
Trata-se de um excelente evento, já que as peças expostas, de pintura, escultura e artes decorativas, num total de mais de quinhentas, são de qualidade verdadeiramente excepcional.
Fomos apenas agora, na ilusão de que as salas estariam mais desafogadas de gente. Pura ilusão! A enchente era imensa e de tal forma que foi muito difícil ver as obras de arte em pormenor, como deve acontecer em apreciação cuidada.
Se, por um lado essa circunstância constituiu um incomodo grande, por outro trouxe alguma satisfação, por termos constatado que o português contemporâneo parece começar a interessar-se mais e de forma genuína por outros povos e suas culturas, passo indispensável para nos tornarmos melhores, mais conhecedores e menos mesquinhos.
Por mim, tirarei a desforra mais tarde. No entanto, a quem quiser ir e só disponha do fim de semana, sugiro vivamente que chegue aquando da abertura diária, pelas 11 horas. É a melhor forma de apreciar as obras expostas em sossego mais de acordo com tal apreciação.
Toda a dinastia dos Romanov, a principiar em Alexei I e a terminar em Nicolau II, casado com Alexandra de Hesse e pai da princesa muito conhecida Anastasia - acerca de cuja vida, Hollywood realizou um filme, salvo erro na década de 50, intitulado precisamente "Anastasia" - que se viu forçado a abdicar do trono em 1917, em consequência da Revolução bolchevique e foi morto, juntamente com toda a família, em Março de 1918, está representada, ainda que sumariamente, como não podia deixar de ser.
De entre todos os nomes dessa dinastia, avultam os imperadores Pyotr (Pedro) I , o Grande, o primeiro czar do Império Russo (aclamado pelo Senado, em 1722 - muito embora fosse, desde 1696 quem realmente governava por interposta pessoa, Ivan V, seu irmão - tendo governado sozinho até 1725, ano em que faleceu) e Ekaterina (Catarina) II, ela também a Grande, verdadeira déspota esclarecida, que foi dona e senhora de todas as Rússias, governando a seu bel-prazer por 34 anos, entre 1762 e 1796.
De qualquer modo e não obstante o incómodo que é a multidão desenfreada e a circunstância de o programa prever mais duas outras mostras e, a final, estar prevista a criação de um núcleo do Hermitage em Portugal, uma visita a esta excelente exposição é um imperativo para todos quantos se interessam por um dos temas mais debatidos e controversos da História europeia.
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