Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 28 de janeiro de 2007

827. Aeroporto na OTA?!

Ota. Se este aeroporto vier a ser construído será certamente a maior construção da Europa em leito de cheias. Mas convém dizer mais o seguinte: a cota dos terrenos é de cerca de 5 metros acima do nível do mar e a cota prevista pelos ADP Aeroports de Paris para a plataforma do aeroporto é de cerca de 30 metros.
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Convém perguntar aos Aeroports de Paris, que ganharam o concurso para assessorar a NAER (Novo Aeroporto de Lisboa), qual é a solução que preconizam.
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A entrada dos TGV pelo Norte de Lisboa para irem à Ota e ao Porto é igualmente caríssima e tem grandes inconvenientes ambientais.
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Quais, das futuras linhas de bitola europeia, deverão ser linhas TGV, isto é, linhas que permitam a circulação de comboios com velocidades até perto de 350 km/h?
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Estas foram algumas das perguntas essenciais deixadas pelo Professor jubilado do Instituto Superior Técnico António Brotas quando, em 25 de corrente, 5ª feira passada, deu uma conferência no Clube Setubalense, subordinada ao tema “O Livro Negro do Aeroporto da Ota e o TGV”.

Na verdade, ao pretender-se implantar um aeroporto em terreno com desnível de 30 metros e alagadiço (actualmente está coberto por imenso lençol de águas de muitos metros de altura, provenientes das últimas chuvas), sem qualquer tipo de consistência o que obrigaria a uma obra de engenharia monumental, para durar não mais do que 20 anos, os governos que nos desgovernam têm vindo a dar, vezes sem conta, provas de teimosia sem nexo e verdadeira indiferença pelos destinos do país.

Só a compactação dos terrenos seria uma obra gigantesca! E o aeroporto ficaria sem possibilidade de futuras ampliações, por falta de espaço disponível. Daqui se retiram algumas certezas:

A primeira é a de que construir um aeroporto na Ota é um louco desperdício de meios e uma fonte de gastos perfeitamente inúteis;

A segunda, a de que tudo parece favorecer apenas alguns interesses não muito claros, já que a posse dos diversos terrenos não se mostra à luz do dia, antes se faz representar por empresas do tipo off-shore, assessoradas por sociedades de litígio legal;

Finalmente, por agora, a de que a tal plataforma giratória para voos intercontinentais, em compita com Madrid (Portugal tem uma situação privilegiada no que concerne às ligações com África, América do Sul e até mesmo Central e do Norte) com a consequente entrada de capitais no país, com que se tem alegre e descuidadamente, se não com sofisma, acenado ao Zé Povinho, não passa de puro engano, pois que na Ota tal é absolutamente inviável, não terá a mínima possibilidade de vir a acontecer, por completa ausência de condições no terreno e até climatéricas, atendendo à orientação dos ventos dominante na zona.

Esperemos pelos capítulos seguintes desta saga. Ainda tudo vai voltar à estaca zero, por força das circunstâncias (porque as circunstâncias, como é sabido, têm muita força…). Entretanto, avultadíssimas verbas terão sido, entretanto, deitadas para o escoadouro das águas das cheias, pluviais e do Tejo, na Ota. Que importa isso, não é verdade?

A despeito de tudo quanto fica dito, não obstante a solução ser impraticável, imagine-se: a decisão já foi tomada!

Faltou dizer ainda o seguinte: não são apenas os interesses por detrás do cortinado já referidos a fazer a sua pressão; o lobby dos autarcas da região é igualmente muito pressionante.

O Professor António Brotas teve oportunidade de distribuir alguma documentação sobre o assunto, documentação que demonstra o que tem sido dito ao público e dele escamoteado, acerca do assunto, desde 1998, na qual se inclui uma planta topográfica do local da “futura” implantação do NAER, através da qual se prova que só muito dificilmente o aeroporto virá a ser uma realidade, em face dos obstáculos com que se defronta.

Infelizmente, não me foi possível receber essa documentação, à excepção de uma fotocópia da planta topográfica, em mau estrado, mas que, mesmo assim, não resisto a revelar aqui.

Tive, porém, oportunidade de falar pessoalmente com o ilustre catedrático e aguardo a chegada de mais documentação, de forma regular, de que darei notícia à medida que for chegando ao meu poder.

Isto porque o assunto é mesmo muito sério e, consequentemente, a todos interessa.


click na imagem, para ampliar

Nesta imagem se pode ver a planta topográfica da zona de "implantação" do NAER (novo aeroporto de Lisboa).
A azul a elevação que se encontra no enfiamento da actual pista.
(Era sobre esta pista que inicialmente se pensava construir as novas. Verificada a impossibilidade, em virtude da existência da elevação - por lapso indicada como tendo a cota de 30 metros, o que não corresponde à verdade, uma vez que a cota de 30 metros é a da actual pista, sendo a de 5 metros a dos terrenmos circundantes, pelo que o desnível é de 25 metros, cujo efeito pode ser avaliado na foto que segue.
A verde a actual pista.
A vermelho o enfiamento projectado da que se pretende agora corrigir, mas sem quaisquer estudos.
A Aéroports de Paris limitou-se a traçar na planta duas linhas alternativas, sem cuidar de proceder a quaisquer estudos no terreno...

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Foto Heli Tours no site "Pelicano - aviação ultraligeira" - http://www.pelicano.com.pt/zp_ota.html

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