Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

1864. A semi-crise !

Nesta coisa da crise que actualmente se atravessa em Portugal e por aí fora - mas aqui cuida-se apenas da que por cá temos, que não é só de há mês e meio para cá... - e como preparativo para uma análise serena e lúcida, proponho-me hoje aqui deixar motivo para reflexão.

É ele o seguinte:

Passemos ao largo das despesas vultuosas como a compra de casa ou de carro, cujos sectores estão efectivamente paralisados.

Detenhamo-nos, pois, apenas no restante que importa realmente, como sejam, os supermercados (i.e. negócios da venda de comida para consumo "em casa"), os restaurantes e pastelarias (i.e. negócios para venda de alimentos comidos "fora de casa"), as lojas e centros comerciais de venda de qualquer tipo de vestuário e calçado, mesmo de marca... talvez principalmente de marca.

E que panorama se nos depara? O de que apenas nos supermercados se nota uma enorme diminuição de clientes, ou seja, apenas nos artigos de primeira necessidade e que se destinam a fazer alimentação em casa, poupando gastos.

Nos restantes, atónitos, constatamos que os negócios continuam de vento em popa, muito embora, quando contactados pela TVs, os proprietários se queixem.

Não acredita nisto que lhe digo?

Então, faça como eu venho fazendo: visite uns quantos supermercados e aprecie; faça o mesmo em relação a uns quantos centros comerciais e lojas de roupa e de calçado - que, como bem sabemos, não são artigos de necessidade diária, nem semanal, nem sequer mensal - e olhe com olhos de ver.

E, já agora que se deu à maçada, vá a 4 ou 5 restaurantes e veja se consegue arranjar lugar, sem ter que estar meia-hora à espera de mesa.

Mas faça mais:

Vá a meia dezena de pastelarias e veja quantas famílias (marido, mulher e filho/os) encontra a tomarem o pequeno-almoço, ali mesmo, quando vivem no quarteirão seguinte, no prédio ao lado ou - surpresa das surpresas! - no segundo piso do prédio em que, no rés-do-chão, está a pastelaria.

Depois, venha aqui dizer o que encontrou.

Repare, com especial atenção, nas grandes filas que se formam nas caixas de pagamento. Sim, para constatar que as pessoas não andam lá apenas a ver, na tentativa de se distraírem das agruras da crise.

Se é pessoa de "cair de costas", de estupefacção, de incredulidade, aconselho a que se faça acompanhar por alguém robusto, capaz de o/a segurar, evitando que se magoe quando da queda.

Pois...
...