
Se está muito desanimado com o resultado do concurso "Grandes Portugueses", não cometa suicídio já. Primeiro, páre um pouco e pense com mais vagar. Logo concluirá que:
1 - Aquilo mais não foi do que mero concurso, como tantos outros que por aí há, apenas com a virtude de dar - ainda que em muitos casos, pelos motivos errados - a conhecer a milhões (pode crer, milhões...) de portugueses actuais a História do seu país e do povo de que fazem parte, já que a escola não o faz;
2 - Quem sai derrotado e humilhado desta refrega não é você nem eu nem ninguém como nós, mas, isso sim, a classe política que nos tem governado e de que padecemos de há já bons anos para cá.
3 - Salazar jamais teria esta única vitória eleitoral e Cunhal jamais teria chegado ao lugar a que chegou se a clique que nos tem governado ao longo dos últimos anos tivesse ao menos o decoro de se mostrar - apenas mostrar, note!... - capaz e confiável.
4 - O resultado não representa, pois, uma imerecida vitória de dois tipos de ditador, de sentidos opostos, mas sim uma aviltante derrota desta democracia de pacotilha. Há que sofrê-los até que...
Mas esse sofrimento, para que seja redentor, tem de ser suportado até ao fim, sem o recurso a qualquer tipo de expediente libertador de circunstância.
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