Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sexta-feira, 27 de abril de 2007

1032. Efeméride tabagística

Completaram-se, hoje, 9 anos que tomei a resolução que considero das mais racionais e acertadas de toda a minha vida.

É certo que a tomei depois de ter apanhado tremendíssimo susto com meu pai, mas a verdade é que - finalmente!!! - a tomei.

27 de Abril de 1999 foi o primeiro dia que, de há muitos anos até então, passei sem fumar um único cigarro. Foi também o primeiro de uma série que pretendo longa e imutável.

Foi difícil nos primeiros tempos. Muito difícil. E só o consegui à custa de uma quase intoxicação com nicorettes, pois que cheguei a ultrapassar, e muito, a dose diária recomendada. E sem acompanhamento médico, que foi uma autêntica burrice.

Mas valeu a pena.

Diz-me quem sabe que, por esta altura, estarei em vias de ficar completamente limpo. Acredito que sim, quero acreditar que sim.

Há 9 anos que, pois, sou um homem livre!

O que sentia antes daquele dia e o que senti e sinto após aquele dia diz-me que, se o não tivesse feito, provavelmente hoje estaria a blogar, sim, mas noutro lado qualquer que não este. Isto, se Deus ou o parceiro lá de baixo permitissem a blogaria...

Fui escravo por anos a fio, anos demais. Mas venci a luta.

Oxalá outros, muitos, todos os que assim o desejem, consigam também.

São os meus mais sinceros votos e fico torcendo com todas as minhas forças por que o consigam. Porque gostava de ver, daqui por uns tempos, muitos outros amigos e companheiros, bloguistas ou não, festejarem também uma tão excelente e lúcida efeméride.

...

15 comentários:

Menina_marota disse...

Pois dou-te os meus PARABÉNS meu querido Amigo! Grande vontade e coragem, foram precisas para isso!
Nunca fumei e espero nunca o fazer, mas cá em casa tenho um fumador veterano, que me põe os cabelos em pé! E não só a mim; ao Hugo, o meu papagaio, que de vez em quando tem catarro e já me disseram que era por causa do tabaco, das minhas flores, dos meus vasos, dos meus agapornes, etc... etc... tudo aquilo que o fumo do tabaco faz mal... sem falar, claro, nos meus cortinados branquinhos, que ao fim de uma semana, estão cinzentos!

Estão a ver fumadores, o que fazem a uma casa de família?!

Por isso, por toda a tua coragem um GRANDE ABRAÇO!
;)))

Ruvasa disse...

Viva, Menina!

Mas olha que foram 43 anos de fumaças e sem brincadeira.

Abraço igual e tem lá paciência, porque é muito difícil acabar com hábito tão forte, tão arreigado, tão dependente, tão... tão...

Ruben

fm disse...

Ora os meus parabéns! Também eu deixei de fumar há quase um ano... ainda sou maçarico, mas lá me aguento como posso. É que foram 35 anos pendurado no cigarrito. Uma droga, verdade.
Espero bem não voltar a pegar num cigarro. Mas agora só se for mesmo burrinho de todo e, não me tenho em tal conta.
Pois mais uma vez os meus sinceros parabéns!!
Abraço

Ruvasa disse...

Viva, FM!

Pois muito me satisfaz saber que também conseguiu.

Quanto ao ser maçarico, não é bem assim, até porque já ultrapassou a fase aguda.

Daqui para a frente, nada custa.

Uma das velas que deixei no post é, pois, sua.

Abraço

Ruben

Imagens disse...

Que lindas estas velas! Emanam luz! Por pequenas que sejam, suas chamas, aquecem a visão...acalantam o coração!
Que bom saber...que tu, caro Ruben, evoluíste...deixaste para trás a vida queimada, a vida deixada em cinzas...para realmente viver! Lembrei-me de Phênix!
Parabéns!
Beijos!!!

Imagens disse...

Bem, sei que não é aqui que deveria comentar, mas não posso deixar de dizer-te que adoro a fala dos portugueses! Tem uma suavidade na pronúncia das palavras, uma determinada musicalidade! Amei assistir ao canto de Magdi Ruzsa
"O fado de ser fadista"!
Conheço Amália Rodrigues e sua música Uma Casa Portuguesa. Divina! Maravilhosa!
Outro grupo que amo de paixão Madredeus! Conheces? Adoro este estilo de música!
Peço desculpas...mas tinha que te falar!
Beijos!!!

macvalle disse...

Pois é tio, os meus parabens pela força de vontade e mostra de inteligencia. Nunca fumei e depois de ver o que aconteceu ao teu pai, meu avô, jurei que nunca o faria. Olha que foi muito difícil não o fazer por força da sociedade onde vivemos. No vosso tempo havia desculpa a informação sobre os malefícios do tabaco não existiam. Mas agora.... como sempre vamos em sentido contrário aos países civilizados. Eles acabam com o tabaco...aqui os nossos mais jovens começam a fumar cada vez mais cedo. Culpa do estado, porque quer continuar a ganhar a sua fatia. Muito bem, é facil de resolver o problema..., cada maço a 20euros e obrigatoriedade de fumar em cubiculos só para fumadores.Tabaco e droga só começa quem é muito estúpido, dificuldades na vida não são desculpa, até porque ambos agudizam essas dificuldades. SOU A FAVOR DA PROIBIÇÃO TOTAL (PARA QUE A MINHA FILHOTA NÃO SEJA OBRIGADA A LEVAR COM O FUMO DOS OUTROS)

Ruvasa disse...

Viva, sobrinho!

Tens razão, muito embora eu não consiga ser tão... radical.

E não o sou, precisamente porque, como tive o maldito do vício, sei o que é ser "escravo" dele. Inúmeras vezes tentei acabar e não consegui.

Para ser franco, estou convicto de que - não fora o facto de ter apanhado um susto diabólico com o avô, não somente quando da constatação da doença, como, principalmente, durante os dois anos a acompanhá-lo ao Pulido Valente e ao IPO, onde assistia a autênticos horrores, que me deixavam gelado de pavor - e provavelmente não teria conseguido ainda daquela vez. Mesmo assim, foi difícil.

É por isso que não radicalizo a luta contra o tabagismo, mas, sempre que posso, dou uma palavrinha a favor de que mais um "viciado" faça um esforço voluntário no sentido de se libertar. Mas, acentuo, com orientação médica. Eu fi-lo sem ela e a coisa podia ter dado para o torto...

Abraço

Ruben

Ruvasa disse...

Viva, Leila!

Aqui ou em qualquer lado é sempre o local adequado a comentário teu - ou de qualquer outra pessoa. O que verdadeiramente interessa é o convívio, a troca de impressões.

A propósito de troca, não vamos meter-nos por troca de cumprimentos, não é? E por que é que digo isto? Porque entendo que estás a ser amável - apenas amável? - dizendo o que dizes que adoras a nossa fala pela sua musicalidade.

Minha querida Leila, discordo um pouco de ti. Para não dizer muito.

Se me disseres que temos - os falantes da língua portuguesa - uma língua extraordinariamente rica e que proporciona - quando falada - efeitos sonoros espectaculares, aí concordo em absoluto. Eu amo a língua portuguesa e entendo-a como das mais belas, se não a mais bela do mundo (depois da italiana). Mas principalmente se falada por vós, brasileiros. Aí, sim, a nossa língua comum adquire uma musicalidade, uma sonoridade de verdadeiro hino à arte de expressar sentimentos.

Muito se nota na fala corrente, mas nas cantigas, minha Amiga, é uma coisa absolutamente inigualável. Vocês são a expressão mais acabada do "linguajar" português.

Claro que concordo contigo quanto a um aspecto: somos, nós portugueses, mais suaves na pronúncia, falada por nós a língua torna-se, digamos, mais de salão.

Mas enfermamos de um pecado original de que não conseguimos penitenciarmo-nos: a circunstância de "comermos" sílabas e, principalmente, o fim das palavras. Por isso, o nosso discurso, por vezes se torna difícil de apreender.

Bem pronunciado, o português dos portugueses é, na verdade, um encanto. O mal é que raramente é bem pronunciado.

Já o português dos brasileiros, que me atrevo a rotular de português um tanto "abastardado" (sem ofensa, claro!) tem uma sonoridade muito mais acentuada, é de discurso muito mais captável, é mais agradável ao ouvido.

Daí que os não falantes da nossa língua apreendam muito mais facilmente o vosso sotaque do que o nosso.

Mas a língua portuguesa é, como disse Pessoa, a nossa pátria comum. E eu amo-a e tenho um imenso orgulho em que seja falada em todas as partes do mundo, como tenho constatado nas minhas viagens por esse mundo fora, sempre com uma pontinha de orgulho.

Sim, por esse mundo, é a nossa língua e bandeiras brasileiras por tudo quanto é sítio. Muito embora os espanhóis, que, de país de terceira ordem há poucos anos atrás, já ascendeu à categoria de 8ª potência económica mundial, à custa de muito trabalho e cabecinha no lugar, andem, também turisticamente falando, inundando o planeta.

Bem, já escrevi demais. Mas deu-me prazer este pequeno bate-papo.

Estás a ver que fizeste bem em trazer o teu comentário para onde não "devias"?!

Uma última palavra:

A bela húngara Magdi Ruzsa e o seu fado de ser fadista descobri-os ontem. Foi irresistível. Tive que "postá-la" no blog. A sonoridade que oferece à língua e a maviosidade da música, naquela voz de encanto, deixaram-me incapaz de o não fazer.

Beijos transatlânticos e muito fraternos.

Ruben

Ruvasa disse...

Viva, Leila!

É! Boa imagem essa, ó imagens. Fénix!

Sim, posso considerar-me uma Phoenix renascida das cinzas. E se eu vivia sepultado em cinzas!...

;-)

Beijos renovados

Ruben

Imagens disse...

Realmente, o orgulho é procedente! Quanto ao elogio, é verdadeiro o que sinto! Tens toda a razão em tudo o que disseste! Eu não tinha me dado conta de que não pronunciam as últimas letras, mas já havia sentido dificuldade em entendê-los nos finais das palavras!
Ando ouvindo, me viciei, no audioblog de Luís Gaspar, http://www.estudioraposa.com/
Uma voz muito linda!
Cheia de encantos as vossas falas! Cheia de musicalidade, suavidade, sonoridade, aveludada...
Bem, estou confundindo os sentidos...Hehehehehe!
Obrigada por me permitir e me encorajar a escrever no teu blog! Gostei muito de ler tuas palavras! A língua que acho mais bonita é o francês! Sua sonoridade se confunde ou nos remete à sensualidade! Bem, penso que o gostar ou não é muito particular! Gosto também do falar dos italianos, está no meu sangue, não puro, mas já misturado com o português, africano, indígena! Visto que sou uma brasileira!
Quanto ao termo que usaste "abastardado", me vem um questionamento, parece-me estar implícita, nesta palavra, um sentimento de que sois os donos verdadeiros da língua portuguesa, e que somos, os brasileiros, os filhos indesejados de suas conquistas!? E por falarmos diferentes somos considerados bastardos, filhos não queridos!!!???
Reflita! Se explique! Quero saber o que pensas!

Querido, tenho medo de que pensas que eu estou brava! Não! Gosto de argumentar!
Tenho medo das palavras, pois podem ter significados aí diferentes dos quais estou utilizando! Bem sabeis que isto pode acontecer! Portanto, ficas incubido de me avisar!!!
Beijos!!!
Leila Bosquerolli

Imagens disse...

Realmente, o orgulho é procedente! Quanto ao elogio, é verdadeiro o que sinto! Tens toda a razão em tudo o que disseste! Eu não tinha me dado conta de que não pronunciam as últimas letras, mas já havia sentido dificuldade em entendê-los nos finais das palavras!
Ando ouvindo, me viciei, no audioblog de Luís Gaspar, http://www.estudioraposa.com/
Uma voz muito linda!
Cheia de encantos as vossas falas! Cheia de musicalidade, suavidade, sonoridade, aveludada...
Bem, estou confundindo os sentidos...Hehehehehe!
Obrigada por me permitir e me encorajar a escrever no teu blog! Gostei muito de ler tuas palavras! A língua que acho mais bonita é o francês! Sua sonoridade se confunde ou nos remete à sensualidade! Bem, penso que o gostar ou não é muito particular! Gosto também do falar dos italianos, está no meu sangue, não puro, mas já misturado com o português, africano, indígena! Visto que sou uma brasileira!
Quanto ao termo que usaste "abastardado", me vem um questionamento, parece-me estar implícita, nesta palavra, um sentimento de que sois os donos verdadeiros da língua portuguesa, e que somos, os brasileiros, os filhos indesejados de suas conquistas!? E por falarmos diferentes somos considerados bastardos, filhos não queridos!!!???
Reflita! Se explique! Quero saber o que pensas!

Querido, tenho medo de que pensas que eu estou brava! Não! Gosto de argumentar!
Tenho medo das palavras, pois podem ter significados aí diferentes dos quais estou utilizando! Bem sabeis que isto pode acontecer! Portanto, ficas incubido de me avisar!!!
Beijos!!!
Leila Bosquerolli

Ruvasa disse...

Viva, Leila!

Pois que imaginaste tu? Que eu estava a insultar-te ou aos brasileiros? E mais aos restantes países de língua oficial portuguesa?

E fazia algum sentido, depois dos elogios que deixara?

"Abastardado" não tem esse sentido, minha cara amiga. Abastardado porque não genuíno, não o "puro", tal qual nasceu e se vai mantendo por cá. É nesse sentido que digo que o vosso português é "abastardado" (sem ofensa, claro!), tal como o é o dos moçambicanos, o dos angolanos, o dos cabo-verdianos, o dos guineenses, o dos timorenses.

Exactíssimamente como o inglês dos americanos e o dos australianos e o dos canadianos e o de tantos outros de língua oficial inglesa são "abastardados" do inglês dos ingleses.

Queres um exemplo, talvez o não mais prático e mais elucidativo, mas que certamente vai servir para perceberes.

Em português original, nascido em Portugal e aqui mantido, "puro", digamos assim, diz-se

"Continua a andar..."

No entanto, vocês, brasileiros, dizem

"continua andando..."

que corresponde em inglês, de que sofreram influência, através dos americanos, julgo, a

"keep walking...

ou

"keep going..."

Estás a ver a diferença, no uso, por nós, do Infinitivo e em vós do Gerúndio?

E tantos outros exemplos se podem arranjar.

Não estou, com isto, a dizer que a nossa fórmula é melhor do que a vossa. Estou é a dizer que são diferentes e que a nossa é a "inicial", de onde a vossa partiu, derivou, "abastardou", na medida em que perdeu a fidelidade integral à língua original.

Deixa estar, Leila amiga. O vosso linguajar é lindo e recomenda-se. Ninguém, muito menos eu, o quer menosprezar.

Tá certo? "Numa boa". ;-)

Beijos... e continua a fotografar como tu bem sabes e eu gosto. E a visitar-me, que também isso me dá prazer. Tal como polemizar!...

Ruben

Imagens disse...

Não vi como um insulto, garanto-te! Claro, querido, com tantas palavras bonitas que dispensaste aos brasileiros... Nunca tive dúvida sobre isto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas, discuto o significado desta palavra. Origina-se de bastardo?
Puxa!
Beijos!!!

Ruvasa disse...

Viva, Leila!

Sim, tem origem em "bastardo", mas é usado também e sentido figurado, que foi o que eu usei. E, aí, entende-o como "adulterado", ou seja, "alterado".

Beijos

Ruben