Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

1306. Acidente de trabalho - Eslarecimentos adicionais


À Seguradora Ypsilon

Exmos Senhores,

Em resposta ao v/ gentil pedido de informações adicionais, acerca do estranho acidente de que fui vítima, em que, na opinião de V.Exas, sofri inúmeras e muito estranhas fracturas, venho esclarecer:

No quesito 3 da comunicação do sinistro mencionei que o acidente se deu pela circunstância de ter tentado fazer um trabalho sozinho.

V.Exas pedem-me explicação mais pormenorizada, pelo que espero sejam suficientes os seguintes detalhes:

Sou assentador de tijolos e no dia do acidente estava a trabalhar sozinho
num telhado de um prédio de 6 (seis) andares.

Ao terminar o trabalho, verifiquei que tinham sobrado 250 kg de tijolos. Em vez de os levar à mão para baixo (o que seria uma asneira), decidi colocá-los dentro de um bidon, e, com ajuda de uma roldana, que estava fixada em um dos lados do edifício (mais precisamente no sexto andar), descê-lo até ao chão.

Desci, amarrei o bidon com uma corda e subi ao sexto andar, de onde puxei o dito cujo para cima, nele colocando os tijolos.

De seguida, regressei ao chão, desatei a corda e segurei-a com força para que os tijolos descessem lentamente.

Surpreendentemente, senti-me violentamente alçado do chão e, perdendo minha habitual presença de espírito, esqueci-me de largar a corda.

Acho desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade. Nas proximidades do terceiro andar dei de caras com o bidon, que vinha a descer.

Ficam, pois, explicadas as fracturas do crânio e das clavículas.

Continuei a subir a velocidade, agora um pouco menor, somente parando quando os dedos me ficaram entalados na roldana. Felizmente, nesse momento já recuperara a presença de espírito e consegui, apesar das fortes dores, agarrar a corda.

No entanto, o bidon com os tijolos caiu ao chão, partindo o fundo. Sem os tijolos, pesava aproximadamente 25 kg. Como podem imaginar comecei a cair vertiginosamente, agarrado à corda, sendo que, próximo já do terceiro andar, quem havia de encontrar? Ora, pois, o bidon quer vinha a subir.

Ficam explicadas, assim, as fracturas dos tornozelos e as lacerações das pernas.

Felizmente que a redução da velocidade da descida, veio minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos, lá em baixo, pois só fracturei três vértebras.

No entanto, lamento informar que ainda houve agravamento do sinistro.

Quando me encontrava caído sobre os tijolos, incapacitado de me levantar e já sem muitas forças, tive que soltar a corda. O problema é que o bidon, que pesava mais do que a corda, desceu a uma velocidade louca e caiu-me em cima, fracturando-me as pernas.

Espero ter fornecido as informações complementares que V.Exas me solicitaram.

Outrossim, esclareço que este relatório foi escrito pela enfermeira que está a assistir-me, pois os meus dedos mostram ainda, na íntegra, a forma como a corda da roldana os moldou.

Atenciosamente,

(a) Manuel Maria de Castel’Branco y Assis

com aceno de simpatia
a JMTeles da Silva

5 comentários:

Isabel-F. disse...

...rssss....


mas que história ...

desgraçado ... tanto azar ...


beijinhos e bom fim de semana

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

É boa, é. Já a conhecia, mas tinha-a perdido.

Hoje, o blogamigo JMTeles da Silva enviou-ma e, vai daí, aproveitei.

Conheces a do Turismo rural com encanto?

Beijinho

Ruben

azurara disse...

Bom, para tamanha burrice... até nem foi muito mau!

JMDP disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruvasa disse...

Viva, Agnelo!

Pois não. Como é hábito em Portugal:

- E vá lá, vá lá!... Podia ter sido muito pior...

Abraço

Ruben