Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

1394. Viver não custa...

Um velho agricultor aqui das redondezas, com sérios problemas financeiros, comprou uma mula a outro agricultor por 100 euros. Concordaram que a entrega da mula seria no dia seguinte.

Entretanto, no dia seguinte, o agricultor chegou e disse:


- Desculpe lá, ó compadre, mas tenho más notícias p'ra dar-le. O raio da mula pfff...

- Pfff?!! Qu'é lá isso?

- Morreu, home, morreu, c'um caneco!


- Ah, sim?! Bom, atão devolva-me o dinheirame.

- Nã posso, porra. Já o gastê...

- Tá bén. Mas, atão traga-me lá a mula na mesma, qua raio!....

- P'ra quê, home de Deus?! Ê cá já nã le disse qu'o raio da mula morreu? E o é que vocemecê vai fazer com uma mula morta?


- Vou rifá-la, ora essa!

- Mas vocemecê não pode rifar uma mula morta, compadre!


- Ah nã que nã posso... Atão nã havia de poder, proquê? Posso, sim senhora! Nã vou dizer a ninguém qu'ela tá morta, calha bén...


* * *

Um mês depois, os dois homens reencontram-se e o agricultor que vendeu a mula perguntou:

- Atão, o que é que aconteceu à mula morta?


- Ora, ora... Rifei-a como le tinha dito. Vendi 500 númaros a 2 euros cada um. Olhe, tive um lucro porrêro: 998 euros!

- Ena, pá! Qua ganda negaciata, catarino! E nã houve nenhum magano a reclamar?


- Claro que houve! E reclamou cum'os diachos... Tambén, eheh, nã havera de reclamar? Mas foi só magano que a ganhou na rifa.


- Atão e como é que vocemecê resolveu o problema, catano?


- Ora como... ora como... Simples. Devolvi-le os 2 euros... Tal nã tá a moenga, hã?!


Gentileza do A. Alves
...

4 comentários:

Camilo disse...

Uma chatice Amigo Ruben, uma chatice!
O homem da mula acaba por ter mais sorte do que eu!...
Quem havia de dizer!
Atão, meu Amigo, não é que não tenho nenhum terreninho em Alcochete?
E não é que nenhum dos meus familiares lá tem sequer uma quintarolinha?
Já andei a basculhar a minha árvore genealógica... a ver se aparece por lá uma tiazinha mesmo afastada, mas qual o quê.Nada!
Mas c'a grande chatice m'a via de acontecer, Amigo Ruben.
Olhe que até a minha Maria já me disse:
-Ó home, aguenta-te... se lá tivesses uma eira ou um palmo de terra, ias a ver que faziam a coisa na OTA!"
Quando se nasce com o cu virado para o outro lado da Lua, é uma porra! Bolas!

Ruvasa disse...

Viva, Camilo!

Sei o que isso é, porque se dá o mesmo comigo. Também não tenho por lá nenhuma eira nem beira, nem sequer dinheiro para as comprar. E também me aconteceria essa de, se tivesse, o aeroporto ir para outro lado, já que sou neto de um senhor muito bem disposto e popular que, tendo-se metido em vários negócios, como era uma alma generosa e "dava" mais do que "vendia", as coisas acabavam assim a modos que para o torto. Então, dizia ele: "sou um tipo com tanta sorte que, se um dia decidir montar uma fábrica de bonés, a partir do dia seguinte os putos começam a nascer sem cabeça".

Mas, agora a sério e uma vez que não temos interesses pessoais no "negócio", sempre lhe digo que, pelas razões que já vieram a público e também pelas que referi no post, sou a favor da solução encontrada. Aliás, para mim, qualquer outra na margem esquerda seria boa dentro do espírito de manter a Portela até não poder mais, a funcionar como alternativa.

Um aeroporto como deve ser, a poder ser transformado em placa giratória intercontinental, no cruzamento das rotas aéreas da América do Sul, de África e até da Ásia, implantado de modo a fazer frente a Madrid, captando clientes do Sul de Espanha, é de interesse nacional tão relevante que não é possível ignorá-lo.

Para mais, servindo perfeitamente e com condições bem adequadas, para descongestionar o tráfego aéreo na Europa central.

Os céus da Alemanha, da França e dos países ali à volta estão saturadíssimos.

Em Setembro do ano passado, estivemos no aeroporto Charles De Gaulle cerca de meia-hora, à beira da pista, esperando para entrar, porque havia uma fila que nunca mais acabava de aviões a aterrar. E, então, pela janela do avião estivemos a vê-los a aproximar-se. Pode não acreditar, mas em cerca de 20 minutos chegaram 17 aviões. Quando um saía da pista para se dirigir à manga, já outro estava a tocar o solo e atrás dele viam-se, em fila, mais 5 ou 6. Nunca eu tinha visto uma coisa assim.

Temos, pois, todo o interesse em possuir um aeroporto de grandes dimensões. Ontem falou-se numa réplica cá deste lado ao aeroporto recentemente aberto o Dubai, que é o maior do Mundo e que muito veio ajudar ao descongestionamento, sendo já um sucesso de receitas. Com o nosso, se houver "cabecinha" e lisura de processos, pode acontecer o mesmo.

Ora, na Ota não havia hipótese de construir um aeroporto de tais dimensões e com tais perspectivas.

Numa coisa eu estou completamente de acordo com os interesses das pessoas da Ota e arredores: as expectativas, que lhes foram criadas e que se mantiveram por tanto tempo, foram goradas e os prejuízos devem ser grandes. Mas, então, que se compensem de outra forma. Com outro tipo de investimentos, mais adequados à região.

Abraço

Ruben

Isabel-F. disse...

hehehehe ...
gostei ...

a chamada esperteza saloia
_________________


afinal enganei-me ... vamos ter Aeroporto em Alcochete ... agora é que eu vou começar a viajar muito ..... afinal Alcochete fica mesmo ali ao lado ....


beijinhos e bom fim de semana para ti

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Já era tempo de gostarmos de alguma coisa, não? Isto em relação ao aeroporto...

Quanto à mula, é isso mesmo: viver não custa... o que custa é saber como.

Beijinho também para ti e um belo fim de semana, a voar...

Ruben