Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quinta-feira, 10 de maio de 2007

1061. Tony Blair, the gentleman

Sou primeiro-ministro há pouco mais de 10 anos, disse Tony Blair aos seus correlegionários em Trimdon. É suficiente, não só para mim como para o país.

Trimdon é o círculo eleitoral de Blair, por onde foi eleito pela primeira vez e onde se despediria, quando saísse, segundo prometeu. Cumpriu.

Tal como, ao longo dos últimos 10 anos, foi sempre cuprindo o que dele foi sendo exigido, mesmo quando os próprios confrades trabalhistas não estiveram com ele. É que, acima dos interesses do próprio Partido, Blair soube colocar os dos britânicos.

Pode-se discordar de medidas e opções que tomou, é certo. Não se pode, contudo, negar-lhe um grande sentido de coerência e verticalidade, um enorme respeito pelas tradições britânicas, um esforço grande e bem sucedido de restituir à Grã-Bretanha um prestígio que ela vinha perdendo, uma posição no mundo que, antes de si, ela já não detinha.


Não é tempo ainda de se fazer a história do legado de Blair, por falta de profundidade temporal. No entanto, porém, dificilmente Tony Blair não ficará para sempre na galeria dos grandes primeiros-ministros que a nação inglesa já teve.

Para além disso, Blair trouxe à política do seu país e mundial uma dimensão de elegância de discurso e pessoal e uma elevação de espírito e de sentido democrático, de afirmação e defesa de ideais de liberdade que seguramente dele farão um marco na política mundial. É pena que no mundo haja tão poucos Blairs. E, pior, que os haja cada vez menos.
...

10 comentários:

Diamantino de Sousa disse...

OK
E sem inglês técnico.
Um abraço.
dp

Ruvasa disse...

Viva, Diamantino de Sousa!

Sim, é verdade!

Agora, imagine o que seria com ele ou até mesmo com o cockney!

Abraço

Ruben

Ralf Wokan disse...

Olá Ruben !

o sentido democratico e a defesa de ideais de liberdade encontram se bem provado !
Ingleses vivem com uma trillião pounds de dividas só nas hipotecas !
O que é uma trillião ?
http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/more_or_less/6625545.stm

Dividas para ninguem, propriedade paga, trabalho livre, feliz e sem preocupação, "pobre" mas independente...Oh, que horror, ditadura portuguesa, nunca mais !!

Tens razão, Ruben, o homem é produto se si próprio, infelizmente da sua enorme estupidez.....

abraço
Ralf

Ruvasa disse...

Viva, Ralf!

Julgo que sim. O sentido democrático e a defesa dos ideais da liberdade estão bem provados.

Existe um sentido de honra que, infelizmente, por cá vai escasseando muito, como se tem visto.

Ignoro se os ingleses vivem ou não com essa dívida. Acredito que sim, uma vez que o dizes, baseado até na notícia da BBCNews. No entanto, vivem. E vivem, caro Ralf, sem pedinchices à UE, como nós fazemos.

Sabes, acho que, se La Fontaine não tem escrito as suas fábulas há já tanto tempo, certamente que agora seríamos nós a inspirar "A Cigarra e Fomiga". Escuso-me de referir qual seria o nosso papel na fábula...

Se os dinheiros que temos recebido da UE, a título de fundos perdidos, fossem efectivamente contabilizados, a nossa dívida seria monstruosa. E, para que serviu todo esse dinheiro, ao longo destes anos? O que se vê está no asfalto. Aí, sim,foi aplicado e bem. E o resto a imensidão restante? Levou sumiço!

O problema não está na ditadura portuguesa, que não existe e que ninguém em perfeito juízo refere. O problema está, isso sim, na democracia formal - apenas formal - porque democracia é mais, muito mais do que aquilo que vemos por cá. Infelizmente.

Concordo contigo, quando concordas comigo quanto à questão de o homem ser produto de si próprio e, por isso, também da sua maior ou menor estupidez. Porque cada vez mais se constata ser essa uma evidência impossível de disfarçar.

Abraço para ti também.

Ruben

Klatuu o embuçado disse...

Exacto. É fácil não concordar com um político britânico... a sua actuação política tem - usualmente - uma espessura que permite a discordância... Dos políticos portugueses não há «algo» por onde se possa não concordar... são vazios!

Ruvasa disse...

Viva, Klatuu!

Pois é aí que bate o ponto. Exactamente. No vazio.

Abraço

Ruben

O Raio disse...

Pois é, e foi em Trimdon que disse, nas suas primeiras campanhas eleitorais, que a adesão do reino Unido à então CEE era um completo disparate e se pudesse tirava o Reino Unido da CEE.
Tony Blair diz, Tony Blair cumpre (quase sempre)...

Quanto ao Ralf, um trillion britânico são um bilião em português, isto é, um 1 seguido de doze zeros.

pandacruel disse...

Falta agora que sir Blair conte o que esteve péssimo no afã Iraque - é um serviço que falta fazer.

Ruvasa disse...

Viva, pandacruel!

Sim, falta isso, como faltarão ainda outros aspectos.

Como eu disse, não é ainda tempo de fazer a história do legado.

Parece, no entanto, que há uma geral apreciação positiva da acção de Blair à frente dos governos britânicos ds últimos 1 anos.

Quem não for esquecido, certamente que ainda se lembrará do que era a Inglaterra antes e o que é depois; mas também, o que era a dominação franco-alemã e respectivas arrogâncias e o que é hoje.

Erros? Claro que deve ter cometido. Uma coisa, porém, é cometer erros por inacção o por má fé; outra, bem diferente, por fazer, por agir.

Abraço

Ruben

Ruvasa disse...

Viva, Raio!

Por vezes - boa parte das vezes - não se consegue fazer tudo o que se quer.

Quando assim acontece, há que avaliar a seriedade da intenção, não é?

;-)

Abraço

Ruben