Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

1335. Receita para honestamente vingar na vida

Ora, pois muito bem.

Trago-vos hoje receita para honestamente se vingar na vida e se chegar ao fim realizado e de consciência tranquila.

Deixo apenas os ingredientes, porque a mistura deve ser feita ao gosto de cada qual.

Aí estão, pois, os que é necessário ter:

1º - capacidade de trabalho

2º - um mínimo de competência

3º - sorte q.b.

Claro que, a acrescentar a estes, administrados em doses adequadas e no momento próprio, deve estar sempre uma boa dose de sabedoria pessoal para não se deixar enredar nas teias de sentimentos mesquinhos, entre os quais avulta a invídia.

É que, além de muito raramente atingir e danificar o alvo, ela é causa de muitos embaraços em praça pública e devastadora para o respectivo agente, que acaba por falecer completamente esverdeado.

A receita é de efeitos seguros, até porque para se poder dispor do 3º elemento, é preciso garantir que os dois primeiros estão lá por antecipação.

* * *

Dei-me bem, muito bem, com a receita e, depois de ter passado por dificuldades indiscritíveis - em meados de 1978 tinha de meu e para dividir por mim, pela Isabel e por três filhos, a mais velha de 5 anos e o mais novo de dias, uma cama de casal, um divã e uma alcofa de bebé, num quarto emprestado, tudo isso por tudo ter perdido em Moçambique... - hoje, a meio da casa dos 60 e tendo recomeçado toda uma nova existência aos 36, trabalhando raríssimas vezes menos de 11/12 horas por dia e muitas dezenas de 24/24, revelando alguma competência, vivo sem dificuldades (a não ser as causadas pelos políticos de poche que temos) e visito outras civilizações, que estão por aí fora à nossa espera e disposição. Tudo graças àquela receita integral, integralmente cumprida.

E vivo feliz.

Mesmo que alguém passeie ou visite mais do que eu, não me sinto nada afectado. Pelo contrário, gostaria que todos os portugueses o pudessem fazer, porque certamente que todos melhoraríamos e Portugal connosco. Nada há de mais estimulante para nos abrir o espirito e nos alargar os horizontes do que conhecer outros países, outras realizações, outras gentes... e com elas conviver por algum tempo.

Não chegarei ao ponto a que chegou Miguel Sousa Tavares ao afirmar peremptoriamente que "quem viaja é melhor pessoa", mas digo, com convicção e ênfase, que se torna pessoa diferente. Não necessariamente melhor, mas seguramente diferente do que antes era.

A receita aí fica. Se servir a alguém...
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