Aqui vão sendo deixados pensamentos e comentários, impressões e sensações, alegrias e tristezas, desânimos e esperanças, vida enfim! Assim se vai confirmando que o Homem é, a jusante da circunstância que o envolve, produto de si próprio. 2004Jul23
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
3058. As infâmias do Expresso
Esclarecimento de Nicolau Santos, director-adjunto do jornal Expresso sobre o caso Artur Baptista da Silva que se diz ser das Nações Unidas. O Expresso resolveu despublicar a entrevista datada de dia 15 devido às fortes suspeitas de burla que recaem sobre Baptista da Silva.
1. O Expresso publicou na sua edição de 15 de Dezembro no caderno de Economia uma entrevista com Artur Baptista da Silva, suposto membro do PNUD e supostamente encarregue pela ONU de montar em Portugal um Observatório dos países da Europa do sul em processos de ajustamento.
2. O primeiro contacto entre Artur Baptista da Silva e eu próprio ocorreu a pedido dele para me apresentar as linhas gerais da conferência que iria proferir no Grémio Literário a 4 de Dezembro, o que aconteceu, tendo sido introduzido pela presidente do American Club, Anne Taylor.
3. O Expresso, e eu em particular, errámos ao dar como adquirido que a informação que nos estava a ser prestada era fidedigna e não carecia de confirmação. Pelo facto, peço desculpa aos leitores e aos espectadores por este falhanço profissional inadmissível ao fim de 32 anos de jornalismo.
4. É na sequência desse encontro que o Expresso entrevista Artur Baptista da Silva e a publica a 15 de Dezembro. A 21 de Dezembro, a meu convite, Artur Baptista da Silva participa no programa Expresso da Meia-Noite da SIC Notícias.
5. A entrevista ao Expresso tem repercussão internacional e a Reuters traduz uma grande parte para inglês. O jornal norte-americano "Chicago Tribune" dá também relevo à entrevista.
6. Tudo indica que Artur Baptista da Silva não exerce os cargos e as responsabilidades que dizia ocupar e que as declarações que fez não vinculam nem a ONU nem o PNUD. Investigações conduzidas pelo Expresso e por outros órgãos de comunicação social indicam que Artur Baptista da Silva não faz nem nunca fez parte dos quadros de nenhuma daquelas organizações.
7. Artur Baptista da Silva intitula-se também professor em "Social Economics", na Milton Wisconsin University, nos Estados Unidos da América. Consultados os sites alusivos aquela universidade constata-se que ela encerrou em 1982.
8. O Expresso e eu próprio assumimos este erro e iremos reforçar os mecanismos que permitam um controlo acrescido sobre a credibilidade das fontes com que lidamos diariamente.
– Comunicado de Nicolau Santos e do Expresso –
* * *
Vejamos, ponto por ponto, para bem se avaliar a patifaria em todo o seu esplendor, com continuação no comunicadelho:
a) “O Expresso, e eu em particular, errámos ao dar como adquirido que a informação que nos estava a ser prestada era fidedigna e não carecia de confirmação. Pelo facto, peço desculpa aos leitores e aos espectadores por este falhanço profissional inadmissível ao fim de 32 anos de jornalismo”.
Pois é, a sanha é tão grande, a vontade de denegrir tamanha, que tudo vale, não se olha a meios. O que é preciso é bater no governo… A ética profissional que se lixe!
b) “Pelo facto, peço desculpa aos leitores e aos espectadores por este falhanço profissional inadmissível ao fim de 32 anos de jornalismo”.
Na verdade, o “falhanço” (?!) é inadmissível. E mais, devia ser punido. O facto de ter 32 anos de jornalismo só pode constituir agravante. Há evidente animus injuriandi.
c) “Pelo facto, peço desculpa aos leitores e aos espectadores”
Mas os leitores e espectadores não deviam desculpar, porque “falhanços” destes e outros é o que mais vem acontecendo no Expresso que já foi um jornal de referência e hoje é um pasquim igual a tantos outros que por aí se arrastam pelo lodo.
d) “Pelo facto, peço desculpa aos leitores e aos espectadores”
E ao governo, que é o principal atingido pela patifaria que tens a lata de rotular de “falhanço”, pá?
e) “Por este falhanço profissional”
Por este “falhanço”, de tal modo grosseiro que logo ficou desmascarado – mas não pelo Expresso nem por Nicolau Santos e, isso sim, por outros jornais, o que é sintomático… – foram apanhados. E por tantos outros que em qualquer outra edição do jornaleco aparecem, em quantos casos foram igualmente apanhados? E quantos pedidos de desculpa devem já?
f) “iremos reforçar os mecanismos que permitam um controlo acrescido sobre a credibilidade das fontes com que lidamos”
E pela vossa própria credibilidade o que fazem? É que a credibilidade das fontes só nos afecta se a vossa o fizer, porque vocês é que amplificam as vigarices dos Baptistas da Silva deste mundo. Se não forem vocês, as vigarices dele e de todos os iguais a ele não passarão do restritíssimo círculo social de cada um dos autores. Pois, pela vossa credibilidade nada fazem porque já nada há a fazer, tantas têm sido as “sacanices”.
g) “A entrevista ao Expresso tem repercussão internacional e a Reuters traduz uma grande parte para inglês. O jornal norte-americano "Chicago Tribune" dá também relevo à entrevista”.
E até tens o desplante de evidenciar que o teu/vosso “pedido de desculpas” se ficou a dever apenas e tão somente ao facto de a entrevista ter tido a repercussão internacional que teve. Se tivesse ficado apenas pela audiência nacional, não teria havido qualquer comunicado de “desculpas esfarrapadas”. Foi apenas por ter tido repercussão internacional que vos levou a borrarem por completo as calças, por receio do ridículo e da descredibilização internacional que vos atinge e que tentam minimizar. Quantas aldrabices já publicaram para consumo nacional e não se sentiram no dever de retratação?
h) “despublicados” devias ser tu, pá, e o Expresso. Isso é que deviam. E há já muito tempo.
Por fim
i) Sabes, Nicolauzinho? Quando os meios de comunicação social se enxameiam de comissários políticos rotulados de jornalistas, é nisto que dá.
Acontece isto e acontecem também, por exemplo, espectáculos degradantes a que assistimos, de jornaleiros a entrevistar políticos e, em vez de perguntarem e esperarem pela resposta, para que o público ouça a pergunta e a resposta e. depois, avalie por si, aquilo a que invariavelmente assistimos (com Judite de Sousa, então, é uma vergonha…) é à pergunta e à imediata interrupção da resposta do entrevistado, quando este não diz o que aos mandantes do jornaleiro-comissário político convém. E desaparece o arremedo de entrevista, começando o debate. E, para cúmulo, a um debate desigual em que o jornaleiro, tendo a faca e o queijo na mão, despudoradamente se arroga o direito de se substituir à Oposição ao Governo que está – seja ele qual for – e contradita o entrevistado, em vez de REALMENTE o entrevistar, ou seja, “conversar com ele para o inquirir sobre os seus actos, ideias e projectos, a fim de publicar ou difundir o seu conteúdo”.
Uma situação miserável, tanto mais que o político tem de regularmente prestar contas aos seus concidadãos, ao passo que o jornaleiro disso está isento. Tem um poder imenso, antidemocrático, e que nem sequer alguma vez é escrutinado.
As regras deontológicas – se é que as há em Portugal, para os jornalistas – são completamente arrasadas por estes ditadorezinhos de algibeira, para cúmulo na maior parte dos casos completamente ignorantes e abstrusos, o que agrava o desmando.
Ao menos que, sempre que mijam fora do penico, fossem obrigados e assistir, em repetição e ad infinitum, a entrevistas da BBC, da CNN ou de outra estação em que a decência não é ofendida, para ver se aprendem a ser homenzinhos…
Se os políticos portugueses, de modo geral, estão mal vistos e deviam ser metidos na ordem, mesmo assim, não conseguem ser tão sacripantas como a esmagadora maioria dos jornaleiros que diária e impunemente por aí fazem porcaria da mais nojenta que alguma vez no país se viu.
sábado, 31 de março de 2007
965. Atrasados e confusionistas...
A Comunicação Social portuguesa está, na verdade, pela hora da morte.Dias atrás, veio o Público fazer manchete com uma notícia requentadíssima, que já tinha sido dada aqui na blogosfera, há 2 anos, precisamente em Fevereiro de 2005 (creio que no dia 18) pelo confrade António Balbino Caldeira, no seu Do Portugal Profundo.
Com um atraso de 2 longos anos, mas lá veio, ainda que omitindo algumas coisas - que não terá chegado a constatar? - mas precisando outras. A este respeito veja-se no referido blog O dossier Sócrates, precedentes e seguintes
Especulou-se um tanto quanto a este súbito interesse do jornal por um assunto já tão conhecido na blogosfera (mas não somente aqui), interesse que - por mera coincidência, presume-se - terá surgido imediatamente após a inviabilização da Opa da Sonae sobre a PT, que terá levado Belmiro de Azevedo a ficar muito arreliado com o governo. Isso, porém, pouco importa. O que realmente conta é que a Comunicação Social finalmente pegou num assunto de importância inegável para a vida comum dos portugueses e para a dignidade do Estado.
Outros jornais se seguiram. Até que hoje, para surpresa geral, também o Expresso se refere ao assunto, em primeira página e letras garrafais.
Até aqui tudo bem, muito embora a Comunicação Social e principalmente o Expresso pareçam maridos enganados...
O que se afigura estranho é o título. Não pelo tamanho garrafal - há que vender, ainda que com substancial atraso... - mas pela afirmação que, tanto quanto se sabe, não corresponde à verdade. E não se imagina que no Expresso não se saiba disso.
Efectivamente, do que se sabe - por ter vindo já a lume variadíssimas vezes - é que José Sócrates Pinto de Sousa terá concluído a sua alegada licenciatura em 8 de Setembro de 1996, ou seja num domingo, dia em que, como é sabido, à semelhança de outros Serviços e Instituições, as Universidades se encontram encerradas, não se realizando, pois, exames universitários (que são públicos, como é sabido).
Confesso que não li ainda o interior do jornal, pelo que posso estar a julgar um tanto precipitadamente. Mas apenas um tanto, pois que, relativamente ao título, parece não restarem dúvidas quanto à sua inadequabilidade.
E se o título não é o mais adequado - é mesmo uma inverdade - por que motivo o Expresso por ele optou? Casualidade? Distracção? Outro? Seria bom que uma explicação fosse dada.
E por aqui me fico.
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