Muito se escreve e baboseia acerca da grave crise mundial, de conjuntura, e, cá entre nós, dessa e ainda da endémica nossa, de estrutura.
No entanto, ninguém fala, baboseia, ou tenta tratar de uma terceira crise que nos afecta de forma particularmente grave e que, afinal, é a raiz de todos os males dos portugueses, porque é a crise mais profunda e prolongada que alguma vez nos perseguiu e que, uma vez aqui instalada, teima em não nos abandonar.
Sim, para lá da conjuntural crise mundial e da estrutural nossa, o que mais nos deprime e diminui, não permitindo que a nossa sociedade avance e se coloque ao lado das mais avançadas desse mundo, é a crise de valores, ou, melhor dito, a crise da ausência de valores por que nos batermos ou, pior ainda, se possível, a de nos batermos por valores completamente errados.
E essa provém, única e exclusivamente, da falta de instrução e mais, da completa ausência de cultura que por aí se vê.
Para a combater, é preciso privilegiar-se a educação, com meios e gente que saiba o que faz e para onde devemos ir, não com aprendizes de feiticeiro, eles próprios pouco instruídos e ainda menos cultos.
Mas o mal tem que se atacado já e com toda a determinação. Se não possível com portugueses, então com "instrutores" importados. Assim ou assado, o que não é possível de tolerar é que as coisas se mantenham como estão.
Nesta perspectiva, há que repudiar a simples hipótese de sermos governados por gente que se apresenta com habilitações que efectivamente não tem e bem assim com uma falta de cultura que todos os dias exibe urbi et orbe com a auto-satisfação do completo ignorante que, por nem sequer saber que não sabe, ufano pesporra e se arroga de direitos e saberes que não pode ter.
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