Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 25 de fevereiro de 2007

905. Aborto a simples pedido da mulher

O noss'primêro insistiu - na campanha pelo aborto livre, com especial ênfase a três e dois dias da votação - na necessidade que tínhamos de alinhar pela modernidade, ao lado dos países mais desenvolvidos da Europa a que pertencemos.
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Pois bem, volto ao assunto, para que fique tudo bem claro. E não em águas pútridas como é habitual.
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Vejamos, então, o que se passa na Europa, a nível de aborto livre a mero pedido da mulher.
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Apenas admitem, ou vão admitir, aborto livre, portanto a simples pedido da mulher, sem mais razões, os seguintes países (à frente a indicação do limite do prazo de gravidez, para a intervenção):
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10 semanas - Portugal e Eslovénia
11 semanas - Estónia
12 semanas - Dinamarca, Rep. Checa, Áustria, Eslováquia, Hungria, Roménia, Bulgária, Grécia, Letónia e Lituânia.
13 semanas - Holanda
18 semanas - Suécia
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Ressaltam destes dados, que são fiáveis e concrectos, várias conclusões:
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1. Dos países com os quais temos maiores afinidades e características comuns, ou seja, Espanha, França e Itália, nem um admite o aborto a simples pedido da mulher;
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2. Além destes, também Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Finlândia, Alemanha e Polónia, não admitem tal possibilidade;
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3. Pondo de parte Holanda (13 semanas - que todos sabemos a bandalheira que é em termos de sexualidade, digo bem de sexualidade e de droga, bem como de família estruturada), Suécia (18 semanas - cuja taxa de suicídios é a mais elevada do Mundo, por alguma razão, se bem que não apenas por esta... mas também por esta certamente) e Dinamarca (12 semanas - igualmente extremamente liberal nestes assuntos e pertencendo a outro tipo de sociedade que não a nossa nem dos países mediterrânicos ou latinos), Áustria (12 semanas - não está na linha da frente dos países desenvolvidos), e Grécia (12 semanas - que há séculos não é exemplo para ninguém), apenas estão connosco os países constantes do ponto 5.;
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4. Nenhuma das potências europeias, desde as democracias mais antigas às mais recentes, se encontra no rol dos países que conferem à mulher - e a ela só - o poder de decidir discricionariamente sobre a morte do filho que traz no ventre;
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5. Ficamos na companhia de Rep. Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Roménia, Bulgária, Estónia, Letónia e Lituânia, que herdaram a sua situação, também nesta matéria, da extinta URSS, que, como bem sabemos, não primava pelo respeito pelos direitos humanos. Estão, pois, amarrados ainda a uma herança a que não tiveram capacidade para renunciar na totalidade ainda.

6. Se retirarmos da lista "dos qe vão ficar connosco" os antigos países de Leste, os tais, o resultado que se verifica é que, dos que antes já faziam parte da UE, apenas Holanda, Suécia, Dinamarca, Áustria e Grécia, na verdade, estão connosco, ou seja, países com os quais não temos a menor afinidade, como é sabido;

7. Não querem, pois, estar connosco
Espanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Finlândia, Alemanha e Polónia.
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Significa isto que, além de ficarmos em dissonância relativamente aos países e povos com quem mais nos identificámos como povo, ao longo de toda a nossa milenar História, o grosso da coluna dos países com que agora passamos a identificar-nos são - com respeito se afirma, mas são-no na verdade - resultado da desagregação de um regime totalitário - o mais opressivo de quantos já se conheceram - para o qual os direitos humanos eram letra morta.
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Estamos, pois, em vias de descaracterização, relativamente ao espaço social em que se inserem os que nos são semelhantes e fomos levados a aderir a quem nada tem que ver com a nossa ídiossincrasia e história.
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A isto nos trouxe Sócrates, cantando e rindo. É também e principalmente por isto que a História o julgará. Severamente. Tardará, talvez, mas não faltará.

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É. Quando se analisam as coisas, à luz das evidências dos números e dos factos concretos, com estudo, sem demagogias nem inverdades, facilmente se chega à conclusão de que nem Sócrates consegue iludir o algodão. Sim, porque, na verdade, o algodão não engana. Nem se deixa enganar.
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4 comentários:

azurara disse...

Estamos com as "vanguardas esclarecidas", Ruben. Seguimos a bandeira ondulante do socialismo...

Ruvasa disse...

Viva, Agnelo!

É a realidade, amigo, infelizmente é essa a realidade.

Mais uma medida estúpida, anti-social, desumana mesmo, conseguida através da manipulação e da mentira sem dignidade.

Abraço

Ruben

carneiro disse...

Então, nós não somos também herdeiros culturais da união soviética ? Claro que somos.

Até 1992 a nossa constituição até dizia que eu e você nos levantávamos todos os dias de manhã a caminho do socialismo.

Esta questão do aborto, apenas do ponto de vista cultural, é o derradeiro tique dos libertários, anarquistas e socialistas do Sec. XIX. É a afirmação até ás ultimas consequências da liberdade do indivíduo contra tudo o que não seja o próprio indivíduo.

Ruvasa disse...

Viva, Carneiro!

Well, my friend, a Constituição podia dizer isso, como dizia.

Garanto-lhe, porém, que EU jamais fiz tal caminho. E então logo pela manhã, imagine-se!

- Safa! - como dizia o outro.
- É a vida! - dizia ainda outro.
- Qual vida nem meio vida. Por aí não m levaram, não levam nem levarão.

Hom'essa!

Mas, no essencial, tem razão, Carneiro.

Abraço

Ruben