Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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segunda-feira, 14 de março de 2011

2756. Curto e grosso

Quem tiver pachorra suficiente para ler o artiguelho do inassoado de sempre, Miguel Sousa Tavares, no “Expresso” de sábado passado (12 Março 2011), o Estou à rasca não pode deixar de concordar com ele.

(http://aeiou.expresso.pt/miguel-sousa-tavares=s23491)

A pobre criatura está mesmo à rasca e a precisar de tratamento urgente.

Então não é que está contra o discurso do Cavaco, contra a manifestação dos 300 mil, e, como sempre, contra tudo e contra todos, excepto contra o vilarista e mais vilaristas de outras áreas de rapinanço, futebolístico ou não?

Ora, como está contra tudo isto, tem forçosamente que estar a favor do status quo, implantado no País pelo vilarista-chefe

Em resumo, pelo que rabisca naquela treta de escrita, também ela inassoada, gostaria que tudo se mantivesse como está e que ninguém fizesse o mais leve ruído, para não incomodar SExa o vilarista-mor do reino. O homenzinho gosta é que os portugueses continuem carneiros. O diabo que o carregue, que fartos de idiotas estamos.

Assim sendo, precisa mesmo que alguém urgentemente lhe trate da maleita em clínica especializada ou… talvez que um aperto de tomates o cure, sabe-se lá! Às vezes é remédio santo.

Tal não está o contumaz inassoado, hein?

E se fosse entreter-se a escrever incapazes “Equadores” fora da latitude correcta e mais uns “Rios das flores” sem viço?

Como escreveu aquela nojeira antes da manifestação, deve, a estas horas, estar a torcer a orelha e por que ninguém tenha lido o espantalho. Infelizmente, porém, a orelha já não sangra e o espantalho lá continua...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

1348. Ainda o MillenniumBCP

Pelo interesse de que se reveste, aqui fica um artigo de Miguel Sousa Tavares:

Da Opus Dei à maçonaria: a incrível história do BCP
Sábado, 29 de Dez de 2007 - Expresso

Em países onde o capitalismo, as leis da concorrência e a seriedade do negócio bancário são levados a sério, a inacreditável história do BCP já teria levado a prisões e a um escândalo público de todo o tamanho. Em Portugal, como tudo vai acabar sem responsáveis e sem responsabilidades, convém recordar os principais momentos deste "case study", para que ao menos a falta de vergonha não passe impune.

1 Até ao 25 de Abril, o negócio bancário em Portugal obedecia a regras simples: cada grande família, intimamente ligada ao regime, tinha o seu banco. Os bancos tinham um só dono ou uma só família como dono e sustentavam os demais negócios do respectivo grupo. Com o 25 de Abril e a nacionalização sumária de toda a banca, entrámos num período 'revolucionário' em que "a banca ao serviço do povo" se traduzia, aos olhos do povo, por uns camaradas mal vestidos e mal encarados que nos atendiam aos balcões como se nos estivessem a fazer um grande favor. Jardim Gonçalves veio revolucionar isso, com a criação do BCP e, mais tarde, da Nova Rede, onde as pessoas passaram a ser tratadas como clientes e recebidas por profissionais do ofício. Mas, mais: ele conseguiu criar um banco através de um MBO informal que, na prática, assentava na ideia de valorizar a competência sobre o capital. O BCP reuniu uma série de accionistas fundadores, mas quem de facto mandava eram os administradores - que não tinham capital, mas tinham "know-how". Todos os fundadores aceitaram o contrato proposto pelo "engenheiro" - à excepção de Américo Amorim, que tratou de sair, com grandes lucros, assim que achou que os gestores não respeitavam o estatuto a que se achava com direito (e dinheiro).

2 Com essa imagem, aliás merecida, de profissionalismo e competência, o BCP foi crescendo, crescendo, até se tornar o maior banco privado português, apenas atrás do único banco público, a Caixa Geral de Depósitos. E, de cada vez que crescia, era necessário um aumento de capital. E, em cada aumento de capital, era necessário evitar que algum accionista individual ganhasse tanta dimensão que pudesse passar a interferir na gestão do banco. Para tal, o BCP começou a fazer coisas pouco recomendáveis: aos pequenos depositantes, que lhe tinham confiado as suas poupanças para gestão, o BCP tratava de lhes comprar, sem os consultar, acções do próprio banco nos aumentos de capital, deixando-os depois desamparados perante as perdas em bolsa; aos grandes depositantes e amigos dos gestores, abria-lhes créditos de milhões em "off-shores" para comprarem acções do banco, cobrindo-lhes, em caso de necessidade, os prejuízos do investimento. Desta forma exemplar, o banco financiou o seu crescimento com o pêlo do próprio cão - aliás, com o dinheiro dos depositantes - e subtraiu ao Estado uma fortuna em lucros não declarados para impostos. Ano após ano, também o próprio BCP declarava lucros astronómicos, pelos quais pagava menos de impostos do que os porteiros do banco pagavam de IRS em percentagem. E, enquanto isso, aqueles que lhe tinham confiado as suas pequenas ou médias poupanças viam-nas sistematicamente estagnadas ou até diminuídas e, de seis em seis meses, recebiam uma carta-circular do engenheiro a explicar que os mercados estavam muito mal.

3 Depois, e seguindo a velha profecia marxista, o BCP quis crescer ainda mais e engolir o BPI. Não conseguiu, mas, no processo, o engenheiro trucidou o sucessor que ele próprio havia escolhido, mostrando que a tímida "renovação" anunciada não passava de uma farsa. E descobriu-se ainda uma outra coisa extraordinária e que se diria impossível: que o BCP e o BPI tinham participações cruzadas, ao ponto de hoje o BPI deter 8% do capital do BCP e, como maior accionista individual, ter-se tornado determinante no processo de escolha da nova administração... do concorrente! Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o presidente do BPI dá uma conferência de imprensa a explicar quem deve integrar a nova administração do banco que o quis opar e com o qual é suposto concorrer no mercado, todos os dias...

4 Instalada entretanto a guerra interna, entra em cena o notável comendador Berardo - o homem que mais riqueza acumula e menos produz no país - protegido de Sócrates, que lhe deu um museu do Estado para ele armazenar a sua colecção de arte privada. Mas, verdade se diga, as brasas espalhadas por Berardo tiveram o mérito de revelar segredos ocultos e inconfessáveis daquela casa. E assim ficámos a saber que o filho do engenheiro fora financiado em milhões para um negócio de vão de escada, e perdoado em milhões quando o negócio inevitavelmente foi por água abaixo. E que havia também amigos do engenheiro e da administração, gente que se prestara ao esquema das "off-shores", que igualmente viam os seus créditos malparados serem perdoados e esquecidos por acto de favor pessoal.

5 E foi quando, lá do fundo do sono dos justos onde dormia tranquilo, acorda inesperadamente o governador do Banco de Portugal e resolve dizer que já bastava: aquela gente não podia continuar a dirigir o banco, sob pena de acontecer alguma coisa de mais grave - como, por exemplo, a própria falência, a prazo.

6 Reúnem-se, então, as seguintes personalidades de eleição: o comendador Berardo, o presidente de uma empresa pública com participação no BCP e ele próprio ex-ministro de um governo PSD e da confiança pessoal de Sócrates, mais, ao que consta, alguém em representação do doutor "honoris causa" Stanley Ho - a quem tantos socialistas tanto devem e vice-versa. E, entre todos, congeminam um "take over" sobre a administração do BCP, com o "agréement" do dr. Fernando Ulrich, do BPI. E olhando para o panorama perturbante a que se tinha chegado, a juntar ao súbito despertar do dr. Vítor Constâncio, acharam todos avisado entregar o BCP ao PS. Para que não restassem dúvidas das suas boas intenções, até concordaram em que a vice-presidência fosse entregue ao sr. Armando Vara (que também usa 'dr.') - esse expoente político e bancário que o país inteiro conhece e respeita.

7 E eis como um banco, que era tão independente que fazia tremer os governos, desagua nos braços cândidos de um partido político - e logo o do Governo. E eis como um banco, que era tão cristão, tão "opus dei", tão boas famílias, acaba na esfera dessa curiosa seita do avental, a que chamam maçonaria.

8 E, revelada a trama em todo o seu esplendor, que faz o líder da oposição? Pede em troca, para o seu partido, a Caixa Geral de Depósitos, o banco público. Pede e vai receber, porque há 'matérias de regime' que mesmo um governo com maioria absoluta no parlamento não se atreve a pôr em causa. Um governo inteligente, em Portugal, sabe que nunca pode abocanhar o bolo todo. Sob pena de os escândalos começarem a rolar na praça pública, não pode haver durante muito tempo um pequeno exército de desempregados da Grande Família do Bloco Central.

Se alguém me tivesse contado esta história, eu não teria acreditado. Mas vemos, ouvimos e lemos. E foi tal e qual.


* * *

Por vezes, Miguel Sousa Tavares, o melhor não será
?

Deferência de Pedro Sérgio
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quarta-feira, 16 de maio de 2007

1072. MST no seu melhor


Não obstante ter tido já o prazer de ler obra sua de grande fôlego e engenho e também algumas peças menores de não menos valia, o certo é que o conhecido Miguel Sousa Tavares, invariavelmente metido lá no seu pedestal de cacos, tem o condão de, com a sua infinita arrogância, irritar muita gente, eu incluído.

No entanto, de quando em vez, sai-se com uma ou outra em que, palavra de honra, se estivesse ao pé do homem, dava-lhe um abraço sincero. É que por vezes, sai lá do Limbo em que invariavelmente se posta, e diz umas verdades, duras como punhos.

Sei que sou um tanto suspeito, por ao assunto me ter referido já inúmeras vezes aqui e em outros lados, mas, estou em crer que, quem conheceu e conhece Setúbal, honestamente tem que dar toda a razão ao homem. É que os crimes que têm sido cometidos em relação a Setúbal e aos setubalenses são inúmeros e imperdoáveis e vários são os pecadores.

Pessoalmente, não me tenho referido ao clube. Apenas à cidade e aos desmandos que têm sido praticados em seu nome e para sua desgraça. No entanto, o retrato eito por MST está também impecável relativamente ao Vitória Futebol Clube. Infelizmente. E pelos mesmos.

* * *

Por MIGUEL SOUSA TAVARES Jornal "A Bola" Terça-Feira, 8 de Maio de 2007

"Em minha opinião, o VITÓRIA DE SETÚBAL é a pior equipa do campeonato e a sua descida aos infernos da Liga de Honra é absolutamente natural e justificada. Passa-se com o VITÓRIA a mesma coisa que se passa com a própria CIDADE DE SETÚBAL.

Há 20 anos atrás, SETÚBAL tinha todas as condições para se transformar numa cidade modelo, em termos de urbanismo e qualidade de vida:

. dimensão adequada . espaço para se desenvolver harmoniosamente
. possibilidade fácil de recuperar o centro histórico e ligá-lo ao rio
. condições naturais excepcionais
. estuário do Sado aos pés
. o mar em frente
. a montanha ao lado
. praias magníficas
. frente de rio única
. avenidas largas
. praças suficientes, enfim, tudo ou quase tudo.

Mas vieram os MATA CÁCERES e outros ARTISTAS do PODER LOCAL e transformaram SETÚBAL numa COISA CAÓTICA e ABERRANTE, com urbanizações dignas de SUBÚRBIO AFRICANO, esculturas PSEUDOMODERNAS HORRENDAS, o triunfo do PATO-BRAVISMO, do MAU GOSTO e da gestão SEM PLANEAMENTO nem IDEIAS.

Também o futebol do VITÓRIA chegou a encantar Portugal e a surpreender a Europa. Mas depois, as FORÇAS VIVAS da cidade, ou seja, os mesmos ARTISTAS que DESTRUÍRAM A BELEZA DE SETÚBAL, tomaram conta do clube e demonstraram que eram tão bons a dirigi-lo como a fazer a cidade.

Hoje a CIDADE é UMA DOR DE ALMA e o CLUBE um CADÁVER ADIADO.

Que ninguém fale em injustiça."


* * *

Bene dixit!

Sim, que ninguém fale em injustiça. Estamos a receber o que merecemos. Uns, porque fizeram o que fizeram; outros, porque deixaram que se fizesse.

E a história não pára aqui. Tem continuado. A co-incineração e o protelamento da concessão da Secil aí estão para o comprovar.

Tomei conhecimento do texto de MST, por amabilidade de A.Alves.
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