
Trimdon é o círculo eleitoral de Blair, por onde foi eleito pela primeira vez e onde se despediria, quando saísse, segundo prometeu. Cumpriu.
Tal como, ao longo dos últimos 10 anos, foi sempre cuprindo o que dele foi sendo exigido, mesmo quando os próprios confrades trabalhistas não estiveram com ele. É que, acima dos interesses do próprio Partido, Blair soube colocar os dos britânicos.
Pode-se discordar de medidas e opções que tomou, é certo. Não se pode, contudo, negar-lhe um grande sentido de coerência e verticalidade, um enorme respeito pelas tradições britânicas, um esforço grande e bem sucedido de restituir à Grã-Bretanha um prestígio que ela vinha perdendo, uma posição no mundo que, antes de si, ela já não detinha.
Não é tempo ainda de se fazer a história do legado de Blair, por falta de profundidade temporal. No entanto, porém, dificilmente Tony Blair não ficará para sempre na galeria dos grandes primeiros-ministros que a nação inglesa já teve.
Para além disso, Blair trouxe à política do seu país e mundial uma dimensão de elegância de discurso e pessoal e uma elevação de espírito e de sentido democrático, de afirmação e defesa de ideais de liberdade que seguramente dele farão um marco na política mundial. É pena que no mundo haja tão poucos Blairs. E, pior, que os haja cada vez menos.
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