Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 6 de janeiro de 2008

1372. Ainda a idiotia Alcochete <-> Ota

Cá andamos a persistir na mesma idiotia.

Que o LNEC iria entregar um relatório inconclusivo, já cá se sabia... Tem que dar para tudo.

E certamente que tal não resulta do facto de os técnicos não saberem determinar - e explicar coerentemente - a alternativa que entendem mais razoável. Não. Certamente que não são burros chapados.

O que pode ter acontecido é que tenham recebido instruções expressas nesse sentido. E, claro, não serão autónomos. Dependerão.

Repare-se neste "mimo":

"Em termos de impacto económico para o país, a Ota é mais vantajosa. Por razões financeiras Alcochete poderá ser o preferido, porque é mais barato, embora não tanto como a determinada altura foi dito, ou do que o estudo da CIP apontava."

Só neste país de opereta em que estão a transformar-nos é que uma coisa destas se escreveria.

Por que razão em temos de impacto económico é que a Ota é mais vantajosa? Quando todos sabemos - e até os técnicos do LNEC!!! - que construir um aeroporto numa zona já suficientemente povoada e com pouco espaço para se estender, é contra todos os cânones de Economia bem ordenada e não torcida para "jeitinhos".

Alcochete poderia ser preferido porque é mais barato. Mas, anote-se!, não tanto como teria sido determinado em estudos anteriores... Muitíssimo menos, quase uma migalha...

Note os preciosismos:

Ota
"é"
Alcochete
"poderá ser"


Atentou na "minudência? Isto, quando toda a gente sabe já, mesmo empiricamente que a Ota "não é" e Alcochete "é que deverá ser". Por todas as razões. Até de transparência democrática e de recusa de possíveis favorecimentos indevidos e, consequentemente, corruptos, mafiosos.


Até no que respeita à questão do desenvolvimento. Qual das duas é mais desfavorecida em termos de desenvolvimento e, consequentemente, deve ser mais apoiada?

Mas, veja mais desta treta - sim, porque se trata de uma treta, já que parece não estar a ser conduzida em termos lineares e na estrita defesa do interesse geral do país, antes parecendo revestir forma altamente capciosa - aqui.
...
* * *

ADENDA
(06Jan2008 - 22,10horas)

A propósito deste assunto, acabo de tomar conhecimento de um email que me foi enviado pelo Professor jubilado do Instituto Superior Técnico, António Brotas e membro do PS, que me apresso a trazer aqui, uma vez que o referido senhor tem manifestado grande interesse em que os seus escritos sobre o assunto sejam o mais amplamente divulgados que for possível. Aí fica, para as análises indispensáveis:

SOBRE O RELATÓRIO DO LNEC

Para elaborar o estudo que lhe foi encomendado pelo Governo sobre as vantagens e inconvenientes da localização do NAL (novo aeroporto de Lisboa) na Ota e em Alcochete, o LNEC convidou para responsável pelo relatório sectorial relativo ao impacto sobre o Ordenamento do Território o Professor Jorge Gaspar, acérrimo partidário do aeroporto na Ota.

Dos 7 relatórios sectoriais que já estarão prontos, parece ser este, elaborado pelo Professor Jorge Gaspar, o mais favorável à Ota.

Assim, leio na primeira página do D.N. de hoje: “…No entanto a Ota também tem vantagens, entre as quais se contam a situação Geográfica, mais perto de uma actividade económica pujante e numa zona onde a população é mais numerosa. Razão por que a Economia a privilegia.

Faço votos para que dentro de dias, quando o LNEC entregar o seu relatório, ele seja público, para a ele poderem ser juntos comentários críticos que permitam ao Governo tomar com um melhor conhecimento do assunto, a decisão política que lhe compete.

O relatório sectorial sobre o Ordenamento do Território e o impacto sobre a Geografia Económica do país, será, provavelmente, o que dará origem a uma maior controvérsia, pois, dum modo geral, todos os outros se poderão basear em estudos mais objectivos e técnicos. Uma vez que vejo aparecerem na Imprensa as primeiras informações sobre este relatório, permito-me, desde já, fazer os seguintes comentários:

1 - Vai-se realizar em breve a Cimeira Ibérica de 2007 (atrasada dois meses devido à Presidência portuguesa da CE). É altamente provavel que, nesta Cimeira, Portugal e a Espanha se ponham de acordo em construir a breve prazo a linha de Badajoz ao Poceirão (na Península de Setubal, onde está prevista uma plataforma logística), prolongada, possivelmente, até à estação da FERTAGUS do Pinhal Novo.

2 - É inteiramente normal que a localização do NAL seja decidida depois do acordo para construir esta linha, fundamental para a nossa Economia e que será a nossa primeira ligação à rede ferroviária europeia de bitola standard,

3 - O Professor Jorge Gaspar foi um acérrimo defensor da solução ferroviária dita do T deitado de, em vez de termos duas ligações a Espanha pela Beira Alta (Vilar Formoso) e pelo Alentejo (Elvas/Badajoz) termos uma só pela Beira Baixa, na direcção de Cáceres. Com esta solução, que os espanhois nunca poderiam aceitar e que atrasou o acordo com a Espanha, a linha para Badajoz nunca seria construida.

4 - Sobre a “actividade económica pujante perto da Ota”, sem discutir agora se ela é mais importante para a Economia do país do que a actividade económica da margem Sul, afirmo que ela, a actividade perto da Ota, beneficiará muito com um aeroporto em Alcochete com grandes possibilidades de expansão e não atrofiado à partida como o da Ota, com amplas possibilidades de estacionamento e belíssimos acessos rodoviários para quem for da Margem Norte pela nova ponte do Carregado.

Terei, obviamente, o maior gosto em discutir estes assuntos com o Professor Jorge Gaspar: (7 de Janeiro de 2008)

António Brotas
(Um dos 22 co-autores do livro “O Erro da Ota “)

...

10 comentários:

Isabel-F. disse...

realmente ...

que dizer???

que ainda veremos o aeroporto a ser construído na OTA?

não sei onde iremos parar ...

bjs

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Quando leio notícias destas não consigo eximir-me a desconfiar de que algo anda no ar...

Bjs

Ruben

Isabel Magalhães disse...

Amigo Ruben:

Mesmo correndo o risco de que me 'internem' eu insisto na minha: há dois países; um real onde estamos, a 'olhos vistos', a perder direitos, qualidade de vida, poder de compra, e um outro, feito para uns quantos 'eleitos' e uns quantos 'amigos' onde há €€€€€ para esbanjar em obras megalómanas, pagar ordenados e reformas milionárias, que nem os países ricos da europa pagam, - refiro-me a uma tabela comparativa dos vencimentos dos assessores(?) (Inglaterra, Portugal, Alemanha) que ouvi ontem num qq canal tv nacional - e onde a imprensa enche as primeiras páginas a 'informar' que 'isto' é o Paraíso na Terra e que o Só cretino está em alta.

Eu, infelizmente, vivo no primeiro.

Bom domingo.

Bj

I.

Marisa disse...

Olá Ruben! :)

E, antes de mais, há que desejar um Bom Ano de 2008 a todos, bem precisamos, porque isto de viver num país como o nosso tem que se lhe diga, pelo que todos os votos nunca são demais ... ou será que vão passar a ser sujeitos a imposto???

Pois é, nem adianta cogitar acerca do local do novo aeroporto, já deu para perceber que nesta altura do campeonato isso é o que menos importa a quem DEVERIA importar, fizeram de todos nós meros espectadores desta tragédia que até poderia ser grega, mas que para piorar, até é lusa; o que eu tenho mesmo pena é que, por acaso e tal como muito bem disse a Isabel Magalhães, eu também vivo no 1º Portugal descrito ... face a isso o que mais se poderá dizer?
Que venha o novo aeroporto ... resta saber para onde!

Beijinhos.

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

É evidente que há os dois países que refere.

No primeiro, vivemos nós, cidadãos comuns, normalíssimos de Lineu; no outro, a clique.

Nós vamos sobrevivendo; a outra, vai prosperando.

Repito: escrevia Eça que eles não vão cair porque não são um edifício; sairão com benzina, porque são uma nódoa.

bj

Ruben

Ruvasa disse...

Viva, Marisa!

Bom regresso, ainda que por maus motivos...

Sim, concordo que pouco o nada se poderá dizer. Há é que fazer com que as pessoas não se esqueçam tão depressa, para que, da próxima, vão lá pôr o único voto que realmente não fere a dignidade do eleitor, ou seja o NULO.

Beijinho

Ruben

Ruvasa disse...

Meu Bom Amigo

Eu já nem sei que dizer. Há coisas que acontecem frequentemente, ou algumas vezes, ou raramente, ou mesmo nunca.

Mandem-nos, como dizia o outro, daqui para fora e para bem longe, nem que seja para o DOURADO DEGREDOO POLÍTICO.

Um abraço
AAlves

Ruvasa disse...

Viva, Alves!

Os meus pressentimentos, manifestados esta manhã, depois de ter lido o Diário de Notícias, parecem ter sido agora confirmados pelo Prof. António Brotas, ilustre socialista, professor catedrático jubilado do IST, que o meu amigo também teve oportunidade de conhecer, quando aqui veio dar uma conferência sobre o assunto.

Abraço

Ruben

Isabel Magalhães disse...

Ruben;

Grata por me ter chamado a atenção para a adenda com o e-mail do Professor António Brotas.

Se não se importar hei-de vir importar a dita para o Oeiras Local.

[]

I.

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Importe, importe, que eu não me importo. Pelo contrário. Isto tem mesmo que ser divulgado.

[]

Ruben