Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sexta-feira, 9 de maio de 2008

1546. Bilhete-postal a Manuela Ferreira Leite

Prezada senhora,

Sirvo-me deste meio para vir transmitir-lhe a minha posição quanto à sua candidatura à presidência do Partido Social-Democrata.

Faço-o aqui porque, tendo procurado um seu blog de candidatura, apenas encontrei o há dias atrás anunciado no endereço http://manuelaferreiraleite.blogspot.com.

Curiosamente, porém, sem qualquer conteúdo e impossibilitando a inserção de comentários, quando menos, depois de “filtrados” pela candidatura.

Em abono da verdade, apenas encontrei um em nome de Pedro Santana Lopes e, este sim, sem restrições. Idiossincrasias?

Pois bem, impossibilitado, assim, de lho dizer em maior recato, vejo-me na necessidade de usar este meio um pouco mais público para lhe expressar o meu sentir de militante social-democrata setubalense, com o número 29715, com as quotas actualizadas, embora sem militância.

E o meu sentir expressa-se, como irá constatar, de forma muito rápida e, espero, sem deixar lugar a quaisquer dúvidas.

Vejamos, então, qual é esse meu sentir:

1 – Agora que está a concorrer ao cargo de Presidente do Partido Social-Democrata, gostaria que ficasse a saber que os meus votos vão todos no sentido de que não seja a Senhora a escolha dos militantes do PSD.

Faço-o, porque sempre me revi no projecto de sociedade que o Partido Social-Democrata defende, muito trabalhei pelo Partido em tempos árduos e região muito difícil, sem nada pedir em troca e, continuando hoje em dia a viver muito o que no meu partido se passa, não a avalio – e peço-lhe desculpa por isso, mas não posso iludir a verdade – como pessoa adequada a conduzi-lo a bom porto;

2 – Agora que está a concorrer ao cargo de Presidente do Partido Social-Democrata, gostaria que ficasse a saber que, no caso de, contrariamente aos meus desejos, que espero que sejam os desejos da maioria dos social-democratas inscritos no Partido, vir a ser a Senhora a eleita, ficarei a formular votos muito sinceros de que ninguém do PSD lhe faça a si o que a Senhora e os seus amigos – designadamente Cavaco Silva e o que ainda hoje não conseguiu emergir do juvenil estatuto de enfant-terrible, Marcelo Rebelo de Sousa, e bem assim o inefável filósofo marmeleirense, José Pacheco Pereira, isto para chamar as pessoas pelos nomes, como bem merecem e é bom que se faça sempre – têm vindo a fazer a diversos presidentes do PSD, regular e democraticamente eleitos, com o que, mais do que ninguém, têm contribuído para o enorme desgaste e inaceitável descrédito a que o Partido foi conduzido perante os Portugueses;

3 - Agora que está a concorrer ao cargo de Presidente do Partido Social-Democrata, gostaria que ficasse a saber que, no caso de, contrariamente aos meus desejos, que espero que sejam os desejos da maioria dos social-democratas inscritos no Partido, vir a ser a Senhora a eleita, ficarei tremendamente ansioso e inquieto pelos previsíveis resultados que virá a obter no confronto a que se verá obrigada com Sócrates – o tal que não foi, não é nem virá a ser algum dia filósofo de doutrina reconhecida, aceitável ou não. É que esses resultados serão, com toda a certeza, desastrosos.

Poder-se-á dizer que, em caso de se verificar o que preconizo na parte final de 3., haveria toda a justificação para que eu me sentisse reconfortado por poder então constatar que não há culpa sem castigo e por ter assistido, de balcão, à merecida queda de mais um mito dos muitos que se passeiam pelo Partido.

Mas não, minha prezada Senhora. Não sentiria, porque sou mesmo social-democrata do PSD e os inêxitos do Partido não constituem refrigério para mim, embora nem todos tenhamos essa postura, como sabe a Senhora, como sei eu, como sabemos quase todos, afinal. Porque o Partido, como ideia de sociedade que é, conta sempre. As pessoas, contudo, são meras circunstâncias. Claro que umas mais do que outras, mas assim mesmo, circunstâncias.

Por estas razões que, presumo, terão ficado bem claramente expostas, consegue imaginar o fervor com que fico a rezar aos meus santos de maior devoção para que lhe ofereçam uma clara derrota, embora sem perda de dignidade pessoal, nas próximas “directas” do PSD? Directas essas que felizmente existem, para que o resultado que sair seja a expressão do sentir do conjunto dos militantes e não um desolador e desmotivador arranjo de capelinha.

Não nos veremos no dia 31, como não nos vimos ontem, aqui em Setúbal, nem em outro dia qualquer, com toda a certeza. Estarei, no entanto, muito atento.

Creia-me,

Ruben Valle Santos
Mil. 29715
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