Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

terça-feira, 13 de novembro de 2007

1279. Honrar a boca mandada...

Foto DN

Num país ainda mais longínquo de nós do que aquele de que ontem vos falei, apareceram um dia uns senhores muito ilustres que, entre outras bocas foleiras, mandaram esta.

- O que os senhores anteriores andaram a fazer foi pura sacanice, própria de sacripantas da pior espécie, pelo que vamos corrigir a patifaria feita, nós, que somos gente decente e que, portanto, honra a palavra como ninguém. As portagens que eles queriam colocar nas auto-estradas vamos proibir que sejam postas. As estradas são de todos, fosga-se!

Arlapado, atarantado como é qualquer povo pouco dado às letras e ao conhecimento, o eleitor logo correu a votar nos ditos, pensando com os seus botões:

- Isto, sim, porra!, isto é que é gente séria e a sério. Merecem ir para o poleiro. Tomem lá o meu voto.

E pimba! Lá foi ele, o voto, todo pessuroso, e mais uns milhares muito largos deles, mais votos, igualmente pressurosos. Levados por eleitores descuidados, pouco dados às letras e ao conhecimento, com muita iliteracia pelo meio. Tudo ao ar!

Resultado: têm os tais eleitores - e os outros, os que não são tão arlapados como os primeiros - vindo a apanhar nos lombos que não tem sido brincadeira nenhuma. O que, aliás, é bem feito.

E têm apanhado na mona de todos os modos e feitios e em todos os capítulos. Agora, até nas portagens. Não só vão pagá-las nas auto-estradas - talvez se excepcione aquela que, em todo o seu percurso, tem belíssimas estradas alternativas que estão (palavra de honra que estão) às moscas, mas a demagogia é assim... - mas igualmente nas estradas nacionais.

Toma lá que é para aprenderes... se bem que a gente bem sabe que nunca mais aprendes, ó pacóvio!

Corre lá a dar-lhes o voto novamente, anjinho!... A uns ou a outros, já que são todos iguais, ó estúpido ignorante...

Naquele longínquo país de merdas, é assim... Felizmente por cá, é tudo bem diferente... Haja Deus!
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