Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

terça-feira, 12 de agosto de 2008

1720. Do Portugal Profundo clamavi ad te...

Mais um excelente artigo de António Balbino Caldeira.

Não resisti a trazer para aqui o respectivo link.
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4 comentários:

António Balbino Caldeira disse...

Meu caro Amigo Ruben

Há um novo cantar de emigração, que é muito mais triste do que o Alegre e a Rosalía: é mudo. Por isso, escrevi falar - e falarmos nós que vemos e sentimos. Que há quem veja e não sinta e quem nem veja quanto mais sinta...

É um cantar mudo, de uma tristeza perigosamente inconsolável, de quem corta amarras, não remete dinheiro para familiares porque sofreu bloqueios e penas e sentiu magra solidariedade ou ouviu o conselho "filho, não voltes!".

AS maioria, prevejo, não volta. E esse êxodo é uma responsabilidade que deveria cassar o mandato de qualquer governo ou representante que não assuma esse passivo e não prometa sustê-lo.

Que pena a nossa, Ruben, e que pena maior ainda a deles que foram alienados pelo sistema corrupto.

Ruvasa disse...

Viva, António!

Tem toda a razão.

É por isso que diz, que resolvi dar destaque ao seu post.

Se bem que - no fim - a emigração, qualquer emigração, traga sempre algum benefício ao emigrante, abrindo espíritos e aportando conhecimentos - e nós temos disso experiência que baste ao longo da nossa centenária História - é bem verdade também que ninguém emigra por gosto, que a emigração é sempre um despegar de algo que somos nós próprios, em busca do que em "nós" não conseguimos encontrar.

Mas, se vista deste último ângulo nenhuma emigração é boa, como não foram as que antecederam a actual, esta parece-me pior, por ser emigração de gente qualificada que vai dar aos países de acolhimento, o saber e a capacidade de aprender e de desenvolver, que aqui não se reconhece e apoia e que tanta falta nos faz.

Sendo todas más, as emigrações anteriores poderiam, mesmo assim, ser compreendidas porque os emigrantes procuravam lá por fora, não apenas o pão, mas também outros conhecimentos que aqui não se mostravam disponíveis. Agora, porém, o País está a ser exaurido de imensas das suas melhores potencialidades, em favor de outros que talvez delas não necessitem tanto.

Por tudo isto, as anteriores resultavam de negligências várias; a actual é, por
em, mais do que isso: é um empurrão criminoso para fora.

Claro que é provável que a maioria não regresse, muito embora saiba de inúmeros casos em que os nossos compatriotas, jovens, na casa dos 20 e princípios da dos 30, estão "loucos" por regressar. Principalmente de Espanha.

Mais dia menos, meu amigo, este empurrão tem que ser justificado, alguém dele terá que prestar contas. Pena é que o mais certo seja pelo julgamento da História e não por outro mais expedito e castigador.

Abraço

Ruben

Maria Augusta disse...

Ruben, aqui na França também está acontecendo um êxodo dos jovens altamente qualificados, pois em outros países eles são mais valorizados...os governos precisam criar mais oportunidades para ajudar os jovens a começar a vida profissional em boas condições, eles são o futuro.
Um abraço.

Ruvasa disse...

Viva, Maria Augusta!

Para não bater muito no "ceguinho", apenas direi o seguinte:

É verdade que há uma decadência geral a nível dos governos, por esse mundo fora. Em Portugal, porém, já se ultrapassou tudo o que era admissível e até o inadmissível.

Abraço

Ruben