Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

quinta-feira, 24 de maio de 2007

1090. Eles dizem cada uma...


Fazer um aeroporto na margem sul seria um projecto megalómano e faraónico porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio...
Mário Lino num almoço com economistas

* * *

Contrariamente ao que diz o ilustre e elegante ministro, todas as razões que enunciou para não levar para a margem sul do Tejo o novo aeroporto de Lisboa são razões acrescidas para... o levar precisamente para lá!

Para que chame gente, para que se criem hospitais, escolas, hotéis, para que se estabeleça comércio, para que a região se desenvolva, caramba!

A menos que o
sôr ministro seja dos que têm horror ao desenvolvimento harmonioso do país...

Quererá o governante de fino trato e rara perspicácia que o interior e bem assim todas as regiões desfavorecidas de Portugal, persistam nesse estatuto e, se possível, se vá alargando cada vez mais o fosso entre as privilegiadas e as outras?

E por que razão declarações deste tipo são feitas no final de almoçaradas? Não seria de melhor aviso que o fossem no princípio? Ou, melhor ainda, em outras ocasiões menos propícias a "confusões"?

Mas, afinal, que governantes são estes, que conseguem abrir a boca sem que nela entre mosca?

Por outro lado, não compreendo a reacção de indignação e ofensa grave de autarcas e outros políticos da margem sul.

Pois então, meus caros, não é verdade que não ofende quem quer, apenas quem pode? E não é verdade também que estamos mais do que cientes de que o cidadão Mário Lino, circunstancial e temporário dono de um ministériozito, é incapaz de ofender seja quem for, mesmo que viva obcecado por essa intenção?


Post scriptum (20,10horas):

Disse também o sôr ministro que há problemas ambientais e de perigo na zona da península de Setúbal.

Atão, ó sôr ministro, diga-me cá vocemecê onde é que está situado o aeroporto militar do Montijo. E, então, como é? Aí já não há problemas ambientais e de perigo?

Tch... tch... tch... Ó sôr ministro... Atão, tal nã tá a moenga, hã!? Afine lá essa côsa, porra!

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