Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

segunda-feira, 25 de abril de 2011

2781. A "troika" actua, mas a protecção ao vilarista continua

Extremamente “trágico” para o PS do vilarista é a circunstância de a “troika” (FMI, BCE e Comissão Europeia) ter obrigado, por questão de linear transparência, a que se incluísse nas contas do Estado de 2010 o valor dos custos de três – apenas três por enquanto, note-se! – das parcerias público-privadas, as famosas PPPs.

Tal exigência, que era o mínimo que se poderia fazer, obrigou a que o deficit orçamental de 2010, subisse de 8,6% para 9,1%.

* De notar que o governo começou por jurar a pés juntos e dedos atrás das costas em figa, como os putos fazem, que o déficit de 2010 era de 7,3%;

* quase de seguida, chegou ao desplante de garantir que seria ainda menor, ou seja, de 6,9%;

* depois, o INE teve de vir corrigi-lo para 8,6%;

* finalmente, a “troika” acaba de obrigar a trazê-lo para os mais verdadeiros 9,1%.

Ora, calcula-se que não irão parar por aqui as correcções a que a “troika” os obrigará, pois que falta ainda muita coisa e o embuste não tem fim.

Esta é apenas uma pequena parte de um logro de que o INE tinha perfeito conhecimento e não corrigira agora para não ser conhecido antes das eleições de Junho. Por isso e como não era possível continuar a esconder o facto, tudo se preparava, com a conivência do amiguinho Eurostat – que elabora relatórios a partir dos falsos relatórios dos amigos – para que as coisas se soubessem apenas em Setembro, já bem depois das eleições.

Por aqui se vê a vilarice pegada.

A “troika”, porém, cortou as voltas aos aldrabões e obrigou a que uma parte fosse desde já posta no são.

Talvez assim a generalidade dos portugueses perceba FINALMENTE, o quão indispensável era que os fiscais tivessem vindo há muito mais tempo. Agora não estaríamos nos assados em que a cambada de vilaristas nos pôs.

O significado liminar de tudo isto é o de que o governo, ao garantir que o déficit orçamental de 2010 era de 6,9%, estava uma vez mais a vilarizar as contas do País, desta vez em nada mais nada menos do que montante a rondar os 3.000 milhões de euros. Repito, agora por extenso: três mil milhões de euros !!!!

Curiosamente – ou não – tal vilarice, de gravidade inaudita e jamais vista, não está a ser devidamente assinalada.

Que a Comunicação Social – nomeadamente as TVs – não o faça, já não surpreende ninguém. É bem sabido que, de modo geral, está apanhada na rede dos compadrios, favores ilícitos e/ou ameaças; que os partidos da Oposição, especialmente o PSD, não o tenham ainda feito, é incompreensível e suicidário.

Será porque estão apanhados pela urdidura cavilosa de que não se pode deixar cair o PS, mesmo que isso represente salvar o vilarista?

Então, o país, senhores? O país no meio de todas estas jogadas, como é que fica? Endividado, sem honra, sem glória, mergulhado na lama pútrida e fedorenta da mais odiosa ignomínia? A isto chegámos?

Mas que merda vem a ser esta, afinal?

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