
É a linguagem típica dos que muito falam, muito sentenciam, mas a quem falta a coragem de actuar. É muito mais cómodo e menos arriscado não agir, para não evidenciar que não se passa de mero flop, completamente descredibilizado, sob o ponto de vista político.
Aquela frase tem uma leitura subliminar, que é a que, afinal, corresponde à verdade. Ou seja, recordando Eça, a verdade que Marcelo Rebelo de Sousa tenta esconder sob o manto diáfano da fantasia é a seguinte:
- Não me candidato a não ser que mais ninguém concorra. Só deste modo tenho a garantia de que ganho, tal é o pedestal de descrédito em que me coloquei. E eu não posso perder.
Sim, se se candidatasse e perdesse, depois de tanta verborreia dominical, onde ficaria a sua reputação de "sábio" imbatível, que tanto lhe tem custado a moldar, em sucessivas intervenções monocórdicas e sem brilho, chorrilho de "suficiências", ditadas pela incapacidade de convencer sequer número razoável de seus correlegionários?
A verdade é esta e não outra. Marcelo sente um especial gozo em abater tudo quanto mexa no PSD. É, já desde há anos, o seu hobby, a sua exclusiva razão de existência.
Aliás, é sabido que, não fora a circunstância de passar o tempo a "abater" o Partido Social Democrata, jamais lhe seria facultada a "cátedra" de que tem disposto nas TVs, por absoluta falta de audiência.
E assim se vê a que classe de pseudo-políticos estamos entregues em Portugal. Gente sem coragem, que critica, mas nada faz para modificar as coisas.
Que fez Marcelo até hoje de notável em política, em defesa da sociedade que diz defender para Portugal?
Levante-se alguém que consiga apontar o mínimo crédito em favor do homem e aponte um facto concreto, para além daquele de que tanto se ufana, por ser o único, ou seja, ter "obrigado" a que se referendasse o aborto, em 1998. Fraca realização, para tanto valor pessoal e político intrínsecos.
(Ah! Esquecia-me... Deu também um mergulho nas poluidíssimas águas no Tejo, proeza que ninguém com um grama de senso teria arriscado.)
Outro que com ele se bate, de igual para igual, com "mérito" semelhante e "obra" similar, é José Pacheco Pereira.
Ambos sabem que muito poucos social-democratas os ouvem já, pelo valor do que dizem, que é nulo em termos partidários e nacionais. Ouvem-nos, isso sim e apenas, para estarem a par do que de pior existe no Partido Social Democrata e assim, estarem precavidos.
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