Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

2876. Os gregos estão a começar a perceber...

Finalmente, quase dois anos depois, o bom senso, ou tão somente o senso comum, está a regressar às ruas e consciências gregas.

A agitação social, as greves sucessivas e desenfreadas, os tumultos diários, os saques infindáveis, a destruição imparável, o caos arrasador, a completa insanidade estão, por força das circunstâncias – que sempre tiveram muita força – a aproximar-se do necessário termo, para que possa haver lugar à indispensável reconstrução.

É, porém, caso para perguntar: será que os gregos ainda se vão a tempo?

Tenho por mim que sim, embora com bem maiores dificuldades e com uma crise de duração infinitivamente superior à que seria se se tivessem consciencializado da necessidade de actuar com calma, serenidade e trabalho conjunto, prescindindo de direitos e regalias não conformes com as possibilidades do país há ano e meio atrás,

Mesmo que não a tempo de recuperarem por inteiro o seu lugar na Europa comum, pelo menos teriam o ganho de terem aprendido, com a lição recebida, a não correrem atrás de miragens de vida fácil e despreocupada, sem trabalho e sem canseiras.

Sim, os gregos demoraram dois anos, mas estão a começar a perceber com quantos paus se faz uma canoa!

A demora parece não abonar muito a capacidade de apreensão grega, mas antes tarde do que nunca!

2876. Lápide

2875. Filme de terror

Portugal parece um filme de terror.

Não há um dia sequer em que a gente acorde, ligue o televisor e a notícia a correr não seja a de que mais um buraco ou uma vigarice ou uma carência de estarrecer tenha sido descoberta e posta a nu.

É na Saúde, é na Educação, é na Justiça, é na Economia, é no…

O meu pequeno-almoço, que felizmente é apenas uma torrada e uma “meia de leite” (em casa, claro, que não sou dessas mordomias, embora pudesse) é diariamente estragado com tais assombrações. E felizmente que é só aquilo, pois que se fosse mais substancial, corria o sério risco de ser rejeitado de imediato pelo estômago. E nem sou dos de mais fracos interiores…

Apre! Não há “backside” (para ser moderado) que aguente!

“Isto” estava mesmo a saque.

E, pelo que se vai ouvindo e lendo, há imensa gente com tempo de antena, que bem gostaria de que assim continuasse. A ideia prevalecente é a de que:

- Está tudo uma lástima! Isto precisa de levar uma grande volta, precisa de que alguém lhe deite a mão e endireite a coisa. Mas… atenção aos bólides! Que cá na minha baiúca ninguém se atreva a mexer. Vou aos arames e faço um escarcéu dos diabos!

Além de ninguém ter culpa de nada, de ser sempre o imaterial “eles” – essa cáfila – os causadores dos mal geral, os sacrifícios têm de ser justamente repartidos por todos “eles”, continuando estes “eles” a ser outros que não aqueles mas também não “eu” ou ”nós”, como se “eu” e “nós” tivéssemos estado estes anos todos emigrados e tivéssemos vindo apenas agora até cá, para ver a bola e os primos, após o que regressaremos à condição de “emigra”.


Como perguntava o outro:

- Que mais “irá-nos acontêcê"?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

2874. Afinal, havia alternativa!

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O tráfego na A22 diminuiu 49% (atenção, leu bem, 49%), relativamente ao que era antes da introdução das portagens.

Significa isto evidências que ficam à vista de quem não se deixa ir em ondas de demagogia:

1. Afinal, sempre havia alternativa. A En125 está a servir para isso.

2. Os condutores não tinham tanta pressa assim de se deslocar. Se tivessem continuariam a utilizar a A22;

3. Nem sequer estão interessados na maior segurança com que circulam em auto-estrada. Na EN125, tanto peões como automobilistas correm indubitavelmente mais riscos;

4. Nem sequer igualmente reclamavam verdadeiramente por causa do custo das portagens. Os trajectos pela EN125 acabam por ficar tão caros – ou mesmo mais – do que pela A22. Se fizerem as contas ao gasto de combustível, de pneus, pastilhas e óleo de travões, suspensões, etc., com o pára-arranca, e mais ao tempo gasto nos trajectos e aos riscos físicos envolvidos, talvez constatem que mais valerá continuarem a circular pela A22.

5. E se tiverem atenção ao muito maior desgaste físico e emocional que sofrem na En125, de imediato encontrarão razões para voltarem de imediato à A22.

O problema é que ninguém se mete a fazer contas, atitude normal. Na infrene demagogia que grassa pelo País, perdeu-se a noção das coisas e a razão é coisa que não importa. Atende-se ao que parece, não ao que efectivamente é. E vai-se atrás do primeiro cretino que, por razões meramente políticas – não económicas – arrasta multidões para aventuras desastrosas e sem causa.

Há, contudo, algo que apontar à introdução de portagens em várias auto-estradas do País: o preço, demasiado alto.

Na verdade, é absurdamente elevado o preço a pagar. E não se justifica tais tarifas, que deviam ser baixadas para preços adequados á situação, aos rendimentos da maioria dos utentes e ao próprio País. Preços ajustados ao país que somos, não ao país que alguns julgam que somos.

No caso particular da A22, entendo que deveria ter sido substancialmente melhorado o piso, já que aquilo não é asfalto de auto-estrada que se preze.

sábado, 28 de janeiro de 2012

2869. Os fantásticos livros voadores

Os fantásticos livros voadores de Mr. Morris

- Vídeo de colecção -

(link obtido através de Marco Valle Santos)

2868. Profes...

Click na imagem, para ver, ouvir e estarrecer!!!


Pois é...

Estas são perguntas de algibeira. Qualquer borra-botas as devia saber. Todas elas...

Estes são os professores dos nossos filhos e netos.
(não sei se reparou que há por ali caras muito conhecidas...)
E reivindicam... e reivindicam.... e reivindicam... direitos, direitos e mais direitos.
E os deveres?

Mas não se ponha a gozar, porque lá em casa os papás ainda são piores.

Coitados dos putos! Como é que podem aprender alguma coisa de jeito?
E como é que poderão ser cidadãos verdadeiramente úteis ao País?

Desde o berço - e depois na escola - que não lhes é dada a menor hipótese!..

http://sorisomail.com/partilha/218598.html

(recolhido através de um post de Abel Lameiras)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

2867. Números que elucidam...

Números…

Percentagem do orçamento familiar mensal gasto a “comer fora”:

PORTUGAL – 9,5%
UE – 4%

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

2866. Petições e petições...

Está a ser muito propagandeada uma petição que por aí corre a pedir a demissão do Presidente da República, por ter dito algo que só o coloca mal a ele.

Então e que me dizem a esta, que não resulta de meras bocas?

http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N9288

2865. Dois temas incómodos: PGR e auditoria

D e um modo geral, estou de acordo com a forma de actuação do actual governo. É certo que discordo pontualmente de um ou outro aspecto mas, na generalidade, entendo que a actuação é mesmo a que teria de ser.

Designadamente com a quase nula informação acerca do que está a ser feito. Não gostaria de ver reinstalada a propaganda, estilo “Secretariado Nacional de Informação, vulgo SNI”, do tempo da “outra senhora” e que esteve em edição revista, aperfeiçoada e aumentada de 2005 a 2011, mas gostaria de ver que o governo se decidia a informar os cidadãos do que está a e se propõe fazer a curto e médio prazo. Isto porque já muitas medidas de fundo foram tomadas. Medidas que vão alterar profundamente o modo de estar e actuar de organismos e instituições. E, no entanto, ninguém sabe que foram tomadas e estão a ser executadas.

E a prova de que essa falta de informação – que não de propaganda cavilosa – é uma realidade, está na constatação de que diariamente se lêem na Net, se ouvem nos cafés, referências – feitas por quem apenas pretende justificar o injustificável que veio do antecedente e manter o status quo que nos trouxe a esta triste e vil miséria em que estamos – a situações que já foram alteradas. Porque essas alterações foram acontecendo mas delas ninguém informou positivamente ninguém.

* * *

Há, todavia, dois temas a que considero absolutamente essencial que o governo deite mão e, até hoje, nada consta ter sido feito e, pelo andar da carruagem, nada será mesmo feito.

Um deles poderá ser considerado de menor interesse, mas não penso assim, porque entendo que, sem ele resolvido, nada na justiça criminal mudará substancialmente. Trata-se da substituição do actual Procurador-Geral da República.

Na verdade, mesmo que se tratasse de pessoa cuja actuação merecesse amplo consenso, a sua manutenção seria muito discutível pelas evidentes ligações que sempre teve a um status quo que estamos a pretender dar termo urgentemente.

Acontece, porém, que o consenso mais generalizado que existe acerca da pessoa que ocupa o cargo e a sua actuação no exercício mesmo, é o de que, pelas provas de que tem dado, nada mudará de substancial enquanto se mantiver em funções. Trata-se de um estilo de actuação que seriamente conflitua com valores que se pretende ver salvaguardados na sociedade portuguesa.

Assim, não se percebem os motivações que levam a que, da parte do governo, que deve propor, e do Presidente da República, a quem cabe a nomeação e a destituição, se mantenham inactivos, sem sequer reagirem às provocações que Fernando Pinto Monteiro já pública e sem peias lhes dirigiu. Também este assunto deveria ter sido explicado, por quem de direito ou mesmo por interposto porta-voz, ainda que não oficial. Porque nós só pretendemos entender…

O outro tema é ainda mais incompreensível. Trata-se da não concretização da auditoria às contas públicas.

Torna-se de muito difícil aceitação – ainda que imbuídos de quilotoneladas de boa vontade – a passividade demonstrada pelo governo neste capítulo.

Para além da constatação, que a todo o momento pode acontecer, de que “quem o inimigo poupa às mãos lhe morre”, uma questão de dignidade nacional deveria ter imposto a realização dessa auditoria como primeiro passo desta nova governação.

Não só para que todos os Portugueses saibam da real dimensão da tragédia, como para que igualmente todos os Portugueses se capacitem da necessidade de tudo fazer para evitar que volte a acontecer.

A constante descoberta de “buracos”, dívidas e fraudes, a prolongarem-se ad infinitum só vem dar razão a quem se mostra desagradado com tal inacção.

Acresce que, como as coisas estão, por falta da atitude necessária, há rios de gente incapaz de compreender – muito menos de aceitar – a necessidade de mudar de vida. E nem sequer o conhecimento semanal das fraudes se mostra suficiente para que os cidadãos em geral se apercebam da crua realidade.

Na verdade, como se pode pretender que as pessoas adiram a uma nova postura político-social e institucional se duas das medidas essenciais a uma mudança imposta pela dignidade nacional nunca foram postas em prática?

Também sobre este tema, situado no cerne de toda a situação deplorável em que vamos vivendo, mister é que o governo se pronuncie e tudo faça para que o Presidente da República o faça também, como lhe compete, ao mesmo tempo que se deixa de saídas de mau gosto acerca de proventos insuficientes e outras gracinhas que tais.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

2864. A descomunal fraude

F oi hoje dada a conhecer ao cidadão comum mais uma faceta deste belo rincão à beira-mar plantado.

Mais uma dúvida monstruosa, mais uma fraude gigantesca.

Desde Junho do ano passado até ao presente, portanto há sete meses, que andamos nisto. Não há semana alguma – uma que seja! – em que, vinda das profundezas das pantanosas águas em que nos movíamos, não venha à tona mais uma verdadeira dejecção de indignidade e ignomínia.

São dívidas e fraudes na Educação, são fraudes e dívidas na Justiça, são dívidas e fraudes na Saúde, são fraudes e dívidas na Banca, são dívidas e fraudes no Comércio, são fraudes e dívidas na Indústria, são… o diabo a sete de dívidas e fraudes por tudo quanto é sítio.

E são dívidas e fraudes de entidades públicas e fraudes e dívidas de entidades privadas. Não parece haver entidade ou actividade pública ou privada em Portugal que não se descubra estar minada de dívidas e fraudes.

E são dívidas e fraudes praticadas por pessoas colectivas e individuais, pessoas com responsabilidades ao nível do Estado e gente com responsabilidades a nível privado.

Tem sido um desfile de verdadeiros criminosos a nível, repito, oficial e particular, grupal ou individual.

Portugal é um susto! Mais do que um susto, Portugal é um horror!

E, por muito que haja sempre quem se queira pôr fora destes comportamentos do foro criminal, o que é certo é que, pelo caminho que as coisas levam, ninguém vai escapar ou, quem, porventura, acabe por escapar, imediatamente será erigido à condição de autêntica aberração.

A questão que se põe só pode ser uma: como foi possível chegar-se a uma tal situação?

E como é possível que, assistindo a todo este cortejo de infâmias, haja ainda gente inescrupulosa a atrever-se a exigências que não se contenham na de que tudo seja esclarecido, responsabilizando-se quem responsabilizado deve ser e congregando-se esforços no sentido de o mais rapidamente possível sairmos desta indignidade?

Portugal, a imensa fraude!

Que mais nos estará ainda reservado no fundo do cálice cujo fétido conteúdo vamos ter de sorver, queiramos ou não?

Adenda:
E nem sequer falei nas autarquias. Quantas câmaras estão falidas, quantas?

2863. Aldeia Global Portuguesa (15) – Magalhães, Gama, Cabral e Colombo


Aldeia Global Portuguesa (15) –
Magalhães, Gama, Cabral e Colombo


I mediatamente após Henrique, o Navegador, a cuja visão estratégica de eleição ficámos a dever a nossa projecção no mundo dos sécs XV e XVI, estes são os homens que nos deixaram – e a toda a Humanidade – um legado inigualável: o conceito e sua tradução palpável de aldeia global que desembocou, cinco séculos após, no de “globalização”, hoje em dia tão esgrimido como se de proeza só possível devido aos grandes avanços tecnológicos do séc. XX se tratasse.

De facto e por ordem de grandeza de realização, de espírito de intrepidez e missão sem igual, com repercussões em todo o planeta e para todo o sempre, Fernão de Magalhães, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Cristóvão Colombo podem, sem exagero, ser considerados os nomes maiores da epopeia marítimo-planetária do povo afirmativo que fomos e que não podemos deixar que tenha perecido.

Cada qual com as suas motivações pessoais, mas um desígnio nacional comum, com a sua idiossincrasia individual, mas imbuído do espírito de
procura de maior conhecimento e reconhecimento do seus país, contribuíram de forma decisiva, impossível de igualar, para que o nome de Portugal e a força e tenacidade dos Portugueses ficassem para sempre ligados a uma proeza humana só igualada pela conquista do espaço sideral e, mesmo assim, esta talvez menos arriscada e certamente menos imprevisível, em busca e derrota do Desconhecido, do que a de quinhentos.

A proeza de Fernão de Magalhães, nascido na transmontana Sabrosa, é mesmo única e jamais sequer replicada. A viagem de circum-navegação, exploratória do globo terrestre é uma epopeia ainda hoje sem par. Arrostou com o desconhecido mais desconhecido, vencendo-o, apenas se deixando derrotar, já com todo o perímetro do globo explorado, em batalha inglória e escusada.

Vasco da Gama, de Sines, o herói ocasional, venturoso como o rei que serviu, já que terá substituído o irmão mais velho, Paulo da Gama, no comando da armada saída de Belém a caminho de Calecute, trouxe, com a sua odisseia, uma prosperidade jamais sonhada a Lisboa que a fez tornar-se o burgo mais importante da Europa, apenas rivalizado por Sevilha e, por extensão, a toda a Europa.

Pedro Álvares Cabral, natural de Belmonte, chegou às que baptizou como Terras de Vera Cruz, que iriam trazer ao País riquezas que só não foram infindas porque mal geridas, desaproveitadas e muito malbaratadas, e ao mundo um novo país que está fadado para dar muitas cartas ao mundo.

Finalmente, Cristóvão Colombo, considerado natural de Génova, Polónia, Galiza e sabe-se lá de que mais, é provável e prosaicamente natural de Cuba, no Baixo Alentejo. Independentemente, porém, do local de nascimento, o que é certo é que a sua formação como marinheiro e explorador de continentes é feita em Portugal e apenas ocasionalmente se pôs ao serviço dos Reis Católicos, por não ter conseguido em Portugal recolher o apoio de que necessitava para a empresa a que pretendia meter ombros: chegar a continente americano, por alturas da Ilha de Hispaniola (Cuba, em muito possível e natural homenagem á terra que o terá visto nascer, como era hábito à data), quando procurava forma de chegar às especiarias da Índia navegando para Ocidente.
Admite-se, porém, que o mais provável é que é que Cristóvão Colombo fosse Salvador Gonçalves Zarco, filho de João Gonçalves Zarco, navegador português que, com Tristão Vaz Teixeira, foi o primeiro a chegar ao arquipélago da Madeira.


Estes, pois, os quatro grandes heróis da epopeia marítima portuguesa de quinhentos. Outros houve, de valia muito semelhante, mas realizações destes sobrepuseram-se às de todos os demais.

São eles, com a figura de Henrique, o Navegador, seu mentor e patrocinador, os mais representativos nomes do início da actual tão celebrada globalização, então apenas e somente Aldeia Global Portuguesa, inspiradora da aldeia global planetária.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

2862. Afinal, de quem é a culpa?

Qu’é lá isso?

Nada de atirar a culpa de tudo para cima do corneteiro de Afonso Henriques…

Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade, no fim de uma das renhidas batalhas, Afonso Henriques estipulou que as suas tropas, desde o mais alto general até ao praça mais raso, poderiam legitimamente saquear tudo o que encontrassem, desde o toque do seu corneteiro para “saque” até ao toque de “fim de saque”.

Porém… (há sempre um “porém” ou um “mas” ou um “todavia” ou um “contudo” nesta terra…) fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, logo após o toque de “saque”.

Pois bem, até hoje, ninguém o substituiu, pelo que o toque de “fim de saque” não soou e, pelos vistos, dificilmente soará.

Alto! Afinal, a culpa sempre é mesmo do raio do corneteiro!... Não podia ter morrido um bocadito mais tarde?

Já agora:

Não haverá por aí alguém que saiba o malfadado toque?

2861. Marieta & Julieu - O luso chico-espertismo

Click na imagem, para ver a solução

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

2860. Stop being lifetaker...

Há já bastante tempo que pura e simplesmente não vejo telejornais nem sequer os da hora do almoço.

Vejo as notícias da manhã, durante o pequeno-almoço, apanho uma indigestão de lugares comuns e muitas notícias não apenas divulgadas mas também “fabricadas”, em que as tvs do burgo são especializadas e decido que “por hoje chega, porra!” (peço desculpa pela liberdade de linguagem, mas não encontro forma mais assertiva de expressar o que sinto).

Portanto, antes do jantar, se não estou com outra ocupação ou aqui a “amandar bocas” (algumas para agitar meninges – as minhas e as alheias) dedico-me a ver alguns documentários pescados aqui ou ali ou a ler. Após o jantar, vemos algumas séries e um ou outro filme, oaristamos um pouco (sim, ao fim de 41 anos ainda o fazemos…), até que chega a hora de descansar o corpo dos solavancos e malhação quotidianos e… até amanhã, que já é tarde e chega!

Hoje, porém, minha mulher apareceu-me de supetão, toda alvoroçada, dizendo:

- Liga para a TVI, que vais ficar animado. Parece que alguém no País pensa como tu. Gente nova, ainda por cima. Não há dúvida de que a idade não é registada no BI…

Liguei. E o que vi deixou-me “maravilhado”!

No final do “Jornal das 8” foi apresentado o “Repórter TVI”. E, imagine do que se lembraram eles de reportar!

Pois bem. Apresentaram uma série de gente dinâmica que, em vez de se “luso-coitadar”, arregaçou mangas e pôs-se a trabalhar – “trabalhar muuuuito”, como eles disseram – e, surpresa das surpresas, singraram na vida e na vida estão a singrar.

Uma reportagem a rever, sem dúvida. Também porque, além desses, mostrou mais uns quantos que, ouvidos sobre a possibilidade de um dia fazerem o mesmo, logo atalhavam que, “Nem pensar! Quero lá ter chatices!” Eu quero é ser empregado por contra de outrem que é melhor, dá menos trabalho”.

E eu embasbacado com tudo aquilo e a mulher a dizer-me:

- Ouve cá, por que estás com essa cara? Afinal não é o que tu sempre tens dito? Que o problema está em que a maioria não quer fazer nada, apenas ter um emprego? Não andas há não sei quantos anos a “pregar no deserto”, como dizes? Ora, pois aí tens. É isso. Há mais gente a pensar como tu. Alegra-te, homem, porque pelo menos tens na tua equipa os que querem ajudar a levantar o País!...

Pois sim, ela falava bem, mas eu estava já em vias de pensar que, salvo raríssimas excepções, todos queriam a papa feita e os direitos assegurados, sem que os deveres tivessem algo que ver consigo.

Abreviando, até porque não são precisas grandes congeminações para se chegar ao âmago da questão, tudo o que vimos na reportagem pode ser resumido nas palavras de um interveniente. Vai em inglês, porque essa língua tem uma capacidade de síntese que outras não têm, mas eu depois dou, para quem julgue necessitar, o significado corrente, em tradução expedita:

- Stop being lifetaker; start being lifemaker! (Deixe de ser tomador/recebedor de vida; comece a ser fazedor de vida)

Ao que, se me é permitido, acrescentarei de minha lavra:

- Otherwise, beware of the undertaker! (caso contrário, atenção ao coveiro)

Got it? (Captou?)




2859. "Sei o que assinaste em Maio passado", pá!...

Pois.

O problema é o queijo que é tão saboroso que há gente que não resiste a empaturrar-se dele. E também não hesita em usar de má fé em público.

Este vídeo é verdadeiro Serviço Público do 31 da Armada.

Aparecerá agora algum deles a alegar ignorância? Que, aliás, não aproveita a ninguém...

Click na imagem, para recordar e conferir a má fé

2858. Retrato do País quando jovem cão…

Retrato do País quando jovem cão…

Num dos inquéritos que por aí estão sempre a correr em jornais e outras publicações, faz-se a seguinte pergunta:

- Concorda que os dias de "ponte" sejam descontados nas férias?

Imagine que há 55% de respondentes afirmando que sim.

Os restantes 45% acham que não.

É possível a alguém ir à caça assim?

domingo, 22 de janeiro de 2012

2857. Hábitos de infância

Fenómeno bem conhecido é o de as recordações e hábitos infantis persistirem pela vida fora.

À mínima chamada à realidade pelo prato atirado ao chão e estilhaçado, lá vem recorrentemente a justificação menineira:

- Ê cá nã fui, nha mãe! Foram "eles"...



2856. A verdade é minoritária

Click, para ampliar

2855. Uma causa a apoiar

Acabo de juntar-me à causa que combate um horrendo crime contra a Humanidade: a mutilação genital feminina ou excisão clitoridiana.

Se há causas que valem a pena, esta é seguramente uma delas.

A todos convoco a que se juntem a nós, trazendo amigos.

http://www.causes.com/?code=AQDk27mrtcfbSVygQmLRfQnQkr0jfIKcFiIME3C6xwGQl8Hwb6-hrRSFDZBIbwu13ERVfG-HVnI7oYYj_CEQKWqRseCsE8ubWPdGrG87Q_gJQ5A-fPM3vRY68uRiqBk8PuGp6kvw0bbssBV3ppPw3RTMhgGUAJcE7cMdlXBRiAYNFPsihC0aV4Wp5IeOFohs7EM#_=_

2854. Interlúdio descompressor

Interlúdio descompressor

Num dos grupos que visito no Facebook, mas em que não intervenho, apareceu este post.

“” Urge marcar em Lisboa uma ampla assembleia popular constituinte, tendo origem de todos os movimentos sociais e que tivessem em ordem e objectivo decretarmos o fecho das instituições da III República e a seguir enunciar um novo e democrático programa político e social para Portugal.
Afinal, quem é que concorda com a criação de um movimento/plataforma comum dos Grupos Sociais democráticos por aqui existentes no Facebook, do tipo, e é só um exemplo, Plataforma IV República.
O objectivo final seria a criação de uma plataforma política comum em ordem a por em marcha um amplo protesto nacional de modo encerrarmos a III República e, a seguir, referendarmos uma nova Constituição Política, com um novo Regime e um novo modelo político e democrático.
Para este fim seria constituída uma comissão de pessoas, escolhida e votada entre as pessoas que aqui colhessem o maior número de apoios e indicações, tendo como primeira tarefa a elaboração de um caderno político reivindicativo e depois, como objectivo final, a dinamização de um amplo movimentos de massas para o encerramento de III República e, finalmente, a renovação política e democrática para Portugal.
Aceitam-se sugestões e ideias.
Cumprimentos.””

* * *
De imediato veio à luz gente a aplaudir a ideia luminosa (luz… luminosa…, estão a topar, hã?).

Claro que me estreei no grupo, alinhando logo também. E tão entusiasmado me achei que não resisti a corresponder ao pedido de dar a minha sugestão e a minha ideia.

“Ei-se-as”:

“ Ok, alinho!
Deita-se tudo abaixo. E, se for possível, mais abaixo ainda.
Depois, obra feita e mãos esfregadas, há que ir almoçar.
Como por aqui ficou tudo raso, também a paparoca não escapou.
Portanto, quem tiver fome de almoço, toca a avançar para Badajoz.
Bamo neça qu’é uma preça! “

* * *

(a foto documenta a marcha imparável do pessoal a caminho de Elvas, com Badajoz à vista… O Paco? Não pôde vir, por estar a compor uma nova musiquinha. Bem engraçadinha por sinal. Mas havia por lá outros “pacos”. Oh, s’havia!)

Balha-nos o senhor Deus, ámen Jasus!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

2853. O elogio

Antes de me retirar por hoje, mais uma reflexão:

Um elogio, por mais pequeno que seja e mesmo um pouco forçado, no momento apropriado, opera milagres de provocar inveja até à mais angélica das cortes celestiais.

2852. O "amaricano" e o "portuga"

E t maintenant, mesdames et messiuers, une petite histoire, à votre méditation:

- o -

Um americano chega a casa e vê que, na garagem do vizinho, está um espadalhão de último modelo. Arregala o olho e murmura entre dentes:

- Raios parta o gajo, hein? Que bomba que o tipo comprou! Deve ser para me humilhar! Ah, mas eu não me vou ficar, não! Nem que me esfole a trabalhar como um cão, hei-de comprar um melhor do que o dele. Olá, se hei-de! Depois é que quero ver a reacção do chico-esperto.

* * *

Um português chega a casa e vê que, na garagem do vizinho, está um espadalhão de último modelo. Semicerra (repare-se no pormenor...) o olho e rosna (pois claro...) entre dentes:

- Olha o cretino, hein! Não tem onde cair morto e comprou um espavento daqueles. Mas onde é que o parvalhão foi arranjar o dinheiro?! Ah, sim! Só pode ter sido ganho na corrupção... E, se calhar não… Foi mas é a pindérica da mulher que lho arranjou com uns biscates por fora. Eu sempre achei que aquilo era peça com defeito. Estás a gozar comigo, estás, ó calhordas? Espera lá que eu digo-te amanhã ou depois. Esfaqueio-te os quatro pneus e risco-te a pintura do pópó a toda a volta, que é para aprenderes a não seres mais do que os outros! Tu vais ver, ó palhaço!

* * *

E, "prontos"! Aqui está como as coisas funcionam cá pelo burgo.

Poucos são os portugas de treta que conseguem ver uma camisa lavada ao vizinho, sem lha rasgarem ou à reputação de alto a baixo.

Em Portugal ninguém aceita que seja quem for progrida na vida. É a maior ofensa que se pode fazer a um portuga.

O que sempre está na ordem do dia é o nivelamento por baixo. "Não importa se tu trabalhas, se te esforças e eu não. Se não progrido tu também não estás autorizado a subir na vida, ora essa! O que é que tens mais do que eu?

Basta percorrer uns grupos do Facebook para se constatar a verdade elementar.


2851. A "reinação" grega

De falta de "reinação" não se podem queixar...

É a reinação grega, que alguns por cá querem imitar, pelos bons resultados que está a dar...

2850. Recrutamento de dirigentes para cargos públicos

O preenchimento de cargos de direcção superior deixará, a partir do final de Janeiro corrente, de ser efectuado unicamente por critério de escolha ministerial, passando a ser precedido de concurso aberto.

Segundo os princípios gerais da lei em vigor, que teve por base proposta do actual governo, o concurso será aberto a cidadãos, com ou sem vínculo à Administração Pública.

As fases de recrutamento e de selecção caberá a uma entidade administrativa independente, designada por Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública.

À referida comissão cabe a publicitação da abertura do concurso e a recepção de candidatos que terão de ser licenciados e sem vínculo à administração pública.

A actividade deste órgão de Recrutamento e Selecção será acompanhada por uma Comissão de Fiscalização, independente do Governo e eleita pela Assembleia da República.


2849. O balneário

Carlos Zorrinho, líder parlamentar socialista:

- A bancada do PS não é balneário fácil.
(SOL, hoje)

Acredito, se acredito!

Com um chefe à frente do pano de cena e outro lá atrás...

* * *

Aprender sempre. Hoje, pelos vistos, que o grupo parlamentar do PS é um balneário...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

2848. Iria viver de quê?

V estido de serapilheira e travestido de comentador político marmeleirense, JPP voltou ontem à costumeira verrina anti-PSD, desta vez na TVI24.

Atitude de homem seria José Pacheco Pereira – filósofo de filosofias alheias, o maior de uma rua da Marmeleira, mas só a subir, que a descer a conversa é outra… – anular a sua inscrição no Partido Social Democrata e continuar a bater em tudo o que mexa no partido, como sempre tem feito, mais ainda do que qualquer inimigo figadal dos social-democratas.

Isto diz tudo de um carácter? Que acha?

Mas que importa isso se dali abaixo ele não cai? Sabe, como todos sabemos, que, no dia em que tal acontecer, ninguém mais quererá ouvir as opiniões de excelência que bolsa para coisíssima nenhuma.

Tem a audiência que tem porque está inscrito no PSD e se mostra sempre virado contra o “seu” partido, tenha como presidente quem tiver, excepção feita à amiga MFL (e daí… e daí…) e ao transitório ocupante de Belém (e daí… e daí…).

Nada mais do que isso. Apesar de ver apenas de um olho mental, a cegueira não o torna completamente invisual, pelo que já percebeu.

Ora, não pode arriscar-se a ficar sem essa sua condição de “social-democrata” que bate sem trégua na família e regressar à de comunista de missa em Latim. No dia em que o fizer, perderá os púlpitos televisivos que lhe têm sido abundantemente facultados. E os réditos inerentes. Evidentemente.

Uma vez que tal acontecesse iria viver de quê?

Portanto, certo e sabido é que não o veremos tomar a tal atitude adjectivada no início do segundo parágrafo.

É assim o ce-le-b-ra-do JPP. De sua graça e... feitio.

2847. Me

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2846. A prova física da ongoing strategy


A prova física da ongoing strategy

Faltava a prova física, digamos assim. Ela aí está.

No PS desenvolve-se uma guerra de morte entre o actual secretário-geral, António José Seguro, e o anterior, refugiado em Paris, mas com diligentes apaniguados por aí.

Até agora, havia apenas uns zunzuns de que algo não corria bem lá para o Rato, por força da constante interferência do vilarista (de Vilar de Maçada, bem entendido), através das suas tropas que dominam o grupo parlamentar, uma vez que os actuais deputados foram por ele escolhidos.

As constantes intervenções dos conhecidos pontas de lança da criatura no hemiciclo e nas comissões parlamentares foram o começo. Depois, subitamente, todos se calaram. Era a calmaria que precede a tempestade. A táctica necessária para o adversário descuidar a guarda. E, subitamente, o ataque cerrado, sem piedade.

A partir de hoje não há já apenas zunzuns. Chegou-se à prova insofismável.

Há dois dias a criatura esteve cá, como é sabido. Reuniu com Alberto Costa, o coordenador da sua guerrilha. E ontem, foi desferido o ataque que intenta ser o mortal para a liderança do partido.

O avanço para o Tribunal Constitucional, com o pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento de Estado para 2012, é a primeira arma da ongoing strategy para reconquista do Poder. No PS.

Alguns observadores mais inadvertidos serão levados a crer que é brandida contra o Governo. Puro engano. Os estrategas da desestabilização têm a noção clara de que, além de não disporem ainda da força necessária para tal, o Tribunal Constitucional não pode satisfazer-lhes o anseio.

Na situação em que o País está, há valores que falam mais alto do que os pseudo-limites constitucionais que capciosamente são invocados pelos agora seus tão pressurosos zeladores que há bem poucos meses atrás, então sim, diariamente os feriam de morte. É que o texto constitucional foi redigido para servir os Portugueses; não os Portugueses autorizados a viver para servir a Constituição. Há que não inverter alegre e descuidadamente o valor facial das coisas.

Ora, assim sendo, o seu objectivo real não é o que apregoam. Antes se conforma na tentativa de deposição do “poder que está” no PS. Porque o caminho mais garantido para o sucesso que almejam passa inexoravelmente por aí.

O terrível embaraço do líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, hoje perante as câmaras de TV, ao referir-se ao assunto, e o súbito desaparecimento da ribalta do líder partidário, Seguro, antes tão omnipresente em tido quanto era sítio, festa, aglomeração de gente, são deveras elucidativos do que realmente está em jogo.

A criatura e a sua equipa tinham mesmo que actuar. Com urgência. A situação entrara em clara deterioração e mesmo apodrecimento, com evidente risco de males bem maiores para as respectivas cores e “entourages” do que o arredar do Poder que sofreram há poucos meses.

Começam a estar em jogo outros interesses, decorrentes dessa perda, mas com efeitos muito mais graves do que os que ela por si só causa. Interesses de toda a gama, com relevo muito especial para os de ordem a determinar responsabilidades diversas nos foros civil e criminal. E isso eles não podem deixar que aconteça, pelo que tudo farão para torpedearem os esforços de sanitização do partido.

Assim, uma forma privilegiada de se mostrarem os verdadeiros guardiões da “honra constitucional”, em contraponto aos que, entendem, eles, agora nada fazem nesse sentido, é essa, para militante socialista ver.

Alguns indícios e uma frase posta aqui um cheirinho posto ali, principalmente por gente com pouca experiência política de bastidores, foram deixando, já de algum tempo a esta parte, sinais evidentes do que se estava a passar. O dia de ontem, porém, tudo descobriu. A ninguém é já lícito invocar desconhecimento. Como diria o outro:

- Eles “andem” aí!

Em força.

È purè…

Não obstante os cuidados postos no desenvolvimento do actos que consubstanciam a estratégia de cindir o Partido Socialista, duvida-se muito que levem a banca à glória. Mesmo no partido, porque fora dele muito dificilmente terão qualquer hipótese. É certo que a memória dos povos é curta, mas não tão curta assim. Com toda a certeza.

Ruben Valle Santos
2012 Janeiro 19

2845. Responsabilização de gestores públicos


Eis o meu actual grande anseio para Portugal:

Um Mariano Rajoy!

Para um único efeito, apenas:

Traduzir para Português e fazer cá publicar e aplicar com o máximo rigor a lei de responsabilização civil e criminal dos gestores públicos que não respeitem os limites orçamentais de endividamento.

É que assim não sendo, mesmo que um governo -- este ou outro -- endireite as contas, logo a seguir virão mais uns cinquenta que tudo deitarão abaixo.

Fatal como o destino. Não tenhamos ilusões, não sejamos ingénuos. Está-nos na massa do sangue.

2844. A democrata Ana Drago


Com voz um tanto esganiçada, a inefável Ana Drago ontem, no Parlamento:

- E fique o governo sabendo que, se pensa que vai ter paz social depois deste acordo, não a vai ter, não senhor.

Faltou que alguém lhe perguntasse:

- Essas palavras significam uma ameaça sua, do seu partido e democratas similares, de que vão provocar a máxima agitação possível, quiçá tentar mesmo o caos social, como na Grécia foi feito, com os resultados conhecidos?

É que a gente só quer saber.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2843. Concertação Social - Janeiro 2012


Concertação social:

Não aceitaram meia hora mais por dia, que servia de preparação para a saída.

Preferiram e assinaram condições que permitem arbitrariedades.

Vá lá alguém tentar entendê-los!...

Grandes sindicalistas!

2842. Cenas maradas - Os inimputáveis

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domingo, 15 de janeiro de 2012

2840. Constatação linear


Este é o governo mais corajoso da Democracia em Portugal

( José Maria Ricciardi )

2839. A realidade em números

A realidade das mexidas feitas pelo actual governo nos diversos cargos dirigentes do país, vista através dos números.

* Administração Pública *
- Extinções de cargos: 1700
- Reconduções no cargo: 812
- Nomeações de outras pessoas: 208

* Direcções Gerais e Institutos Públicos *
- Reconduções: 617
- Nomeações: 130

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

2838. Portugueses por esse mundo - Pedro Francisco

atural de Porto Judeu (Terceira, Açores) onde nasceu em 1760, tendo falecido em Richmond, em 16 de Janeiro de 1831, Pedro Francisco, que foi conhecido nos Estados Unidos por Peter Francisco, foi herói na Guerra da Independência da nação norte-americana.
"O Gigante da Virgínia", ou "O Gigante da Revolução", como também era conhecido, é alvo de homenagem anual pela comunidade portuguesa em New Bedford, em 15 de Março.

Lutou ao lado do George Washington, um dos fundadores dos U.S.A, e seu primeiro presidente, e do igualmente celebrado Marquês de Lafayette. Sofreu inúmeros ferimentos em combate, em defesa da independência de sua pátria de adopção.

Dele disse George Washington:

“Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, provavelmente a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um Exército de um Homem Só”

* * *

Pode ler mais informações relevantes acerca deste açoriano e dos seus feitos, que tão excelente contributo deram à imagem dos portugueses no mundo, seguindo os links abaixo indicados


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2837. Aldeia Global Portuguesa (14) - Vamos reescrever a História?

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Well… well… well…


Vamos reescrever mais um capítulo da História?

Reza ela que o primeiro europeu a chegar ao continente australiano terá sido um holandês, Willem Janszoon, que terá desembarcado, em 26 de Fevereiro de 1606, na península do cabo York.

Por outro lado, está pacificamente aceite que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar a Timor. Em 1512. Mas nunca se aceitou que tivessem chegado também à Austrália.

A crer-se na tese oficial, parte-se do princípio que os ditos Portugueses, que marearam por oceanos e oceanos ao longo de todo o hemisfério e que gastaram apenas 10 meses a ir de Belém (8Julho1497) a Calecut (20Maio1498), não teriam sido capazes de, em 94 anos (1512, sua chegada a Timor, e 1606, chegada de Janszoon à Austrália), ter percorrido cerca de 140 milhas náuticas (260kms, menos que a distância de Lisboa ao Porto, e não os 700kms erradamente referidos na notícia do "Correio da Manhã") que é a que medeia entre Timor e o Norte da Austrália.

Assentou-se, pois, nesta peregrina tese, muito embora se aceitasse também, por indiscutível, que os Portugueses tenham chegado ao Japão em 1543. Ou seja, teriam chegado ao Japão, muitíssimo mais longe, 31 anos após aportarem a Timor, mas não teriam sido suficientemente sagazes para, em 94 anos, encontrarem a Austrália!

A tese portuguesa de que, não senhor, não eram tão desorientados e teriam sido eles os primeiros europeus a ali chegarem, foi sempre afastada, como mirífica, talvez do domínio do maravilhoso, da superstição, na hipótese mais benigna, quiçá do logro, na menos.

E assim se esteve por centenas de anos. E assim continuava a estar-se.

Eis senão quando, em Janeiro de 2010, um jovem de 13 anos, Christopher de sua graça, encontrou, numa praia do Norte do país, um canhão usado nas naus portuguesas do princípio do séc, XVI., portanto quando da chegada a Timor.

Relembre-se que, a partir de 1580, a epopeia portuguesa além-mar, levou rude golpe que a fez parar, com a instalação dos Filipes em Lisboa, como sabe quem não anda distraído.

Cabe, agora, aos historiadores emendar a mão, engolir em seco, e dar o seu a seu dono.

Ora, ora!... Vá lá a gente fiar-se em putos! Só servem para tramar os adultos. E, pior, os adultos definitivamente sábios.

Então não teria sido preferível que ficasse sossegado em casa, agarrado à play station, em vez de ter vindo criar todo este universal desgosto, armando-se em arqueólogo de algibeira?

Cá para mim, o miúdo é mesmo “sacaninha”. Repare-se bem no ar de gozo do rapazola.

Well done, Christopher, well done, indeed. We're very grateful. Keep searching for. Keep it forever and ever again. You'll go far for sure! Till 16th century.

The brave men that you see coming are not Dutch or English, my friend. They are simply Portuguese.

2836. A lusa "coitadice"


As nossas responsabilidades
e a lusa “coitadice”


A ideia prevalecente em Portugal de que o Estado tudo tem que dar e os cidadãos nada têm que retribuir, de que o Estado, que são todos os Portugueses, tem deveres para cada um, mas cada um apenas tem direitos que devem ser integralmente satisfeitos, além de abusiva e, mais do que isso, profundamente desestabilizadora, chega a ser terrorista.

É contra essa onda destruidora da força de uma nação que temos de lutar. É desse propósito que este grupo pretende ser uma parcela.

Porque, se todos se compenetrarem do lugar que na sociedade envolvente lhes cabe e dos direitos, mas primeiro que tudo, dos deveres a que estão moral e civicamente obrigados, a vida será mais fácil para todos, o País será logo outro, mais justo, mais social, mais democrático.

Não é, como tem sido ao longo de décadas já, uma sucessão de erros de educação cívica, de facilitismo, de demissões do papel de pais, de educadores, de governantes, de gerações de jovens habituados a ter tudo sem que se lhes exija o mínimo esforço – daquele que gente de princípios sociais e morais, cívicos, enfim, sabe que deve despender – que vai mudar o nosso futuro, em ordem a que, pelo menos, inverta o rumo que leva e se aproxime um pouco daquilo que deve ser.

Os milhões da UE, que desde há um quarto de século (repare-se, há um quarto de século!) têm jorrado sobre o País, sobre todos nós, foram, a um tempo, bênção e maldição.

Bênção, porque deles muito precisávamos para darmos outra cara ao País, modernizando-o e colocando-o entre os realmente civilizados e progressivos. Isso foi feito até determinada altura.

O problema manifestou-se quando se caiu no laxismo, no despesismo, no deixa-andar, na indolência, no xico-espertismo da vida fácil à custa do dinheiro e dos recursos postos à disposição do esbanjamento, no vício do subsídio justificado e injustificado, no bodo a todos, carenciados ou não, sem qualquer filtro, na ausência de fiscalização dos abusos e punição dos abusadores, na falta de condenação de corruptos e corruptores, por força de normativos iníquos, na inoperância dos tribunais, por estruturas anquilosadas e legislação permissiva ao ponto do absurdo, que criaram na sociedade portuguesa um clima de impunidade sem precedentes. “Se todos fazem, porque não eu também? Acaso serei menos do que todos, porventura, mais estúpido?”

Chegámos então à maldição. Maldição porquê? Porque, com tantas benesses, com tanta fartura sem um mínimo de esforço honestamente suado, convencemo-nos e, bem pior, deixámos que os nossos filhos se convencessem de que o "el dorado" dos fundos comunitários constituíam "direito a que tínhamos direito" só pela circunstância de termos nascido.

Uma tal postura tinha que resultar em desastre. Que foi agravado até ao absurdo por governantes mal preparados e muitas vezes cheios da arrogância própria dos ignorantes, metidos nas vestes da prepotência, do descaramento inaudito, da completa imoralidade, enfim.

Maior desastre não podia ter-nos acontecido.

Mas – e aqui bate verdadeiramente o ponto – temos gravíssimas responsabilidades no sucedido e delas não podemos eximir-nos. Não só pelo comportamento pessoal, como pelo que tiveram ou têm os nossos políticos, “maxime” os governantes.

É que eles mais não são do que nós com a fatiota política envergada. Eles somos nós uma vez eleitos, quantas vezes sabe-se lá como. Ou alguém pensa que não tem havido e continua a haver, entre eles, muitos que pensaram como tantos de nós pensam agora (“os políticos são uns malandrins, nós somos outra gente…), enquanto aos degraus do Poder não chegaram e, uma vez chegados…?

A massa de que são feitos é a massa que nos enforma. Não são melhores nem piores do que nós. São "nós".

Isto fica dito de forma muito linear, devendo-se a opção à intenção assumida de chegar ao maior número de pessoas e não apenas às mais privilegiadas.

Uma vez aqui, não restam alternativas.

Ou corrigimos o nosso actual rumo e corrigimos as crianças que estão à nossa guarda, incutindo-lhes noções de fraternidade, igualdade e solidariedade, com a devida correspondência no comportamento social perante o outro, o semelhante, e perante todos, a sociedade, e, com isso, mudamos de vida de uma vez por todas, podendo aspirar a um futuro menos opressor – porque seremos melhores cidadãos e cidadãos melhores formaremos – ou estaremos condenados às chamas eternas do inferno de uma apagada e vil tristeza, de que, há séculos já, falava o Poeta.

Se o fizermos, se nos esforçarmos, acabaremos por ter políticos mais preparados e decisores mais competentes, construindo a sociedade justa e verdadeiramente democrática que até hoje não lográmos obter. Está apenas nas nossas mãos porque, aceitemos ou não, para lá da circunstância envolvente, o homem é produto de si próprio, isto é, faz-se por si, pela sua vontade.

Tudo isto sem esquecer, evidentemente, a famosa e, a todos os títulos, ridícula e assassina, “coitadice dos Portugueses”, que nos leva a responsabilizar o “outro” por tudo quanto de mau nos acontece e a nós, coitadinhos… coitadinhos…, dispensa de muitos trabalhos e esforços.

Ruben Valle Santos
2011Jan11

2835. O ego português


O ego português

“Os espanhóis adaptam-se aos novos tempos com maior facilidade do que os portugueses. Os portugueses regressam das suas viagens ao outro lado da fronteira entusiasmados com a forma como tudo funciona, com a vitalidade de Espanha, com as oportunidades, com a sofisticação, Portugal continua preso ao passado, sedentário e incapaz de se livrar dos seus costumes derrotistas. Não aproveitou as oportunidades que vieram ao seu encontro, nem ao nível oficial, nem entre o público em geral. Uma amiga minha portuguesa, de férias durante um ano, aproveitou cerca de uma semana para percorrer de carro a orla da enorme Barragem de Alqueva, no Sudeste de Portugal, que ultrapassa a fronteira para o lado de Espanha. Ela e o seu pequeno grupo deram a volta ao lago do lado português (pagando «15€ por cabeça», em dinheiro, por quartos em casas particulares) e encontraram aldeias que não tinham mudado muito durante décadas, à excepção de agora se encontrarem junto a uma enorme massa de água. Do lado espanhol do lago, entretanto, as aldeias tinham construído cafés junto da água com frondosas esplanadas, parques infantis e áreas de tomar banho, aproveitando ao máximo o potencial do local.”
(Barry Hatton, “The Portuguese – A Modern History”, edição portuguesa Clube do Autor, 3ªedição – Junho 2011.)

* * *

São textos-descrição como este – de um inglês, correspondente em Lisboa da United Press International, a viver, com a mulher e filhas portuguesas, em Portugal há mais de 20 anos e profundo conhecedor do país e das suas gentes, de que é amante confesso – que eu ambiciono ver desaparecerem de uma vez por todas, tanto de letra de forma como de conversas sociais, e não apenas sociais, por esse mundo fora, especialmente na Europa de cujos registos administrativos oficiais fazemos parte, mas cujos povos continuam a opor grande resistência a nela efectivamente nos integrarem.

Porque eles, os textos, são muito agressivos para o nosso ego, mas apenas porque o nosso ego não é por nós próprios satisfeito. Temos muito ego nacional, mas apenas discursivo. E esperto, mas não inteligente, porque não resistimos a continuar à espera de que ele seja satisfeito por outrem que não nós próprios. Ego prenhe de esperteza que parece ter nascido ali para as bandas da Malveira (sem ofensa para os malveirenses que parece terem recebido, com toda a certeza injustamente, uma catalogação que deveria ter sido atribuída a muito mais gentes deste rincão pré-europeu).

Porque eles, os textos, nos descrevem com muito mais precisão e honestidade do que gostaríamos. O que, por via de regra, neles nos enfurece não é a mentira, sequer a visão imperfeita do que somos; o que realmente nos enfurece é neles nos reconhecermos e não gostarmos do que descobrimos.

O exemplo das margens portuguesa e espanhola do lago de Alqueva é bem elucidativo das mentalidades de gentes fisicamente tão próximas e, no entanto, tão afastadas na postura de vida. A nascente (nascendo…) o espírito empreendedor espanhol, independente e construtivo; a poente (morrendo…) a dependente postura portuguesa, incapaz de construir por si própria, sempre na expectativa de que alguém, maxime o Estado, faça o que só a ela compete fazer.

Se ressuscitasse, agora português e em Portugal, John Fiztgerald Kennedy logo morreria de novo, desta vez de desgosto irreparável. De que lhe iria valer a célebre frase de aglutinação de vontades, de congregação de empenhos no desenvolvimento do País “… não perguntes o que é que o País pode fazer por ti; pergunta, isso sim, o que é que tu podes fazer pelo País!” ?

Não, não quero ler mais textos destes. Não porque estes escritores sejam banidos do nosso meio, mas sim porque não mais os possam escrever, por falta de material que os consubstancie.

RVS
2012Jan12