
É disto que estamos a precisar. Sim, de um cravo branco. Com a maior urgência.
Que simbolize, não um qualquer 25A em que miseravelmente foi transformado o golpe de Estado, seguido de Revolução, de
25 Abril 1974,
mas o
25 Abril 2008
e o 25 de Abril de todos os anos que estiverem para vir
e o 25 de Abril de todos os anos que estiverem para vir
de que tanto estamos carenciados, porque 34 anos de estúrdia, golpismo, incompetência e corrupção são anos demasiados e que espatifam por completo qualquer esperança em melhores dias.
Não é que um cravo vermelho não tenha virtualidades. Mas é, como se tem visto, muito redutor. Deu aso a que houvesse demasiadas apropriações indevidas e perdeu muito do seu significado, logo poucos dias após o evento que simbolizou. E, de então para cá, tem a sua imagem vindo a ser degrada cada vez mais, por cada vez mais gente. Sem vergonha na cara.
E porquê um cravo branco e não de qualquer outra cor, para substituir este tão maltratado e degradado? Simples. Porque, mais do que fraternidade - muito louvável, certamente - que é suposto o vermelho representar, do que nós, Portugueses, mais necessitamos é de dignidade.
Sim, dignidade. Que nos tem sido retirada de há muitos anos para cá. E a dignidade é limpa, clara, cristalina, sem quaisquer impurezas. Como a cor branca. E a dignidade não permite abusos de qualquer espécie nem outras afrontas. Porque a dignidade não é quantificável nem adjectivável. Não há muita dignidade nem pouca dignidade, não há dignidade boa nem dignidade má. Apenas e simplesmente dignidade. Dignidade, sim. De que precisamos, mais do que de pão para a boca.
Atrás de si e como sua decorrência, vêm todas as restantes características decentes do ser humano, entre as quais a fraternidade. Sem falácias, sem patifarias sem nome, como aquelas a que temos assistido diariamente, de há dezenas de anos a esta parte.
Que venha, pois, um 25 de Abril actual, que reconduza tudo e todos aos lugares merecidos e nos livre da horrível possibilidade de, daqui por 14 anos - apenas 14 anos ! - esta ditadura informal e mentirosa, mascarada de democracia - afronta à Democracia! -, atinja tanto tempo de duração no Poder como a que a antecedeu e que merece ser apeada tanto quanto a outra. Se não mais.
...