Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

1797. Letónia - 1

Muito provavelmente, Riga, a capital da Latvija (Letónia) e os seus habitantes nem sabem a sorte que têm!

Imagine-se que lá não há - bem, provavelmente há, mas não se lhes dá oportunidade de actuar nem os seus agentes são eleitos para as câmaras municipais - "patos bravos"...

Aqui ficam dois aspectos da Alberta iela (Rua Alberta), uma das muitas de todo um bairro com extraordinária fiada de edifícios em estilo arquitectónico Art Nouveau, a que as autoridades municipais não deixam que a "pataria brava" deite a destruidora manápula.

Os edifícios estão a ser todos renovados segundo a traça inicial. Não é permitido deitá-los abaixo nem modificar-lhes o excelente e inimitável estilo.

Se não é possível, de uma só vez, reconstruí-los na totalidade, então, começa-se pelos exteriores, deixando-se os interiores para melhor oportunidade. O resultado é um espectáculo deslumbrante.

E fica-nos um desânimo enorme pelo facto de os autarcas riguenses não poderem ser eleitos em Portugal, particularmente em Lisboa e Porto... Imagine-se a Avenida da Liberdade a ser gerida por eles!

Por essas e outras, Riga é uma cidade belíssima... e que evidencia uma cultura acima da média por parte dos seus habitantes e gestores



* * *


Mais do que em qualquer outra parte do mundo, os povos da região, letões, lituanos e estonianos, a que se juntam os polacos, são muito sensíveis a agressões imperialistas. Têm-nas sofrido ao longo da História de tal modo que, mais do que ninguém, sabem o que é sofrer sob o jugo estrangeiro.

Daí que a recente questão da Geórgia seja muito sentida por aqui.

Este é um cartaz enorme afixado em lugar de destaque em pleno centro de Riga. Para além da frase do cartaz, em inglês e russo, alguém - não satisfeito por ter "decorado" George W. Bush e Vladimir Putin com pequenos e ridículos bigodes ao estilo do pequeno e ridículo berrador do III Reich - se apressou a acrescentar às cláusulas deste negócio, a inscrição "How much for S. Osetia?" ("Quanto queres pela Ossétia do Sul?").

Fotos: Isabel e Ruben Valle Santos

Click nas fotos, para ampliar
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8 comentários:

expressodalinha disse...

Grandes férias. Também quero!

Ruvasa disse...

Viva, Jorge!

Foram boas, sim. E bem queria mais, mas o pilim...

Abraço

Ruben

Ana disse...

Para além de apreciar estas belas fotos, devo dizer que a decoração pilosa dos cavalheiros lhes fica a matar.

O sentido de humor é transversal aos povos, seja qual for a latitude.
Haverá de existir sempre, como reserva última de esperança.
Quero crer que até entre os muçulmanos se encontrará um ou outro rebelde, capaz de gozar com o que lhe é imposto.

Haja Deus.:)

Abraço

Ruvasa disse...

Viva, Ana!

Ámen!

;-)

Abraço

Ruben

Maria Augusta disse...

Ruben, já havia ouvido falar destes quarteirões Art Nouveau de Riga, quando aqui em Nancy foi comemorado o centenário deste tipo de arte e trouxeram representantes de todas as cidades onde ela ocorre para falar sobre isto. Que bom saber que está sendo restaurado, pelo menos a fachada.
Estes bigodinhos estão demais, traduz bem o sentimento que este duo inspira nestes países que como você disse, já sofreram com o imperialismo.
Um abraço.

Ruvasa disse...

Viva, Maria Augusta!

Está a ser restaurada e bem, como, aiás, se pode ver pelas fotos que publiquei e que mostram apenas dois exemplos de um imenso bairro espectacular.

Mas, embora muito sofridos com a ocupação soviética e antes com a nazi, estes povos nunca quebraram e não se lamentam. Têm uma atitude extraordinariamente positiva, de avançar em direcção ao futuro, não esquecendo o passado, mas olhando sempre em frente. É uma atitude profundamente inteligente, pragmática e que revela - também em outras facetas - uma cultura notável.

Abraço

Ruben

Alice Salles disse...

Eu tb quero ir!
E esse poster nao poderia ser perfeito! E mais, como eu tambem gostaria que o MUNDO mantivesse sua arquitetura original e tentasse nao transformar tudo em um grande McDonalds...

Ruvasa disse...

Viva, Alice!

Tem razão, o mundo está muito parecido com um gigantesco McDonalds.

Mas há sempre alguém que resiste... e o resultado é muito agradável.

Abraço

Ruben