Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

2863. Aldeia Global Portuguesa (15) – Magalhães, Gama, Cabral e Colombo


Aldeia Global Portuguesa (15) –
Magalhães, Gama, Cabral e Colombo


I mediatamente após Henrique, o Navegador, a cuja visão estratégica de eleição ficámos a dever a nossa projecção no mundo dos sécs XV e XVI, estes são os homens que nos deixaram – e a toda a Humanidade – um legado inigualável: o conceito e sua tradução palpável de aldeia global que desembocou, cinco séculos após, no de “globalização”, hoje em dia tão esgrimido como se de proeza só possível devido aos grandes avanços tecnológicos do séc. XX se tratasse.

De facto e por ordem de grandeza de realização, de espírito de intrepidez e missão sem igual, com repercussões em todo o planeta e para todo o sempre, Fernão de Magalhães, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Cristóvão Colombo podem, sem exagero, ser considerados os nomes maiores da epopeia marítimo-planetária do povo afirmativo que fomos e que não podemos deixar que tenha perecido.

Cada qual com as suas motivações pessoais, mas um desígnio nacional comum, com a sua idiossincrasia individual, mas imbuído do espírito de
procura de maior conhecimento e reconhecimento do seus país, contribuíram de forma decisiva, impossível de igualar, para que o nome de Portugal e a força e tenacidade dos Portugueses ficassem para sempre ligados a uma proeza humana só igualada pela conquista do espaço sideral e, mesmo assim, esta talvez menos arriscada e certamente menos imprevisível, em busca e derrota do Desconhecido, do que a de quinhentos.

A proeza de Fernão de Magalhães, nascido na transmontana Sabrosa, é mesmo única e jamais sequer replicada. A viagem de circum-navegação, exploratória do globo terrestre é uma epopeia ainda hoje sem par. Arrostou com o desconhecido mais desconhecido, vencendo-o, apenas se deixando derrotar, já com todo o perímetro do globo explorado, em batalha inglória e escusada.

Vasco da Gama, de Sines, o herói ocasional, venturoso como o rei que serviu, já que terá substituído o irmão mais velho, Paulo da Gama, no comando da armada saída de Belém a caminho de Calecute, trouxe, com a sua odisseia, uma prosperidade jamais sonhada a Lisboa que a fez tornar-se o burgo mais importante da Europa, apenas rivalizado por Sevilha e, por extensão, a toda a Europa.

Pedro Álvares Cabral, natural de Belmonte, chegou às que baptizou como Terras de Vera Cruz, que iriam trazer ao País riquezas que só não foram infindas porque mal geridas, desaproveitadas e muito malbaratadas, e ao mundo um novo país que está fadado para dar muitas cartas ao mundo.

Finalmente, Cristóvão Colombo, considerado natural de Génova, Polónia, Galiza e sabe-se lá de que mais, é provável e prosaicamente natural de Cuba, no Baixo Alentejo. Independentemente, porém, do local de nascimento, o que é certo é que a sua formação como marinheiro e explorador de continentes é feita em Portugal e apenas ocasionalmente se pôs ao serviço dos Reis Católicos, por não ter conseguido em Portugal recolher o apoio de que necessitava para a empresa a que pretendia meter ombros: chegar a continente americano, por alturas da Ilha de Hispaniola (Cuba, em muito possível e natural homenagem á terra que o terá visto nascer, como era hábito à data), quando procurava forma de chegar às especiarias da Índia navegando para Ocidente.
Admite-se, porém, que o mais provável é que é que Cristóvão Colombo fosse Salvador Gonçalves Zarco, filho de João Gonçalves Zarco, navegador português que, com Tristão Vaz Teixeira, foi o primeiro a chegar ao arquipélago da Madeira.


Estes, pois, os quatro grandes heróis da epopeia marítima portuguesa de quinhentos. Outros houve, de valia muito semelhante, mas realizações destes sobrepuseram-se às de todos os demais.

São eles, com a figura de Henrique, o Navegador, seu mentor e patrocinador, os mais representativos nomes do início da actual tão celebrada globalização, então apenas e somente Aldeia Global Portuguesa, inspiradora da aldeia global planetária.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2837. Aldeia Global Portuguesa (14) - Vamos reescrever a História?

Click na imagem, para ampliar

Well… well… well…


Vamos reescrever mais um capítulo da História?

Reza ela que o primeiro europeu a chegar ao continente australiano terá sido um holandês, Willem Janszoon, que terá desembarcado, em 26 de Fevereiro de 1606, na península do cabo York.

Por outro lado, está pacificamente aceite que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar a Timor. Em 1512. Mas nunca se aceitou que tivessem chegado também à Austrália.

A crer-se na tese oficial, parte-se do princípio que os ditos Portugueses, que marearam por oceanos e oceanos ao longo de todo o hemisfério e que gastaram apenas 10 meses a ir de Belém (8Julho1497) a Calecut (20Maio1498), não teriam sido capazes de, em 94 anos (1512, sua chegada a Timor, e 1606, chegada de Janszoon à Austrália), ter percorrido cerca de 140 milhas náuticas (260kms, menos que a distância de Lisboa ao Porto, e não os 700kms erradamente referidos na notícia do "Correio da Manhã") que é a que medeia entre Timor e o Norte da Austrália.

Assentou-se, pois, nesta peregrina tese, muito embora se aceitasse também, por indiscutível, que os Portugueses tenham chegado ao Japão em 1543. Ou seja, teriam chegado ao Japão, muitíssimo mais longe, 31 anos após aportarem a Timor, mas não teriam sido suficientemente sagazes para, em 94 anos, encontrarem a Austrália!

A tese portuguesa de que, não senhor, não eram tão desorientados e teriam sido eles os primeiros europeus a ali chegarem, foi sempre afastada, como mirífica, talvez do domínio do maravilhoso, da superstição, na hipótese mais benigna, quiçá do logro, na menos.

E assim se esteve por centenas de anos. E assim continuava a estar-se.

Eis senão quando, em Janeiro de 2010, um jovem de 13 anos, Christopher de sua graça, encontrou, numa praia do Norte do país, um canhão usado nas naus portuguesas do princípio do séc, XVI., portanto quando da chegada a Timor.

Relembre-se que, a partir de 1580, a epopeia portuguesa além-mar, levou rude golpe que a fez parar, com a instalação dos Filipes em Lisboa, como sabe quem não anda distraído.

Cabe, agora, aos historiadores emendar a mão, engolir em seco, e dar o seu a seu dono.

Ora, ora!... Vá lá a gente fiar-se em putos! Só servem para tramar os adultos. E, pior, os adultos definitivamente sábios.

Então não teria sido preferível que ficasse sossegado em casa, agarrado à play station, em vez de ter vindo criar todo este universal desgosto, armando-se em arqueólogo de algibeira?

Cá para mim, o miúdo é mesmo “sacaninha”. Repare-se bem no ar de gozo do rapazola.

Well done, Christopher, well done, indeed. We're very grateful. Keep searching for. Keep it forever and ever again. You'll go far for sure! Till 16th century.

The brave men that you see coming are not Dutch or English, my friend. They are simply Portuguese people.

sábado, 7 de maio de 2011

2793. Aldeia Global Portuguesa (13) - O mistério "Colombo”

A Lousiana entrou na posse da Espanha por direito de descoberta no ano 1492. Mais tarde foi conquistada pela França e posteriormente vendida aos Estados Unidos, em 1803.

Foi Cristóvão Colombo que, ao serviço dos Reis Católicos, Isabel e Fernando de Espanha, lá chegou primeiro.

Colombo casou em 1479 com Filipa Moniz, residente no mosteiro feminino de Santos-o-Velho da Ordem de Santiago desde a morte do pai, o também navegador Bartolomeu Perestrelo, cavaleiro da casa do Infante D. Henrique. Este Perestrelo, sim, era presumivelmente de ascendência italiana, de Placência, e um dos povoadores e primeiro capitão do donatário da ilha de Porto Santo.

Cristóvão Colombo consta oficialmente ter nascido em 1451, em Génova. A cidade, que se situa na região italiana da Ligúria, golfo de Génova, Mar da Ligúria, no Mediterrâneo, era, á data, uma república governada por mercadores e banqueiros.

Ao navegador foi concedido o privilégio de procurar uma nova rota para a Índia pela rainha Isabel, a Católica, de Espanha.

Até aqui, a história oficializada.

Existem, porém, inúmeros historiadores e investigadores que, baseados em documentação variada, concluíram que Cristóvão Colombo, nasceu em Cuba (Portugal) e não em Génova (Itália).

Christovam Colon foi o nome que Salvador Gonçalves Zarco, escolheu para, escondendo a sua verdadeira identidade, persuadir os Reis Católicos a financiarem-lhe a viagem às Índias, pela rota do Ocidente.

O pseudónimo não aparece por acaso, porque Cristóvão está associado a São Cristóvão, protector dos viajantes. Existe mesmo uma ilha baptizada de São Cristóvão.

Por outro lado, Cristóvão deriva de Cristo, que significa que propaga a fé. Acresce que Cristo está associado a Salvador (1º nome verdadeiro do navegador).

Colon, porque é abreviatura de colono e derivado do símbolo das suas assinaturas "." (duas aspas, com dois pontos no meio).

Salvador Gonçalves Zarco, está comprovado sem dúvidas, nasceu em Cuba (Baixo Alentejo, Portugal), sendo filho ilegítimo do Duque de Beja e de Isabel Gonçalves Zarco.

À época, era prática os navegadores darem às primeiras terras descobertas nomes religiosos. Além disso, no caso de Salvador Gonçalves Zarco o nome escolhido para o território a que aportou foi mesmo São Salvador (Bahamas). A seguir baptizou Cuba usando o nome da sua terra natal e finalmente Hispaniola (Haiti e S. Domingos, hoje República Dominicana) porque estava ao serviço da Coroa Espanhola.

A "paixão" pelos mares, estava no sangue da família Zarco, nomeadamente em João Gonçalves Zarco, descobridor de Porto Santo (1418) com Tristão Vaz Teixeira e da Ilha da Madeira (1419), com o sogro de "Christovam Colon", Bartolomeu Perestrelo.

Por fim, existem ilhas nas Caraíbas, com referência a Cuba. Além da própria Cuba, São Vicente. Na época existia a Capela de São Vicente, da então aldeia de Cuba, Alentejo, Portugal. Posteriormente, já no século XVI, foi edificada a actual Igreja Matriz de São Vicente.

São coincidências (pseudónimo, nome das ilhas, família nobre e ligada ao mar, habitou e casamento em Porto Santo, ilha que fica na Rota das Índias pelo Ocidente), mais do que suficientes, para estarmos em presença de Salvador Gonçalves Zarco e consequentemente do português Cristóvão Colombo, à época chamado de Christovam Colon.

Morreu em Valladolid (Espanha) em 1506, tendo os seus ossos sido trasladados para Sevilha, em 1509. Contudo, em 1544, foram para a Catedral de São Domingos, então colónia espanhola, satisfazendo a pretensão testamentária sua.

A odisseia das ossadas não ficaria por aqui, porque em 1795, os espanhóis tiveram de deixar São Domingos, tendo os ossos sido transferidos para Cuba (Havana), para em 1898, depois da independência daquela ilha, serem depositados na Catedral de Sevilha.

Em 1877, porém, ao reconstruírem a Catedral de São Domingos, os dominicanos, encontraram um pequeno túmulo, com ossos e intitulado “Almirante Christovam Colon".

Existem na Ilha da Madeira e nos Açores, pessoas da família Zarco, descendentes directos de João Gonçalves Zarco e, consequentemente da mãe (Isabel Gonçalves Zarco) de Christovam Colon, dispostos a oferecerem uma amostra do próprio cabelo aos cientistas, para análise do respectivo DNA, a fim de que possa ser comparado com o encontrado nas ossadas do navegador.

(Dados colhidos de várias fontes, entre as quais a Wikipedia e principalmente uma carta de Barack Hussein Obama II, de 1995, dirigida a um banco norte-americano, na tentativa, finalmente com êxito, de que cliente do seu escritório de advocacia, obtivesse empréstimo que lhe permitisse reconstruir a casa, destruída por um temporal e perante a exigência do banco de que fizesse prova, desde tempos imemoriais, da propriedade do terreno, situado no Estado da Lousiana, USA).

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domingo, 2 de janeiro de 2011

2744. Aldeia Global Portuguesa (12) - "Papiamento"

Papiamento ou papiamentu é uma língua crioula, a principal língua falada nas ilhas caribenhas de Aruba, Curaçao e Bonaire, de que é também língua oficial.


O papiamento provém do pidgin português conhecido como guene, por ser falado pelos escravos africanos, originários das zonas de Guiné-Bissau, Cabo Verde e S. Tomé, entre outras, que foram trazidos pelos holandeses para os campos de cana de açúcar.


Após a retomada de Cabo Verde por Portugal e a reconquista da Nova Holanda pelos brasileiros, alguns judeus sefarditas (portugueses de Cabo Verde e quase todos os do nordeste brasileiro) foram para as Antilhas Holandesas, levando consigo o português.


A linguagem judaico-portuguesa irá misturar-se com o guene dos escravos africanos, dando origem à primeira forma do papiamento, no século XVIII.


Com a administração do império colonial holandês nas ilhas, a influência holandesa lega muitas palavras de seu idioma ao papiamento. No final do século XIX a influência do espanhol ocorre com o contacto com os países vizinhos, especialmente a Venezuela.


O nome procede da palavra papiá, que significa conversar, derivada originariamente da palavra portuguesa papear, falar, de onde deriva igualmente o termo brasileiro "bater papo".


Tem origem igualmente deste verbo coloquial o nome do crioulo de base lusófona de Malaca, o papiá kristáng. O verbo papiá ainda existe no crioulo cabo-verdiano e significa falar.


Existem já periódicos em papiamento e dicionários bilingues. Alguns intelectuais portugueses interessam-se pela criação de uma rede de pesquisadores de crioulística que enlace os interessados nestas manifestações linguísticas mestiças, incluindo o papiamento.

- Retirado da Wikipedia -


quarta-feira, 6 de maio de 2009

2158. Aldeia global portuguesa (11) - Goa, Damão e Diu



é um Estado da Índia, com a capital em Panaji


Situa-se entre Maharastra (Madrasta), a norte, e Karnataka, a leste e sul, na costa do Mar Arábico, 400 km a sul de Bombaim. É o menor dos estados indianos em território e o quarto menor em população. O mais rico em PIB per capita.


A língua oficial é o concanim, embora exista ainda quem fale português, após o domínio de Portugal, de mais de 400 anos.


As principais cidades são Betul Beach, Cape Rama, Chauri (Canácona), Mapusa, Margão (Madgaon, em concanim) e Panaji (Pangim, antigo nome português).


A partir de 1510 e até ter ser anexada pela União Indiana, em Dezembro de 1961, foi a capital do Estado Português da Índia.


As igrejas e conventos são Património da Humanidade da Unesco.


A primeira referência a Goa data de cerca de 2200 a.C., em escrita cuneiforme dos sumérios, que lhe atribuíram o nome de Gubio. Por volta de 1755 a.C. nela se estabeleceram os fenícios. No período védico tardio (1000-500 a.C.) é chamada, em sânscrito, Gomantak ( "terra paradisíaca, fértil e com águas boas").


Cerca de 200 a.C. tornou-se a fronteira sul do império de Ashoka como refere Estrabão.


Por volta de 530-550, árabes e turcos, diziam-na dos melhores portos do Industão. Depois do império Maurya (321-185 a.C.) foi disputada por vários outros impérios em batalhas sangrentas, até que, no Séc. X, prosperou pelo comércio com os árabes. Em 1347 caiu sob domínio islâmico e muitos templos a deuses hindus foram destruídos.


A primeira investida portuguesa deu-se em 1510, de 4 de Março a 20 de Maio. Meses depois, em segunda expedição, a 25 de Novembro, Afonso de Albuquerque, auxiliado pelo chefe hindu Timoja, tomou-a aos árabes e, desde então esteve ininterruptamente na posse dos portugueses, até que em 28 de Dezembro de 1961, foi invadida e ocupada pelo exército indiano, por deliberação do governo de Nova Delhi, chefiado pelo primeiro-ministro de então, o "pandita" Jawaharlal Nehru.


A Sé Catedral, na Velha Goa, a 9km de Pangim, é dedicada a Santa Catarina de Alexandria. O magnífico edifício foi construído no séc. XV, tendo começado em 1562 e terminado em 1619, sendo consagrada em 1640 e reconhecida como a maior da Igreja na Ásia. A arquitectura da Sé é muito elaborada. No estilo fundem-se o gótico e o português. É surpresa a decoração ainda que em estilo muito simples. Famoso é o sino gigante (“sino dourado”), um dos maiores do Mundo. À direita do altar-mor, tem a capela da Cruz dos Milagres, onde se diz ter havido uma aparição de Cristo, em 1919. Desde então, conta a tradição, a cruz ali existente vem crescendo.


A Basílica do Bom Jesus, igreja jesuíta da Índia. é considerada um dos melhores exemplos do barroco na Índia.


Património da Humanidade, construído em 1695, é marco histórico do Cristianismo.


Contém os restos mortais de S. Francisco Xavier; amigo de Santo Inácio de Loyola, com quem fundou a Companhia de Jesus. Xavier faleceu, em 2 de Dezembro de 1552, em Sancian, quando se preparava para seguir para a China.



* * *

casa indo-portuguesa

Damão é uma cidade indiana, que foi sede, de distrito do antigo Estado Português da Índia, do qual faziam parte igualmente os concelhos de Dadrá e Nagar Abeli. Tem 72 km² e 114 mil habitantes.


Os Portugueses chegaram a Damão em 1523, nos navios de Diogo de Melo. Em meados da década 1530-1540, o vice-rei Nuno da Cunha mandou arrasar os baluartes de Damão, por ali serem os estaleiros das frotas muçulmanas. Em 1559 foi definitivamente tomada a cidade de Damão.


Várias guerras locais levaram à perda de alguns territórios. Perderam os portugueses, Baçaim em 1739 e, logo a seguir, Chaúl. Depois de muitas aldeias perdidas, obtiveram o apoio militar que deram a Madeva Pradan, pelo tratado de 1780 foram-lhes restituídas várias dezenas de aldeias, que vieram a constituir de Dadrá e Nagar-Aveli.


* * *


A primeira tentativa de conquista de Diu, pelos portugueses, ocorreu em 1513.


Fortaleza de Diu

Mais tarde, em 1531 nova tentativa também não bem sucedida. No entanto, a cidade acabou por ser-lhes oferecida, em 1535, como recompensa pelo apoio militar que dispensado ao sultão do Guzerate. De imediato, foi transformada em castelo português.


Bahadur Xah, porém, pretendeu reavê-la, mas foi vencido e morto, seguindo-se um período de guerra entre os portugueses e a gente do Guzerate que resultou no infrutífero cerco de Diu, em 1538. Um segundo cerco, oito anos depois, que, uma vez mais, os Portugueses venceram, com D. João de Castro, acabou com tal guerra, após o que Diu foi fortificada de tal forma que resistiu a todas as seguintes investidas dos árabes de Mascate e dos holandeses, estes já nos finais do séc. XVII.

(a partir da Wikipedia e de publicações diversas)


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Ver outros "bairros" da Aldeia Global Portuguesa.

Links disponíveis no sidebar direito da página de abertura do blog, ao fundo da página.

A série terá continuação, já que bairros destes há imensos. Só que aleatoriamente, ao sabor da disponibilidade de tempo.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

1709. Reposição do post 1578

O livro que estive a ler, "Nos passos de Magalhães", de Gonçalo Cadilhe, provocou-me reacções contraditórias.

A maioria, de mais do que justificado orgulho pelo extraordinário e inigualável feito do português mais conhecido de todo o mundo e de todas as épocas, é certo, mas uma outra bem diferente e que se relaciona com a honra do navegador.


Deste modo, fui ao
post a que faço referência, o tal 1578. Aldeia Global Portuguesa (9) - Limasawa - Filipinas, e acrescentei-lhe uma adenda. Que se justifica e que, mais, se impunha.

Se quiser dar-se ao trabalho de seguir o link, ficará em condições de concordar ou discordar, ou seja, de contribuir para a História das grandes navegações mundiais do séc. XVI.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

1683. Aldeia Global Portuguesa (10) – Rio da Prata – América do Sul

O Rio de la Plata é o estuário conjunto de vários rios, de que avultam o Paraná e Uruguai, um delta de 290Km de largura.


“… foi primeiro avistado por uma expedição portuguesa, comandada por Vespucci…” (Amerigo Vespucci -Américo Vespúcio, a quem as Américas devem o nome-, natural de Florença, cosmógrafo, navegador e mercador, representante de armadores seus conterrâneos) “... , em 1501, e cartografado em 1511-1512, por João de Lisboa, que seria um dos companheiros de Magalhães em Marrocos".


"Anos mais tarde, um outro marinheiro português, João Dias Solís, navegou ao serviço de Espanha pelo estuário do rio da Prata acima, acreditando ter descoberto a passagem para o oceano mar do Sul’…”.


“Solís baptizou o pedaço de água em que se encontrava de ‘Mar Dulce’, mas não chegou a ter tempo de compreender que o seu ‘mar doce’ era apenas a foz de um sistema de rios…” (onde avultam o Paraná, o Uruguay e o Gualeguay) “… com origem nas serras centrais do Brasil: ao desembarcar na margem norte do estuário, foi morto e comido pelos índios charruas.


“… a expedição de Solís acreditou ter encontrado a passagem para o Pacífico; ilusão essa que só com Magalhães seria esclarecida”. “… um poema de Jorge Luís Borges”. “… um trecho de ‘Fundación Mítica de Buenos Aires’:


Y fué por este rio de sueñera y de barro

Que las proas vinieron a fundarme la patria?

Irian a los tumbos los barquitos pintados

Entre los camalotes de la corriente zaina.

Piensando bien las cosas, supondremos que el rio

era azulejo entoces como oriundo del cielo

com su estrellita roja para marcar el sitio

en que ayunó Juan Diaz y los indios lo comieron


O lugar aproximado desta refeição teria sido onde, quase dois séculos depois, Portugal iria erguer uma das mais bonitas cidades da América Latina, a Colónia del Sacramento, hoje Património da Humanidade…” (1)


“… Enquanto o navio-escola Sagres recolhe placidamente ao porto de Montevideu, o sol esconde-se prematuramente atrás do monte homónimo…”


“… o contrário, a cidade é que é homónima do monte. Segundo a tradição, foi a partir de uma exclamação de Magalhães que a capital do Uruguai foi baptizada.


Ao avistar uma figura de revelo proeminente, uma colina que indicava uma baía segura e ampla, o capitán-general terá avisado o piloto, em latim: Monte Video…” (Vejo um monte).


“… a armada das Molucas (expedição de Magalhães) passou duas semanas no estuário do Rio da Prata a explorar a possibilidade de existir uma passagem para o ‘outro’ mar. Mas Magalhães não tem grande fé nesta possibilidade: a água doce, a pouca profundidade e a diminuição da força das marés indicam claramente que ele se encontra na foz de um rio”.


(transcrições de “Nos passos de Magalhães”, de Gonçalo Cadilhe, Oficina do Livro)



(1) Colonia del Sacramento é uma cidade uruguaia. Tem origem na antiga cidade de Colónia do Santíssimo Sacramento, fundada por Manuel Lobo (governador da capitania do Rio de Janeiro, na segunda metade do séc. XVII) por instruções emanadas de Lisboa e que se manteve na posse dos portugueses por 97 anos (1680-1777). O preciso local fundado por Manuel Lobo é hoje o Centro Histórico, Património da Humanidade.


Click nas fotos, para ampliar

Legenda das fotos, de cima para baixo:
* América do Sul, vista do Espaço (Virtual Earth)
* Rio da Prata, visto do Espaço
(Virtual Earth)
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Idem
* Planta da Colónia do Santíssimo Sacramento, 1762, azulejo
* "Baixa" de Montevideu, "
down town"
* Colonia del Sacramento - Portão de Armas
* Colonia de Sacramento - Rua dos Suspiros

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domingo, 29 de junho de 2008

1578. Aldeia Global Portuguesa (9) – Limasawa - Filipinas

Foi a 16 de Março de 1521, que Fernão de Magalhães, na sua circum-navegação – afinal a célebre viagem pioneira que transformou o mundo, dissipando todas as dúvidas quanto à esfericidade da Terra, e, mais, que criou o conceito de “aldeia global”, que actuais experts, parece quererem agora reivindicar… - chegou a Limasawa, pequena ilha situada na ponta sul da grande Ilha de Leyte.


A empresa de Magalhães, ao serviço de Carlos V, de Espanha, destinava-se a tentar chegar às Ilhas Molucas e às suas especiarias, por vias que evitassem encontros fortemente indesejados com o poderio das esquadras portuguesas no Índico.


Magalhães foi, assim, o primeiro europeu a chegar ao território que hoje constitui o país chamado Filipinas, com a capital em Manila. Seguidamente, chegou à fala com o rei de Cebu, outra das grandes ilhas da região, situada a Norte de Mindanao e a Sudeste de Luzón.


O rei de Cebu, por influência dos missionários que acompanhavam Magalhães, converteu-se ao Catolicismo.


Prevendo excelentes possibilidades de ali encontrar o aliado ideal para Carlos V, de Espanha (talvez por ainda não se ter apercebido de que a região já se encontrava adentro dos limites da “jurisdição” portuguesa, decorrente da partilha do mundo acordada em Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494), Magalhães resolveu apoiar o rei local na sua disputa, pelo domínio da região, com Lapu-Lapu, chefe tribal da pequena ilha de Mactán, situada frente à costa sudoeste da grande Ilha de Cebu.


No decurso de tal disputa armada, em 27 de Abril de 1521, deu-se a batalha de Mactán.


Possivelmente atraído a uma armadilha, Magalhães desembarcou com 50 homens da sua tripulação para combater Lapu-Lapu, que o surpreendeu com uma força calculada entre 2.000 e 3.000 homens. (1)


Foi, como facilmente se imagina, um desastre total. E ao navegador português somente restou, como ponto de honra da sua integridade como líder, fazer regressar às naus, a salvo, o maior número dos seus homens que lhe foi possível, enquanto ele próprio se quedava na praia a combater os inimigos, até cair trespassado pelas lanças dos aborígenes.


Ficou, deste modo, a expedição sem comandante, que acabou por ser substituído pelo basco Sebastián Elcano, que, curiosamente, quando da passagem pelo Estreito de Magalhães, a sul da Patagónia argentina, tudo fez para que a expedição desistisse e regressasse a Sevilha, tendo sido necessária muita firmeza por parte de Magalhães para que a empresa prosseguisse.



Deste modo, a nau Victória, única que resistiu a toda a longuíssima viagem, arribou a Sanlúcar de Barrameda, província de Cádiz, porto de partida para a aventura, por volta de 8 de Setembro de 1522, com a missão cumprida.


Haviam partido, em 20 de Setembro de 1519, duzentos sessenta e cinco homens, em cinco naus; regressaram, três anos mais tarde, apenas dezoito, dos quais dois marinheiros portugueses, na única nau que restou, a Victória. Em 1525, chegaram mais quatro membros da tripulação inicial da nau Trinidad, pelo que, ao todo, se perderam 243 vidas na epopeia.


Precisamente cinquenta anos após a chegada de Magalhães, em 1571, o território que hoje se chama Filipinas, designação que lhe foi atribuída pelo então monarca de Espanha, Filipe II, foi colonizado pelos espanhóis, que fixaram a capital em Manila, que fundaram.


O domínio espanhol manteve-se por cerca de três séculos.


Curiosamente, porém, a tão longínqua presença portuguesa ainda se nota em certos costumes tradicionais e em traços fisionómicos, como igualmente na terminologia da língua da região.



Click na foto e nas imagens, para ampliar.
A foto mostra o monumento erguido em memória de Lapu-Lapu,
na Ilha de Mactán, em cuja praia faleceu Magalhães.

(1) Adenda de 8 Agosto 2008

O historiador Rolando Laguarda Trías, citado por Gonçalo Cadilhe no livro "Nos Passos de Magalhães", 2ª edição, Junho 2009, editado pela Oficina do Livro, sugere a teoria de que, mais do que um desastre, Mactán foi um suicídio premeditado de Magalhães.

E em que baseia esta absurda teoria, da qual discordo profundamente? Pois bem, que Magalhães se sentia humilhado e, consequentemente, desonrado, por, contrariamente ao que pensara, as Molucas - que hoje integram as mais de três mil ilhas do arquipélago indonésio, sensivelmente a nodeste de Timor-Leste - encontravam-se dentro dos limites da metade portuguesa da divisão do mundo acordada em Tordesilhas e não na espanhola. E, com tal desonra, ser-lhe-ia "impossível" apresentar-se perante Carlos V, seu patrocinador.

Se bem que, a um primeiro relance, a teoria possa apresentar-se com alguma verosimilhança, uma análise mais cuidada das circunstâncias logo a afastada, fortalecendo a ideia de que a História é passível de interpretações as mais diversas. Umas mais credíveis do que outras, evidentemente. Por mim, não adiro a esta. Porquê?

Muito embora ao tempo estas questões de honra se saldassem frequentemente por decisões semelhantes, o que "desculpará" Laguarda Trías, do que se sabe do carácter de Magalhães - e há inúmeros exemplos na sua vida - não era homem de se deixar abater por um qualquer infortúnio. E menos ainda - o que me parece uma afronta ao navegador - que tal "infortúnio" o levasse, consciente e criminosamente, a conduzir-se e, principalmente, a conduzir dezenas de homens confiados ao seu zelo e que o acompanhavam há já dois anos, por tormentos indescritíveis, que, é sabido, criam solidariedades muito fortes, para uma tal mortandade.

Ora, que "infortúnio" seria esse que, na estranha teoria de Trías, poderia ter levado Magalhães a tão tresloucado acto? Vejamos se haveria razão para tal.

Pois bem, o "infortúnio" teria consistido num erro de cálculo de 5º de longitude. Dito de outra forma: antes de sair de Sevilha e de Sanlúcar de Barrameda, em meados do séc. XVI (não hoje), Magalhães imaginava que as Molucas estariam a leste do anti-meridiano de Tordesilhas, situado a 133º a leste de Greenwich, potanto na metade espanhola do mundo, quando a verdade é que estavam no meridiano 126º - que então, no local, calcularam ser o 128º. Logo e como disse atrás, um erro de cálculo de 5º, ou seja, de um terço de um meridiano terrestre, e feito à distância, no primeiro cartel do séc XVI, insisto!

Há mais, contudo:

Mesmo que esse erro fosse razão suficiente para que o comandante de uma esquadra daquela dimensão, que iria terminar a primeira circum-navegação (não esqueçamos que Magalhães não terminou pessoalmente essa epopeia, mas, ao chegar às Filipinas pelo Leste completou tal circum-navegação, pois que já lá tinha estado, anos antes, vindo de Oeste, ou seja, da Índia), cometesse, e obrigasse a cometer, tão tresloucado e irresponsável suicídio colectivo, convém não esquecer que a honra do fidalgo estava mais do que garantida com a empresa que levava a cabo e que o imortalizou como navegador e explorador de territórios de gabarito ímpar.

Ora, Magalhães tinha instrução suficiente e capacidade de raciocínio e de análise mais do que bastante para se aperceber disso mesmo. Como tal, até por uma questão de pequena contribuição para a limpeza da honra do mais importante navegador de todos os tempos, sugiro que se esqueça tal abstrusidade.

Se fosse historiador, coibia-me um pouco, porque, enfim, "noblèsse oblige", e, assim, não poderia escusar-me a observar um certo grau de solidariedade entre oficiais do mesmo ofício. Felizmente, porém, não o sou. Limito-me a analisar os factos que a História e as suas interpretações diversas trouxeram até mim. Não me sinto, pois, travado de modo
a não afirmar que tudo isto me leva a concluir que tão abstrusa teoria - baseada em pressupostos quase infantis, quiçá de mera propaganda política - que tantas vezes nos surpreende com atitudes de quem ainda não passou da meninice - seria bem caso para se desejar que Rolando Laguarda Trías "fosse a Barrameda" e de lá nunca mais saísse... pelo menos até ganhar alguma consistência na interpretação de factos históricos, porque, ele sim, terá sido acometido de verdadeiro "descalabro moral", não o que afirma ter sido o de Magalhães.

(Os factos e considerações a que faço referência estão consignados no livro de Gonçalo Cadilhe que atrás mencionei, o qual, no entanto, se limitou a transcrevê-los, sem os comentar, o que me pareceu não repor aquilo que parece verdade indesmentível, pelo que me julguiei na obrigação de sair em defesa de Magalhães, a despeito de o navegador dispor, como defesa maior, a sua vida e o exemplo que dela se pode colher).

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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

1380. Aldeia Global Portuguesa (8) – Birmânia - Myanmar

Fernão Mendes Pinto, o celebrado autor de “Peregrinação” acompanhou uma expedição a Malaca.

Dali alargou as suas viagens e, durante mais de 20 anos, percorreu as costas da Birmânia (actual Myanmar), Sião (actual Tailândia), Sunda, Molucas, China e Japão.

Ao chegar a Cosmim na Birmânia, encontrou uma pequena colónia de católicos, como resultado de casamentos inter-raciais de soldados portugueses e comerciantes.

Como Camões escreveu, espalhámo-nos a golpes de espada e de amor, tendo criado a primeira miscelânea genética que começou na África Oriental e fez todo o caminho até ao Japão.

Sensivelmente por essa altura, em 1533, os portugueses estabeleceram uma feitoria em Macau.

Dali rapidamente se estenderam pelas regiões vizinhas, entre as quais a Tailândia e a Birmânia.

Numa época em que os vários reinos birmaneses guerreavam entre si, tropas portuguesas apoiaram forças da etnia rakkine que, em 1599, conquistaram Pegu, a capital do reino de Tangu.

O português mais destacado dessas tropas, mais ou menos mercenárias, Filipe de Brito e Nicote, revoltou-se contra os seus aliados rakkines e passou a controlar o que era então o mais importante porto da Birmânia, Syriam (hoje Thanlyin). Situação que se manteve por 12 anos.

Os birmaneses, chefiados pelo Anaukpetlun reorganizaram-se e derrotaram os portugueses em 1611. Anaukpetlun restabeleceu um reino de dimensões menores com base em Ava e que incluía a alta e a baixa Birmânias e os Estados shans (sem os rakhines). O posterior declínio daquele reino assistiu a uma revolta bem sucedida dos mons (ou mu), a partir de 1740, com ajuda francesa e tailandesa. Os mons conquistaram, então, a baixa Birmânia (1747).

Não obstante derrotados, os portugueses por lá ficaram e da sua permanência no reino (actualmente não há compatriotas nossos lá residentes, como se confirmou nos recentes incidentes resultantes da revolta dos monges, em Setembro/Outubro de 2007) ainda hoje se notam traços bem visíveis e facilmente destacáveis (cfr. Portuguese Descendants of Bhurma’s Um Valley – The Bayingyi).

Foto masculina
As características deste homem do rio Mo são muito de origem portuguesa, como são bastante semelhantes aos luso-descendentes portugueses da Índia e bem assim da colónia portuguesa de Malaca.

Foto da mulher com o filho
Esta bela mulher denota mais do que evidentes características de algumas mulheres portuguesas. As suas feições são nitidamente não asiáticas.

Click na imagem e nas fotos,
para ampliá-las.

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