Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

terça-feira, 18 de agosto de 2009

2468. The muppet show


Fever

Never know how much I love you
Never know how much I care

Cortesia de Ângelo Silva
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

2467. The perfect storm

ou

o teleponto avariado

ou


a santa ignorância acerca do que fala...


A tempestade perfeita

Cortesia de Tira Nódoas
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2466. Contabilidade da Liga - 1ª jornada

Bastou a 1ª jornada da Liga Sagres para se constatar que, uma vez mais, o FC Porto foi a equipa que mais e melhores contratações fez no defeso.

Para além dos homens que envergam a camisola listada azul e branca, foram contratados mais uns quantos que tanto equipam de negro, como de amarelo, violeta, etc. e sopram que se fartam durante todo o jogo.

Decisões com influência directa no resultado final *

Nacional-Sporting: nada a assinalar

Benfica-Marítimo: nada a assinalar

Paços Ferreira- Porto:
1. Golo do Porto precedido de falta de Falcão;
2. Assinalado offside não existente a avançado do Paços, que ficara em posição de marcar.

Resumo:

SC Portugal - 0
SL Benfica - 0
FC Porto - 2

Assim se vê a força do FCP...

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* São levadas em linha de conta apenas as decisões dos árbitros com influência directa no resultado final.

NOTA.- Não se tomou em consideração o reclamado "penalty" não assinalado contra o Marítimo, porque se considera que, nessas condições não é mesmo falta, muito embora já se tenha visto marcar vários, quando se trata de beneficiar os afilhados habituais... Mas há que ser-se coerente, para não se perder a razão.
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sábado, 15 de agosto de 2009

2465. O "Moita" e a "Manela"

A atitude de Francisco Moita Flores
- que tem a lata de se recandidatar à Câmara de Santarém nas listas do PSD ao mesmo tempo que afirma não votar no partido em 27 de Setembro, admitindo mesmo votar nos socialistas -
é tão miserável que nem há adjectivos que a classifiquem.


Assim se vai vendo o carácter de uns quantos mânfios que por aí andam a pregar inteireza de carácter, ao mesmo tempo que apostrofam carácteres alheios quantas vezes bem menos enodoados...


No entanto, é bom que não se tenha memória curta porque, afinal, o que o espertalhaço das dúzias do Moita está a fazer não é muito pior do que aquilo que, em 2005, Manuela Ferreira Leite fez a Pedro Santana Lopes.

Ela e mais o Aníbal e o Marcelo, ou seja, o "trio maravilha", que não fo.. nem sai de cima.


Tudo gente da melhor cepa.
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2464. Oh, gente volúvel e ingrata!

Em pouco mais de meio ano, "o Deus na Terra" entrou em queda desamparada.

Quão efémera é a boa vontade dos impuros homens!

Pois é, a "barack abana mesmo"...

Quando o substrato não existe e os "fenómenos" apenas se sustentam em marketing de pacotilha, é isso que acontece.

Está nos livros.

Só os patetas não percebem e continuam a correr atrás das canas...
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

2463. Nova pausa...

... no interregno em que tenho vivido, para dar conhecimento do meu estado de expectativa.

Porquê a expectativa?

Pela simples razão de que sempre quero ver em que estádio de inteligência se encontra o actual eleitorado português.

?!?!?!

É que, perante um eleitorado minimamente inteligente, as intervenções de Sócrates - que já cá faziam falta!... - são uma benesse para os partidos da Oposição.

Perante um eleitorado não estupidificado, os opositores nem precisarão de fazer seja o que for e, em alguns casos, o melhor mesmo é que se mantenham caladinhos, para não dizerem asneiras e estragarem o trabalho da criatura.

É que ele diz enormidades tais - aliás, logo são desmentidas pelos factos - que só imbecis chapados não percebem logo que se trata de endrominação destinada a atrasados mentais.

A minha expectativa é mesmo muito grande!
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

2462. Definições

Estávamos em recessão, quando

o nosso vizinho perdeu o emprego

Estamos em depressão, quando

nós próprios perdemos o emprego

Estaremos em recuperação quando, daqui a menos de mês e meio,

Sócrates perder o emprego


Cortesia de Luís Barros

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domingo, 9 de agosto de 2009

2461. Quem fala verdade?

Dia a Dia

Quem fala verdade?

O caso não é de somenos porque envolve a palavra do Presidente da República e do primeiro-ministro. Pelo menos a palavra dita por representantes dos próprios. Ou seja, o episódio criado com a não nomeação do neurocirurgião João Lobo Antunes para o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida ou resulta do rompimento de um compromisso entre Cavaco e Sócrates ou não. Não há segunda via! E, por isso, é essencial que o País seja esclarecido sobre se houve ou não conversa entre os dois no sentido de acordar a indicação, pela quota do Governo, para o lugar.

Mais importante do que saber se a presença de Lobo Antunes no lugar é assim tão decisiva, é essencial esclarecer se alguém faltou à palavra e, agora, está a enredar o País numa pantomina intolerável. A um nível mais baixo da vida pública e política já sabemos que a mentirinha é moeda mais ou menos corrente mas entre um Presidente da República e um primeiro-ministro não é aceitável que tal ocorra.

É simples: todos precisamos de saber se, pelo menos ao nível das duas instituições máximas do País, ainda valem a integridade, a confiança e a frontalidade como critérios fundamentais no relacionamento entre os titulares dos dois cargos. É que se já não é assim alguém tem de fazer ou dizer qualquer coisa ao povo. É o mínimo!

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto


* * *

Por mim, respondo já, ó Eduardo:

Frente a frente com antecedentes vários, não tenho qualquer receio de garantir que sei quem está a ser o mentiroso da história.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

2460. Nós e os outros na expansão ultramarina

Um brevíssimo interregno na modorra pelas veredas da preguiça, enquanto não chega o momento do vaguear bem mais largo, para aqui trazer um pequeno extracto de um livro que ando a ler aos poucos - para, ao jeito de Fernando Pessoa, "primeiro estranhar e depois entranhar" e bem ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, que duvido se aperceba minimamente do que lê, ao devorar, de soslaio, 3.500 livros por semana, ou quase, (o homem é mad mesmo) - e que me tem deixado como a acção do magnífico governo que diariamente sofremos deixou o inefável Sócrates, ou seja, "muito contentinho comigo mesmo"...

Trata-se de uma narrativa de viagens - que é muito mais do que isso - que será talvez uma narrativa de viagens de meio milénio.

"Mar das especiarias" é o título, com o subtítulo "A viagem de um português pela Indonésia", da autoria de Joaquim Magalhães de Castro, editada pela Editorial Presença.

Muito podia dizer acerca do que já li. Tudo, porém, se me afiguraria supérfluo. Porque o que realmente interessa é que cada um o leia e interiorize o espírito que o enforma. E mais não digo, acerca disto.

Para aguçar o interesse, deixo o tal extracto. Leia-se, medite-se, afague-se o ego, porque o gesto se justifica plenamente:

"A propósito da História da Expansão Portuguesa, o historiador Charles Boxer menciona, num dos seus trabalhos, uma carta do governador da Companhia das Índias Orientais que, de Batávia, escrevia o seguinte aos seus superiores na Holanda:

Passaram-se 100 anos desde que expulsámos os portugueses. Se pensam que acabámos com eles pela força de navios e de armas, destruindo sistematicamente os seus fortes, igrejas e monumentos, perseguindo a fé católica que trouxeram, estão muito enganados, porque eles continuam presentes em todo o lado através da língua e da cultura que aqui espalharam. Devemos mudar o nosso sistema. Nós viemos para ganhar dinheiro e partir o mais depressa possível, eles vinham para ganhar dinheiro mas também para ficar e a certa altura já não pertenciam mais à Europa, eram parte destas terras." *

Nunca vi em letra de forma nada que, de modo tão simples, tão despretensioso, tão frontalmente verdadeiro - até porque se tratava de um documento secreto, dirigido à Corte Holandesa por um do seus embaixadores - que tão bem explicasse, de forma a que todos entendam, o que foi e como se processou a nossa expansão ultramarina. Modo de ser, cosmopolitismo que ainda hoje se faz recordar e sentir, a despeito de centenas de anos terem passado já desde que de lá saímos.

Mas que não se pense que a Indonésia é caso único. As experiências de quem tenha percorrido este mundo são semelhantes em toda a parte, desde África às Américas, desde estas aos confins mais remotos da Ásia profunda. Mesmo no planalto desértico do Tibete, ali ao lado dos Himalaias, onde um padre da beirã vila de Oleiros, António Andrade, e o irmão andaram, lá pelos meados do século XVII, metidos em empresas de assombro e de tal modo temerosas que só portugueses conseguiam levá-las a efeito.

Por isso afirmo, convicto e prosélito, que se torna tanto mais português, mais intrinsecamente herdeiro dos heróis dos séculos XV e XVI, por perceber-lhes os intuitos e a obra que deixaram, quem tanto mais viaje pelas rotas do mundo.

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* Os nossos antepassados estiveram na Indonésia entre 1511 e 1660, ano em que os holandeses nos substituíram, isto é, vinte anos após o domínio filipino em Portugal. Esta carta terá, pois, sido escrita poucos anos após o terramoto de 1755.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

2459. Verdades que têm de ser ditas

Heresias

Sem história

Caminhei pela calçada incerta da ‘cidade velha’ da ilha de Santiago, Cabo Verde, a mais antiga povoação europeia em África, prestes a tornar-se Património da Humanidade. Vi as ruínas da muralha do mar, o convento de S. Francisco e a fortaleza empoleirada na achada a fitar o oceano com altivez.

Mas, em toda a parte, há placas referindo que a reconstrução foi paga pela Espanha – fiquei amargo mas não admirado. Sei bem que governantes temos e tivemos. Lembro-me do magnífico forte de Stª. Catarina, Brasil, reedificado pela Alemanha.

E das queixas de total abandono dos que ainda se dizem portugueses em Malaca. Deixamos marca em todo o Mundo mas só a exibimos em concursos pimba. Um povo que desdenha o percurso que lhe moldou a identidade empenha o melhor do seu futuro.

Carlos Abreu Amorim, Jurista
Opinião, Correio da Manhã, 03.08.2009


* * *

É necessário comentar?
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sábado, 1 de agosto de 2009

2458. Quem estava a mentir...

... não era Louçã.

Uma vez mais fica provado que há gente mentirosa na política portuguesa.

Fica mais provado: que há políticos mentirosos compulsivos. Sem emenda.

Fica ainda mais provado: estamos fartos de saber quem é que bate todos os scores das mentirolas idiotas em Portugal.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

2457. O que éramos e o que somos

Já alguma vez se deu ao trabalho de pensar no que éramos em 1979 e no que estamos transformados em 2009?

Não?

Pois bem, a seguir ficam enumeradas várias situações-tipo e as respectivas reacções em cada um daqueles anos.

* * *

O fim das férias

Ano 1979:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.
Ano 2009:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno


Ano 1979:
Não se passa nada.
Ano 2009:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

O Pedro está a planear ir aos pássaros depois das aulas. Assim que entra no colégio mostra ao João a navalha com que tenciona fazer uma fisga


Ano 1979:

O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2009:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais à porta da escola.

O Carlos e o Quim trocam uns sopapos no fim das aulas


Ano 1979:

Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2009:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, o Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema e a TVI insiste em colocar a Moura Guedes à porta da escola, sob forte chuvada, a apresentar o telejornal.

O Jaime não pára quieto nas aulas, constantemente a interromper e a incomodar os colegas


Ano 1979:

O professor manda o Jaime ir falar com o Director e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
Ano 2009:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um zombie. A escola recebe um apoio financeiro por ter um aluno incapacitado.

A jogar à bola, o Luís parte o vidro dum carro, lá no bairro dele.

Ano 1979:

O pai desafivela o cinto e dá-lhe umas nalgadas. O Luís passa a ter mais cuidado. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2009:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a irmã de que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o "Você na TV" do Manuel Luís Goucha.

Enquanto pratica atletismo, o Zéquinha cai e arranha um joelho. A professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Abraça-o para o consolar
Ano 1979:
Passado pouco tempo, o Zéquinha sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2009:
A Maria é acusada de perversão de menores e é despedida. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zequinha passa 5 anos de terapia em terapia. Os pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas, suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes, a meio do trajecto, ainda parte uma varanda, com o peso do corpo a cair. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem uma telenovela baseada no caso.

Um menino branco e um menino preto andam à batatada por um ter chamado "chocolate" ao outro

Ano 1979:
Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada qual vai para sua casa. No dia seguinte estão na maior brincadeira.
Ano 2009:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passam dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. O governo oferece um apartamento à família do miúdo preto.

Um puto faz uma asneira na sala de aula


Ano 1979:
O professor espeta-lhe duas caroladas bem merecidas. Ao chegar a casa o pai dá-lhe mais duas porque "alguma deves ter feito..."
Ano 2009:
O professor pede-lhe desculpa. O pai pede-lhe desculpa e corre a comprar-lhe uma Playstation3.

* * *

Para terminar, permita-me que lhe apresente sentidas condolências.

Cortesia de Luísa Castanheira
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

2456. O desrespeito de Sócrates...

Para além da falta de respeito que desde sempre Sócrates tem revelado pelos portugueses, a recente medida eleitoral que anunciou de criação de uma conta bancária em nome de cada criança a nascer, no valor de 200,00€, que ficará intocada até que o "beneficiário" atinja os 18 anos, é afronta sem nome à inteligência dos eleitores.

Repare-se apenas nisto:

Mesmo que a conta vencesse juros à razão de 10% ao ano, coisa que, como todos sabemos, não acontece nem de perto nem de longe - e mesmo que acontecesse seria muito mau sinal, uma vez que indiciaria que a inflação entraria de novo nos valores assassinos da primeira metade dos anos 80 do século passado, de má memória, já que ela, a inflação, iria roer toda e qualquer possível economia pessoal, criando milhares de pobres acrescidos aos já existentes - ao fim dos tais 18 anos, os iniciais 200,00€ valeriam cerca de 1.100€. Ora, o que é que se comprará a com 1.100€ daqui a 18 anos?

Vejamos:

Actualmente, um telemóvel médio custa cerca de 100€. Logo, com os 200€ da "oferta" socratina, compram-se dois telemóveis.

Mutatis, mutandi, daqui a 18 anos dois telemóveis custarão cerca de 1.100€. Daqui se infere que Sócrates está a oferecer dois telemóveis a cada bebé que nascer.

FENOMENAL !!!

Mas ainda não acabou a generosidade!

É que o "sortudo" só poderá levantar esses dois telemóveis médios... quando fizer 18 anos...

Se entretanto não morrer ou não emigrar de desgosto por viver num país com tal gente, entrará no reino dos "sortudos", com pais tansos...


Mas, tenha calma que ainda não acabou a saga do benemérito Sócrates.

Vimos já que, afinal, o "sortudo" - que ainda é nascituro - não virá a ter sorte nenhuma, pois os pais estão a ser fortemente embarretados pelo primeiro-ministro.


No entanto, isto é como que um negócio a longo prazo.

Portanto, se o "sortudo" nada ganha, a não ser o engano em que os pais podem cair, quem ganhará com a negociata?


Pois bem:

1º ganhador - o próprio Sócrates, se os eleitores forem tão pouco inteligentes como ele pensa que são e o mostra, e nele votarem;


2º ganhador - a banca, já que o dinheiro estará em seu poder durante 18 anos, dele se servindo para os seus próprios negócios, que irão render muito mais do que os impossíveis 10% ao ano das contas que fiz acima.
Diga-me cá:

O dito cujo está ou não a gozar com o pagode?

Por estas e por outras em que se revela o desprezo que o homem tem pela inteligência dos eleitores, afirmo que Sócrates goza de forma indecente com a boa fé dos portugueses.

Por estas e por outras afirmo que é bom que os portugueses pensem maduramente se estão realmente tão faltados de inteligência como Sócrates acha que estão que não vêem isto que se mete pelos olhos dentro e estarão, mesmo assim, dispostos a continuar a dar-lhe o voto, para que a falta de vergonha continue à custa de todos.


Está percebida a bela marosca socratina?

Corra a votar no homem, que ele bem merece...

E se você nele votar, merece também. Sem qualquer dúvida...

2455. Insólito...

... é dar comigo frequentemente a interrogar-me sobre se muitas absolvições por falta de provas, a que tanto se assiste por esse mundo fora, não ficam a dever-se a justo receio de que os absolvidos, se condenados, abram a bocarra de tal modo que os estragos produzidos sejam arrasadores.

Não estão em causa os julgamentos. Evidentemente que, sem provas, não há juiz no pleno uso das suas faculdades que se meta a condenar seja lá quem for.

Este não é uma república das bananas, pois não? Ou é?
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

2454. Quem está a mentir?

Louçã afirmou (1-vez-1) que Sócrates tentou aliciar Joana Amaral Dias, do BE, para as listas do PS e que, nessa tentativa, nem resistiu a traficar influências, oferecendo lugares apetecíveis, à disposição dos detentores do Poder.

Sócrates (por si mesmo e por mais três portas travessas, portanto em 4-desmentidos-4) afirma que é mentira, que não fez nada disso.

Como é evidente, não sei quem fala verdade e quem mente com todo o descaro. No entanto, tendo em atenção

* que um apenas disse o que disse uma só vez e nem teve a preocupação do outro em repetir, à saciedade, a sua versão

* que a quem mais interessa que se pense que a "verdade" do outro é mentira não é a Louçã

* o passado de ambos na preservação das realidades

confesso que me inclino para confiar a Louçã o meu parecer de que é ele quem, uma vez mais, não falta à verdade.

Mas o derradeira circunstância que me leva a tal inclinação é a de que Miguel Vale de Almeida, convidado por Sócrates, está nas listas do PS.

Ora, Miguel Vale de Almeida estava em situação muito semelhante à de Joana Amaral Dias, ou seja, ambos eram do Bloco de Esquerda e estavam um tanto de as candeias às avessas com Louçã, o que era razão para convir muito a Sócrates "sacá-los" da influência do BE e apresentá-los como troféus da guerra em que está metido com Louçã.

Segundo Louçã, Joana Amaral Dias foi convidada por Sócrates, tal como Miguel Vale de Almeida; segundo Sócrates, é mentira que Joana tenha sido por si convidada. Façamos contas: 2+2=4, portanto, rebéubéubéu, pardais ao ninho!...

Não sei quem está, uma vez mais, a faltar a verdade, mas lá que me inclino para que não seja Louçã, lá isso...

E por que é que assim penso? Porque, como diziam os antigos romanos - sábios nessas coisas -, a melhor forma de chegar à verdade em determinadas circunstâncias em que era necessário saber quem teria sido o autor do "delito", consistia em começar por perguntar: cui prodest? ou seja, a quem aproveita? E, já agora, a quem aproveita o quê? - perguntará você que me lê: o delito, o delitozinho, está bem de ver.

Topa?
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domingo, 26 de julho de 2009

2453. "O estado da governação"

Sob o título "O Estado da Governação - uma avaliação da acção governativa durante a legislatura de 2005-2009", o Compromisso Portugal procedeu a uma análise profunda e muito fundamentada da actuação do governo Sócrates ao longo dos 51 meses decorridos entre a posse e Junho passado.

Sem estultas e enganosas propagandas, sem subterfúgios, sem dolo, aí está a análise que era preciso que fosse feita, para sabermos com o que nos defrontamos e qual os verdadeirtos méritos e deméritos do actual governo.

Não se trata apenas de mero laudo discursivo. É, isso sim, um documento de altíssimo valor, em que a acção do governo é passada a pente fino, ponto por ponto, área por área. O resultado, a despeito de toda a a descarada propaganda socrática, é desastroso.

Atente particularmente no anexo final dp documento, no qual estão plasmados os sucessos e insucessos de todo o desemnpenho goivernativo, com a enumeração dos objectivos proclamados e o grau em que fora, ou não, alcvançados.

Trata-se de um documento impressionante. E histórico.

Deixo aqui a transcrição das conclusões e o link para o próprio documento que, como disse, é de leitura obrigatória para quem pretenda manter-se a par das realidades a que o PS socrático conduziu o País, certamente com muito indesejáveis reflexos no futuro próximo. Chamo uma vez mais a atenção para o anexo, que é de uma clareza indesmentível e, portanto, de inviável contraditório, porque a realidade é insusceptível de ser contraditada.

* * *

VI Conclusão


1) Qual a pegada histórica do XVII Governo Constitucional?


O Governo mostrou intenção de efectuar mudanças, iniciou alguns processos de reforma relevantes, mas ficou bastante aquém dos seus objectivos em áreas fundamentais.


O Governo falhou em áreas como:

1) o relançamento sustentado e estrutural da economia e sua competitividade (independentemente da crise internacional);

2) a reforma e modernização da administração pública;

3) a reforma da justiça;

4) e a melhoria da qualidade ambiental, sustentabilidade e coesão territorial.

Também demonstrou dificuldade em criar um enquadramento favorável à actividade empresarial e o seu intervencionismo terá agravado ainda mais a promiscuidade entre política e negócios.

O Governo foi bem-sucedido na contenção dos custos da Segurança Social (embora através de uma reforma paramétrica e punitiva para os pensionistas) e na resposta à crise financeira internacional (se bem que com um reconhecimento tardio).


O Governo merece ainda uma nota positiva em áreas como:

1) o esforço de consolidação orçamental (só marginalmente positivo porque este esforço, independentemente da crise, foi atenuado nos últimos anos e deu-se fundamentalmente pelo aumento da carga fiscal e redução do investimento público, para além de que a despesa pública estrutural corrente primária aumentou mesmo entre 2005 e 2008);

2) o esforço de modernização e inovação (se bem que o Plano Tecnológico tenha perdido consistência, tornando-se em parte uma chancela para qualquer programa correlacionado e muitas vezes com efeitos duvidosos);

3) o modo como terminou com alguns tabus na área da educação (por exemplo, o da avaliação e progressões automáticas) e como alterou o sistema de gestão das escolas (no entanto, a “guerra da avaliação” foi mal conduzida e a alteração da gestão pouco profunda, continuando por esclarecer quem tem a “ownership” da gestão das escolas e sofrendo ainda estas de pouca autonomia);

5) o programa Novas Oportunidades (a ideia é de louvar, mas a forma da sua concretização deixou bastantes dúvidas);

6) algumas medidas sociais, se bem que ainda não estejam enquadradas num novo modelo social;

7) a aposta nas energias renováveis, embora a relação custos/benefício ainda não seja clara.

Em resumo, ao fim de quatro anos e meio, o XVII Governo Constitucional, apesar do seu ímpeto reformista inicial, não terá feito muito melhor do que os antecedentes para contribuir para a resolução dos nossos problemas estruturais e preparar o País para os desafios futuros que permitam sustentar um caminho de desenvolvimento com maior coesão social. Infelizmente, é improvável que este Governo tenha deixado na história do País uma marca à altura da situação preocupante em que vivemos.

Dificilmente se poderá dizer que o País está agora em melhores condições de vencer os desafios futuros do que estava no início de 2005.


Basta constatar o continuado atraso nas reformas estruturais e a situação muito grave de indicadores como o PIB Potencial (reflectindo a nossa falta de competitividade e produtividade), as responsabilidades líquidas face ao exterior que representam já cerca de 100% da nossa economia e traduzem o nosso elevadíssimo endividamento externo, o peso elevado da despesa pública e da dívida pública, directa e indirecta, face ao PIB, o nível relativo de qualificação dos nossos cidadãos, para verificarmos como estamos condicionados em muitas das opções que poderemos tomar e os extraordinários desafios com que nos confrontamos.

Recentemente, a OCDE previu para Portugal, no período 2011-2017, a mais baixa taxa de crescimento médio anual do PIB, quer no quadro da Zona Euro, quer no conjunto da OCDE (1,5% para Portugal versus 2,3% para a Zona Euro e 2,7% para o conjunto da OCDE).


2) As grandes opções.


Portugal enfrenta desafios muito sérios, dos mais sérios que alguma vez teve de enfrentar nas últimas décadas. Por isso, é muito preocupante que, como no caso do XVII Governo Constitucional, continue a faltar, ao nível dos principais responsáveis e decisores políticos, um projecto integrado de transformação efectiva do País e uma firme determinação de assumir as reformas estruturais que nos permitam ultrapassar as principais carências e criar condições para uma maior realização e felicidade de todos os cidadãos.


As opções parecem ser claras:

a) ou recuamos para o estatismo do PREC de 1975, como parece desejar a ala esquerda do PS e os partidos à esquerda deste, nacionalizando empresas e actividades e agravando o peso e a intervenção do Estado - com todas as consequências negativas que daí advirão, nomeadamente um grande declínio económico (e a decorrente impossibilidade de manter uma protecção social significativa), mas também a restrição das liberdades e capacidade de iniciativa dos cidadãos;

b) ou mantemos a atitude tendencialmente imobilista adoptada pelos últimos governos do País, fazendo alguns ajustamentos pontuais, mas sem alterar nada de muito estrutural e condenando-nos assim à subida gradual do peso do Estado, à promiscuidade entre a política e os negócios, e a um empobrecimento progressivo face aos países mais desenvolvidos, como tem acontecido nos últimos anos;

c) ou avançamos para um projecto de transformação da nossa sociedade, através de verdadeiras reformas estruturais, com dois objectivos ligados entre si: por um lado, qualificar e habilitar os cidadãos para assumirem responsabilidades e explorarem oportunidades de realização pessoal e profissional; por outro lado, criar um modelo económico-social que seja eficaz na protecção social e generoso na qualidade e abrangência dos serviços públicos, e que assente numa economia com capacidade para criar riqueza e emprego qualificado.


É esta terceira opção que o Compromisso Portugal, ao longo da sua existência, tem defendido. Uma opção que, como tentámos evidenciar em muitos trabalhos,7 permitiria a Portugal atingir:

a) um Estado mais sustentável, mais forte, mais independente e mais focado nos seus atributos essenciais, abstendo-se, fora casos excepcionais, de intervir directamente nas actividades empresariais;

b) uma sociedade de igualdade de oportunidades para todos, com uma rede de protecção social clara e eficaz, com serviços públicos abrangentes e de qualidade (dos quais o Estado seria garante, mas não necessariamente prestador);

c) um quadro institucional e social propício à iniciativa dos cidadãos e das suas organizações, com a regulação e a supervisão necessárias para assegurar a concorrência e prevenir o abuso de posições dominantes.


Acreditamos que este seria o projecto político capaz de criar mais riqueza, de sustentar um modelo social de qualidade e abrangente, e assim alcançar mais coesão social.
Toda a mudança envolve um risco. Mas na actual situação do País, os maiores riscos estão associados à regressão estatizante ou à manutenção do actual trajecto de declínio relativo.
...

sábado, 25 de julho de 2009

2452. A "boca" da semana

... e dizia há bocado, numa das estações televisivas do país, um representante de um organismo ligado ao turismo, referindo-se à circunstância de cerca de 25% dos portugueses terem já cancelado as férias anteriormente programadas para o estrangeiro, com receio da gripe A, o que está a causar prejuízos consideráveis ao sector:

- Se não vem depressa uma vacina para os jornalistas, isto vai ser um descalabro...
...

2451. Um voto = 30.000 €

José Saramago, Nobel da Literatura, anunciou esta sexta-feira o apoio à recandidatura do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa (PS), nas eleições autárquicas com data marcada para 11 de Outubro.

«Espero que seja presidente por muitos anos mais. Espero que isso aconteça. Oxalá! Mas é preciso fazer com que isso aconteça. As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer», revelou José Saramago citado pela agência Lusa.

O escritor elogiou ainda o «magnífico trabalho» de António Costa à frente da autarquia.

José Saramago fez as declarações na Câmara de Lisboa durante a assinatura de um protocolo para a produção de um filme sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio, que tem como título provisório de «União Ibérica». A Câmara de Lisboa vai apoiar com 30 000 euros a produção do documentário sobre a relação entre o Nobel da Literatura José Saramago e a mulher, Pilar del Rio.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, Saramago agradeceu ao presidente da autarquia, António Costa, a sua «boa vontade» relativamente ao filme.

Cortesia recebida de J.F.Faria, oir email


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Sabe o que significa tudo o que acaba de ler?

Apenas isto:

o "voto" de Saramago - que nem vota em Lisboa - em António Costa vai custar à Câmara Municipal de Lisboa uns módicos 30.000 €, por um filme cujo conteúdo não interessa a nenhum lisboeta nem sequer a meia dúzia de portugueses.

Assim são geridos os dinheiros da edilidade lisboeta. Assim, como dizem os cartazes de Costa, "Cumprimos. Casa arrumada" (?!?!?!). Quem é que quer mais do mesmo?

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2450. O "coligatório"

À atenção dos lisboetas, principalmente dos que se preparam para depositarem os seus votos em favor de Costa/Roseta ou vice-versa.


Nem a própria Helena Roseta deve ter-se apercebido bem do quanto acertou quando, à sua recente "amigação" com António Costa, para concorrerem à Câmara Municipal de Lisboa, fez questão de não chamar de coligação, mas sim de espécie de "coligatório".

Ou seja, preferiu chamar-lhe uma coisa que não existe.

Ora, nada mais adequado como nome para algo que não existe do que um termo que ele próprio também não existe.

Se existissem - o termo e a conjunção de esforços - seriam algo pouco produtivo, para não dizer mesmo meramente destrutivo. Porquê? Porque tem como única finalidade tentar destruir a possibilidade de Pedro Santana Lopes vencer o prélio por Lisboa. O que é efectivamente muito pouco e realmente destrutivo. Por outro lado, é o "coligatório" do medo do desemprego. Será que Lisboa não merece mais do que objectivo tão pífio, tão pessoal, tão interesseiro?

No entanto, por mais que procuremos, na realidade nada mais contempla, como a seguir se explicita.


Confrontados com a terrível - para eles, evidentemente - possibilidade de Santana Lopes vencer as eleições autárquicas em Lisboa, reeditando assim magnífico êxito anterior, aqueles "novíssimos e mútuos amigos", postos perante a dura realidade de ficarem completamente "desempregados", engoliram os sapos que a cada um couberam e tentam agora dar a entender que uniram o que jamais unido esteve, o que jamais unido poderá estar.

É sabido que o programa que Helena defende para Lisboa está muito mais próximo do que defende Pedro Santana Lopes do que o que Costa segue. Entre os projectos de Roseta e de Costa vão léguas e léguas de interposição. Tantas que mais propriamente deles se poderá dizer que são diametralmente opostos.

Ora, assim sendo, como compatibilizar um e outro, de forma a que o "coligatório" - que é apenas negativo como só não percebe quem, além de "ceguinho", seja destituído de outras faculdades também - se torne positivo para a cidade de Lisboa?

É evidente que não há a mínima possibilidade de aquilo resultar. E não resultará, não apenas pela circunstância de as linhas mestras de ambos os programas serem diametralmente opostas, não. Não resultará também pela incompatibilidade de idiossincrasias entre os cabeças de lista.

São ambos bem conhecidos. E de tal forma que toda a gente está cansada de saber que nem Roseta é mulher para aguentar a mínima contrariedade sem partir a louça toda e cortar cerce relações, "abandonando o lar", como já tantas e tantas vezes fez ao longo destes trinta e tal anos, em que se amancebou e desamancebou com este e com aquele, ao sabor dos mais variados apetites de ocasião, como se sabe igualmente que Costa não é homem que se vergue a qualquer ditame, por mais enfeitado que se apresente. Como é que uma "mancebia" destas pode não terminar em muitos gritos, choros, ódios, ruidoso espalhafato e cenas canalhas, com o custo das favas a ser apresentado aos lisboetas?

À mínima contrariedade - e elas vão começar a aparecer na semana seguinte às eleições, Helena Roseta irá bater estrondosamente com a porta, abandonando Costa à sua sorte. É fatal como o Destino. É o que ela sempre fez; é o que sempre fará. Está-lhe na massa do sangue. É superior à vontade da própria utente. Quanto maior for a instabilidade, mais Helena Roseta se sentirá no seu elemento, viva, enfim.

Estão, pois, lançados todos os dados para um previsível e violento confronto, com declarações sobre declarações de incompatibilidade de feitios e práticas e inevitável completa impossibilidade de coabitação, a ser marcado para de seis meses a um ano após eleitos, no caso de vencedores da disputa eleitoral.

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É acerca desta certeza que os lisboetas devem ponderar até ao momento em que depositem o voto, lá para Outubro.

É que, para além da incompatibilidade de programas, a incompatibilidade de feitios é um mare nostrum de intransponível afastamento. E não é verdade que, neste caso, os contrários se atraiam. Repelem-se. Violentamente. Di-lo a política, pela impossibilidade de fusão de projectos, tal como o diz - e decerto ainda mais assertivamente, tendo em atenção as já faladas idiossincrasias - a impossibilidade de cada um deles em pessoalmente abdicar de algo de seu para encontrar o parceiro a meio caminho. E, sobretudo, di-lo a história de ambos, com especial relevo para a de Helena Roseta, que, no panorama político português não tem quem lhe faça frente em instabilidade psíquico-política.

Os lisboetas estão, pois, obrigados a reflectir bem antes de se sentirem tentados a entregarem-lhes os votos.

Se, mesmo depois de avisados, persistirem na insanidade, faltar-lhes-á qualquer resquício de legitimidade para lamentações futuras.


Os eleitores, todos os eleitores, têm que aprender a assumir-se como cidadãos conscientes e lúcidos que efectivamente devem ser, abandonando a muleta do alijamento do peso de responsabilidades próprias para ombros alheios. Atitude do maior civismo, aliás.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

2449. Sindicato dos Magistrados do MºPº

Por se me afigurar de extrema relavância para a compreensão do que nos bastidores da Justiça se passa, particularmente no que concerne à investigação criminal de certos casos, de que a opinião pública não chega a tomar o conhecimento, deixo abaixo a transcrição de alguns parágrafos bem elucidativos, coinstantes do Editorial de 20 de Julho corrente, publicado no site do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, a que cheguei através de um link do blog "Do Portugal Profundo", de António Balbino Caldeira

Se ler com a necessária atenção, certamente que se apresentarão ante si desvendados em parte alguns dos mistérios para os quais até agora não encontrara explicação plausível.

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Um ano em balanço - perigosamente à beira do abismo

Quase em férias, impõe-se um balanço sobre o último ano na vida judiciária em geral e do Ministério Público em particular.

Infelizmente, esse balanço não pode ser positivo.

Apesar do esforço e dedicação dos magistrados, prestados em ambiente hostil, o aumento da qualidade e celeridade da Justiça não foi o desejável. Foi um ano difícil para todos aqueles que defendem um Ministério Público autónomo, ao serviço da Justiça, dos Cidadãos e de Portugal.

Alguns aspectos merecem destaque.

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Ataque à autonomia dos magistrados do Ministério Público: o caminho para a transformação do Ministério Público num serviço do Procurador-Geral da República

Aquando da “reforma do mapa judiciário”, foram feitas alterações ao Estatuto do Ministério Público (EMP), algumas delas claramente violadoras da autonomia do Ministério Público consagrada na Constituição da República. Aprovadas apenas pelo PS, o seu autor moral – disse-o um membro do Governo em directo na RTPN, disseram-no em audiência aos dirigentes do SMMP membros do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) – foi o Procurador-Geral da República.

Felizmente, na sequência de petição assinada por 1200 magistrados do Ministério Público, todos os partidos no Parlamento – com excepção do PS – pediram já ao Tribunal Constitucional a fiscalização dessas normas.

Num momento em que se impunha alterar o EMP para resolver os problemas e bloqueios existentes, modernizando e reorganizando o Ministério Público, as alterações feitas, para além de inconstitucionais, só os agravaram. O Ministério Público continuará incapaz de fornecer resposta adequada às exigências que a moderna sociedade lhe faz. As carreiras continuarão bloqueadas e os magistrados sem perspectivas de as revitalizar.

Os que hoje subitamente defendem (?) a especialização são os mesmos que no ano passado impediram a aprovação das propostas do SMMP que a consagravam e incentivavam.

Foram essas alterações que criaram no Ministério Público um verdadeiro sistema “feudal”, com condes, duques e marquesas, cada um dono da sua “quintinha”, onde não entram os mais bem preparados, mas apenas quem é convidado; onde não vigora o princípio constitucional do concurso, assente no mérito e na formação, mas sim a confiança pessoal, o “amiguismo”.

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Governamentalização da investigação e informação criminal

No último ano, assistimos a uma perigosíssima governamentalização da investigação e informação criminal. Através de vários diplomas – Lei de Segurança Interna, Lei de Organização da Investigação Criminal e a Lei do Sistema Integrado de Informação Criminal –, o Governo e o PS a atribuíram ao Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna (SG-SSI) e ao Gabinete Coordenador de Segurançaque dependem directamente do Primeiro-Ministro funções de coordenação da investigação criminal e poderes de organização e gestão administrativa, logística e operacional dos serviços, sistemas, meios tecnológicos e outros recursos comuns dos órgãos de polícia criminal, incluindo o Sistema Integrado de Informação Criminal. O Governo chegou até a pretender colocar na dependência do SG-SSI a Interpol e Europol (e se isso tivesse sucedido, pense-se no que poderia acontecer num caso como o do “Freeport”), acabando por consegui-lo relativamente ao Gabinete SIRENE (e, quanto a este, note-se que a esmagadora maioria da informação que por ali passa é exclusivamente de interesse para a investigação criminal). Sendo o Ministério Público quem, nos termos da Constituição e da lei, dirige a acção penal e a investigação, a ele deveria caber a gestão do Sistema Integrado de Informação Criminal. Nunca a um órgão do Governo.

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