
Embora, como já lhe disse pessoalmente ainda há menos de um mês, algumas vezes não tenha estado em acordo com ele.
Desta vez, acho que é o grande vencedor deste Congresso, porque se bateu pela sua realização e viu-se bem que o partido precisava disso. Portanto, uma vez mais, demonstrou que sabe ler os sinais dos militantes e sabe igualmente dirigir-se-lhes ao âmago. Uma sensibilidade que muito poucos têm.
Mas PSL falhou em duas coisas, a saber, uma em que perdeu e outra em que ganhou:
1. A que perdeu foi a questão da revisão dos Estatutos na parte em que pretendia que a eleição do presidente do partido se fizesse no decurso do Congresso, incluindo uma segunda volta que houvesse que realizar-se.
Não fazia sentido e era uma barafunda dos diabos. Tive oportunidade de lhe dizer pessoalmente que discordava do método. Entendo que o Congresso deve anteceder as directas mas estas realizarem-se alguns dias após e uma segunda volta uma semana depois. E a eleição do presidente do partido feita em lista da Comissão Política Nacional.
Só assim as coisas se processariam sem sobressaltos. A eleição dos restantes órgãos far-se-ia igualmente na mesma altura. A sua opção não foi esta e viu-se no que deu;
2. A que ganhou, entendo que teria sido preferível que tivesse perdido também. Compreendo a razão de ser da existência da proposta de penalização, por discordância da direcção do partido, nos 60 dias anteriores a actos eleitorais. E bastará relembrar as atitudes de José Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite e, principalmente, Aníbal Cavaco Silva, para se perceber a pertinência.
No entanto, para lá de discordar da necessidade da introdução de tal penalização, porque há já outras a debruçarem-se sobre a questão, nos Estatutos do PSD, discordo ainda mais que a iniciativa tenha surgido do próprio PSL. Tem um cheirinho a révanche bem dispensável e constitui-se sombra numa postura impecável que Pedro Santana Lopes sempre teve em tais circunstâncias. A de superioridade às baixezas (para ser moderado) que sofreu na carne e ao seu absolutamente indesmentível cavalheirismo, mesmo político, o que o tem evidenciado como bem sucedido caso único em Portugal. Não gostei. Não gostei mesmo nada.
Este não é o PSL que sempre apoiei e continuo a apoiar.
Há momentos de manifesta infelicidade em que tudo nos sai ao contrário daquilo que sempre fomos e podem, num instante, arruinar uma imagem laboriosamente construída em anos e anos de lucidez. Há momentos em que mais valia ter-se ficado em casa. Até porque estragou bastante o efeito benéfico que conseguira com a realização do Congresso. Espero que não demore a corrigir o tiro.