Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

897. O calafrio de Jorge de Sena

Um calafrio me percorreu, de pensar que eu podia ter descido também, num balde despejado, pela pia abaixo (como outros irmãos meus que os meus pais não tinham querido).

E reagi, pensando maldosamente, como seria bom que soubéssemos, retrospectivamente, quem mandar a tempo por aquele caminho.


Jorge de Sena
Sinais de Fogo, Cap. XXIX

...

2 comentários:

azurara disse...

Que arrepio senti, Ruben.
Ufa!

Mas olhe lá, isto não pode ser considerado terrorismo? Ou o Jorge de Sena ficou imune a estas coisas?

Ruvasa disse...

Viva, Agnelo!

Terrorismo? Talvez, mas de quem?

De Jorge de Sena, por ter escrito o que escreveu, ou seja, aquela "heresia"?

Meu, por insistir neste assunto e não tencionar calar-me?

Estou quase certo de que Sena estar-se-ia marimbando para quaisquer opiniões para-homicidas e homicidas; quanto a mim, tenho mesmo a certeza de que me estou positivamente marimbando para isso. No mínimo, tanto quanto certos senhores e senhoras se estão marimbando para os nascituros a quem negam o pimeiro e mais inafastável direito que a um ser humano tem que ser reconhecido: o de nascer.

E, não lhes reconhecendo esse direito, uns matam-no e os outros aplaudem a mãos ambas. Ou seja, uns são a mão assassina e os outros os autores morais desse crime hediondo.

Entre eu e eles há uma diferença: é que eu não mato nem concordo que se mate. Oponho-me, mesmo violentamente, se for preciso. O que, como sabe, faz mesmo toda a diferença.

Acontece que sou politicamente incorrecto. Prefiro sê-lo politicamente do que sob o ponto de vista humanitário.

"Eles" hão-de um dia vir a perceber aquilo que agora oportunisticamente não querem perceber, por não lhes dar jeito.

Será tarde já, porém, para milhões de seres, quando quiserem recuar. Irremediável. E, assim, hão-de ficar conm a vergonha e o arrependimento cravados como espinho lacerante no espírito. Para sempre. Foi o que buscaram, será o que terão. Cada qual colherá segundo o que semeou.

Para um governo que promove um genocídio destes não há mesmo qualquer tipo de remissão. Há-de ficar conhecido como o governo que um dia, num país que era conhecido pelos sentimentos humanitários do seu povo, foi capaz de abertamente e sem remorso promover a morte dos inocentes mais inocentes.

Herodes - atendendo às épocas, a dele e a de agora, e bem assim às circunstâncias (não havia agora o receio de uma rebelião anunciada a temer de qualquer dos nascituros) - não terá sido tão preverso, tão desprovido de humanidade. Nem tão cínico.

A vergonha há-de cobri-los irremediavelmente, aos representantes do governo que foi capaz de tal ignomínia.

Abraço

Ruben