Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

2986. Há 25 anos...



H á 25 anos…

* menos de 40% das famílias portuguesas tinha carro;
. hoje, quase 25% tem não uma mas no mínimo duas viaturas.

* todas as médias e grandes cidades portuguesas estavam rodeadas de barracas;
. hoje, todas desapareceram.

* mais de 60% das famílias portuguesas não tinha casa própria;
. hoje, mais de 70% tem e cerca de 15% tem segunda habitação.

* todas as lixeiras eram a céu aberto;
. hoje, é o que se sabe.

* 20% das famílias não tinham televisor, nem telefone, nem frigorífico, menos ainda computador e acesso à Internet;
. hoje, só não tem quase quem não quis e 2 e 3 televisores, plasma, LCD ou LED por família é algo de corriqueiro;

* as estradas portuguesas eram verdadeiros “caminhos de cabras”. Auto-estradas havia três bocaditos, num total de 45 km (25 na actual A1 até Vila Franca de Xira, 15 na actual A2, até ao Fogueteiro, e 5 na actual A5, até ao alto da Boa Viagem);
. hoje, temos 48 auto-estradas (não contam aqui os IPs), num total de bem mais de 2.000 km. Percentualmente, temos a 2ª rede de auto-estradas da União Europeia. As auto-estradas dos Estados Unidos da América, nem por sombras chegam aos calcanhares das nossas.

Estes são apenas alguns exemplos muito concretos e fáceis de constatar à vista desarmada.

* * *

Foi demasiado para a parola mentalidade do portuga chico-esperto!

Sonhou que o Céu se lhe abrira de par em par e que Deus, portuga também, apenas estava, por interpostos cidadãos europeus, a pagar o muito que lhes devia!

* * *

Quem acha V. que pagou estas e outras “mordomias” que agora por aí vemos?
V. com o suor do seu trabalho? Mas… acredita mesmo nisso?
Pensa mesmo que, com os níveis de produtividade de que sempre demos mostra, teríamos conseguido o equivalente a 10% de um desenvolvimento destes? Está mesmo bem da cabeça ou precisa de tratamento urgente?

Desengane-se de uma vez por todas e deixe de fazer figuras tristes. De que, na arrogância que exibe, nem se dá conta

Quem efectivamente pagou tudo isto foram os nossos parceiros europeus, com o dinheiro retirado dos seus impostos, pagos com o suor do seu trabalho e que foi retirado à herança dos seus herdeiros. Rios de dinheiro alheio que, a partir de 1986 e durante 25 anos (um quarto de século!) seguidos, inundaram o país com “milhões de milhões” de euros de borla, a fundo perdido, a título de solidariedade e coesão europeia. E nós a vê-los (aos euros dos outros feitos nossos, claro!) chegar e a malbaratá-los! Indecentemente a malbaratá-los!

Pois bem. Anote o que segue, porque é de toda a importância que perceba e se deixe de patetices, que só o colocam mal a si e aos seus concidadãos.

Os 78 mil milhões que tivemos de pedir á troika, não fazem parte da história de cima.
A realidade é que esses “milhões de milhões” que os cidadãos nossos parceiros europeus nos ofereceram a titulo de esmola, não nos bastaram, tal foi a nossa sofreguidão, a nossa voracidade.

Assim, esses tais 78 mil milhões – que não são apenas esses, porque há mais – correspondem ao endividamento que fizemos PARA ALÉM dos outros que recebemos “à borliú”, para estoirarmos.

Nestas condições, na verdade o melhor é não pagar e mandar os credores dar uma curva e… que não tivessem sido tolos!

Confesso que me encho de vergonha sempre que abordo este assunto.

2012 Setembro 24

terça-feira, 18 de setembro de 2012

2985. Camilo Lourenço revisitado?



José Gomes Ferreira, jornalista de economia da SIC, foi, até há cerca de 10 dias, forte apoiante da actuação do Governo, tendo afirmado sempre que o executivo estava no bom caminho e as medidas que  tomava eram absolutamente indispensáveis para que o resgate do País fosse levado a bom porto. Sem elas, o País não recuperaria.

Era dos pouquíssimos jornalistas a falarem desassombradamente, contrariando o "status quo" vigente na Comunicação Social em geral, na SIC em particular.

Houve até quem, nas redes sociais, lhe profetizasse algum azar, "não tarda nada".

Subitamente, há coisa de 10 dias, tudo mudou.

Para José Gomes Ferreira o que antes era bom e correcto,  é agora execrável e obra de uma cambada.

Uma tão insólita mudança de rumo de 180º graus não surge de improviso. A menos que o utente da mudança se tenha "passado da cuca". Tão repentina inversão de marcha só pode, pois, significar uma certa "madness".

Poderá ser alegado que foi a TSU que o deixou fora de propósito. É, porém, justificação para quem não tem justificação aceitável para apresentar.

O caso da TSU, uma simples medida entre tantas outras, que nem sequer está já decidida, não tem assim tanto poder que dê a volta à cabeça a quem tinha a posição de Gomes Ferreira.

Agitará as massas - que se convenceram de que o corte dos subsídios aos funcionários e pensionistas era mais do que suficiente para pagar 78 mil milhões de euros de dívida, pelo que se podia deixar todos os restantes cidadãos em paz e sossego a apreciar o panorama, lá de cima do balcão - e quem sempre esteve no "contra", que aproveitará o ensejo para ganhar uns pontos.  JGF, porém, só agora aparece nessa barricada. E com uma virulência de espanto!

Tudo visto, resta, pois, outra hipótese:

Será que está a acontecer ao jornalista de economia, José Gomes Ferreira, uma revisitação ao jornalista de economia, Camilo Lourenço, aqui há anos atrás, curiosamente na área do mesmo grupo de interesses?

É que, como sabemos, as pessoas precisam de viver e bem assim de alimentar, vestir e calçar a família. Camilo não recuou, mas nem todos são camilos...

Cabe, pois, a JGF esclarecer o caso. O jornalista transformou-se, por si próprio - voluntariamente, portanto - pelas posturas que assumiu antes e assume agora, em figura pública de grande relevo na conjuntura actual. Ora, as figuras públicas devem explicações ao... público. Noblèsse oblige.

A menos que esteja efectivamente impedido de explicar, ainda que o queira fazer. Aí, o caso muda de figura.

Ninguém tem o direito de exigir seja de quem for que meta a cabeça no cepo, à espera do cutelo do carrasco. Conhecido.

sábado, 15 de setembro de 2012

2981. Tolices sobre tolices


T udo estava bem quando tolamente se pensava que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e 11% das pensões de reforma bastava para resolver um problema de 78 mil milhões de euros,

ou seja, tudo estava bem quando tolamente se pensava que em Portugal viviam os malvados funcionários públicos e os cretinos pensionistas mais ricos e poderosos da galáxia e que esses que pagassem a crise se quisessem, para aprenderem a ser mais moderados...

Tolices em cima de tolices!... O que nós fizemos deste pobre País!...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

2978. ... de guarda ao pomar, quem o assaltou?



Por mim, não tenho dúvidas em continuar a apoiar o actual governo, por três razões fundamentais da máxima importância:

1. –
Ter as mãos limpas.

É formado por pessoas que a ele chegaram de mãos limpas e afastadas dos habituais “lobbies” de Poder existentes em Portugal, que conduziram o País à situação em que se encontra.

Insisto neste ponto, por ser muito mas mesmo muito importante e decisivo, não obstante número muito surpreendente de pessoas pareça não conseguir alcançar o seu significado e decorrências.

Na verdade, tanto o primeiro-ministro, como os ministros e secretários de estado –excepção feita ao ministro dos negócios estrangeiros, que terá furado a regra por se tratar do presidente de um dos partidos da coligação, mas está na representação externa – haviam integrado governos anteriores em funções executivas.

2. – Não estar sujeito à ditadura das capelinhas, maçónicas ou não.

A prova de que o governo está afastado dos lobbies, constata-se na circunstância de o próprio partido de origem do primeiro-ministro, o PSD, albergar, como se tem visto, dos maiores e mais ferozes adversários, que o atacam sem dó nem piedade, fazendo mesmo uso de manobras e expedientes de muito duvidosa seriedade e até mais gravosos do que os da Oposição. O lobby do PSD foi deixado, pois, bem longe deste governo.

Todos aqueles que sempre criticaram a influência dos aparelhos partidários na acção dos governos, deveriam ponderar esta circunstância. Não ponho esperança em que o façam, porque outros interesses se interpõem. Mas sempre deixo o apontamento. Assim, ninguém poderá alegar que não foi prevenido.

O governo não tem lobbies, não está manietado por lobbies nem capelinhas, maçónicas ou não, e essa é mesmo a razão pela qual, atacado por todos os lados, até mesmo de onde lhe devia vir o mais forte apoio, surge apoio, sim, mas à contestação. Se alguém exigia provas da isenção e honestidade do actual governo, esta, pode-se afirmar sem receio de desmentido, é a maior de todas.

Nestas condições e por coerência com o que sempre critiquei ao longo dos anos, ou seja, a obediência dos vários governos que temos tido, a todo o tipo de associações secretas e “bilderbergs” adredes, estou mesmo obrigado e apoiá-lo. E de consciência bem aliviada, por observar um dever que considero inalienável.

3. – Estar a cumprir o mandato que lhe foi conferido, respeitando-o, e ser a única esperança que nos resta, até mesmo sem que eles o saibam ainda, àqueles que são seus adversários.



Por entre dificuldades, para além das naturais de governar numa conjuntura destas, para a qual não contribuiu minimamente, não previsíveis de todo em clima de sanidade social, o governo tem vindo a exercer a sua acção, respeitando as obrigações a que tem de responder, embora cometendo, aqui e além, alguns erros de palmatória, erros que considero de significado não decisivo para levar à coluna do seu “Deve”, o maior dos quais reside num débito de comunicação com os cidadãos verdadeiramente surpreendente, por inesperado. Mas isso tem muito mais de forma que de conteúdo.

E, quanto a este, terei que chamar a atenção para a circunstância de, estando o governo a cumprir realmente os deveres do mandato que assumiu, não se vislumbra, nem de perto nem afastadamente, qualquer hipótese de alternativa para tempo útil.

Na verdade, olha-se em redor e em redor está o deserto. E a perspectiva deserto ainda é a que menos dano provoca.

Na verdade, a única alternativa que poderia existir está no PS, sozinho ou acolitado pelos mesmos de sempre, entre os quais laranjas bem conhecidos, que agora furiosa e descabeladamente atacam um governo de que o PSD é a força maioritária. Alternativa apenas formal, note-se, porque não há condições para tal. Mas, mesmo que houvesse, pergunto:

– Existe por aí alguém tolo ou actuando como tal e de má fé, que, prezando o seu pomar, lhe ponha de guarda quem já e repetidamente o assaltou?

Ora, não sendo os assaltantes do pomar que devem ser postos a guardá-lo, quem mais?

Comece-se por notar que, além de cumprir aquilo a que o País está obrigado, por força do memorando de entendimento, pela primeira vez, um governo português não está a limitar-se a sanear momentaneamente as suas finanças, como foi feito quando das anteriores intervenções externas, mas a ir mais além, encetando um vasto leque de modificações que hão de reestruturar e reformar as instituições da sociedade portuguesa, as quais, por não terem sido levadas a efeito nas ocasiões anteriores – esta é a terceira em 34 anos, verdadeiro “record” mundial absoluto, imagine-se!!! – nos trouxeram aonde estamos.

Como é que, nestas condições, eu posso deixar de apoiar um governo destes? Um governo que está a fazer precisamente aquilo que eu – e comigo tanta gente, quase toda a gente, mesmo aqueles que agora se acirram ferozmente contra ele – sempre quis que fosse feito, por acreditar que, enquanto o não for, não vamos lá.?

Coerência no pensamento e na atitude, mesmo que arrostando com as maiores contrariedades e incompreensões, é o que mais exijo de mim próprio. Por isso, cuido de a preservar.

As coerências alheias não são do meu foro, pelo que delas não tenho de curar.

* * *

Aqui ficam, pois, as razões por que tenho apoiado e vou continuar a apoiar o actual governo. Até que o mandato de honra seja integralmente cumprido ou, deixando de o ser, eu encontre razões justas, para abandonar este que, para mim, é igualmente um ponto de honra.

12 Setembro 2012


NB.-

Talvez a única alternativa viável esteja no PCP, cujos dirigentes, a começar pelo inefável, ele também, Bernardino Soares, tiveram já a suma lata, o descaramento e a pouca vergonha de começarem a apelar ao levantamento popular, suspirando, quiçá, pelo PREC de tão saudosa memória!... Politique à la PCP…

terça-feira, 11 de setembro de 2012

2975. Economistas, analistas, etc.



P elos vistos as pessoas esqueceram-se de que, há cerca de 18 meses, todos os economistas, analistas, comentadores e políticos, garantiam que vinham aí tempos muito duros.

Os próprios economistas, analistas, comentadores e políticos – todos eles, alguns até de forma surpreendente, pelo modo como falavam e falam agora – parece que se esqueceram igualmente do que disseram então, ou seja,

que os tempos que estavam para vir, durante dois a três anos, seriam extremamente duros, para resgatar Portugal e os Portugueses do regabofe em que estávamos mergulhados há muito anos, com especial relevo durante a última década.

Pelos discursos inflamados de agora, tais economistas, analistas, comentadores e políticos devem, na sua infinita sapiência, ter imaginado que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas seriam os tais tempos duros, que só teriam de atingir quem atingiram, deixando de fora – a gozar o panorama – todas as restantes gentes cá no rectângulo das alegrias da cigarra.

E, se bem o imaginaram, melhor o encaixaram nos respectivos bestuntos e, melhor ainda, disso convenceram a generalidade do povo em redor.

É bom que não seja esquecido que no ano passado, as férias não sofreram grandes alterações ao que era habitual e este ano o panorama também não foi muito mudado. Como resultado da impreparação das pessoas relativamente à gravidade d a situação que vivemos. E d essa impreparação são réus os “opinion makers”, os fazedores de opinião cuja principal razão de existência é, como o próprio nome indica, moldar a opinião das massas brutas e ignaras, esclarecê-las, enfim.

Pois… para a cura das maleitas de anos e anos de “boa vai ela”, bastava lixar os subsídios aos funcionários públicos e aos pensionistas e… pronto! Estava o milagre feito! Imagine-se que os sindicalistas até se deram ao luxo e à arrogância inaudita de começarem a “exigir” aumentos brutais de salários, como se estivéssemos no reino da idiotia perene, melhor dito da sacanice sem medida!

Por aqui se vê, na verdade, a qualidade dos economistas, analistas, comentadores e políticos que temos. Depois de as coisas acontecidas, são bons prognosticadores. Infalíveis mesmo no resultado do jogo, quando o jogo terminado.

E a ingenuidade do povo, que, por impreparação e por acreditar em contos de fadas, aceita e ingere todas as balelas que lhe metem pela “goela abaixo”.

Sai-se agora da miragem dos sonhos idiotas e entra-se na realidade dura dos factos. Que os tais economistas, analistas, comentadores e políticos que por aí vegetam, cada qual mais incapaz e desrespeitador da verdade que o anterior, tinham a obrigação de prever e do facto alertarem as pessoas.

Porque a ser assim, como efectivamente é, não precisamos absolutamente nada de economistas, analistas, comentadores e políticos, pelo que podem ir dar uma volta e não regressarem, muito obrigado a toda a cambada.

Até porque, depois desta gravíssima falha, apenas de sua culpa, persistem na irresponsabilidade que os caracteriza e lançam agora “postas de pescada” para o ar, acerca do que o governo fez e não devia, mas que eles, inchados e balofos, generalistas de tudo e especialistas de nada, características indissociáveis da menoridade intelectual indígena, sabem de ciência muito bem sabida, mas não revelam, para que não seja malbaratada pela turba… Como aquela de onde ir buscar o dinheiro que tão necessário é se não às soluções que o governo vai anunciando de forma tão canhestra, embora verdadeira e inevitável.

Ao governo cabem também responsabilidades. Claro. Não as que saltam de imediato à mente do zé povinho, prenhe que anda de demagogia infrene incutida pelos tais de que vimos falando, mas porque também estaria obrigado a ter tido, ao longo de todo este lapso de tempo que decorreu desde a tomada de posse, uma política de informação permanente, para prevenção das pessoas para o que era inevitável que surgisse. Como surgiu.

Na verdade, não é compreensível, nem aceitável, que o governo não tenha saudavelmente alertado em constância para o que estava para vir, pois que não bastaria o paliativo do corte dos subsídios a meia dúzia de cidadãos, deixando de fora todo o resto do maralhal. Não bastaria nem seria justo.

Em resumo, não há ninguém aqui pelo rectângulo isento de responsabilidades. E, curiosamente, o governo nem será dos maiores responsáveis – uma vez que está a cumprir o que tem de cumprir, seja lá como for, muito lhe custe ou não – mas tão somente porque não soube preparar as pessoas para o que aí vinha. A comunicação governamental dirigida aos cidadãos é, na verdade, uma completa hecatombe.

11 Setembro 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

2826. Noi, i inculati



Eu traduzo:

Dois homens nus, um atrás do outro.
Devíamos ter percebido logo que o Euro nos iria sodomizar a todos!

E o pior é que, agora que a coisa está feita, se dele sairmos, acontece-nos o mesmo...

Oh, porca miséria!



( click na imagem, para ampliar e ler tudo )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

2792. Então, quem falava verdade?

Quem tenha estado com um mínimo de atenção ao que se tem vindo a passar, decerto já notou um facto singular.

Pedro Passos Coelho tem vindo a diagnosticar várias incongruências (isto para ser moderado) na governação de Portugal e afirmar uma série de propostas que têm de ser levadas à prática, para que o País possa sair da situação desesperada em que se encontra.

E mais:

Tem-no feito de forma desassombrada, mas sem alarmismos e gritarias. Em tom sereno e muito paciente - mesmo quando nas entrevistas é interrompido, de modo a não lhe ser permitido dar resposta ao que se lhe pergunta... O que é bem sintomático.

E aquilo a que temos assistido é a um coro orquestrado pelo Primeiro Mentiroso do País que dá o tom que, depois, os amestrados seguidores, seguem religiosamente e chegam mesmo a aumentar de forma desmesurada. Chamam-lhe tudo e tentam ridicularizar as suas afirmações.

Curiosamente, desde ontem que se verifica uma certa inflexão. Começou mansamente mas hoje, depois da conferência de imprensa da troika está a acentuar-se.

Claro que ninguém reconhece explicitamente que Passos Coelho tinha razão, mas o que é certo é que quase tudo o que ele disse saiu acertado, como veio agora a constatar-se, pelo que foi dito na conferência da troika.

Desde logo porque foi afirmado, sem margem para dúvidas, que há no acordo várias medidas que foram suavizadas por influência do PSD. O que prova que Eduardo Catroga não mentiu quando, logo a seguir à onírica declaração do vilarista, veio dizer isso mesmo e que o governo sofrera uma derrota muito grande na discussão do acordo.

E as restantes declarações dos mesmos representantes da troika provaram claramente que o governo sofreu grave derrota. Quase tudo o que vilarista e amigos diziam foi desmentido e muitas coisas que Passos Coelho afirmava foram por eles confirmadas.

Basta pensar - e são apenas 2 exemplos de tantos que podiam ser aqui apontados, mas exemplos extraordinariamente significativos pela influência que terão no desenrolar da governação após 5 de Junho - que Passos Coelho assegurava que

* o acordo não esgotava todas as possibilidades e iria permitir ajustamentos.
- quase toda a gente se riu da afirmação de PC
- agora, a troika confirmou;

* A CGD terá que ser privatizada, em parte
- quase toda a gente veio clamar por sacrilégio
- agora, a troika confirmou

E se a conferência de imprensa desmentiu formal e frontalmente todas as afirmações anteriores do Primeiro Mentiroso, isso é efectivamente uma derrota do governo e, ao mesmo tempo, o reconhecimento do que o que Pedro passos Coelho afirmou e afirma está correcto.

Os comentadores habituais estão a mudar de rumo a uma velocidade muito significativa. Preste, pois, muita atenção.

E falo apenas do conteúdo, esquecendo a forma. É que o vilarista e Pedro Passos Coelho são diametralmente opostos. Enquanto aquele fala com embustes, teatralidade e arrogância assombrosos, Passos Coelho fala serenidade, comedimento e seriedade notáveis.

Ruben Valle Santos
5 Maio 2011
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

2789. Uma pequena e elucidativa história


Uma pequena e elucidativa história


Afonso VI, que chegou a ser rei de Portugal, não foi preparado para essa difícil incumbência, uma vez que era apenas o terceiro na sucessão. Mas aconteceu que houve mesmo de entronizá-lo.

Ainda criança sofreu de febre maligna que lhe afectou o corpo, deixando-o fisicamente incapaz. Uma outra doença do sistema nervoso incapacitou-o ainda de forma mais notória.

Após a morte do pai, João IV, o reino passou a ser regido pela mãe, Luísa de Gusmão.

Em 1663, com vinte anos de idade, assumiu o reino.

A decadência do País era inevitável, já que o rei era fraco, incapaz e tudo sacrificava aos seus desígnios pessoais e de amigos de lamentável estroina.


Constatada a sua incapacidade e por imposição do Senado, acabou por ser obrigado a abdicar do trono em 1667, cedendo-o ao irmão, Pedro, tendo sido banido da Corte.


Faleceu aos quarenta anos de idade, num quarto do palácio da Vila, em Sintra, em 1683, onde permaneceu preso, por 9 anos.


* * *


Como se vê, uma vez mais aqui os Portugueses souberam resolver os seus graves problemas. Tratou-se de uma solução radical, na verdade. Mas se não tivesse sido tomada, o Reino teria caído na mais vil das condições.


O passado tem destas coisas. Serve-nos de ensinamento, para que não nos deixemos cair em situações que a todo o custo devemos evitar. A bem da comunidade que como povo constituímos.


Mostra-nos que para todos os males há sempre uma solução que aguarda por que a adoptemos em defesa do bem comum.


Só temos que estar atentos e colhermos esses ensinamentos. Até para que, de forma adulta e responsável, consigamos resolver os nossos problemas sem que seja necessário que alguém nos venha dizer o que e como fazer, por não necessitarmos de tutela estrangeira.


RVS

2 Maio 2011

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

2786. E a responsabilidade é d...

Economia

O governador do Banco de Portugal apontou responsabilidades.

Carlos Costa diz que a culpa do estado das contas públicas é dos decisores políticos e dos administradores públicos. O responsável do banco central considera que o estado das contas públicas demonstra o fracasso da administração do Estado e exige que os decisores sejam responsabilizados.

2011-04-27 19:18:48

http://www0.rtp.pt/noticias/?t=O-governador-do-Banco-de-Portugal-apontou-responsabilidades.rtp&headline=20&visual=9&article=436887&tm=6

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

2776. O preito devido a Sócrates

O preito devido a Sócrates

O engraçado de tudo isto - se é que existe alguma graça nesta história, é que, excepção feita a dirigentes do PSD, que sempre disseram que precisavam de conhecer as contas, os restantes partidos aos costumes vinham dizendo rigorosamente "nada".

Significativamente, depois da chegada do FMI e do BCE, apareceu já Anacleto Louçã, todo pomposo, gongórico e conspirativo, "as usual", a reivindicar a necessidade de uma auditoria às contas.

Mais vale tarde do que nunca, caro Anacleto! Vamos lá então exigir essa auditoria.

Mas não vamos sem antes aqui ficar bem claro que parece que os partidos estão a começar a seguir as nossas pisadas.

Porque fomos nós, as gentes do Facebook, os primeiros a reivindicar a clarificação do estado das contas. E, durante quase mais de duas semanas estivemos sozinhos nesta empresa.

Vêm agora os da 25ª hora.

Mas ainda bem que vêm. Serão bem recebidos, apenas se lamentando que não tenham tido a iniciativa, como lhes competia em primeira mão. Mas, pelo menos, começam a reconhecer a razão que nos assistia. E assiste.

Uma outra nota, de enorme importância:

Alguém precisa de maior prova do que esta para afirmar, sem receio de desmentido, que a cidadania participativa, a Democracia Directa, vigilante da Democracia representativa parlamentar, é mais necessária do que nunca? E que dá provas insofismáveis de ser eficaz?

Alguns cidadãos mais cépticos - talvez por muito desenganados ou pouco habituados a intervir activamente nos problemas da sociedade e sua resolução - poderão supor que a nossa acção não produz efeitos ou, se produz, eles são negligenciáveis.

Puro engano!

Que seja anotado que eles, os políticos da nossa praça, também vêm à Net - ao Facebook e outras redes - e começam a sentir a força dos cidadãos, em bloco, expressa de forma reivindicativa e sem berrarias ululantes. Mas exigente. De pessoas que, sabendo quais os deveres que têm, que cumprem, não abdicam de ver respeitados os direitos que lhes assistem e constitucionalmente lhes estão formalmente assegurados, mas na prática, sempre negligenciados.

E, sentindo-o e porque não são desprovidos de inteligência, vão dando os primeiros passos para se chegarem à realidade, vindo ao nosso encontro. Para se "salvarem", porque, se o não fizerem, mais cedo ou mais tarde - e cada vez é "mais cedo" do que "mais tarde" - tramam-se a sério e de uma vez por todas.

O que se requer da nossa parte é firmeza e persistência. Está nas mãos dos Homens darem ao Mundo a via adequada para percorrer; está nas nossas mãos darmos a Portugal a esperança no futuro de que tão necessitado está.

E ninguém de entre nós, nenhum Português, está isento desta tarefa. Porque ela é de todos e a ela fugir é atitude criminosa, por hipotecar o futuro dos que nos seguirão.

Amanhã, num futuro mais ou menos longínquo, seremos apenas uma recordação. Que pode ser boa ou má, dependendo unicamente de nós próprios. Mas se nenhum de nós será vivo eternamente, a Pátria queremos que o seja. Tem de o ser. Contribuiremos com o nosso quinhão para que o seja.

É esta imensa benesse - a de termos finalmente interiorizado a necessidade de intervirmos decisivamente na vida da sociedade em que estamos inseridos, portanto, da necessidade da verdadeira cidadania - que o vilarista nos deixa. Foi ele e os seus governos, com a prática autoritária, embusteira e destruidora da sociedade portuguesa que desde sempre assumiu, que levou que acordássemos. Esperemos que a tempo.

- Devemos-te, pois, ó Sócrates um enorme agradecimento um verdadeiro preito de homenagem. Que humildemente deves aceitar, mesmo que, como certamente será o caso, não percebas o enorme serviço que prestaste a Portugal e aos Portugueses!

Ruben Valle Santos
Setúbal
13 Abril 2011

(Texto publicado também no Facebook, na página da Auditoria Imediata às Contas do Estado)

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terça-feira, 5 de abril de 2011

2770. Lamento ter de o escrever

Lamento muito ter de escrever isto. E lamento-o por dois motivos essenciais:

1. Pelo respeito que me merece o cargo de Presidente da República Portuguesa, independentemente de quem conjunturalmente o ocupa;

2. Qualquer cidadão me merece respeito e consideração, que não recuso.

Portugal, todavia, merece-me ainda mais respeito e consideração e encho-me de temor pela sua integridade e dignidade do conjunto dos seus cidadãos. Da geração actual. E das vindouras.

Quanto maior e mais elevado o cargo, maior também a responsabilidade de quem o ocupa e mais inconcebível a ilicitude de a alijar.

Aqui chegados, cumpre perguntar:

Será que um qualquer pé descalço, analfabeto, ignorante e boçal, conseguiria cumprir menos os deveres do cargo do que o actual titular de Belém?

Para resolução da gravíssima situação económica, financeira, social e política em que o País está mergulhado, de concreto que fez Aníbal Cavaco Silva, que qualquer sem abrigo e sem preparação não tivesse sido capaz de fazer?

Será que o Presidente se considera desonerado dos deveres do cargo por ter de salvaguardar a reeleição para um 3º mandato e, portanto, há que não fazer ondas, como já antes, em devido tempo, não fez? Se assim é, que haja alguém que o elucide de que tal esforço não valerá a pena. É mesmo um desperdício de tempo e de feitio, mesmo para alguém com o seu feitio.

Em Belém – nesta precisa hora – necessitamos de ter alguém sem estados de alma nem calculismos, alguém que, com experiência, coragem e determinação, pondo os interesses do País à frente de tudo o mais, actue em conformidade com as exigências da Pátria e o faça a tempo, a horas. Na medida certa.

Repito: lamento ter de escrever isto. Mas não o fazer, seria violentar a minha consciência de cidadão português amargurado por ver o País – ancião de quase nove séculos, outrora respeitado no concerto universal – trilhar caminhos bem escusos e ser motivo de galhofa do mundo em redor, sem que alguém se levante e, imponente e inamovível no propósito, se apresente a indicar-lhe a direcção correcta e justa, a direcção necessária.

E a primeira dessas pessoas tem de ser – não pode escusar-se a ser – o Presidente da República. Para isso o é. Para agir. A tempo, a horas, a propósito. Na medida justa.

O País precisa de acções. Está saturado de palavreado oco e gongórico, que o vento leva e, mesmo que não levasse, nada criaria porque mais infértil do que solo improdutivo de deserto calcinado.

Como é que ainda suportamos tal despautério?

Que mais será preciso para que a revolta nos tome? Não a que conduz à violência sem sentido e causadora de ainda maiores males, mas a revolta tranquila, de gente que sabe ter a razão do seu lado e não está disposta a continuar a dar respaldo a quem a ele não faz jus e deixa que seja submetida a sucessivos ultrajes e ignomínia.

A revolta tranquila dos cidadãos. Tranquila, mas exigente; tranquila, mas sem conceder tréguas; tranquila, mas, de uma vez por todas, definitiva!

Ruben Valle Santos

5 Abril 2011

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

2769. O dia da revolta dos cidadãos !


Está em curso uma petição denominada


Petição para

auditoria imediata às contas do Estado


Se a quiser subscrever, depois de ler o texto que a fundamenta, evidentemente, siga qualquer dos links que abaixo, no final deste texto, indico:

Exorto-o franca e firmemente a assiná-la porque exigir-se a imediata auditoria às contas do Estado é o mínimo que se pode fazer, no sentido de sanear a vida político-social do País.

Não é justo nem admissível que todos nos queixemos da vida que nos obrigam a levar, por causa dos desmandos e desperdícios de dinheiros e recursos por parte de quem nos governa e, chegado o momento de agir, para apurar a realidade de como as coisas estão, para obrigar ao uso de procedimentos correctos, não fazermos o mínimo exigível a qualquer cidadão consciente, ou seja, pugnar pela Verdade, pelo esclarecimento integral do que nos trouxe até à deplorável situação presente.

Só existe uma forma de intervenção à medida do cidadão comum.

Dirigir Petição à Assembleia da República, com força para desencadear discussão obrigatória. É o que se está a levar a efeito presentemente.

Só actuando podemos exigir o respeito e a dignidade a que temos direito.

Colabore com a iniciativa!

Leia os termos da Petição e, se concordar com eles, subscreva-a.

Mas não fique por aí. Faça um pouco mais, sem custos.

Divulgue-a pelos seus contactos, convidando familiares, amigos e conhecidos a que se juntem a nós, numa acção justa que deve ser de todos.

Junte-se a nós e leve a que outros o façam também! para que esses outros, por seu turno, convidem mais outros. e assim, em cadeia, para chegarmos longe, a todo o Portugal.

Não fique inactivo, num momento em que o País tanto precisa de todos.

A nossa passividade fez com que aqui chegássemos.

Só o nosso activismo nos redimirá.

MOSTREMOS QUE ESTAMOS VIVOS E SABENDO O QUE QUEREMOS: JUSTIÇA, APENAS E TÃO SOMENTE JUSTIÇA !


* * *


Se para si for mais cómodo convidar os seus familiares, amigos e conhecidos a assinar a Petição Auditoria Imediata às Contas do Estado por outra forma, que não esta, dos blogues ou redes sociais, não hesite.

Use telefone (com fios, sem fios, de cordel...), telemóvel, fax, telex, carta, telegrama, video-conferência, sinais de fumo, toque de tambor, segredo ao ouvido (desde que audível cem metros em redor…), o que quiser. Não importa o meio que utilizar, desde que eficaz.

Porque o que realmente importa é que TODOS façamos o maior e mais concertado esforço que possamos, para que o objectivo seja alcançado.

De uma vez por todas, mostremos que estamos vivos, actuantes e queremos ser ouvidos, por termos uma palavra séria e responsável dizer.

A má Democracia representativa que temos não nos chega.

Queremos Democracia - Democracia representativa - mas pressionada pela Democracia Directa de cada cidadão e do conjunto de todos os cidadãos.

4 Abril 2011

Este é o dia! Esta a hora! Não passa daqui. Revoltemo-nos! Com serenidade e espírito democrático, sem violências, mas revoltemo-nos!

Iniciemos a nossa revolta. A revolta tranquila, mas firme como nenhuma outra! A revolta de 4 de Abril de 2011. A revolta justa! A revolta que nos envergonhará por dela não termos participado.

*

Links da Petição, que pode ser subscrita em qualquer deles:


http://www.ipetitions.com/petition/auditoria/

e

http://tiny.cc/5abd8

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quarta-feira, 30 de março de 2011

2767. O PSD, Cavaco e o vilarista


O PSD, Cavaco e o vilarista *

A propósito da notícia de sábado passado, salvo erro, do Expresso, de que Cavaco Silva terá pressionado o Partido Social Democrata para que trave na intenção de solicitar auditoria às contas, quanto antes, cumpre quedar atónito! No mínimo.

Na verdade, a intenção do PSD é justa e necessária, pois torna-se indispensável apurar a verdadeira situação económica e financeira do País – a social, sabemo-la já todos – de modo que as cartas estejam todas sobre a mesa, antes de se entrar em período eleitoral.

Por esse motivo defendi já que as eleições apenas deverão ter lugar em Setembro, sendo da competência, das atribuições e do dever do Presidente da República nomear governo de sua iniciativa, de largo espectro e, se possível, amplo apoio, que assuma o ónus não somente da condução da política nacional, como da gestão do período eleitoral.

Defendi e defendo essa via, porque considero que, não o fazer, será contribuir de forma decisiva para que a clarificação indispensável de toda a situação deprimente em que o País se afunda uma vez mais não se faça.

Por questão de transparência e democraticidade de actuação, tudo deve ficar claro, sem lugar a dúvidas e interpretações maliciosas.

A alegação de que a medida de auditoria das contas do Estado pode precipitar o resgate de Portugal, parece-me, no mínimo e para ser moderado, falaciosa. Os tão ameaçadores “mercados” odeiam situações pantanosas e, por outro lado, que mais poderiam fazer-nos que já não estejam a fazer?

Em jeito de brincadeira (que pode ser de mau gosto, mas adequada…), dá vontade de invocar aquela história do jovem, deitado em cama de hospital, após ter sofrido gravíssimo acidente de viação, sem pernas, sem braços, com a bacia muito fracturada e o peito esmagado, que invectivava fortemente o Destino e que, em resposta à mãe, que, preocupadíssima por vê-lo naquele estado físico e de desespero, tentava acalmá-lo, aconselhando-o a que não blasfemasse mais, pois que Deus podia castigá-lo, respondeu:

- E o que é que Deus me pode fazer mais? Despentear-me?!

Voltando à questão séria:

Ora, situação mais pantanosa do que a que vivemos não creio possível. Estamos de tanga, sem crédito – material e moral – na falência e nem sequer sabemos ao certo a dimensão da nossa desgraça.

Numa tal situação, racionalmente que se impõe que seja feito? Que primeira medida tomaria qualquer lúcida gerente de economia doméstica? Evidentemente que a de apurar a situação em toda a sua extensão e ramificações. Para, uma vez isto apurado, gizar adequado plano de recuperação.

Ora, sabermos que o Presidente da República, precisamente a pessoa que deveria ser a primeira a exigir tal medida cautelar, não a tem e, muito pelo contrário, em nome de uma moderação também alegadamente cautelar, pretende que tudo seja travado.

Francamente, não sei o que deva pensar. É certo que, de há muitos anos a esta parte, serei um tanto suspeito em relação às atitudes e acções de Cavaco Silva, por da maior parte delas discordar frontalmente, entendendo que não “acerta” com um único dos verdadeiros e mais ingentes interesses do País.

Mas, aqui chegados, que dizer de uma sua atitude como esta?

É que a sua tese cai como bênção no colo do vilarista. Pode não ser essa a intenção. Mas o que é certo é que acaba por revestir a forma de cobertura ideal de que o vilarista necessitava como de pão para a boca, para ir sobrevivendo à hecatombe que provocou. De que vale um isolado e arrancado a ferros discurso em jeito de bravata, perante acções subsequentes que o desmentem?

E, mais: não fossem coberturas como esta, vindas de vários quadrantes, mas também deste de agora, a criatura de Vilar de Maçada não teria afundado o país. Sim, o principal culpado é, sem dúvida, ele mesmo. Mas há outros. A começar pelas omissões e acções do actual Presidente da República. Infelizmente para todos nós!

A reforçar o que atrás fica dito quanto à necessidade de rapidamente se apurar a real situação das contas e à incompreensão da sua travagem, por todos os motivos já expendidos e mais o de que não pode ser dada ao vilarista a possibilidade de criar outros embustes eleitorais em que é especialista inultrapassável, surge a notícia de que o INE confirma que haverá "uma série de alterações contabilísticas" ao défice de 2010, ou seja, lá vai mais uma correcção de manigância anterior.

A girândola continua em movimento que parece eterno. E o Presidente da República, não mexendo um dedo no sentido de a parar, impede mesmo que outros cumpram um dever que é primacialmente seu.

Quod erat demonstrandum, quod est demonstratum.


Registo áudio

( tempo de carregamento na primeira vez: cerca de 1 minuto )


* Vilarista -. de Vilar de Maçada, é bom de ver

sexta-feira, 25 de março de 2011

2765. Eleições antecipadas? De imediato, não!

Tive já oportunidade de aqui e em outros “fora” o escrever, mas insisto.


Cavaco Silva não deveria marcar eleições antecipadas, para já. Elas jamais deveriam ter lugar antes de Setembro próximo e, entretanto, deveria nomear governo de sua responsabilidade, que preparasse eleições e gerisse os assuntos de Estado até à posse do executivo que delas sair.


Por todos os motivos, entre dos quais o de não se cair em precipitações assassinas num momento tão grave e de retirar aos vilaristas a possibilidade de falcatruarem tudo, como nas últimas legislativas e presidenciais aconteceu.


Mas igualmente por outro motivo e este de maior peso. E qual é esse motivo?


O de na Assembleia da República ser constituída comissão parlamentar para avaliar o real estado da situação económico-financeira que atravessamos, designadamente os encargos que o Estado já assumiu, em que montante total e com que horizontes, perante que credores.


Tal Comissão deveria recolher e analisar o testemunho dos mais diversos intervenientes na “res publica” nacional, com especial relevância para os ligados à economia do País e assuntos de Estado, como o Governador do Banco de Portugal, o Presidente do Tribunal de Contas, os dirigentes do Instituto Nacional de Estatística, do Instituto do Emprego e Formação Profissional e mais quem fosse julgado pertinente ouvir.


Não proceder assim é, uma vez mais, falhar um encontro necessário com a História do País.


domingo, 20 de março de 2011

2760. Este PEC não é indispensável

Não constituiu surpresa para mim o que acabámos de ouvir de MRSousa, no Jornal Nacional da TVI, i.e., que o FMI não é problema, as medidas do PEC podem ser substituídas por outras com semelhante peso e menos gravosas para os cidadãos e que a União Europeia não nos deixa cair se não houver PEC aprovado na semana que vem. Porquê?

Não constituiu surpresa porque, há cerca de dois meses a esta parte, é isso que tenho aqui escrito repetidamente, designadamente no Facebook, mas não somente aí.


Primeiro, porque o FMI "está já" nas medidas do PEC subscrito em Bruxelas, à revelia de toda a gente. Depois, porque a UE não tem o mínimo interesse em que nós cheguemos ao fundo do abismo, do qual estamos muito próximos, porque a Espanha vai atrás e a sua queda – a juntar à nossa e às da Irlanda e da Grécia – seria uma tragédia para a própria UE, a sua completa falência.

O que a UE pretende é que o nosso problema seja resolvido, independentemente da forma, ou seja, independentemente da das características das medidas a tomar para lá se chegar e, atrevo-me mês mo a dizer, do prazo – razoável – necessário para reduzirmos a dívida pública para níveis aceitáveis e que o deficit orçamental leve mais ou menos tempo a ser trazido para patamar abaixo dos 3%.

O problema não está nas medidas nem sequer «no tempo – desde que razoável – para que elas surtam o efeito desejado. O problema está, tão só, na credibilidade do plano para resolver a crise que possamos apresentar.

Nada há que impeça que a dívida seja reestruturada e, portanto, paga mais devagar. E a questão do deficit não pode ser esgrimida com muita firmeza por alemães e franceses porque, afinal, eles foram os primeiros a ignorar os limites.

Portanto, logo que nos apresentemos a negociar com um governo legítimo e medidas sérias e credíveis a UE e os mercados acalmar-se-ão. É do senso comum. Qualquer credor, por muito sôfrego que se mostre, não hesitará entre receber mais tarde mas certo, do que mais cedo e incerto. Por outro lado, dever não é vergonhoso; vergonhoso é prometer pagar, mas sem que o devedor apresente provas de estar de boa fé.

É verdade que não economista nem sequer analista político. No entanto, como quem me lê certamente reconhecerá, é isto que tenho vindo a escrever, aos poucos, de há muito tempo a esta parte. Ora, como também não sou adivinho, resta uma explicação para ter chegado a essa conclusão logo de início. Qual? O senso comum. Que é, afinal, o que, ao fim e ao cabo e mais cedo ou mais tarde, norteia as relações entre as sociedades humanas.

Onde não cabem as fantochadas de um mero chico esperto de um qualquer Vilar desses muitos que há espalhados pelo país.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

2745. Imposto de crise versus embustes e bandalheira

Esta história do corte nos ordenados é um embuste. Só atinge funcionários públicos e, pelos vistos, nem todos. Além disso, levanta problemas de inconstitucionalidade.

A solução que teria revelado equanimidade e honradez teria sido a da criação de um imposto extraordinário, o "IMPOSTO DE CRISE", a abranger a universalidade dos cidadãos, com as únicas excepções a contemplar quem não disponha de rendimentos mínimos suficientes para uma subsistência digna.

Tal imposto vigoraria temporariamente, até que se mostrasse necessário, devendo de tempos a tempos, ser avaliada em termos públicos a necessidade de continuar em vigor ou não.

Tudo isto precedido de uma explicação completa e cabal ao País. Claro, seria a forma de actuação correcta e democrática de um governo decente.

Quando a necessidade de sacrifício é aberta e lealmente exposta, ao mesmo tempo que fixado o horizonte de localização do final do aperto, a generalidade dos cidadãos aceita de boa mente sacrificar o seu bem-estar em prol do bem comum.

O que não aceita, de forma nenhuma, é o embuste. E a actuação dos vilaristas governos tem-se pautado pela mentira descarada e o mais indecente dos embustes.

Por outro lado, os juros da dívida pública continuam em alta, ultrapassando constantemente a barreira dos 7%. Aliás, nem outra coisa seria expectável.

Quanto mais tempo demorar a chamada do FMI pior será. Poderá não vir cá fazer muita coisa, mas uma fará certamente e dela muito necessitados estamos: evitar mais mentiras e embustes, que a bandalheira prossiga.

O vilarista tenta fugir a essa inevitabilidade a todo o custo, porque, logo que o FMI chegue, acabam-se as sinecuras dos boys que por aí se alapardam na mesa do Orçamento. Pior do que isso, fora do Orçamento, pela calada da noite!

Ora, perdidas as sinecuras, lá se vai o poder do vilarista pelo esgoto. Esta a dura realidade com que estamos confrontados. Tudo o mais apenas serve para engrolar o zé pagode.

domingo, 21 de junho de 2009

2346. A crise e os 28

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A insistência em grandes investimentos públicos,
de baixa ou nula rentabilidade,
e com fraca criação de emprego em Portugal,
não é o caminho no combate à crise económica.

Manifesto assinado por 28 economistas
Citação do Público.

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

1981. Aí vêm mais empregos... dos tais!

Sócrates promete 30.000 empregos no sector social

00h30m

JESUS ZING*

O primeiro-ministro José Sócrates mostrou-se ontem convicto em Aveiro que o sector social pode retirar do desemprego 30 mil pessoas até final do ano, elogiando a resposta do sector no com-bate ao desemprego.

Centena e meia de instituições de solidariedade social da região centro do país assinaram ontem acordos com a Segurança Social para a criação de 1686 empregos de inserção e 424 estágios, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro José Socrates nas instalações das "Florinhas do Vouga" em Aveiro onde foi inaugurada uma nova creche.

"O emprego tem que ser a prioridade para toda a sociedade portuguesa e o primeiro sector a dizer presente foi no sector social", disse o primeiro-ministro.

Sócrates lembrou que actualmente mais de 15 mil portugueses que estão inscritos nos centros de emprego se encontram a trabalhar no sector social e afirmou que "se tudo correr bem no final do ano, 30 mil pessoas trabalharão no sector social". "Isto é uma solução para a crise", disse o primeiro-ministro. para quem "o emprego tem que ser uma prioridade".

Sócrates que estava acompanhado do ministro do Trabalho, Emprego e Solidariedade Social, Vieira da Silva, apontou o exemplo das "Florinhas do Vouga" para elogiar o trabalho das instituições de solidariedade social. "O dever do Estado é agradecer-vos", disse.

O primeiro-ministro que ao principio da noite recebeu os parceiros sociais do distrito de Aveiro no Governo Civil, foi recebido à chegada por uma centena de manifestantes integrando os sectores da pesca, professores, agricultura, metalúrgicos e corticeiros, afectos à Intersindical.

Sócrates esteve, de manhã, na Escola Secundária Gomes de Almeida, em Espinho, que está a ser alvo de uma profunda requalificação, orçada em 14 milhões de euros e anunciou obras em mais 55 escolas do Ensino Secundário, antecipando a terceira fase do programa de Modernização do Parque Escolar. "Estamos a oferecer uma oportunidade de sobrevivência a todas as pequenas e médias empresas. O programa fará a diferença entre manter-se em actividade ou fechar portas, entre ter ou não emprego. As obras deverão começar entre Maio e Junho".

O primeiro-ministro recordou que o Ensino é a grande aposta do seu Governo. "O nosso dever é dar uma boa Educação aos nosso jovens, pois ela é vital para o desenvolvimento económico", referiu.

O primeiro-ministro destacou que a Educação também "é vital para a igualdade de oportunidades". "É sabido que a menor formação correspondem rendimentos mais baixos", sublinhou.

* COM REIS PINTO

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Mais 30 mil? Já vai em 180,000. O homem e uma máquina de fazer empregados. Que, ao qeu parece, só tem par na sua capacidade de desfazer desempregados...

Aí vêm mais 30.000... dos tais, prontinhos para juntar aos outros 150.000. Dos tais empreguinhos tão suaves tão suaves que os desempregados nem sequer se apercebem de que, afinal, estão empregados, até que consultam as estatísticas do INE, da responsabilidade do empregador-mor do reino, o senhor D. Sócrates, o Único, que Deus no-lo guarde por muitos e bons anos.

Como é que canta o Jorge Palma? Ah, sim! "Deixa-me rir..." que estou com uma vontade louca de chorar... desconsoladamente.

Como é que pode ainda haver gente tão desprovida de miolos que, ainda o homem não abriu a boca e... pás, catrapás... está já a acreditar piamente no que nem sequer ainda disse?

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