Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal
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sábado, 20 de junho de 2009

2341. "A loira do PSD"

A bipolarização em Portugal não é entre o PS e o PSD,
nem entre a esquerda e a direita, é a favor ou contra José Sócrates

José Pacheco Pereira, citado pelo Público

* * *


Se uma frase destas tivesse sido proferida por qualquer outra pessoa, ser-se-ia levado já a pensar que não estaria o seu autor a atravessar momento particularmente brilhante, sequer lúcido.

Vinda de Pacheco Pereira, tremendíssimo apoiante de Manuela Ferreira Leite, além de assassina da sua apoiada, é particularmente infeliz para tão esclarecido quanto eficaz analista político.

A gente ouve e lê cada uma!

Querem ver que Luís Filipe Menezes está mesmo com razão!?...

Manuela que se cuide. Com apoiantes destes, mais vale atirar-se ao Tejo e ir fazer companhia a outro dos seus grandes sustentáculos...

Contentinho da silva deve ter ficado - e com boas razões para tal - José Sócrates. Depois de dia-a-dia a ser desvalorizado, de tal forma que vem minguando a cada hora, receber um hausto de oxigénio desta dimensão constitui benesse que nem nos seus mais miríficos sonhos pudera antecipar!

Não restam dúvidas já. Luís Filipe Meneses terá pecado, sim, quando lhe chamou "loira do PSD"... mas apenas por defeito!

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

1618. O predador autofágico

(...) o PSD (...) É um (...) predador (...)

Pode-se concordar ou discordar de Luís Filipe Meneses em muitas das suas atitudes passadas e até presentes. O que não pode negar-se-lhe é o seu apego ao partido e os inestimáveis serviços que lhe tem prestado, ao contrário de tantos outros que tanto e tão despudoradamente o atacaram.

Antes de prosseguir e para evitar interpretações não consentâneas com a realidade, declaro que nunca fui apoiante de Luís Filipe Meneses e não comungo de muitas das suas análises e rotas políticas.

O que LFM diz no artigo do Diário de Notícias de hoje, "
Depois de mim virá..." (título que considero particularmente infeliz), para o qual acima faço o link, pode até ser encarado com uma mera vendetta por tudo quanto lhe fizeram passar, quando do seu consulado na direcção do Partido Social Democrata.

A uma primeira vista, assim é ou, quando menos, parece ser.

Quem se entrega à tarefa de ler, porém, deve sempre fazê-lo de modo a não se quedar pelas impressões que surgem mais na rama - até induzidas pelo inadequado título - mas procurar o real fundo da questão.

E, neste caso, fazendo-o, de imediato constatará que o "ataque" a Manuela Ferreira Leite e ao que ela representa e que, aqui, no blog e em anterior oportunidade, tive oportunidade de caracterizar, podendo ter sido evitado - até para que os leitores da "rama" não façam leituras apressadas e os adversários não se sirvam de uma ou outra frase menos cordata (embora de justificada presença, pelas judiarias de que foi alvo pelos actuais detentores do poder laranja) para provarem o que provar não podem, se bem que poderão, isso sim, iludir os desprevenidos - mais não é do que uma preparação para o que no artigo de opinião está para vir, ou seja, o verdadeiro tema do escrito, isto é, a característica de predador que enforma o PSD, também por força da sua indefinida matriz ideológica.

Predador de líderes, predador de tudo quanto mexe no partido, predador de si próprio, enfim.

E essa sua condição não é "qualidade" recente.

Começou logo com Sá Carneiro que só não foi predado porque soube, como ninguém, interpretar o sentido das bases, então ainda não contaminadas por interesses que não os do partido, e nelas se firmar inamovivelmente. Continuou com Francisco Pinto Balsemão, que acabou como se sabe e não mais quis passar pelo mesmo, tendo-se entregue aos negócios.

No entanto, nunca foi tão sentida quanto com a eleição e posterior consulado de Aníbal Cavaco Silva. E se é certo que nunca o partido teve tanta expressão eleitoral e força social como com Cavaco, não menos certo é que foi com o mesmo Cavaco que perdeu a "inocência" e se tornou predador e autofágico.

Os interesses instalaram-se e nunca mais deixaram o partido desenvolver-se em paz e harmonia, com todos a remar no mesmo sentido, mesmo na enriquecedora diversidade de opiniões, sempre que o essencial estava em jogo.

Com Cavaco, o partido julgou estar a chegar à vitória final e decisiva, quando, no verdade, se perdia. Irremediavelmente até hoje.

Esta constatação, sendo verdadeira, não pode, contudo, desviar-nos de uma outra, que Luís Filipe Meneses aborda e que é o tema principal do seu artigo, qual seja a de
(...) o PSD nasceu com uma matriz ideológica difusa (...).

Ora, esta é uma constatação por demais evidente, para que não seja percebida - e reconhecida -por todos quantos se debruçam sobre o fenómeno político português dos últimos trinta e cinco anos.

Já em finais de 1983 ou princípios 1984, antes, portanto, do consulado cavaquista, quando de numa visita de Rui Machete, então um dos líderes do PSD, à cidade em que vivo, em sessão partidária tive oporturnidade de, dirigindo-me a Machete, afirmar a minha convicção de que o maior problema com que o partido se debatia já - e mais se debateria no futuro - estava na indecisão reinante entre a opção por uma matriz social-democrata, com uma vertente liberal, e uma matriz liberal, com uma vertente social-democrata.

Essa minha convicção nunca se esbateu e está, hoje em dia, mais reforçada. Com a agravante de que, entretanto, o partido perdeu a pureza da inocência bem intencionada, completamente dominado que foi por arrivistas prenhes de interesses difusos, pouco claros, que, à sombra de Cavaco, foram ingressando no partido.

Sabe-se
o que aconteceu depois. O PSD inicial, já infectado desse pecado original, foi-se degradando cada vez mais, até que chegou ao estado a que assistimos impotentes. E impotentes, porque o poder laranja tem estado, salvo em raríssimos momentos - os de maior convulsão resultante de sacudidelas da canga... - em que militantes - atrevo-me a dizer mais genuínos - tentaram fazer regressar o partido ao seu espírito inicial, nas mãos de quem o acorrenta a um verdadeiro muro da vergonha.

Enquanto os seus militantes mais puros, porque mais libertos de jogos de interesses, não conseguirem triunfar das forças de bastidores que o manietam, o Partido Social Democrata muito dificilmente poderá ser útil a si próprio e ao país, aos seus militantes e aos portugueses.

E vou mesmo mais longe, reafirmando o que já em outras oportunidades dei a saber. Em minha opinião, o PSD necessita de se livrar, de uma vez por todas, da canga que lhe tem vindo a ser ajaezada por Cavaco Silva, com o precioso auxílio de Manuela Ferreira Leite, José Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa. Se há que dar nomes aos bois, pois então, eles aí estão. Os nomes, claro.

O diagnóstico está feito. De há muito. Há, pois, que tirar conclusões, traçar caminhos e agir.
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