus já demonstrou não ser burro e, portanto, não caia na asneira de querer tal coisa. É que o Benfica o ano passado não jogava nada.
Ora, o dobro de nada...
Há que ser-se mais rigoroso...
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2611. E podia ser de outra forma?
DN 05Mar2010
E podia ser de outra forma?
Não tendo assistido à audição de Vara, estive com atenção à de Rui Pedro Soares. E tive oportunidade, então, de referir - e com isso me indignar - que o inquirido, por falta de poderes da Comissão de Ética - mas não somente por isso, pois que os deputados também se revelaram fracos questionadores - tinha lá ido "gozar com o pagode".
Pode ser que, ouvido em Comissão de Inquérito Parlamentar, com poderes judiciais, lhe passe o gozo...
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2610. Não diria melhor
CM, Eduardo Dâmaso, 05Mar2010
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2609. Quem é o seu grande exemplo de vida?
Pois bem, vai ficar a saber muito facilmente.
São só 2 ou 3 continhas e terá revelada uma enorme surpresa. Algo que você ainda não tinha consciencializado!
Mas não faz mal... Mais vale tarde do que nunca...
Ora, vamos lá:
1) Escolha o seu número preferido de 1 a 9
2) Multiplique por 3,
3) Some 3 ao resultado
4) Multiplique o resultado por 3
5) Some os dígitos do resultado
1. Albert Einstein 2. Nelson Mandela 3. Ayrton Senna 4. Helen Keller 5. Bill Gates 6. Gandhi 7. George Clooney 8. Thomas Edison 9 . José Sócrates 10. Abraham Lincoln
P.S. - Ah, não! Escusa de ficar para aí a escolher mais números. A criatura que encontrou é o seu ídolo, o seu guia, o seu grande exemplo de vida.
Admita, conforme-se e não se fala mais nisso.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
2608. Manuela Moura Guedes
Duvido que actualmente algum homem em Portugal tivesse “balls” ou “huevos”, como se queira, para dizer o que MMG ontem disse na Comissão de Ética.Um dos mais graves problemas dos portugueses, hoje por hoje, é esse mesmo: falta daquilo que ocasiona a barba e a voz grossa.
MMG teve tudo isso. Chegou mesmo ao ponto de ser temerária, mas há ocasiões na vida em que é preciso ser-se mesmo assim. Não ter medo de invectivar, mesmo que se ponham em risco algumas comodidades.
Ao fazê-lo, Manuela ganhou já lugar na História de Portugal, na primeira década do século XXI. Algo mais para não lhe ser perdoado nas "quitandas" habituais.
Pode-se discordar de muitas atitudes suas, mas tem que se lhe reconhecer que está a prestar um imenso serviço ao País, a todos os portugueses, mesmo àqueles que a atacam ferozmente, sem piedade. Que ela também não reclama, diga-se em abono da verdade.
Pelos “tomates” que revelaste, saúdo-te, Manuela! Tenho que respeitar-te. Queira ou não queira. E eu quero!
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2607. Promiscuidades...

Mais um indício da promiscuidade a que se chegou em Portugal:A dois dias de uma greve geral em que participa a central que lidera, João Proença, o socialista secretário-geral da UGT, entendeu que era melhor ir passear para Moçambique com o primeiro-ministro do que ficar cá a acompanhar a sua organização sindical num momento como o de uma greve geral.
Mas socialista desta "era" é assim mesmo!
Lembra-se de, aqui há anos, um então ministro do PS, o da Agricultura, ter tido a suma lata de querer integrar-se na frente de uma manifestação que se realizava contra o seu ministério, portanto contra si mesmo? Claro que foi corrido dali para fora, não sei se ao estalo...
Pois bem, agora é este sr. Proença que, quando os seus representados entram em greve, foi para Moçambique, em passeata com o patrão contra quem ele mesmo teve a suma lata de dizer estar em greve.
Pior do que serem ridículos, eles não têm um pingo de vergonha na cara!
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quarta-feira, 3 de março de 2010
2606. Falando para dentro?
O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) manifestou a sua determinação em impedir a «contaminação do Ministério Público por considerações de ordem política».
Estamos em crer que esta sua posição foi, em primeiro e quase exclusivo lugar, reiterada junto do próprio Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro; caso contrário, “em casa de ferreiro espeto de pau”… carunchoso.
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terça-feira, 2 de março de 2010
2604. Queirosiana alocução
Pois que imaginais vós, seus trouxas? Que nunca antes os portugueses passaram por situações de tal aperto, de tal humilhação perante vizinhos próximos ou afastados, tormentos por terem de suportar ignomínias inauditas?
Pois desenganai-vos, caríssimos, desenganai-vos de uma vez!
O problema tem afloramentos cíclicos, por que nos está na massa do sangue.
Nem saberíamos viver de outra forma. A nossa idiossincrasia jamais permitiria tal desatino!
Logo no acto da concepção ficamos marcados para o fado que há-de fadar-nos! (tenho a impressão de que o verbo não era bem este, mas adiante!). E ao fado que nos fada (será mesmo este o verbo?) ninguém escapa! É o escapas!
É certo que os vossos actuais patrões são bem pior do que “cuspir na sopa” ou “bater na avó”, como soe dizer-se, mas não vos iludais, não! Quando estes sacripantas se forem – que Alá os proteja, Manitú os não sodomize e as areias do Atacama os não soterrem!… – é bem possível que outros um pouco menos maus os substituam, porque estes são mais do que permite a santa pachorra humana! Mas, tomai boa atenção do que vos digo: tal como as pragas, os politicos e correlativos portugueses mentirosos, sem vergonha nas fuças, incapazes e desprovidos da noção do que seja o escrúpulo constituem safra colhida de parideiras de entranhas pútridas e… inesgotáveis.
Por isso vos digo: tende cuidado e, acima de tudo. paciência e caridade para com as suas torpezas. A caridadezinha tão necessária ao convívio com os pobres de espírito!
E agora, se me permitis, caríssimos concidadãos, retiro-me para o recanto a que nos Céus ganhei jus por ter sofrido as penas do inferno em Portugal, com cavalheiros muito semelhantes a esses de quem vós sofreis indignidades inenarráveis. A cada dia que passa, o que desmesuradamente agrava a coisa.
Como vedes, nem tudo é prejuízo! Sofremos a bom sofrer por aí, mas, no fim de contas, Deus ajuiza que é mais do que pode a resistência do esqueleto com que nos dotou e amerceia-se da nossa desgraça, pelo que, a título de redenção compensatória, oferece-nos um lugarzinho a Seu lado. E, de quando em vez, deixa-nos de lá sairmos para darmos um saltito aqui, trazendo-vos um pouco de ânimo e esperança numa vida melhor. Se se vai desta p’ra melhor, pois bem, que melhor seja mesmo!
Mas enquanto o dia da vossa Redenção não chega, tende presente esta máxima:
“Sob o manto diáfano da fantasia (lede “mentiras dos gajolas”) a nudez crua da verdade”. Que é eterna e imutável.
Fadam-vos eles agora cá na terra; fadai-os vós na próxima esquina da Eternidade. (mas por que raio de carga de água continuo com a impressão de que o verbo não é bem este?)
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2602. Podió repeti-lo?
“Fugas de informação são pagas. Se a Justiça ajudasse se não houvesse alguns bandidos – ou na magistratura judicial ou na magistratura do MP – que fazem fugas de informação sistematicamente… Não é possível viver com um sistema em que algumas pessoas na Procuradoria ou na magistratura judicial condicionam a vida nacional de uma forma insidiosa, subreptícia, clandestina e eu acho que paga”.
António Barreto, em “Estado da Nação“
* * *
Já agora, podió repeti-lo?
1º – Parece muito temerário, embora populista qb, afirmar, sem provas, que os autores das fugas são magistrados judiciais ou do MP. De que provas dispõe António Barreto para tão temerária afirmação?
Seria bom que as apresentasse, já que o acesso aos processos de que saem as fugas, não é facultado apenas a magistrados. Há, pelo menos, PJs, funcionários e advogados que dele dispõem igualmente. Quaisquer deles tem meios para accionar as fugas. Como é que Barreto apenas “vê” os magistrados? Qual a certeza em que se baseia?
António Barreto habituou-nos a uma maior qualidade de elaboração de pensamento e de escrita, pelo que este laudo surpreende.
2º – Por outro lado, ainda bem que há tais fugas, muito embora, grosso modo, sejam ilegais.
É que nem tudo quanto é ilegal é ilegítimo também. E entre a legalidade e a legitimidade, em Portugal, no tempos que correm, pessoalmente opto de forma decidida pela legitimidade. É que o que mais para ai há são leis ilegítimas. De modo geral, leis congeminadas para prover a interesses particulares e muito pouco transparentes E, para combater leis ilegítimas e quem as redige e delas aproveita, só actos de alguma ilegalidade se mostram eficazes.
Tem sido essa atitude de ilegalidade, mas de inegável legitimidade democrática – não esquecer que bem mais ferido de ilegalidade são um golpe de estado ou uma revolução e, no entanto, quantos têm sido legitimamente necessários levar a cabo para restituir dignidade aos povos oprimidos ou desrespeitados… – que tem evitado que Portugal não seja já e irremediavelmente um feudo senhorial, onde os tiques “chavistas” fossem donos e senhores de “quanto a vista alcança” e tudo e todos que não fossem obedientes ao omnipotente caudillo estariam já submetidos à “pax vilarista“.
Que honra vos seja, pois, violadores de leis ilegítimas! Provavelmente, são poucos os cidadãos comuns que se apercebem do verdadeiro patriotismo e serviço público contido na vossa “criminosa” actividade. No vosso lugar, procederia exactissimamente, quomodo.
Ego vos saluto!
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2601. O famigerado "Magalhetas"
Deputados examinam negócios do MagalhãesArrancam, esta terça-feira, os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito à Fundação para as Comunicações Móveis (FCM), que terá três meses para determinar o que aconteceu às verbas das contrapartidas das licenças de telemóveis de terceira geração (3ª), utilizadas para financiar o programa e-escolinhas, no âmbito do qual foram distribuídos os computadores Magalhães.
«A verificação do cumprimento por parte do Governo de todas as regras legais para a aquisição de serviços e equipamentos no âmbito daquilo que é conhecido como o projecto Magalhães» é um dos principais objectivo da comissão de inquérito, explicou à TSF o social-democrata Miguel Macedo.
«O que está em causa é saber se foram cumpridos todos os requisitos legais que são impostos pela legislação nacional e comunitária», acrescentou.
Para isso, os deputados irão ouvir 36 personalidades, entre as quais se contam especialista em Direito Administrativo Freitas do Amaral, o ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino, o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, o director geral da Microsoft Portugal, bem como os presidentes da JP Sá Couto e das operadoras Vodafone, TMN e Sonaecom.
Esta terça-feira será ouvido Mário Franco presidente da FCM, instituição criada em 2008 para gerir as obrigações assumidas com as operadoras de telecomunicações no concurso público para as licenças de UMTS e que junta o Estado, a Sonaecom, a Vodafone Portugal e a TMN.
A Bola 2Mar2010
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segunda-feira, 1 de março de 2010
2599. O padre e o milagre
Dias depois, foi a essa igreja e disse ao padre:
- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma avé-maria.
- Não, minha filha, foi com um padre nosso, mas já o transferimos.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
2598. E o comentarista foi-se...
Causou funda surpresa aquela perna direita da calça toda arregaçada. Porquê,
perguntaram-se todos quantos assistiram à cena?Depois de muitas e muitas voltas voltas e voltas ao bestunto, lá se chegou a um consenso mais um menos generalizado.
É isso, descobriu-se mesmo:
Como é um homem muito despacho e não gosta de perder tempo, Marcelo tratou, ainda no decurso do programa e para não se atrasar no final nem deparar com pequenos empecilhos ao saltar para a bicicleta - que lhe terá sido oferecida pelos despedidores, a título de compensação indemnizatória - e desatar a pedalar cheio de vigor, de regresso ao... "contenente".
Desfeito mais este mistério, toda a gente foi dormir muito mais descansada.
Restou este pobre cronista que teve que ficar aqui a redigir o apontamento e a ver se conseguia que o raio da foto do singular mas muito expressivo momento em que (acompanhado de Maria Flor Pedroso - a quem acabara de oferecer um antúrio, que a Igreja do Funchal considera demasiado erótico para permitir que entre nas igrejas lá do burgo, mas que ele, Marcelo, católido muito "hetero (valha-o Deus!) doxo" fazia questão de oferecer à jornalista -) o comentarista que, fora do futebol, o país inteiro também consagrou [desculpa lá, ó Alves dos Santos] saía do teatro, ficava melhor do que ficou, pelo que pede muita desculpa...
Y asi fue. Nadie más ha visto tan excelsa persona
.
2596. Tudo muito simples
É tudo muito simples de resolver.Nesta fase do impasse político que se vive em Portugal, o que importa saber, sem margem para dúvidas e em termos jurídico-políticos é o seguinte:
O vilarista mentiu, ou não, quando, em 24 de Junho de 2009, afirmou perante o plenário de São Bento, nada saber do negócio PT/TVI?
É isto que importa averiguar oficialmente e daí tirar as necessárias consequências.
E digo averiguar oficialmente, porque já a ninguém de senso comum resta a mínima dúvida de que, efectivamente mentiu, tantas e tão claras são as evidências.
Mas estas coisas têm o seu ritmo e as sua liturgias. Que não podem ser distorcidas mesmo ainda amputadas.
Ora, como conversa "de café, com malta amiga", o que tem sido feito na Comissão de Ética, Cultura e Sociedade, é giro, dá para distender, mas não serve para atribuir responsabilidades a quem as tem.
Outra força e objectivo, porém, bem diversos da tal "rapaziada", terá a Comissão Parlamentar de Inquérito. Mesmo porque disporá de força e cominação judiciais.
Resta saber que papel quererá, na verdade, desempenhar em todo este mal-odorado processo. Porque não basta averiguar. Uma vez determinado como as coisas se passaram, há que tirar conclusões e consequências.
Perante o que já se sabe, restam muito poucas dúvidas de que o trabalho da referida Comissão Parlamentar de Inquérito vai ser pouco mais do que o de formalizar o que já está sabido ex abundante.
E o que é que abundantemente sabido está? Que, ao fim de todas as formalidades, só resta o afastamento do vilarista do cargo que ocupa. Resulte esse afastamento de motu proprio, embora a contragosto e por não lhe restar outra saída, ou em "mota alheia", posta em movimento por outrem e... que o leve para bem longe da nossa vista.
Portugal precisa de urgentemente fechar este parêntese, para que o caminho em busca de uma democracia digna, ainda que incompleta, não seja atulhado de mais escolhos tão difíceis de transpor como este está a ser.
A caminhada teve já uma interrupção de cinco anos, pelo que mister é que seja retomada. E não o pode ser com vilaristas e correlativos.
Basta o que basta já!
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
2595. Sombras chinesas e puppets on a string
(...)
Correio da Manhã, 17Fev2010,"Cheiro a podridão", José Eduardo Moniz
Bold deste blog.
Estive para referir este aspecto já no próprio dia da audição de Rui Pedro Soares mas, porque outros assuntos chamaram a minha atenção, tendo sido um dia de muita azáfama, não passou de intenção esquecida, pelo que, ao topar hoje com esta referência de J.E. Moniz, não resisto a vir aqui também deixar a sensação com que fiquei. E mais alguma coisa...
Descontando a questão do "carácter", que não vou aqui analisar, muito embora me tenha deixado surpreso pelo que, embora não conhecendo as pessoas a que se refere Moniz (Rui Pedro Soares e Paulo Penedos), confessso que os seus depoimentos me deixaram colado ao assento em que estava, mudo de estupefacção.
Porquê?!
Não, pela arrogância de Rui Pedro Soares nem pela "mansidão" de Penedos. Sim, pela manifesta falta de substrato de ambos. Assistindo às performances de ambos, em geral, na Comissão de Ética, e a forma como foram respondendo ou fugindo às questões que lhes foram formuladas (canhestramente quase todas) afigura-se-me que ninguém diria estar-se perante dois dos mais intervenientes e assertivos fautores dos desmandos que lhes são atribuídos.

E ninguém diria que se tratava deles, "Rui Pedro Soares" e "Paulo Penedos", não por que não tivessem tido a intenção e a vontade de actuarem em todo o processo como terão actuado, levando às consequências sabidas, mais as que ainda não se vislumbram, mas porque foi claro que não evidenciaram gabarito para tal epopeia.
A titubeação de ambos, a que acresceu a arrogância (em defensiva pouco esclarecida) de Rui Pedro Soares, a manifesta incapacidade de lidar com a situação em que se encontram, escancararam duas pessoas a quem parecem faltar condições mínimamente aceitáveis para chegarem onde chegaram e agirem como agiram. Dois jovens que certamente estão ainda em processo de aprendizagem, num mundo matreiro de gente ainda mais matreira, tarimbada e conhecedora de todos os truques e manhas das altas e nebulosas negociatas.
Foi, na verdade, evidente a sua impreparação para voos de tal altitude.
A título de exemplo, que não é único, mas bem ilustrativo: alguém de bom senso consegue "moldar" um Rui Pedro Soares, que, entrado para a PT em 2001, aos 27 anos de idade, como mero assessor da PT Multimedia, certamente "para aprender", está, pouco mais de quatro anos após, aos 32 anos, portanto, aboletado já como administrador executivo da PT Compras e mexe e dispõe em toda a PT como se de "monte" próprio se tratasse, em muitas circunstâncias mesmo sem conhecimento seja de quem for (o próprio Granadeiro se confessou "encornado" por de nada ter tido conhecimento, ele que, a par de Zeinal Bava, é administrador, embora não executivo, do universo PT)?

E como é que um Rui Pedro Soares da qualidade que vimos de muito sucintamente evidenciar, a partir do seu meteórico trajecto dentro da PT (chega mesmo e igualmente a administrador não executivo da Taguspark!), se movimenta tão à vontade, chegando até a deslocar-se, em avião fretado, a Espanha, para - tão desacompanhado, como o Gary Cooper na célebre cena com milhentos índios prontos a levar-lhe o escalpe... - fechar negócios de milhões incontáveis, assim como quem vai, cantando, rindo e saltitando de poça em poça, comprar um pacote de caramelos a Badajoz?
Na verdade, apreciando o sumo das intervenções de Rui Pedro Soares e de Paulo Penedos (mais até do primeiro do que do último), não fica no ar a interrogação de como é possível que tenham sido eles os arquitectos de uma trama de tal emaranhado? Não será toda essa trama demasiada areia para camionetas com caixas aparentemente tão pouco capacitadas?
Esta a perguinta essencial que me ficou a bailar no espírito após a audição de ambos. E fico-me por esta "certeza" que, não podendo confirmar que o seja efectivamente, me traz fundamente intrigado: quem está por detrás de toda esta manipulação, já que o vilarista também não dá mostras de tão refinada elaboração intelectual?
Parece bem mais obra de uma máquina bem montada, generosamente municiada e sempre operativa, por muitos e muitos anos de uma actuação plena de eficácia e sem peias, porque na sombra e à margem de sociedade democrática, esta necessariamente aberta, sem secretismos sempre muito pouco transparentes, consequentemente democráticos.
Há anos li peças que abertamente atiram essas habilitações (quiçá "habilidades") negociais para a Maçonaria; outras, que não fazem rebuço em atribuí-las ao Clube de Bilderberg.
"Chova ou troveje", porque ambas actuam de forma fechada, secreta, à margem das regras aceites em democracia, o que importa reter é que nem uma nem outra convêm aos Portugueses comuns. Ambas cuidam exclusivamente dos seus próprios interesses, que, de forma nenhuma, se compaginam com outros fora dos seus círculos, designadamente os da sociedade portuguesa.
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