Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sábado, 20 de dezembro de 2008

1887. Setubalenses ilustres – “D. Pedro Fernandes Sardinha”

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Filho de Gil Fernandes Sardinha e de Lourença Fernandes, nobres da então vila de Setúbal, D. Pedro Fernandes Sardinha - também conhecido como D. Pero Fernandes Sardinha - aqui nasceu, em data que se ignora.


Faleceu em 16 de Junho de 1556, no arroio de S. Miguel das Almas, próximo da foz do rio Cururipe, a seis léguas de S. Francisco, quando do naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, em que viajava para Portugal. A sua morte ficou a dever-se aos caetés, que, praticando o canibalismo, o devoraram(1).


Irmão do confessor de D. João III, o célebre teólogo Álvaro Gomes, crê-se que D. Pedro Fernandes Sardinha tenha nascido nos finais do século XV.


Formou-se em Teologia pela Universidade de Paris, tendo sido professor de Santo Inácio de Loyola e amigo de S. Francisco Xavier e dos companheiros deste, todos fundadores da Companhia de Jesus.


Leccionou em Coimbra e, posteriormente, em Salamanca. Quando era cónego do Cabido de Évora, foi nomeado vigário-geral da Índia, altura em que foi companheiro de S. Francisco Xavier, tendo ambos assistido aos últimos momentos de D. João de Castro, em 6 de Junho de 1548. Em finais desse mesmo ano, regressou a Portugal.


Entretanto, os jesuítas do Brasil, com especial relevo para o Pe Manuel da Nóbrega insistiam junto do provincial da Companhia, Pe Simão Rodrigues, na necessidade da criação da Vigararia-Geral do Brasil, o que veio a acontecer, a instâncias do rei D. João III junto o Papa Júlio III, a quem afirmava, em carta, que “queria novamente crirar em Sé Catedral a Igreja que se chama do Salvador, na cidade outrossim chamada do Salvador”.


Através da bula Super specula militantis Eclesiae (Atento aos pedidos de servidores da Igreja), de 25 Fevereiro 1551, Júlio III criou a nova diocese do Brasil, com sede na cidade de S. Salvador da Baía e nomeou D. Pedro Fernandes Sardinha seu primeiro bispo


Terá sido sagrado em Évora, onde se encontrava, pelo arcebispo D. Henrique, que viria a ser cardeal e posteriormente rei de Portugal, como decorrência da morte de D. Sebastião, em Alcácer-Kibir.


Em 24 de Março de 1552 partiu para o Brasil, onde chegou, à Baía, em 22 de Junho seguinte, depois de ter passado por Cabo Verde, onde se terá demorado algum tempo.


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(1)

Os Caetés (Kaeté) eram um povo indígena brasileiro, tupi-guarani.


No séc. XVI habitava o litoral brasileiro, entre a foz do rio São Francisco e a ilha de Itamaracá, na foz do rio Paraíba. Com a chegada dos europeus, emigrou para o Pará.


Índios desta tribo, que praticava o canibalismo ritual, comeram o primeiro bispo do Brasil. D. Pedro Fernandes Sardinha, cujo navio em que regressava a Portugal naufragou nas costas da foz do rio Cururipe, com outros cem náufragos.



Texto elaborado a partir de:

- Setubalenses Homens Ilustres da Igreja, Óscar Paxeco, ed. Junta Distrital de Setúbal, 1966

- Wikipédia

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3 comentários:

Ashera disse...

Muito se aprende nesta casa!
Obrigada amigo Ruben
Sempre nos surpreendes pelo melhor!
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Gosto mais deste "pano de fundo", mas aguardo outros :-))
Mais beijos

Lu Ribeiro disse...

Gostaria de saber mais da Família Sardinha. Nomes e descendentes do bispo Dom Pero Sardinha. Se for possível me mande nomes. E se no Brasil ficou algum descendente dele, que pode ter dado origem a Familia Sardinha aqui em Goiás. Moro no entorno de Brasília, sou da Família Sardinha, de Luziânia -GO. Cidade antiga de 1746... Conta-se que a família Sardinha chegou de São Paulo para cá, nos meados de 1800. Por favor me informe, se souber de algo mais. Obrigada

Luciane Aparecida Sardinha
luciane_smile@hotmail.com

Ruvasa disse...

Viva, Luciane!

Infelizmente, não disponho de mais informações, já que elas não são muitas.

No entanto, se algo mais vier a saber, pode contar com a minha disponibilidade para lho dar a saber.

Abraço

Ruben