Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

sábado, 23 de junho de 2007

1147. Ota e a verdade contornada

Permitam que um leigo na matéria, cidadão comum, vos diga apenas o seguinte:

Conheço Alcochete, o respectivo campo de tiro, Poceirão, Faias, Rio Frio, etc, vai para 31 anos. E conheço bem, pois que, com frequência, em passeio, passo por lá.

Não conhecia a zona da Ota. Depois desta questiúncula toda, resolvi ir até lá para conhecer.

Do que conheço de um lado e do que vi "in loco" e por fotos de outro, "apenas" sei o seguinte, que, aliás, qualquer cidadão minimamente não desprovido da capacidade de visão e de pensamento linear e rectilineo, de imediato saberá também:

1 - construir um aeroporto no campo de tiro de Alcochete, no Poceirão, em Faias ou no Rio Frio é incomparavelmente mais fácil e, logo, mais barato do que na Ota.

2 - alargar um aeroporto, sempre que for necessário, no campo de tiro de Alcochete, no Poceirão, em Faias ou no Rio Frio é possível e incomparavelmente mais fácil e, logo, mais barato do que na Ota.

3 - construir um aeroporto no campo de tiro de Alcochete retira a possibilidade de grandes negociatas imobiliárias, já que o terreno é do Estado.

4 - manter a Portela e construir faseadamente uma alternativa no campo de tiro de Alcochete, não somente colhe os benefícios atrás apontados e cria os "desconfortos" também referidos, como lhes acrescenta mais um, a saber: impede, de forma radical, negociatas imobiliárias na Portela.

Estas são verdades incontornáveis. Tudo o que rodar à volta disto, evitando isto, parece-me mais dialéctica de pochette do que outra coisa.

5 - construir um aeroporto no campo de tiro de Alcochete, com ou sem a manutenção da Portela, é, pois, do interesse do País no seu todo.

6 - fazê-lo na Ota, será, portanto, do interesse de muitos, concedo, somente não parecendo sê-lo do País.

Poder-se-à construir o aeroporto na Ota, por conveniências várias.

Não será possível, porém, a subtracção ao labéu de que tal se fez apenas "porque sim" ou porque convinha a interesses difusos assolapados em cantos esconsos atrás de cortinados e não por razão fundamentada, estruturada, com pés e cabeça, em respeito por princípios de Ética de Estado.

A verdade não se apaga. Contorna-se, como é evidente. É, porém, insusceptível de ser apagada.
...