Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 14 de dezembro de 2008

1879. José Rodrigues dos Santos - "A vida num sopro"

Já por mais de uma vez me referi aqui no blog a obras de José Rodrigues dos Santos, dando conta de que sou um indefectível leitor e apreciador do seu estilo, da obra que vem construindo em bases realmente muito sólidas e certamente duradouras.

Pois bem, chegou a vez de o fazer novamente, após a leitura do seu último romance, "A vida num sopro", editado pela Gradiva.

É, como seria de esperar, um excelente romance, que só não se lê de um "sopro". como tantos outros, pelo grande prazer que consiste em ir absorvendo a história e a forma de a contar, em sorvos de total comprazimento.

Na verdade, se, em obras anteriores, JRS captou a nossa atenção através de livros cheios de acção e suspense, excelentemente narrados, como são os casos de O Codex 632, A Fórmula de Deus, e O Sétimo Selo, a título de exemplo (e não refiro A filha do capitão, nem A Ilha das Trevas, por assim as não entender) em A vida num sopro, o autor revela-se um escritor multifacetado e com uma excepcional capacidade de acomodar-se a qualquer género de romance.

Não alheia a esta circunstância será certamente, para além da extraordinária capacidade narrativa de José Rodrigues dos Santos, uma sua muito peculiar e agradável forma de estar na vida e perante a sociedade envolvente, de que todos somos testemunhas quase diariamente nas suas aparições na RTP.

A fluidez da escrita, a já falada capacidade narrativa, a ciência indispensável da comunicação fácil e espontânea fazem de José Rodrigues dos Santos um caso que se tornou já ímpar no universo das Letras Portuguesas, ao que parece para algum desgosto de uns quantos, certamente em números irrisórios, se comparados com os outros, os muitos que se deliciam com suas as histórias e a forma como as conta.

E se não bastasse o que acima fica referido para fazer de JRS um autor que faz inteiro jus à consagração que, em menos de cinco anos, já obteve, a leveza e a simplicidade das coisas mais belas, precisamente por serem simples e escorreitas - sem rodriguinhos de literatos mergulhados na estratosfera transcendental das grandes elucubrações, as mais das vezes sem sentido e, por isso mesmo, sem que alguém as entenda, a começar pelos próprios -, que imprime a quanto escreve, transmitindo ciência, conhecimento e saber em jeito de entretenimento, de forma simples e directa, a todos acessível, embora não alienada da verdadeira cultura portuguesa, conferem-lhe lugar seguro na galeria dos grandes autores portugueses de sempre.

Por mim, como já afirmei em outras oportunidades, constituí-me seu leitor indefectível, que apenas aguarda a publicação da próxima obra. E da seguinte e da que se lhe seguirá.

Obrigado, José Rodrigues dos Santos, pelo excelente trabalho que está a fazer, em prol da Literatura Portuguesa, assim liberta do bafio, desempoeirada, completamente arejada e, perdoe-se-me a terminologia que, porém, julgo adequada, open minded, que certamente está a retirar às fileiras dos portugueses divorciados da literatura muitos dos argumentos que esgrimiam para justificarem essa condição a que tinham chegado.

A Literatura, quanto mais próxima estiver do cidadão comum, vulgar de Lineu, melhor e mais eficazmente cumprirá a sua missão. Que efectivo ganho advirá para ela do facto de ser-se Nobel, assim nomeado por meia dúzia de "cérebros", quando nem no próprio país há dúzia e meia de pessoas não "entendidas" que conheçam a respectiva obra e, menos ainda, a entendam?

Foi isso, a necessidade de o autor e a sua obra se inserirem no meio dos seus concidadãos, seus semelhantes, para que atinjam a sua plenitude, que JRS veio evidenciar. É provável que alguns de seus pares de tal verdade não se tenham ainda apercebido. Porém, mais tarde ou mais cedo, acabarão por entender e por render-se. Tão inevitável como as coisas inevitáveis.

Será a vitória derradeira e decisiva de José Rodrigues dos Santos.
...

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Ainda não li JRS. Beijos.

Ruvasa disse...

Viva, Paula!

Se me permite e sugestão, não deixe de ler.

Beijos

Ruben

Bento disse...

Depois de tanto sucesso...JSR não tem nada a ver com o homem parado do Baptista Bastos, muito menos no inverno, mas...apetece perguntar em uníssono com o José Cardos Pires..."E agora José?"

Ruvasa disse...

Viva, Luís Bento!

Sim... e agora, José?

Só resta uma solução, que é a de seguir em frente, sempre mais e mais em frente, com uma exigência pessoal em crescendo contínuo.

Abraço

Ruben