Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 8 de março de 2009

2027. Inversão de valores

Não resisto a transcrever para qui o conteúdo de um email que me chegou à caixa de correio por amabilidade do amigo Aurélio Costa.

Ei-lo, sem comentários, que são dispensáveis:

'Vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, menor, infractor, das dependências da prisão em São Paulo para outra dependência prisional no interior do Estado de São Paulo.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter, para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela mesma transferência.

Vi também toda a cobertura que os média deram a este facto, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONG's, etc...

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero, com ele, fazer coro. No entanto, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.

Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a um vídeo-clube, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias ao seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores na sua humilde campa rasa, num cemitério da periferia...

Ah! Já me ia esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, pois eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá, na última rebelião de presidiários, onde ele se encontrava cumprindo pena por ser um criminoso.

No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas 'Entidades' que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto, e talvez indicar quais "Os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço "por favor":

Faça circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola o Brasil e não só...

Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos"!
...

4 comentários:

Isabel-F. disse...

este texto é arrepiante e...

claro ... bem revoltante.


bjs

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Realmente. É ao que temos assistido, também, por cá.

Só a vítima nunca é assitida, ficando entregue a si própria, aos seus medos, às suas dificuldades, ao seu drama eterno.

Beijos

Ruben

Isabel Magalhães disse...

Ruben;

Deixo o meu aplauso pela decisão de postar esse texto.

Abraço

I.

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Tinha que ser, tinha que ser...

Abraço

Ruben