
Não vou gastar muito do seu tempo, com grandes considerações acerca do último romance de José Rodrigues dos Santos.Apenas lhe direi que, como habitualmente, se trata de história ficcionada, recheada de factos verídicos e extremamente actuais, indispensável a quem pretenda estar razoavelmente informado acerca de temas de muito interesse para a civilização ocidental, tal como a vivemos nos dias que correm e o que, com grande probabilidade, o futuro lhe reserva.Se quer saber o que realmente pensam e buscam e como agem os fundamentalistas islâmicos, Al Qaeda e taliban incluídos, para aalcançarem objectivo final que perseguem, não deixe passar em claro a oportunidade de aceder a esta obra, que certamente virá a tornar-se referência futura de vulto na sua biblioteca.Fúria Divina, de 583 páginas, editada pela Gradiva e vendida por preço inferior a 20 euros, é o sétimo romance de José Rodrigues dos Santos e seguramente o que mais impressiona e inquieta, porém indispensável para que se compreendam muitas das notícias que, em conta-gotas e quase de forma anódina, vão chegando ao nosso descuidado quotidiano.
Fica a notícia e o convite. Não os despreze....
Já por mais de uma vez me referi aqui no blog a obras de José Rodrigues dos Santos, dando conta de que sou um indefectível leitor e apreciador do seu estilo, da obra que vem construindo em bases realmente muito sólidas e certamente duradouras.Pois bem, chegou a vez de o fazer novamente, após a leitura do seu último romance, "A vida num sopro", editado pela Gradiva.É, como seria de esperar, um excelente romance, que só não se lê de um "sopro". como tantos outros, pelo grande prazer que consiste em ir absorvendo a história e a forma de a contar, em sorvos de total comprazimento.Na verdade, se, em obras anteriores, JRS captou a nossa atenção através de livros cheios de acção e suspense, excelentemente narrados, como são os casos de O Codex 632, A Fórmula de Deus, e O Sétimo Selo, a título de exemplo (e não refiro A filha do capitão, nem A Ilha das Trevas, por assim as não entender) em A vida num sopro, o autor revela-se um escritor multifacetado e com uma excepcional capacidade de acomodar-se a qualquer género de romance.Não alheia a esta circunstância será certamente, para além da extraordinária capacidade narrativa de José Rodrigues dos Santos, uma sua muito peculiar e agradável forma de estar na vida e perante a sociedade envolvente, de que todos somos testemunhas quase diariamente nas suas aparições na RTP.A fluidez da escrita, a já falada capacidade narrativa, a ciência indispensável da comunicação fácil e espontânea fazem de José Rodrigues dos Santos um caso que se tornou já ímpar no universo das Letras Portuguesas, ao que parece para algum desgosto de uns quantos, certamente em números irrisórios, se comparados com os outros, os muitos que se deliciam com suas as histórias e a forma como as conta.E se não bastasse o que acima fica referido para fazer de JRS um autor que faz inteiro jus à consagração que, em menos de cinco anos, já obteve, a leveza e a simplicidade das coisas mais belas, precisamente por serem simples e escorreitas - sem rodriguinhos de literatos mergulhados na estratosfera transcendental das grandes elucubrações, as mais das vezes sem sentido e, por isso mesmo, sem que alguém as entenda, a começar pelos próprios -, que imprime a quanto escreve, transmitindo ciência, conhecimento e saber em jeito de entretenimento, de forma simples e directa, a todos acessível, embora não alienada da verdadeira cultura portuguesa, conferem-lhe lugar seguro na galeria dos grandes autores portugueses de sempre.
Por mim, como já afirmei em outras oportunidades, constituí-me seu leitor indefectível, que apenas aguarda a publicação da próxima obra. E da seguinte e da que se lhe seguirá.Obrigado, José Rodrigues dos Santos, pelo excelente trabalho que está a fazer, em prol da Literatura Portuguesa, assim liberta do bafio, desempoeirada, completamente arejada e, perdoe-se-me a terminologia que, porém, julgo adequada, open minded, que certamente está a retirar às fileiras dos portugueses divorciados da literatura muitos dos argumentos que esgrimiam para justificarem essa condição a que tinham chegado.A Literatura, quanto mais próxima estiver do cidadão comum, vulgar de Lineu, melhor e mais eficazmente cumprirá a sua missão. Que efectivo ganho advirá para ela do facto de ser-se Nobel, assim nomeado por meia dúzia de "cérebros", quando nem no próprio país há dúzia e meia de pessoas não "entendidas" que conheçam a respectiva obra e, menos ainda, a entendam?Foi isso, a necessidade de o autor e a sua obra se inserirem no meio dos seus concidadãos, seus semelhantes, para que atinjam a sua plenitude, que JRS veio evidenciar. É provável que alguns de seus pares de tal verdade não se tenham ainda apercebido. Porém, mais tarde ou mais cedo, acabarão por entender e por render-se. Tão inevitável como as coisas inevitáveis.Será a vitória derradeira e decisiva de José Rodrigues dos Santos....
Tempos atrás recomendei aqui uma leitura. Precisamente o romance "A Fórmula de Deus" (Die Gottes Formel), de um dos dois escritores portugueses do momento de minha preferência, o inimitável José Rodrigues dos Santos - o outro é Miguel Sousa Tavares, de que li "O Equador" e estou a ler "Rio das Flores", este, até à fase em que vou, aí pela página 200, sinceramente bem melhor do que o primeiro.Entretanto - e para absorver mais alguns ensinamentos e enquanto não me decido a escrever o meu próprio romance (uma epopeia de, para aí umas 800 a 900 páginas), que deixará o próprio JRS azul de sem fôlego e MST verde de invídia, mas também para disfarçar a minha indolência de escritor sem "aventura" e com certo "temor" reverencial e outros... -, tenho vindo a ler obras menores (em extensão e fôlego) que a capacidade de recepção já não é a que used to be...No entanto, há cerca de dois meses atrás atirei-me (trata-se de uma forma de expressão que é igualmente força... muita força... - e vão já ver porquê...) à obra de Deana Barroqueiro, "D. Sebastião e o vidente", ou seja, um calhamaço de 640 páginas de uma escrita necessariamente - tanto quanto me parece - intrincada e redundante que deixa qualquer pobre de Cristo que ao fim chegue, completamente exaurido. Como é que não terá chegado Deana?!...
Não quero, com isto, dizer que não gostei do livro e que, portanto, o desaconselho.
Não, muito pelo contrário, entendo-o de leitura absolutamente indispensável para a compreensão de uma época da nossa História que, desde sempre, esteve mergulhada em névoa, como o próprio mancebo sifilítico. Rei que, talvez por efeito da doença que o consumia mas certamente pelas várias forças que o empurravam para caminhos escusos e por ausência de outras que o poderiam ter levado por outra senda, mas que não se atreviam a manifestar-se, conduziu o País, sem honra nem glória, antes muita impreparação, aliada a indesculpáveis descuido e ausência de sentido de Estado, a um desastre imenso, com consequências terríveis para a nação, perfeitamente evitáveis e que compulsivamente deveriam ter sido evitadas.
Com Sebastião, Portugal deixou de ser potência mundial e foi decaindo... decaindo sempre até à actual vil tristeza, hoje em dia mal disfarçada com arrogâncias injustificadas, por "vitórias" sobre "vitórias", esperemos apenas que não até à derrota final. Do País, evidentemente, que em outras não ponho grande cuidado. (Pois não é verdade que se considera vitória memorável o simples papel de dactilógrafo daquilo que se diz ser uma espécie de tratado, previamente cozinhado pelos chefs de cuisine? - ou será melhor dizer Küchenchefen?).Mas regressemos ao que, nesta oportunidade, verdadeiramente importa:Como se afirma na contra-capa, "O rei mais desejado da nossa história é, apesar de todas as esperanças da nação, um órfão falto de afectos, criado e educado por (...) uma avó sedenta de poder ou o cardeal regente, tornando-se (...) joguete involuntário dos desígnios imperialistas do seu tio, o implacável Filipe II de Espanha".E, mais adiante:"Caprichoso e insolente (...) cresce atormentado pelos fantasmas da adolescência (o percalço que, em Almeirim, numa noite de desvario e rapaziada, afinal compreensível, lhe trouxe a doença que nunca mais deixou de o atormentar e tanto poder teve também no desenrolar do acontecimentos), sublimados nos sonhos de glória de mancebo visionário, senhor de um poder absoluto (para que nunca esteve minimamente preparado) que o arrasta ao desastre (...).Encha-se, pois, de tempo, de coragem para ler aos poucos e ir absorvendo, como que mastigando antes de deglutir, e leia o livro.Vale a pena. Até mesmo pela dificuldade. Livro ligeiro não dá luta, que é, afinal, o melhor da leitura.
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Um dia destes, virei aqui falar de mais obras. Outro livro de J. Rodrigues dos Santos, "O Sétimo Selo", que já li, e "Rio das Flores", de M. Sousa Tavares que estou a fazê-lo.
Enquanto não estiver em condições de tomar semelhante atitude relativamente ao que a mim mesmo devo há anos e anos, somente porque não encontrei ainda a estrutura que mais me parece a adequada e também não venci a tal indolência (ou receio de crítica?), falarei de outros...
- É a vida! - diria Antónimo Tu Erres!...
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