Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

2524. Sr. Sócrates!



...ao contrário do que constantemente faz transparecer, o senhor não é o administrador todo-poderoso de qualquer coutada nem os que o servem de forma escusa são espantadores de caça com algum reconhecimento social de decência.


Não é possível que alguém entenda ainda que se justificam os “rodriguinhos” e “rapapés” com que se tem mimoseado José Sócrates. Porque tais “rodriguinhos”, tais “rapapés” constituem-se verdadeiros assassinos da dignidade da alma portuguesa. Assim…

Sr. Sócrates!

Quer fazer-me – e a todos os nossos concidadãos nisso interessados – a especial fineza de esclarecer todo o país acerca da razão por que, não obstante os “jornalismos de buraco de fechadura”, as “calúnias”, as campanhas de “difamação”, as “cabalas”, as “indignidades” que tem sofrido, como diz, e mais as “covas da Beira”, as “arquitecturas ilegais”, as “licenciaturas domingueiras”, os “freeports”, as “faces ocultas”, as “almoçaradas picantes” e tudo o mais que as musas de todos os tempos cantam, o senhor ainda não teve a única atitude decente que se impõe, qual seja a de se explicar extensa e claramente perante o país ou, não o querendo fazer e em alternativa, pura e simplesmente demitir-se do cargo para o qual, ao que tudo indica, não tem o arcaboiço indispensável, indo à sua vida e afazeres para bem longe daqui, deixando que retomemos a nossa existência de nação quase milenar que, não só por isso mas também por isso, não merece os favores das suas atenções?

Gostava que tomasse boa nota do seguinte:

A legitimidade para a ocupação – digo bem, ocupação – do cargo em que está investido não provém exclusivamente do voto dos cidadãos. Se proviesse, o berrador do bigode pequenino e que conseguia, – imagine! – gritar com toda a gente mais do que o senhor e tantos outros como ele, jamais teriam sido derrubados.

Sim, a legitimidade para decidir dos destinos de um povo tem comos alicerces indispensáveis, inafastáveis, o respeito pelos concidadãos e a máxima dignidade de que se é capaz para fazer de todos os actos – não só os oficiais e principalmente os não oficiais… – momentos de elevação e exemplo de cidadania consciente e acatada para todos os efeitos legais, sociais, morais.

Em retrospectiva do seu passado, longínquo, de médio prazo ou imediato, afigura-se-lhe que a sua conduta tem sido imaculada ou, quando menos, apenas beliscada aqui e além por um ou outro percalço de somenos ou, pelo contrário, vê-se na contingência de ter que intimamente reconhecer que se tem pautado por uma sucessão de actos suficientemente condenáveis para que nem sequer se atreva a ter a veleidade de aspirar a um lugar junto do Criador ou das 7000 virgens? Sequer no panteão da História Portuguesa?

Não sei verdadeiramente o que pensa acerca do assunto, porque não se tem dignado dá-lo a conhecer, como era de sua estrita obrigação, já que, ao contrário do que constantemente faz transparecer, o senhor não é o administrador todo-poderoso de qualquer coutada nem os que o servem de forma escusa são espantadores de caça com algum reconhecimento social de decência.

Mesmo que não cuide de saber, sempre lhe dou a minha opinião: perante o que, de há cinco anos a esta parte, tem sido ex abundante trazido ao conhecimento público e nisso fazendo fé, já que não há convincente e completo desmentido de sua parte, entendo que a alternativa que se lhe aplica é a segunda das acima elencadas, ou seja, a de que a sua acção se tem pautado por uma sucessão de eventos que, não dignificando ninguém, colocam o respectivo agente indubitavelmente sob a alçada dos poderes de soberania da nação.

E estou do lado desta hipótese porque – por dificuldade minha certamente – não posso aceitar que uma tal sucessão de factos tenha provindo exclusivamente da imaginação do mais arrojado e fecundo ficcionista já conhecido.

Aqui chegados, mister é que regressemos ao início, ou seja: quer fazer-nos a fineza de esclarecer o que tem ou não tem andado a fazer de reprovável e danoso para os interesses de Portugal, enquanto supostamente governa o País na senda do progresso?

Se o não fizer, desde já lhe dou a saber que me sentirei legitimado para de si pensar o que mais me convier em face do que já se sabe e propalá-lo aos meus concidadãos. Em simultâneo, tudo farei e a todas as acções legítimas aderirei no sentido de o derrubar, sem a mínima contemplação.

Pelo que se vai sabendo e não é por si cabalmente desmentido, o senhor não tem o direito – legal e menos ainda legítimo – de governar Portugal.

Já agora e para mero conhecimento seu, considero que a actuação dos órgãos de soberania portugueses, através dos seus titulares tem, ela também, sido deplorável, já que em sucessão arrepiante para qualquer mentalidade democrática, se têm eximido ao cumprimento das competências e deveres que juraram cumprir quando da assumpção dos cargos em que estão investidos. O que é muito humilhante para toda a nação portuguesa.

Mas isso é história que certamente será abordada noutra oportunidade.

9 Fevereiro 2010

Ruben Valle Santos

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

2521. O recado

(...)
Daí que, nos tempos que correm, mais importante do que discutir os exemplos que falham, cabe enaltecer a atitude de todos os que na Justiça, na Comunicação Social ou em qualquer outra área, não abdicam dos princípios e ousam enfrentar as interferências e decisões ilegítimas dos que tentam limitar-lhes a liberdade de agir de acordo com a sua consciência.
(...)
João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público
in CM, 7 Fev 2010


* * *

Sabe a quem é dirigido este autêntico recado? Sim, porque tem destinatário certo. Que, a estas a horas, estará a meter as mãos pelos pés aí num canto qualquer, tentando dar bom cumprimento a mais um freight service...

Ora veja lá se adivinha!...
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terça-feira, 13 de novembro de 2007

1279. Honrar a boca mandada...

Foto DN

Num país ainda mais longínquo de nós do que aquele de que ontem vos falei, apareceram um dia uns senhores muito ilustres que, entre outras bocas foleiras, mandaram esta.

- O que os senhores anteriores andaram a fazer foi pura sacanice, própria de sacripantas da pior espécie, pelo que vamos corrigir a patifaria feita, nós, que somos gente decente e que, portanto, honra a palavra como ninguém. As portagens que eles queriam colocar nas auto-estradas vamos proibir que sejam postas. As estradas são de todos, fosga-se!

Arlapado, atarantado como é qualquer povo pouco dado às letras e ao conhecimento, o eleitor logo correu a votar nos ditos, pensando com os seus botões:

- Isto, sim, porra!, isto é que é gente séria e a sério. Merecem ir para o poleiro. Tomem lá o meu voto.

E pimba! Lá foi ele, o voto, todo pessuroso, e mais uns milhares muito largos deles, mais votos, igualmente pressurosos. Levados por eleitores descuidados, pouco dados às letras e ao conhecimento, com muita iliteracia pelo meio. Tudo ao ar!

Resultado: têm os tais eleitores - e os outros, os que não são tão arlapados como os primeiros - vindo a apanhar nos lombos que não tem sido brincadeira nenhuma. O que, aliás, é bem feito.

E têm apanhado na mona de todos os modos e feitios e em todos os capítulos. Agora, até nas portagens. Não só vão pagá-las nas auto-estradas - talvez se excepcione aquela que, em todo o seu percurso, tem belíssimas estradas alternativas que estão (palavra de honra que estão) às moscas, mas a demagogia é assim... - mas igualmente nas estradas nacionais.

Toma lá que é para aprenderes... se bem que a gente bem sabe que nunca mais aprendes, ó pacóvio!

Corre lá a dar-lhes o voto novamente, anjinho!... A uns ou a outros, já que são todos iguais, ó estúpido ignorante...

Naquele longínquo país de merdas, é assim... Felizmente por cá, é tudo bem diferente... Haja Deus!
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

1235. Alguém pode esclarecer?

Acaba de me chegar, por email, a seguinte informação:

Os computadores que a TMN propõe por quase 800€
estão à venda na
FNAC por 499...
e a FNAC também oferece crédito
que acaba por sair
mais barato do que a oferta
do nosso governo socialista
no âmbito do
seu programa de choque tecnológico
que fez as paragonas dos jornais.


Há por aí alguém capaz de confirmar ou desmentir esta afirmação? É que uma tal coisa é de gritos!

Na verdade, não se trata da venda de um qualquer burro ou mula em qualquer feira, por um qualquer tipo de bigode e tez morena, acompanhado de uma qualquer mulher de saia até aos pés e cabelo a bordejar o sul das nádegas.


Ou... será?
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

1204. Descubra as... semelhanças!

No Diário de Notícias e sob o título SARKOZY DEBAIXO DE FOGO, o jornalista Sena Santos escreve sobre o actual e recentemente eleito presidente francês.

Experimente ler o artigo e tente descobrir as... semelhanças com algo que lhe toca bem mais de perto do que a sarkozyana figura.

Gentileza de A. Alves

...

1203. Avolumam-se as opiniões mais diversas...

... e os sinais são cada vez mais preocupantes para cada vez maior número de pessoas.

Agora é o
DISCURSO SOBRE O MEDO,
de Baptista-Bastos,
no Diário de Notícias.

Ora, quando todos confluem para determinado ponto e apenas um segue para outro, está toda a gente errada, excepto o dissonante?
...

1202. Fico muito mais descansado...

Última hora
Inquérito arquivado

PGR não encontrou irregularidades na licenciatura de Sócrates

A Procuradoria-Geral da República arquivou o inquérito à licenciatura em Engenharia do primeiro-ministro José Sócrates, considerando que da análise aos elementos de prova recolhidos resultou "não se ter verificado" a prática de crime de falsificação de documento.

Sic Online - ver mais aqui

* * *

Confesso que estava um bocado preocupado com este caso, porque seria motivo de grande desprestígio para o país, no seu conjunto - e pior agora que estamos a presidir a Uma União com 27 membros... - se, na verdade, se tivesse verificado qualquer crime.

Perante esta excelente notícia, porém, vou dormir muito mais sossegadamente, livre de pesadelos, já a partir de logo à noite.

Depois disto, para que durma completamente descansado e sem mais suores frios nocturnos, apenas necessito que a PGR venha garantir urbi et orbi, que também não houve qualquer ilícito na circunstância de terem sido inseridas falsidades em vários documentos oficiais do estado Português, a saber, pelo menos:

1 - Acta da tomada de posse do actual Governo, da responsabilidade da Presidência da Republica;

2 - Publicação do aviso dessa tomada de posse, em DR, da responsabilidade da mesma PR e da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dependente do Governo;

3 - Texto do portal do Governo na Web, até há 3 meses atrás sensivelmente, da responsabilidade do próprio Governo da República Portuguesa.

Vindo dizer isso e que, não tendo havido ilícito, forçosa e forçadamente não existe também responsável a quem pedir contas, a PGR deixar-me-á a dormir em paz e sossego não somente em toda a noite do dia em que o fizer, como em todas as noites que se lhe seguirem pelo resto da minha vida.

Fico na expectativa. Ansiosa. Como certamente se imagina.

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sábado, 28 de julho de 2007

1198. Mais um insuspeito...

(...)
Visão -
Como descreve a geração que está no poder?

A. Arnaut - É um produto das circunstâncias. Noto falta de cultura cívica. É gente sem reflexão sobre os comportamentos, a arte, a literatura e a história do nosso povo. A cultura é uma sabedoria que se recolhe da experiência vivida. Muitos deles não têm uma ideia para Portugal, não conhecem o País. Vivem do imediatismo, da conquista do poder. Conquistado, vivem para aguentá-lo. Esta geração vale-se mais da astúcia do que da seriedade. E aprendeu os ensinamentos de Maquiavel.
(...)
António Arnaut, o pai do SNS português, em entrevista à Visão Online, 25 Julho 2007.
Ver mais aqui.
...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

1196. Se o diz talvez seja porque o sabe...

A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude
Contra
o medo, liberdade

Público - 24.07.2007

(...)
Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE.
(...)
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado.
(...)
Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.
(...)
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente.
(...)
Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.

(...)
Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

* * *


Estando Manuel Alegre tão perto do Poder - do PS como do Governo - como poderei eu, nesta oportunidade, contradizê-lo ou mesmo achar que não sabe do que está a escrever?
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terça-feira, 24 de julho de 2007

1193. Duas notas sobre a questão do aborto


Deixo aqui, sem comentários - até porque são desnecessários... - duas notas sobre a questão do aborto, a fim de que quem isto ler ajuize por si:


1ª questão
, que já tem uma ou duas semanas:

Foi superiormente decidido que o limite máximo de gravidez verificada, que permite que se proceda ao aborto, suave e capciosamente chamado de interrupção voluntária da gravidez, é de 9 semanas e 6 dias.

Foi ainda decidido que, após se verificar que aquele prazo não está excedido, pelo que o aborto pode ser feito, é dada à mulher - obrigatoriamente - um período de reflexão de 3 dias e, só depois desse período e se ela persistir na vontade de abortar, se procederá ao aborto.
Portanto, a mulher pode ir ate às 9 semanas e 6 dias, prazo limite para a verificação da gravidez e das condições para abortar.
Sem comentários, como prometido, mas com contas -

9 semanas e 6 dias + 3 dias = 10 semanas e 2 dias
ou seja,
neste caso o aborto será praticado
nunca antes das 10 semanas... e 2 dias,
quando o objecto do referendo e o que está vertido na lei
refere expressamente o limite das 10 semanas para a prática do aborto.

* * *

2ª questão, que é de hoje:

A Ordem dos Médicos, através do respectivo bastonário, veio dizer que médico que se declare objector de consciência para não realizar abortos no serviço público será sancionado no caso de o vir a fazer no sector privado.
E lamentou que o Governo não tivesse solicitado, como devia, à Ordem a tarefa de listar os médicos objectores, para controlo efectivo.
Questionado sobre o assunto, o ministro da saúde afirmou que esse é um problema da Ordem dos Médicos e que

ao Governo apenas interessa saber quais os médicos que,
em determinado hospital são objectores,
para "ali" não fazerem abortos.

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domingo, 22 de julho de 2007

1190. A estupidez continua a grassar

Nos partidos continua a grassar a maior estupidez. É que já nem se trata de mera falta de senso. É estupidez mesmo.

Imagine-se que - depois da eleição intercalar para a CML e na sequência dos extraordinários maus resultados - para a democracia - que têm consistido as miseras votações que têm vindo a acontecer, nenhum daqueles conjuntos de senhores, uns que ganharam lugares mas perderam por completo o respeito dos eleitores que cada vez mais os manda à... fava, outros que perdendo esse mesmo respeito perderam mais, porque perderam as eleições e até o eleitorado mais "agarrado", que se tem vindo a volatilizar e que nestas eleições, não só viram a não ir votar como a ir e a votar em candidatos travestidos de "independentes"
- andam todos satisfeitos uns pela misérrima vitória por quantidade de votos que, na anterior eleição daria para ter perdido "por uma carrada", ou passam o tempo a guerrear-se parvamente no interior dos respectivos partidos, como se alguém quisesse saber dessa merda para alguma coisa.

Como se não tivessem obrigação, isso sim, de entrar em reflexão profunda e contricta, tentando descobrir onde é que falharam para que mais povo os mande lamber sabão a cada eleição que ocorre e corrigirem a mão.

Será que haverá nos partidos alguém com um pingo de... já não digo de vergonha na cara mas, ao menos, de inteligência, para se coibir de exibir esta completa estupidez em praça pública?
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

1188. "29%? Que azar!?"

Camilo Lourenço



Vinte e nove, vírgula um por cento. Foi quanto subiu a receita do IRC no primeiro semestre do ano.

Segue aqui
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domingo, 15 de julho de 2007

1185. Eleições em Lisboa

Os resultados da eleição autárquica lisboeta, hoje ocorrida, não constituem qualquer surpresa seja para quem for, com um mínimo de noção da coisa política.

A abstenção

Tem vindo a subir a cada acto eleitoral e de referendo realizado. Quanto às responsabilidades pelo que tem sucedido, não é preciso muito efabular para se concluir que elas pertencem inteiramente aos políticos que, de há dezenas de anos, têm moído o juízo aos portugueses, sem proveitos que se vejam para o País e desacreditando-se cada vez mais perante o eleitorado. Na verdade, é difícil resistir à tentação de fugir das urnas, quando os políticos são, realmente, tão maus, tão irresponsáveis, tão merecedores de uma corrida em pêlo, por indecência e má figura...

O PS

Teve uma vitória por números ridículos e nem o facto de ter obtido grande diferença de votos para o segundo classificado na tabela nem o de, desde 1976, ou seja, de há 31 anos a esta parte, ter, pela primeira vez, vencido em Lisboa sozinho, escamoteia o incómodo de uma vitória sem razões para euforias.

O conjunto dos votos PSD/Carmona

Como tive oportunidade de escrever dias atrás,
a não ter havido a ruptura PSD/Carmona, António Costa teria sido francamente derrotado, pois que, mesmo sem estarem num só grupo, que potencia sempre os ganhos, a soma dos resultados obtidos por Carmona e Negrão suplantaria, sem sombra de dúvidas, os resultado de Costa.
Significa isto objectivamente que o PS venceu sem mérito, mas com a imprescindível muleta de quem, no PSD, não sabe o que anda a fazer, ou seja, os mesmos que impediram o PSD de infligir a Pinto de Sousa a quarta enorme derrota eleitoral consecutiva em 2 anos e meio (as outras haviam sido as autárquicas de 2005, as presidenciais de 2006 e as regionais da Madeira de 2007)... É obra, mesmo para tanta incompetência!

O CDS

Para além do mais, colheu os louros do "trabalho" de Maria José Nogueira Pinto no decurso do mandato anterior na CML, ela que, desde que anda na política, sempre se constituiu em certo e não negligenciável factor de amuo, guerrilha e desestabilização em tudo quanto se mete, como é amplamente sabido.

O PSD

Entrou no desastre total
, como de há muito se esperava. Jamais tinha obtido resultado tão baixo e desmobilizador. Jamais certamente o voltará a obter. Tudo ajudou. A começar por Marques Mendes, revelando uma inabilidade total como estratega e líder (dele sempre entendi que tem perfil adequado para director de serviços mas jamais para director-geral...) e um autismo, um total alheamento do que o rodeia e uma notória incapacidade de reagir com eficiência aos escolhos que pelo caminho encontra, a continuar por tudo quanto antecedeu esta crise da CML e o decurso da mesma e a terminar na fraquíssima prestação (porque de melhor não é capaz) do candidato de 5ª ou 6ª escolha descoberto por MM já no estertor da agonia, o que o levou a nem sequer tentar saber, em Setúbal, se o candidato valia a aposta... e o tremendo risco inerente. O que, diga-se em abono da verdade, logo nos primeiros passos da campanha se constatou que não.
Em tais condições, jamais o PSD poderia ter alcançado mais do que efectivamente alcançou. Entendo mesmo que não ter sido pior só pode ter acontecido por intercessão de algum santo de altar verdadeiramente milagreiro.

As responsabilidades, segundo os eleitores

A julgar pelos resultados, restam pouquíssimas dúvidas de que o eleitorado lisboeta
não responsabilizou Carmona Rodrigues pelo que na CML se passou, mas, isso sim, atirou toda a culpa para as costas do PSD, por inteira responsabilidade de quem não soube estar à altura da situação.

O que fica dito, resume, em traços largos, o que me parece mais relevante nos resultados verificados.

* * *

O que segue

a) A Marques Mendes resta apenas uma saída de dignidade. Isso mesmo: sair de cena. E certo que será uma saída pela esquerda baixa, mas, ao menos, preservará uma certa e muito necessária dignidade política. Tem que demitir-se e, de preferência, já esta noite. Ele é o grande responsável pelo sucedido, como igualmente pela falta de liderança do PSD e pela completa ausência de oposição a Pinto de Sousa e aos seus desmandos.
Não se demitindo de imediato, Marques Mendes não só penaliza o PSD, como abre as portas a nova maioria absoluta de Pinto de Sousa, em 2009, mesmo que este continue a praticar enormidades como até aqui. É que, não havendo contradita, não tarda que o eleitorado se "habitue" a este estilo de vida e passe a considerá-lo coisa normal. E quem é que quer desfazer o que já será "normal", para ir em busca do desconhecido?

b) Para sobreviver com alguma dignidade e capacidade de regeneração e recuperação, o PSD tem que livrar-se, com a máxima urgência, da tenebrosa influência de "inscritos" seus como Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros, mas estes principalmente, piores para o partido do que os piores dos adversários.
Desde que, no período que antecedeu as legislativas de 2005 (Marcelo mesmo de muito antes, como todo o Portugal bem sabe...), juntamente com Cavaco Silva, criaram inúmeras dificuldades ao partido, algumas das quais ainda não foram superadas, não têm parado na perniciosidade da sua acção.
Urge libertar o PSD. E essa libertação passa, não tenhamos dúvidas, pelo corte de ervas daninhas que muito prejudicam o normal desenvolvimento do conjunto do partido.


Ou se vai fundo e os sociais-democratas tomam as decisões correctas, entre as quais estas duas absolutamente imprescindíveis ou redundará em tarefa inglória tudo quanto se tente fazer pelo partido. Os militantes, principalmente os que detêm maiores responsabilidades institucionais, sempre souberam mostrar-se à altura dos acontecimentos e da história do Partido. Espera-se, portanto, que não falhem desta vez. Os militantes, não os que do partido apenas se servem...

Nota final... e indispensável

Uma última palavra que pretende ser de reparo a alguém a quem o PSD muito deve em pugnas eleitorais e que tem sido muito injustiçado e em relação ao qual, o tempo que passa, quanto mais alargado, mais revela tal injustiça: Pedro Santana Lopes.

O que lhe foi feito pelos adversários - legítimos, nos partidos, e ilegítimos, na Comunicação Social - foi uma vergonha. Nada, porém, comparável com o que lhe fizeram "companheiros", entre os quais Marcelo Rebelo de Sousa (o homem para quem tudo só está bem quando bem não está e que não consegue "admitir" que alguém consiga o que ele próprio não consegue..., caso a que não me atrevo a rotular de patológico), Manuela Ferreira Leite (que está, sempre esteve, ao serviço de uma estratégia cavaquista pessoal, pouco parecendo importar-lhe o que mais convém ao partido de que é militante) e Cavaco Silva (que, como aliás se vem constatado uma vez mais, agora na Presidência, apenas tem como objectivo em mente o poder pessoal, tratando-se de um homem para quem o PSD sempre foi apenas e só mero instrumento de perseguição de fins pessoais e apenas na medida em que o desiderato não podia ser alcançado por meios diversos dos do Partido e seus esforçados militantes).

Pois bem, toda a competência política que Pedro Santana Lopes revelou, bem como o árduo trabalho que desenvolveu para levar de vencida a coligação PS-CDU - que há muitos anos dominava Lisboa a seu bel-prazer - vitória essa conseguida contra adversários frontais, nos partidos, e contra adversários assolapados e subreptícios, na Comunicação Social, e bem assim putativos companheiros, que tudo fizeram para obstar à sua excelente vitória - que foi também uma bela e inolvidável vitória do PSD - pela incompetência de uns e ressabiamentos e invídias mal disfarçadas e estúpidas de outros - que nada de útil fazem pelo país há muitos anos já ou mesmo jamais algo fizeram... - foram agora deitados a perder e será muito difícil de recuperar nos tempos mais próximos, e menos ainda enquanto por lá andarem tais aves de mau agoiro.
...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

1180. Dúvida existencial

Com

Sócrates no Governo

e

na presidência da União Europeia,


Barroso na Comissão Europeia,


e Guterres na dos "Refugiados"



Fugimos para onde ?

Recebida agora,
por gentleza de T.Nódoas

...

1179. Receita para subtrair governantes a aplausos exagerados




Exmo senhor Pinto de Sousa,

Agora que os ventos têm andado menos de feição, pelo que os "vivas e aplausos" com que actualmente está a ser recebido um pouco por toda a parte parecem ferir-lhe os tímpanos sem o mínimo recato ou decoro, sequer comiseração, e espelharem-lhe no rosto um esgar que qualquer um nota assemelhar-se, cuspido e escarrado, aos arrancados a ferros do íntimo mais íntimo de uma vesícula biliar certamente bem deteriorada, permita-me que, humildemente e com súbdita prostração, lhe sugira uma técnica de efeitos seguríssimos, que tive oportunidade de constatar em Mitla, México, no ano de graça de 2003
.

Para se inteirar das características de tão excelsa técnica, queira dignar-se ter a bondade de clickar na foto e aguardar só um pouquinho...

Sempre na expectativa de directivas suas...
...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

1178. Uma pequena alegria de vez em quando


Sim, no meio desta vil tristeza em que nos movemos, por obra e graça dos desengraçados políticos que cada vez mais, mais nos desgovernam, lá me surge, de vez em quando, uma pequena alegria.

Desta vez é ela a de não viver em Lisboa nem no seu concelho.

É que, assim, não vou precisar de me escusar a votar num dos candidatos ao município, vendo-me, pois, obrigado a fazer uma quadrazita popular a cascar neles.

Sim, porque eu - pelas razões conhecidas - não sou de me abster e menos ainda de votar em branco, porque não sou parvo e já cá ando há muitos anos e vi muitas coisas.

E, assim sendo, teria que, no próximo domingo, fazer o que de há muitos anos faço aqui em Setúbal, inscrevendo no boletim de voto algo como isto:

Vocês querem o meu voto
mas que fizeram por isso?
Não vos dou nem um arroto;
só vos dava no toutiço!...

Pois é, desta vez safei-me!... Aguentem-se, lisboetas duma cana! Mandem essa tropa fandanga para o Bugio.
...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

1177. Pois...

Chegou-me, há pouco, este texto:

Acontece desta forma:

* Por cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho,
o Estado,
e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS
e 11 euros para a Segurança Social;

* O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho,
está obrigado
a dar ao Estado, e muito bem,
mais 23,75 euros para a Segurança Social;

* E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado,
e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros;

* Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.

Em resumo:

* Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55;

* Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21;

* Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33;

* Se compro um carro ou uma casa, herdo um quadro,
registo os meus negócios
ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem,
fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Na pior das hipóteses, cada 300€ em circulação em Portugal
garantem ao Estado 100€ de receita.

Portanto, se pago, e acho muito bem, tenho o direito de exigir:

* Um sistema de ensino que garanta cultura,
civismo e futuro emprego para os meus filhos;

* Serviços de Saúde exemplares;

* Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa;

* Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país;

* Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caiam;

* Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano;

* Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos;

* Pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida
e jardins públicos
e espaços verdes bem tratados e seguros...
polícia eficiente e equipada...
os monumentos do meu país bem conservados
e abertos ao público...
uma orquestra sinfónica...
que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra...


Portanto, Srs. Governantes, governem-se com o dinheiro que lhes damos
porque nós queremos e temos direito a tudo aquilo.

(ass.) Português contribuinte

* * *

Sem comentários
Gentileza de T.Nódoas
...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

1175. "A Constituição que desmente a Europa"

A Constituição que desmente a Europa, artigo de João César das Neves, no Diário de Notícias online, de 2007 Julho 07.

Para reflectir.

Veja aqui.
Gentileza de A. Alves
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sexta-feira, 6 de julho de 2007

1173. Afinal, parece que há gente já a abrir os olhos...


Curiosamente, depois de tanto essa situação ter sido denunciado na Blogosfera, parece que há gente finalmente a abrir os olhos para a realidade.


Na Assembleia da República, a deputada Zita Seabra acusou o governo socialista de estar a



generalizar no país um clima persecutório,
de intolerância,
de intimidação,
de perseguição na Administração Pública

inadmissível em qualquer país democrático
e assente num Estado de Direito
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