

Um voo cego a nada
Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
e o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e tu sentes
A ponte que nos une é estar ausentes.
Reinaldo Ferreira
Barcelona 1922 - L.Marques 1959
Post que participa na Tertúlia Virtual, ideia conjunta de Varal de Ideias e Expresso da Linha