Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 8 de março de 2009

2028. Óbidos - Um dia bem passado

Sou um tanto avesso a multidões. Talvez porque tenha tido calos nos pés, coisa de que me livrei há uns 30 e muitos anos. Mas o receio ficou... Não obstante isso, desta vez fui meter-me numa multidão imensa. E, além de não me ter acontecido percalço algum, não me arrependi.

Pois é verdade, ontem sábado resolvemos, a Isabel e eu, ir até ao VII Festival Internacional do Chocolate, em Óbidos, que fica 80km a nordeste de Lisboa e a 120, mais coisa menos coisa, de Setúbal.

Com boas auto-estradas (bem, boa, boa a A12, que a A8, embora melhor do que costuma estar, bem precisa de nova asfaltagem em grande parte do trajecto), saímos daqui, pelas 11 da manhã e, às (está por aí algum GNR da BT? Ah, não?) 12,10h.

Portanto, a tempo de irmos em busca de sítio para almoçar e, seguidamente, fazer a visita que nos propuséramos.

Não tivemos, porém, o cuidado de procurar um restaurante que tivesse aderido por completo à festa, ou seja, que tivesse organizado a ementa à base de chocolate.

Por exemplo:
Entrada: sopa de melão com chocolate - Prato de peixe: medalhões de tamboril com gambas e chocolate - Prato de carne: bife da vazia com molho de after eight - Sobremesa: gelado de baunilha e chocolate - Cocktails/bebidas: green after.

E, assim, fomos a um que apenas tinha chocolate (e que chocolate!) num excelente bolo de sobremesa. Tratou-se do
Petrarum Domus (Casa das Pedras), um bar-restaurante situado na rua principal de Óbidos e onde nos deram um bacalhau com gambas que foi de comer, chorar por mais e ficar-se mais cheio do que devia ficar um tipo da minha idade e com o meu IMC.


Mas, diga-se, aquilo estava fabuloso e, regado com um copo de vinho tinto Mundus só vos digo que... não digo mais. O serviço foi prestado por duas belas moças universitárias extremamente simpáticas e de uma eficiência que não é habitual encontrar-se por aí. Também, a subir a a descer aquelas escadas tantas vezes como elas, também eu era magrinho, ora adeus...

Mas ainda bem que não nos apercebemos de que nem toda a ementa era à base de chocolate. É que, se fosse, teríamos ficado muito... enjoados, se bem que consolados e com outro astral (Não sei se sabe, mas, depois do Sol, o chocolate é o melhor antidepressivo que se conhece - bem, eu conheço outro, mas agora não era para ali chamado... Logo após o almoço, hein?).

Findo o repasto, lá fomos à nossa vida.

Visitámos o recinto do Festival, com umas 20 lojas em que o chocolate era o produto mais do que principal, único, e outras tendas de igual jaez, tendo acabado a digressão na tenda principal, onde fotografámos algumas obras-chocolateiras de excelente dimensão e arte.

Saindo do recinto do Festival, reentrámos em Óbidos e, de regresso, decidimos que não sairíamos de lá sem provar a célebre ginja de Óbidos, bebida, desta vez, em cálice de chocolate.

A caminho da saída, passámos por duas igrejas, onde entrámos para, numa delas, assistir aos votos de amor eterno e fiel de um parzinho de pombos todos ternurentos e arrulhadores (se eles soubessem no que se estavam a meter!...) e, à saída, topámos com um grupo de alegres folgazãs que nitidamente, tinham achado a ginja uma delícia, pelo que... talvez se tivessem excedido um pouco. Mas lá que foi um gosto vê-las rir sem contenção, lá isso...


Já no final da visita, entrámos numa casinha de recuerdos, onde comprámos magnetos e, à porta, tirámos fotos de vários objectos expostos, daqueles fabricados nas Caldas (da Rainha, Leonor, claro!). Estávamos nesta contemplação, quando passaram por ali uns quantos marmanjos que comentaram entre si que "aqueles até parece que o que querem é "um das Caldas""! Fiquei sem saber o que significava a piada... ;-)

Bem, finalmente tendo deixado Óbidos, metemo-nos novamente na A8 e nela seguimos até logo ali perto, às Caldas da Rainha, entrando então na A15, com excelente piso e nela fomos ao encontro da A1 e da cidade do gótico, a belíssima Santarém.

Depois, Ponte Salgueiro Maia sobre o Tejo, A13, com uma tarde fenomenal, até à A2 e daí à A12 novamente e a casa.


Aqui chegado, tinha à minha espera um e-mail, com um convite do blogamigo e corajoso e muito ilustre resistente ao deprimente status quo em que vivemos, António Balbino Caldeira, a que, não somente pelos méritos da acção subjacente ao convite, como pela altíssima consideração que nutro pelo autor do Do Portugal Profundo, não conseguiria resistir. Por muito que tentasse... Pelo que... nem tento.
click nas fotos, para ampliar
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6 comentários:

Isabel-F. disse...

é um local onde um dia gostaria de ir ... essa Feira do Chocolate ... mas quando oiço falar nas bichas que se formam para lá chegar ... perco a vontade ...


bjs

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

O Festival abre diariamente às 10horas da manhã.

Se lá chegares até ao meio-dia, para aproveitares oara lá almoçar, não tens problemas.

Beijos

Ruben

Conceição Duarte disse...

Querido, enfim te respondo agora no lugar certo hehehehe

Adorei as fotos e tudo que contou no seu post. Muito legal e de um bom humor extremo, como sempre!

Vejo o que se confirma, quando falamos da liberdade de expressão, da cabeça das pessoas, seus usos e costumes. Portugal não deixaria por menos! As canecas de Óbidos são demais! Muito lindinhas, e safadinhas. Amei!

Gsotei também dos chocolates e da cultura em fazer dele coisas que fizeram parte da história. maravilha, isto é arte e cultura.

Quanto ao cardápio... Hum delicioso!

A cidade de öbidos é lindíssima! Ví uma vez no inverno, ou melhor, de longe nem se via direito... Depois andando pelas ruas antigas da cidade, ví como é bonita. E já lá estive tb no verão. Uma alegria só!

Lindo Ruben, adorei!

Bjus mil e ótima semana para vcs aí!


CONCEIÇÃO

Ruvasa disse...

Viva, Conceição!

Sim, amiga, Óbidos - Oppidum, no toponímico latino - é um local muito aprazível, onde tem que se ir de vez em quando e que nunca cansa.

Muiuto embora, como disse no post, tenha sido um dia muito agradável, prefiro visitar aquela jóia em dia mais sossegado.

Beijos também para si, querida Conceição.

Ruben

Isabel Magalhães disse...

Ruben;

Ai que invejinha "da boa" de não ter ido...

No entanto confesso que odeio multidões e seria má decisão da minha parte ir num dia desses.

Gostei muito da sua narrativa. Espero que os amigos do Brasil tirem apontamentos porque é uma excelente informação (palavra de ex-Técnica de Turismo). ;)

Abraço

I.

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Aquele foi um dia bem passado, mesmo para quem foge das multidões como o diabo da cruz.

Houve uma coisa que, afinal, não contei no texto.

É que as tais amigas da ginja, tendo apanhado a noiva à entrada da igreja, não a deixaram entrar e prosseguir em direcção ao altar, sem que ouvisse o que tinham para lhe dizer... cantando.

Foi de risada geral. E o ar do palerma (na ocasião todos ficamos com ar de palermas, os que o são já e os outros também...) do expectante noivo de aba de grilo!?

Abraço

Ruben