Os portugueses têm de salvar-se de si próprios, para salvarem Portugal

domingo, 4 de fevereiro de 2007

853. Aborto livre: resumindo


1 – Em defesa do aborto livre até às 10 semanas, encontramos em campanha todo um governo, a começar pelo primeiro-ministro, que devia, no mínimo, manter uma prudente distanciação relativamente a assunto de tal melindre, a colaborar num proselitismo de morte, conducente àquilo que consideram a solução final para alegados problemas de algumas mulheres.

A que título, governantes actuando nestes termos, podem pretender o respeito dos cidadãos? Em 1998, o primeiro-ministro tomou a última atitude decente que podia tomar, ou seja, ao menos por decoro, absteve-se de intervir.

2 – Razão válida para o aborto livre, nas palavras da namorada do 1º ministro, está na miséria de ter-se um filho apenas por não se ter tido dinheiro para abortá-lo.

3 – Não há razão para que um médico ajude uma mulher na prática de um aborto. Isto, porque a destruição de um feto não é um acto médico; pelo contrário, é um acto que ofende a deontologia médica, já que uma mulher grávida não é uma doente nem o ser humano dentro dela o é igualmente.

4 – Do juramento de Hipócrates:

(…) Manterei (eu, médico) o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. (…)

5 – Qualquer disposição institucional pode ser legal e, no entanto, indigna e imoral. Os direitos humanos, com especial relevância para os direitos dos mais fracos e desprotegidos, sobrepõem-se a qualquer lei. O mesmo se diga em relação à Ética e à Moral. Nenhuma lei é legítima se não observar os impostergáveis príncípios da Ética e da Moral.

6 – Na questão do aborto livre há dois sujeitos intervenientes principais, rodeados por outros meramente secundários. São eles, a mulher e o filho que traz no ventre.

Os defensores do Sim ao aborto livre enchem a sua imoral argumentação e a propaganda com preocupações quanto à mulher, dos dois o mais forte, o que por si só pode fazer a sua própria defesa; quanto ao ser humano dentro do ventre daquela, completamente indefeso, nada dizem, preferem calar.

Procedem assim, por actuarem com sofisma e, acima de tudo, de má consciência. Sabendo-o. E, para além de o saberem, intimamente o reconhecerem. Não é apenas má consciência; é nítida má fé.

7 – Os dados que os defensores do aborto livre apresentam para sustentarem os pontos de vista que defendem são falsos. Foi o próprio ministério da justiça que, há um mês e porque a isso obrigado, o demonstrou, com os números oficiais que deu a conhecer, sob a assinatura do próprio ministro, ele mesmo um defensor do Sim ao aborto livre.

8 - Criticar fortemente agressões físicas a crianças, mesmo que tais agressões não resultem na morte, todos, defensores do Não e do Sim ao aborto livre, o fazem sem rodeios.

Insurgir-se contra abusos sexuais praticados contra crianças todos o fazem abertamente.

Denunciar violência moral contra crianças, todos se dizem dispostos a fazer, sem problemas de consciência.

Contra o aborto todos se dizem.

Porém, apenas os defensores do Não ao aborto livre, se mostram coerentes e respeitando as suas palavras, que, em plenitude, fazem coincidir com as convicções com que se afirmam.

9 – Outros dados, estes agora a desmentirem a argumentação de que a liberalização do aborto faz diminuir o seus números:

(…) no Reino Unido (…) segundo dados da Eurostat, desde a legalização o número de abortos foi multiplicado por sete e (…), em 2005, atingiu-se, no que se refere a Inglaterra e Gales, o número record de 186.416 e, no que se refere à Escócia, o número record de 12.603-(…).

Em Espanha, (…) o crescimento do número de abortos foi de 75,3% entre 1993 e 2003, e de 48,2% entre 1998 e 2003 (…).

Na Bélgica, foi atingido, em 2003, o número record de 16.707 (…).
Na Austrália, o número de abortos foi multiplicado por sete desde a legalização e atinge os cerca de 100.000 por ano (…)

Também não é verdade que a liberalização do aborto não se traduza no incremento de abortos múltiplos, na repetição da prática do aborto.

Nos Estados Unidos, a maior parte dos abortos legais é praticada por mulheres que já tinham praticado outros abortos anteriormente. No Reino Unido, cerca de 1.300 adolescentes por ano pratica um aborto pela segunda vez (…)

10 – A triste realidade é que as razões que os apoiantes do Sim ao aborto livre têm apresentado se consubstanciam nesta máxima, que envergonha qualquer ser humano:
...
- A solução dos alegados problemas de uma mulher grávida passa pela morte, por si própria decretada, do ser humano que traz dentro de si.

11 comentários:

H. Sousa disse...

Caro Ruben, felicito-o pela forma clara como desmonta a hipocrisia e a falta de humanidade, a mentira que está bem patente na inversão de valores documentada na figura. O não que é sim e o sim que é não.
Os tios sabem a cartilha toda.

Ruvasa disse...

Viva, caro H. Sousa!

Agradeço-lhe as palavras amáveis.

Deixe-me que diga que não me considero mais clarividente do que qualquer outra pessoa. Sou igualzinho a qualquer cidadão minimamente interessado e preocupado com os seus compatriotas, com o seu País, com a Ética e com a Moral.

Acontece que, neste caso do aborto livre até às 10 semanas - e, afinal, em tantos outros - há uma circunstância que parece que muita gente com princípios filosóficos de vida decentes e noção das responsabilidades ainda não interiorizou e, portanto, ainda não começou a combater. E é urgente que o faça!

O tipo de terminologia e a forma de apresentação da questão foram, desde sempre, introduzidos e comandados pelos adeptos do Sim, capitaneados pela chamada Esquerda folclórica e alarve – porque de um lado e do outro há gente digna - e mais a sua cultura de pacotilha, em atitude claramente sofismática, sacaneante e de pulhice total.

Quase toda a gente, mesmo a bem intencionada, foi atrás dos eufemismos e da terminologia de má fé - talvez até por tanto ter sido sempre massacrada com a tão apregoada quanto falsa superioridade moral e intelectual da "sinistra" - não se precatando nem cuidando de verificar que basta que às coisas se chame os nomes que as coisas REALMENTE têm, para que todo o edifício tão laboriosamente erguido por essa gentalha, desabe por terra, com fragor. É que, com gente dessa, não há que ter contemplações.

Por mim, não receio "ficar mal na fotografia geral", desde que não o fique na que interiormente recolho de mim próprio.

Assim sendo, reivindico - e é a única virtude que reivindico - ser dos poucos, muito poucos infelizmente, que não têm medo de dizer as coisas tal qual são, de chamar os bois pelos nomes.

Sei que não sou ouvido ou que o serei por poucos, porque grande parte das pessoas em Portugal são "marias que vão com as outras", desde que seja moda, e é notório que, à grande massa dos nossos concidadãos, faltam os conhecimentos - e a vontade de os adquirir - necessários a que possam formar opinião, assumir uma mínima capacidade de ajuizar criticamente. Tudo isto resultante de uma deficientíssima educação curricular e cívica, mesmo nos casos em que os diplomas académicos e outros apresentados pareçam indicar o contrário.

Considero que há situações em que contemporizar com eufemismos, sofismas e outras “ismos” e “ismas” lesivos dos interesses da comunidade é crime. De omissão, sim, mas crime.

Lamento - lamento imenso, creia - que pessoas que pensam como eu, que acredito serem a maioria, se deixem ficar de braços cruzados, amorfos, sem nada fazer, deixando-se levar e deixando que outros sejam levados por meia dúzia de cretinos e idiotas, autênticos labregos, que, porque têm acesso aos mais diversos e mais poderosos - veja-se o caso do "Eixo do Mal" e de outros de igual jaez e gabarito - meios de veiculação de ideias, martelam constantemente o cidadão comum com palermices, no melhor dos casos, e verdadeiros atentados à Ética e à Moral, no pior, como no vertente, até que levam a sua de vencida.

É triste, mas é assim mesmo, caro Sousa.

Abraço

Ruben

Isabel Magalhães disse...

Eu voto NÃO ao aborto!


Tudo isto me parece extremamente claro, mas, e quando em dúvida, - como já deixei no post anterior - o melhor é dizer Não!

A pergunta do referendo usa de falta de transparência, e é - como muito bem diz - orientada para os que querem votar SIM.

Também me parece que o o senhor PM deveria ter tido o cuidado de não se pronunciar mantendo o tal prudente distanciamento. Enfim!

Tb acho que o (des)governo que temos se esqueceu de informar as mulheres, que 'eventualmente' venham a recorrer ao aborto em estabelecimento hospitalar, a quantos abortos têm direito. Um de dois em dois meses, dois por ano, um por ano...? e se e quando ultrapassado esse número qual é a alternativa. É que com a precaridade do nosso SNS e a falta de meios e verbas, tem que haver qq coisa na manga do PM.

Abraço.
I.

Isabel Magalhães disse...

Criei um link no

www.oeiraslocal.blogspot.com

abraço.
I.

Ruvasa disse...

Viva, Isabel!

Tocou num ponto fundamental da socrática elementaridade, a que acresce a triste precariedade de alguém que não sabe o que faz.

As coisas são todas engendradas sobre o joelho e o que agora é, COM TODA A CERTEZA - logo à noite já não é, tendo sido substituído pelo diametralmente oposto.

Quanto à questão de fundo, constato que também a Isabel se apercebeu de todo o sofisma e de toda a má fé contidos nas posições do Sim.

Sou do entendimento de que basta que chamemos as coisas pelo seu devido nome e tudo se clarifica.

Abraço igual

Ruben

henrique disse...

...
Lamento - lamento imenso, creia - que pessoas que pensam como eu, que acredito serem a maioria, se deixem ficar de braços cruzados, amorfos, sem nada fazer, deixando-se levar e deixando que outros sejam levados por meia dúzia de cretinos e idiotas, autênticos labregos, que, porque têm acesso aos mais diversos e mais poderosos - veja-se o caso do "Eixo do Mal" e de outros de igual jaez e gabarito - meios de veiculação de ideias, martelam constantemente o cidadão comum com palermices, no melhor dos casos, e verdadeiros atentados à Ética e à Moral, no pior, como no vertente, até que levam a sua de vencida.


Creio que apenas me resta manifestar o meu igual empenho para que os bois sejam tratados pelos seus nomes. Apenas e só isso bastaria para que ninguém fosse enganado votar o Sim que é Não à Vida.
Abraços

Ruvasa disse...

Viva, Henrique!

Que venham mais, que venham todos, que esta é um luta sem tréguas. A luta pela Vida, pela dignidade do ser humano, de todos os seres humanos, não pode ter cedências.

Abraço

Ruben

Rui Freitas disse...

Com a devida vénia, criei um link para este seu "post". Espero que me autorize este "arrojo"!
Porque... EU SOU PELA VIDA!
Não de "olhos vendados", mas com a certeza da força da razão e não da razão da força!
http://pacodearcos.blogs.sapo.pt/

Ruvasa disse...

Viva, Rui Freitas!

A intenção com que criou o link só me lisonjeia.

Por outro lado, quanto mais pessoas se aperceberem das realidades, postas a nú em praça pública, menos gente haverá a ser ludibriada, com argumentos que se sabe que são completa e redondamente falsos, numa atitude de total desprezo pelo bem mais precioso que ao ser humano pôde ser oferecido: a vida.

Cumprimentos e disponha sempre.

Ruben Valle Santos

Daniel Oliveira disse...

Podíamos perder muito tempo aqui para debater a sua argumentação. O exemplo que escolheu, o da Bélgica, seria um bom começo. É o segundo país do Mundo com menos abortos por mil mulheres férteis. Uma tragédia, como vê. O primeiro é a Holanda. Poderia discutir consigo porque é assim nestes dois países e noutros dois (Cuba e Roménia), com legislações quase iguais, é exactamente ao contrário. Podia também dizer-lhe que os exemplos que escolheu para mostrar que aborto sobre quando despenaliza são os que tem. Na Áustria, Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Itália, Noruega e Suécia desceu (números do OMS). E que podemos debater números e acreditar nuns e noutros, mas a seriedade deste debate exige que não sejamos selectivos nos exemplos que escolhemos.

Podia depois falar-lhe do número de mulheres que morrem ou ficam estéreis ou têm problemas de saúde graves por aborto clandestino, coisa que por essa Europa fora é impensável. Mas desta parte suponho que não vale a pena falar. Alguém que se refere a uma conhecida jornalista como «namorada do 1º ministro» mostra o respeito que tem pelas mulheres.

Já agora, o sim e o não é à despenalização do aborto, não é ao aborto. É só para ajudar. Não vá o senhor chegar ao boletim de voto e julgar que se enganou.

Ruvasa disse...

Olá, Daniel Oliveira!

Resolvi responder-lhe mais em aberto, em post, portanto.

Tem o nº 855 e o título "Resposta a Daniel Oliveira".

O url? http://ruvasa2a.blogspot.com/2007/02/855-resposta-daniel-oliveira.html

Os meus repeitos.

Ruben Valle Santos