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quarta-feira, 10 de junho de 2009

2293. Do ministro das finanças exige-se clareza!

O ministro das Finanças tem vindo a fazer afirmações que me parece necessitarem de esclarecimento completo, para que se confirme ou infirme o que parece estar a perfilar-se no horizonte.

São elas as de, no caso do Banco Privado Português, os interesses dos depositantes - de risco, sublinhe-se! - virem a ser defendidos por outros bancos.

Ora, sabido que é que a banca, de modo geral, não se aventura em negócios ruinosos, sem que, à partida, garanta retorno adequado, cabe perguntar e exigir resposta cabal:

- Não está o Estado a preparar-se para oferecer a negócios privados a garantia de retorno de investimentos de risco geridos com, pelo mínimo, incompetência e, pelo máximo, má fé, com dinheiros provenientes do esforço dos contribuintes cumpridores, através de incentivos aos bancos intervenientes, de forma indirecta, discreta, capciosa mesmo, uma vez mais lesando o interesse público?

É legítima a pergunta, em face do que se passou com o BPN.

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2292. Como é que se tem a coragem...?

O primeiro-ministro considerou esta terça-feira que a decisão de não envolver o Estado num processo de capitalização do BPP, é uma medida que "serve o interesse nacional" e preserva "o dinheiro dos contribuintes".
SIC online 2009.06.10

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Também considero que seja.

No entanto, confesso que, no lugar do primeiro-ministro, eu teria uma tremenda dificuldade em proferir tal afirmação.

Para além da questão dos dois pesos e duas medidas, não explicada como mister é que seja, depois de um governo meu ter malbaratado milhões e milhões de euros dos contribuintes para evitar o que é inevitável, ou seja, deixar cair o Banco Português de Negócios, como seria possível eu vir dizer isto em público, para a Comunicação Social reproduzir?


Sim, como é possível ter-se a coragem de fazer afirmações destas?! Claro que há nítidas intenções eleitoralistas envolvidas. Mas a conclusão a que se chega é que há pessoas que dificilmente aprendem e menos ainda perdem hábitos...

Podem, no entanto, ser ensinadas. E devem mesmo sê-lo. Persistentemente e com paciência. Sem a mínima hesitação.
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